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O LIVRO DE MELQUISEDEQUE

Ter, 09 de Agosto de 2011 21:58

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(Uma Parábola)

 

“Escutai, povo meu, a minha lei; prestai ouvidos às palavras da minha boca. Abrirei os lábios

em parábolas e publicarei enigmas dos tempos antigos”Sl.78:1,2.

 

Os Rolos do Mar Morto

 

No deserto da Judéia, no litoral do Mar Morto, próximo a Jerico, acampava-se uma tribo semibeduína conhecida como Taamireh. Era o início da primavera de 1947, quando um dos filhos daquela tribo, Muhammad edh-Dhib, um jovem de apenas 15 anos de idade, pastoreava o rebanho de seu pai. Ao retornar para casa, descobriu que estava faltando uma cabra. Deixando o rebanho seguro no curral, retornou sem demora à procura da que havia se transviado.

Depois de caminhar por muitas partes em busca da cabra perdida, o beduíno sentou-se junto à uma gruta, vencido pelo cansaço. Não sabia que os seus passos errantes o conduziram naquele entardecer para próximo de um tesouro de inestimável valor. Ele encontrava-se naquele momento na região noroeste do Mar Morto.

Ao arremessar uma pedra para dentro da caverna, o beduíno ouviu um ruído surdo que pareceu-lhe o som de um vaso de barro quando cai. Achou muito estranho aquilo e, movido por um misto de curiosidade e medo, aproximou-se da abertura para ver o que se encontrava lá dentro. A princípio, somente conseguiu ver a escuridão que reinava dentro da caverna que voltara a ficar silente. Depois de alguns instantes, seus olhos começaram a avistar contornos que lhe pareceram grandes jarros.

Vieram-lhe então à lembrança histórias que ouvira desde mui pequeno, sobre Sheitan, o espírito mau que vive nas cavernas. Não seria aquela gruta a sua morada? Este pensamento o fez fugir dali apressadamente, em direção de sua tenda. Tão grande era o medo, que se esqueceu inteiramente da cabra que se perdera.

Ahmed, o seu irmão mais velho ,ao ouvir sua história, riu de sua falta de coragem. Ahmed, contudo, não conseguia esquecer-se daqueles vasos que seu irmão afirmara ter visto no interior da caverna; E se existisse dentro deles tesouros? Esse pensamento fez com que perdesse o sono naquela noite. Assim que o dia raiou, pediu que seu irmão o levasse àquele lugar de onde fugira.

Cheios de esperança e coragem rumaram naquela manhã em direção ao possível tesouro.

Olhando atentamente para o interior da caverna, Ahmed constatou que, realmente, havia jarros ali.

Cheio de euforia, passou a remover os pedregulhos que estreitavam aquela abertura, até que conseguiu resvalar-se para dentro da gruta. Estava muito escuro a princípio, mas suas vistas foram-se acostumando e, dentro de instantes, viu-se cercado pelos vasos de barro. Com muito cuidado, evitando que se quebrassem, foi tomando-os, um por um, e passando-os para o irmão, que ficara do lado de fora.

Curioso para ver o que havia naqueles vasos, Ahmed saltou para fora da Gruta. Ao introduzir a mão num daqueles vasos, tirou um embrulho feito de panos de linho. Abriram-no na expectativa de encontrar ouro ou pedras preciosas, mas os irmãos ficaram decepcionados ao descobrirem apenas um rolo, feito de coro de cabras. Em todo o rolo, havia uma escrita que não puderam decifrar. Os demais jarros traziam igualmente grandes rolos de couro.

Os beduínos ficaram, inicialmente, sem saber o que fazer com aqueles rolos. A primeira idéia foi a de devolvê-los à caverna; Mas, pensando melhor, decidiram vendê-los para algum sapateiro ou colecionador de coisas antigas.

Khalil Iskander Shahin, conhecido como Kando, tinha uma sapataria em Belém. Remendava uma bolsa quando dois beduínos entraram em sua sapataria, arrastando consigo sete grandes rolos.

Colocando-os sobre o balcão, perguntaram o quanto ele poderia pagar por todo aquele couro.

Analisando os rolos, viu que estavam muito envelhecidos e, com certeza, não lhe seriam úteis.

Khalil estava para despedir os moços quando, atraído por aquelas escritas, resolveu adquiri-los, pensando em revendê-los para algum colecionador de antigüidades. Pagou então uma ninharia por eles, e os rapazes, ainda que cansados por todo esforço, saíram felizes.

Durante alguns dias, os rolos permaneceram esquecidos em um canto da sapataria, enquanto Khalil, procurava em vão despertar o interesse de seus clientes por eles.

Athanasius Y. Samuel, arcebispo metropolitano do Mosteiro São Marcos, em Jerusalém, tomou conhecimento sobre os rolos através de um membro de sua paróquia que os vira na sapataria de Khalil. Dirigiu-se até lá e, como não conseguia carregar todos, adquiriu quatro deles. Alguns dias depois, Khalil vendeu os outros três para o professor Eleazer Lipa Sukenik da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Ao analisar os quatro rolos, Athanasios conscientizou-se de haver adquirido uma preciosidade.

Decidido a fazer fortuna com sua venda, levou-os clandestinamente para os Estados Unidos, onde passou a oferecê-los para pessoas e instituições que acreditava poderem se interessar por eles.

Ninguém, contudo, aceitou sua proposta, pois o preço exigido era muito alto.

Desanimado, Athanasios decidiu, numa última tentativa, colocar um anúncio no Wall Street Journal.

Preço Multiplicado

Era início de 1954, quando o General Yigael Yadin, Chefe do Estado-Maior do Exército Israelense, ao ler o Wall Street Journal, foi atraído para o pequeno artigo que falava daqueles quatro rolos encontrados no Mar Morto, contendo manuscritos bíblicos datados entre 100 a 200 anos a.C.;

Sua aquisição poderia ser ideal para instituições educacionais ou religiosas.

Yigael era filho do professor Eleazer, que comprara os três últimos rolos. Desde então, eles estavam desesperados à procura dos outros quatro.

Depois de recortar o anúncio, Yigael ligou imediatamente para o aeroporto, exigindo uma passagem no próximo vôo para os Estados Unidos. Jamais fizera uma viagem sentindo-se tão ansioso; Aquelas horas de vôo pareciam-lhe uma eternidade.

Ao desembarcar, dirigiu-se imediatamente ao endereço indicado no anúncio. Chegando ao local, viu que várias pessoas, atraídas pelo anúncio, faziam uma grande fila para conhecerem os tais rolos. Seria uma loucura permitir que elas entrassem antes dele, por isso, encaminhando-se para junto da porta, colocou-se como o primeiro da fila. Alguns começaram a reclamar, mas ele, tocando na porta, desculpou-se, afirmando ser amigo de Athanasius.

Ao ouvir os toques na porta, Athanasios, que mostrava a um possível comprador os pergaminhos, foi ver quem era. Sem saber que tinha diante de si o General do Exército Israelense, Athanasios foi rude, mandando-o esperar pela sua vez. Isto o fez passar vergonha diante das pessoas, a quem havia afirmado há pouco ser amigo daquele homem. Começaram então fortes protestos e, alguns se adiantaram querendo tirá-lo a força de seu primeiro lugar na fila. Nesse momento, Yigael, que não queria revelar sua identidade, vociferou com fúria, mostrando sua alta patente confirmada por uma credencial que ergueu aos olhos de todos. Esse gesto fez com que o sentimento de humilhação e vergonha se transferisse para aqueles que o afrontaram.

Ao chegar a sua vez, Yigael, sem se identificar, perguntou para Athanasios o valor que ele esperava receber pelos rolos. Não querendo ainda lhe dar o preço, convidou-o a ver os pergaminhos.

Yigael, ressentido pelo tratamento que havia recebido, disse secamente que não estava ali movido pela curiosidade, querendo simplesmente admirar-se ante aqueles rolos; Estava ali para comprá-los.

Assim, para não perderem tempo, gostaria de saber o quanto pagaria por eles.

Athanasios que, dominado pelo desânimo, estava a ponto de vendê-los por qualquer preço que cobrisse suas despesas de viagem, abaixou, a cabeça e meditou: Se conseguisse vendê-los por $ 5.000 já estaria bom; Mas não lhe custaria pedir mais: quem sabe dez vezes mais, $ 50.000; Ou mesmo cinqüenta vezes cinco. Seus lábios então pronunciaram o preço de $ 250.000.

Prontamente, Yigael tomou seu talão e preencheu um cheque de 250.000 dólares. Ele o faria com a mesma determinação, ainda que o processo multiplicador continuasse na mente do ancião em dezenas de outras operações.

Ao conferir no cheque o valor daquela fortuna, Athanasios ficou possuído por um sentimento misto de alegria e vergonha, pois o mesmo continha a assinatura do Chefe do Estado-Maior do Exército Israelense, a quem pouco antes tratara com estupidez.

Quando a porta novamente se abriu, a fila de curiosos foi aniquilada pelos passos daquele que já havia sido herói de muitas batalhas, e que conduzia, sob os poderosos braços, os rolos da Gruta 1, a sua maior conquista. Agora, os sete rolos eram propriedade do Estado de Israel, que desfrutava seus primeiros anos de independência, depois de um desterro de milênios.

Ao serem os sete rolos cuidadosamente analisados por eruditos em Israel, comprovou-se que se tratavam dos mais antigos manuscritos já descobertos pelo homem, datados de tempos anteriores aos dias de Cristo. Um dos rolos, o mais conservado dos sete, apresentava uma cópia do livro de Isaías que, ao ser comparado com as cópias modernas, trouxe a certeza de que não houve nesses dois milênios nenhuma alteração de sua mensagem profética.

Os demais manuscritos, também de grande importância, são: O Manuscrito de Lameque, conhecido como O Apócrifo de Gênesis, que apresenta um relato ampliado do Gênesis; A Regra da Guerra, que descreve a grande batalha final entre os filhos da luz e os filhos das trevas, sendo os descendentes das tribos de Levi, Judá e Benjamim retratados como os filhos da luz, e os edomitas, moabitas, amonitas, filisteus e gregos representados como os filhos das trevas. Há também um pergaminho com Os Hinos de Ação de Graças (Hodayot), uma seqüência de 33 salmos que eram cantados, em cultos de adoração ao Criador, o grande Adonai.

 

O que os Eruditos Encontraram

Dois anos depois da experiência daqueles jovens beduínos, dois arqueólogos, G. L. Harding e R. De Vaux, auxiliados por quinze habitantes daquela região do Mar Morto, começaram novas buscas nas proximidades daquela caverna que viria a ser conhecida como Gruta 1. Em dois anos de incansáveis pesquisas, descobriram as ruínas do Mosteiro de Khirbet Qumran, uma propriedade dos essênios. Dentre os muitos objetos ali descobertos, encontraram uma sala onde os manuscritos eram preparados, ao qual deram o nome de scriptorium. Foram encontrados naquela sala dois tinteiros, ambos contendo restos de tinta de carvão do tipo usado nos pergaminhos. Encontraram também uma escrivaninha, ao lado da qual havia concavidades que, possivelmente, eram usadas para armazenar água limpa, com a qual o piedoso escriba purificava as suas mãos, ao iniciar as cópias das Sagradas Escrituras, ou mesmo antes de escrever o nome Eterno.

Um grande terremoto, ocorrido no ano de 31 a.C., trouxe muitos danos ao Mosteiro de Khirbet Qumran, exigindo a reconstrução de alguns de seus compartimentos. Em 68 AD, com o avanço da Décima Legião Romana, comandada por Vespasiano, o Mosteiro foi completamente destruído, e a maior parte de seus ocupantes mortos ou levados cativos. Existem muitos indícios de que tenha sido por esta ocasião que os essênios, no intuito de preservar seus preciosos rolos, esconderam-nos nas cavernas.

 

As Grutas 2 a 10

Enquanto os arqueólogos prosseguiam as escavações das ruínas do Mosteiro Essênio, alguns beduínos, incentivados pelas descobertas da Gruta 1, empreenderam-se em incansáveis buscas, vasculhando toda aquela região montanhosa do Mar Morto em busca de novos vasos.

No mês de fevereiro de 1952, descobriram finalmente, ao sul da Gruta 1, a Gruta 2, na qual encontraram partes de dezessete manuscritos bíblicos e uma porção maior de manuscritos nãobíblicos.

 

Ao todo, eram 187 fragmentos.

Com a descoberta da Gruta 2, a atenção dos arqueólogos e de todos aqueles pesquisadores do Mar Morto, voltou-se para as cavernas. Deixando as escavações daquele Mosteiro, iniciaram uma exploração sistemática em toda a área de Qumran. Um mês depois, no dia 14 de março, encontraram a Gruta 3. Além de centenas de fragmentos de outros manuscritos, encontraram nesta caverna um documento muito especial: eram três folhas de cobre muito fino, cada qual medindo 0,30 m por 0,80 m. Examinando aquelas lâminas de cobre, descobriram que compunham originalmente um único rolo, pois suas extremidades traziam as marcas de seu ligamento. O estudo posterior deste documento revelou-se de grande importância, pois trazia detalhadas informações sobre as demais grutas que continham documentos e tesouros.

À medida que novas grutas eram descobertas, novos documentos vinham à luz, fazendo crescer o interesse pelo assunto que passou a ser amplamente divulgado pelos jornais e revistas, criando um clima de grande expectativa. Tudo era tão fantástico que até mesmo pessoas incrédulas começaram a pressentir naquelas descobertas algo miraculoso, como se um poder sobrenatural houvesse reservado, nas entranhas daquelas rochas, uma mensagem para um mundo que, somente naquela metade de século, havia experimentado os horrores de duas grandes guerras, que pareciam prenunciar o fim do mundo, como retratado em muitos daqueles manuscritos.

Depois da descoberta da Gruta 6, em setembro de 1952, as buscas foram intensificadas, não trazendo, contudo, nenhuma nova descoberta por um período de quase três anos. Na manhã do dia 2 de fevereiro de 1955, quando, vencidos pelo desânimo, estavam a ponto de suspenderem as buscas, foram agraciados pela descoberta da Gruta 7. Ainda que os documentos encontrados nessa caverna se mostrassem muito danificados, os arqueólogos sentiram-se renovados em seu ânimo de prosseguirem com as procuras, certos de que teriam novas recompensas. Esta perspectiva não foi frustrada, pois entre os dias 2 de fevereiro e 6 de abril de 1955, haviam sido agraciados com os tesouros das Grutas 7, 8, 9 e 10. Com todo esse sucesso, intensificaram ainda mais as buscas, porém sem nenhum resultado.

 

O Presente de um Rei

(Uma Parábola Baseada em Fatos Reais)

Dez grutas já haviam lançado de suas escuras entranhas centenas de documentos de incalculável valor,

enriquecendo toda a humanidade com um patrimônio jamais sonhado. Muitos arqueólogos, satisfeitos com o que fora encontrado até então, empreendiam, ao lado de peritos, a organização de todos aqueles documentos, muitos até então mantidos empilhados em seus acampamentos. Nem sequer passava-lhes pela cabeça o pensamento de que a maior de todas as descobertas ainda estava para vir.

Num dia ensolarado de janeiro de 1956, quatro beduínos irmãos caminhavam errantes por entre as rochas que se elevam ao norte do Mar Morto. Não haviam saído naquele dia com a intenção de procurar cavernas; Contudo, num gesto involuntário, seus olhos detinham-se em cada fenda de rocha, pois, no decorrer daqueles anos, procurar buracos nas rochas tornara-se um hábito na vida daqueles beduínos. Quando os encontravam, imediatamente enfiavam neles a cabeça à procura de vasos.

Muitos deles já haviam conseguido, por causa desse costume, elevadas somas de dinheiro que, dificilmente ganhariam em todo um ano.

Foi assim que o mais velho deles, ao descobrir numa das rochas uma pequena abertura, correu para lá para observar. Tudo o que conseguiu ver a princípio foi a escuridão que reinava no silêncio da caverna. Contudo, pondo em prática um dos segredos que somente os beduínos caçadores de vasos conheciam, permaneceu encarando as trevas, esperando vê-las fugir. Unicamente aqueles que eram suficientemente corajosos para encararem as trevas por alguns minutos, sem se moverem, poderiam ser agraciados com os tesouros das cavernas.

Pouco a pouco, o interior da gruta foi clareando aos seus olhos, e a figura nítida de um jarro começou a revelar-se. Feliz, o beduíno correu para os seus irmãos, contando-lhes sobre sua descoberta.

Aquele, abaixo do mais velho, correu para certificar-se, e encontrou um segundo vaso ao lado do primeiro. Cheio de alegria, correu para anunciar aos irmãos.

Veio então o terceiro beduíno que, sem nenhuma pressa, passou a encarar a escuridão, até vê-la desfazer-se quase por completo. Aos seus olhos revelaram-se três vasos, sendo o terceiro um pouco maior que os dois primeiros. Estava muito contente com esta descoberta, mas não tinha pressa em revelá-la aos irmãos, por isso, permaneceu por longo tempo observando-os.

Os beduínos, imaginavam, agora, a forma como poderiam retirar aqueles jarros. Ficaram a princípio desanimados, ao perceberem que a boca da caverna era muito estreita. Concluíram que, para apossarem-se daquele tesouro, teriam de quebrar e remover muitas pedras, até que a boca da caverna pudesse engolir um deles.

Estavam ao ponto de desanimarem, quando aquele que descobriu o terceiro vaso teve uma idéia: apontando para o irmão mais novo, que era ainda uma criança, disse aos irmãos:

- Se jogarmos o garoto dentro da caverna, ele poderá nos passar os vasos.

A idéia, comemorada com risos, foi ouvida com angústia pelo menino. Ele começou a chorar, implorando que seus irmãos não o lançassem naquele lugar escuro, de onde não saberia sair.

Rindo da agonia do garoto, os três beduínos agarraram-no com força, lançando-o de cabeça para baixo.

 

-------****-------

 

A caverna, por milênios adormecida, tinha agora o seu silêncio quebrado por gritos de agonia e dor. Ao cair no fundo daquela gruta escura e fria, o garoto ficou ferido, e, em seu desamparo, passou a clamar em vão por socorro. Em meio àquelas profundas trevas, o menino temia ser devorado por Sheitan, o espírito mau das cavernas.

Pouco a pouco, os gritos de desespero do pequeno beduíno começaram a cessar, à medida que

as trevas iam fugindo de seus olhos. Contudo, a dor dos ferimentos era intensa, e somava-se a ela o

desamparo de seus irmãos. Foi em meio a esse sofrimento que o menino começou a descobrir, um

por um, aqueles três vasos anunciados por seus irmãos.

Observando-os de perto, o menino conseguia ver neles belezas as quais seus irmãos não conseguiam perceber, por

estarem do lado de fora da caverna.

O primeiro jarro tinha dentro de si dois rolos muito conservados: o Livro de Levítico e o Livro de Ezequiel.

Assentando-se sob a abertura da caverna, onde havia claridade, o beduíno abriu o Livro de

Levítico, encontrando um texto que o consolou, pois falava de livramento:

"Contarás sete semanas de anos, sete vezes sete anos, isto é, o tempo de sete semanas de anos,

quarenta e nove anos. No sétimo mês, no décimo dia do mês, farás vibrar o toque da trombeta em

todo o país. Declarareis santo o qüinquagésimo ano e proclamareis a libertação de todos os

moradores da terra. Será para vós um jubileu: cada um de vós retornará ao seu patrimônio, e cada

um de vós voltará ao seu clã"(1)

A leitura sobre o ano jubileu, devolveu-lhe ao coração ferido a certeza de que seria liberto

daquela gruta em que seus irmãos o lançaram.

Depois de reler várias vezes o texto sobre o jubileu da libertação, o garoto começou a entender

que ele falava de um tempo determinado para o livramento.

------*****-------

Com o coração renovado pela certeza de que seria finalmente liberto, o beduíno tomou o

segundo rolo, o Livro de Ezequiel. Naquele livro, encontrou uma história muito parecida com a sua: a

história de Israel.

Quando era menino, Israel vivia feliz em sua tenda, gozando dos favores de seu pai. Muitas

vezes, por cometer pecados, sofria terríveis conseqüências que afetavam não somente a sua honra,

como também a de Seu Criador. Por causa de suas transgressões, Israel foi levado para um longo e

doloroso cativeiro entre as nações. Nos últimos dias, contudo, retornaria para a sua terra, tornando-se

novamente uma nação independente. Chegaria então o dia em que numerosos exércitos, comandados

por Gog, o chefe de Meseque, procurariam destruí-lo. Quando esse tempo chegasse, haveria uma

terrível batalha como nunca houve, ficando Israel retido sob um grande cerco. Sem possibilidades

humanas de escaparem, clamariam pelo socorro Eterno, e seriam acudidos no momento de maior

aperto, através de um grande livramento. Esse acontecimento marcará o início de uma semana de

anos que será decisiva para toda a humanidade. Naquele tempo os filhos de Belial se aliarão contra os

filhos da Luz, mas serão finalmente eliminados com a manifestação do Messias(2).

O livramento prometido nos livros de Levítico e Ezequiel, para um dia determinado no calendário bíblico, trouxe

alegria ao coração daquele beduíno. Consolado por esta esperança, tomou o segundo jarro que continha um rolo

igualmente conservado do Livro de Salmos e, abrindo-o, passou a ler as seguintes palavras:

"Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que obram iniquidade.

Porque cedo serão ceifados como a erva, e murcharão como a verdura.

Confia no Senhor e faz o bem; habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado;

Deleita-te também no Senhor, e ele te concederá o que deseja o teu coração.

Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele e ele tudo fará. E ele fará sobressair a tua

justiça como a luz, e o teu juízo como o meio-dia.

Descansa no Senhor, e espera nele; não te indignes por causa daquele que prospera em seu

caminho, por causa do homem que executa astutos intentos. Deixa a ira e abandona o furor; não te

indignes para fazer o mal. Porque os malfeitores serão desarraigados, mas aqueles que esperam no

Senhor herdarão a terra. Pois ainda um pouco, e o ímpio não existirá; olhará para o seu lugar, e

não aparecerá. Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz.(3)

Enquanto meditava nas palavras de consolo do Livro de Salmos, o pequeno beduíno ouvia os

gritos irados de seus irmãos exigindo-lhe os jarros. Depois de retirar deles todos os rolos, entregou-os

aos irmãos que, silenciando-se, prosseguiram em seu caminho.

-------*****---------

Aproveitando a luminosidade que descia pela abertura da caverna, o beduíno abriu o quarto

rolo que falava sobre a Nova Jerusalém. A leitura daquele livro pareceu transportá-lo para distante

daquela caverna, para as Kevod(glória)s de um reino de eterna paz. Revelou-se aos seus olhos um novo céu e

uma nova Terra, nos quais habitará a justiça e o amor. Naquele reino de perfeição, incontáveis

galáxias, repletas de mundos de luz girarão harmoniosamente em torno de uma nova Terra, povoada

por um povo santo e feliz. Ocupando todo o Oriente Médio, encontrar-se-á a Nova Jerusalém, cujas

muralhas serão de pedras preciosas e os portais de pérolas. As avenidas da cidade serão de ouro puro,

e suas mansões de finos cristais. Dentro dos murais da cidade, ao norte, estará para sempre o jardim

do Éden no meio do qual eleva-se o monte Sião, o lugar do trono Eterno. Do trono jorra o rio da vida,

brilhante como cristal, fluindo lentamente pelo meio da cidade rumo ao Sul (4).

Enquanto aguardava uma possível salvação vinda da parte de seus irmãos, o beduíno abriu o

quinto rolo que trazia lindos salmos que descreviam a felicidade e a paz que os remidos desfrutarão

na Cidade de Elohim, onde não haverá mais morte, nem pranto, nem dor.

Com o coração repleto das alegrias expressas pelos salmos do quinto rolo, o menino tomou o

sexto rolo. Ao abri-lo, encontrou o Livro de Jó. Relatava a história de um homem muito rico,

possuidor de muitas fazendas, servos e gado. Ele tinha uma linda esposa, três filhas e sete filhos. Jó

era temente e íntegro, e desviava-se sempre do mal. Todos os dias, oferecia sacrifícios em prol de

seus filhos, e orava pela sua proteção.

Certo dia, Satanás fez um desafio ao Criador, afirmando-lhe que a fidelidade de Jó era

resultado de seu egoísmo, pois era homem próspero. Aceitando o desafio, Elohim permitiu que seu

servo fosse severamente provado. E aconteceu que, num único dia, Jó perdeu tudo: suas três filhas,

seus sete filhos, seus servos, suas fazendas e seu gado. Mesmo assim, Jó louvou ao Criador,

recusando blasfemar de Seu nome.

Ao ler sobre a desgraça que se abateu sobre Jó, o menino começou a temer que tudo aquilo

viesse a se cumprir em sua vida. Há poucos instantes, haviam-lhe tirado os três vasos, será que

haveria de perder também seus rolos?

Com esta preocupação, envolveu-os em seus braços, evitando que escapassem. Mas ao olhar

para eles, ficou consolado com a certeza de que suas promessas finalmente se cumpririam, e viveria

liberto e feliz no Reino da Luz.

Enquanto meditava, esperando por um possível livramento, viu apagar pouco a pouco a

luminosidade do entardecer que chegava a ele através da pequena abertura. À medida que as trevas

iam aumentando, crescia-lhe no coração o medo de estar sozinho. Agarrando-se aos rolos, procurava

não se desesperar, lembrando-se das promessas de que seria liberto.

O pequeno beduíno, com a alma dilacerada, começou a gritar por socorro, mas ninguém

estendia-lhe a mão. Lembrando-se do jubileu, passou a clamar desesperadamente pelo socorro do

Senhor, mas foi massacrado pelo Seu silêncio. Começaram a sobrevir-lhe então terríveis tentações,

induzindo-o a pensar que o Criador fora injusto com ele, abandonando-o naquelas trevas. Mesmo

assim, o pequeno beduíno continuava abraçado aos pergaminhos, esperando pela salvação prometida.

Uma voz rouca, cheia de ira, bradou-lhe do fundo da caverna:

- Você ainda mantém-se apegado a esses rolos que o enganaram? Lança-os por terra, pois

são manuscritos falsos, sem nenhum valor.

Aflito, o menino respondeu:

- Ainda que eu morra nesta escuridão, eu jamais deixarei estes rolos, pois eles me dão

esperança.

-------****--------

Naqueles momentos difíceis, o menino começou a pensar em seus irmãos. Imaginou-os

carregando aqueles jarros vazios e teve por eles compaixão. Eles não sabiam que, ao excluírem-no de

seu meio, deixaram de receber importantíssimas revelações contidas naqueles rolos que, ainda que

envoltos em trevas, traziam a certeza de um alvorecer.

Enquanto pensava em seus irmãos, o medo de estar sozinho foi diminuindo, dando lugar a um

sentimento de paz, como se houvesse ao seu lado a presença de um amigo. Subitamente toda a

caverna iluminou-se, como se fosse dia. Ao olhar para a cavidade de onde emanava a luz, viu um

lindo vaso. Ao aproximar-se dele, prostrou-se agradecido ao ver nele o desenho de um rei que sorria,

tendo nas mãos um alaúde. Aos pés do rei,

est sedeque e de Abraão com sua oferta figurados no jarro, e a

declaração de que se comemorava um grande livramento, devolveu ao menino a paz e a certeza da

salvação. Abraçando o vaso numa tentativa de abraçar seus dois amigos, passou a amá-los

profundamente.

Com muito cuidado, para não danificar o vaso, o beduíno conduziu-o para debaixo da boca da

caverna, onde deixara os demais rolos. Ao olhar para o seu interior, sua alma ficou inundada por uma

indizível paz, e pareceu ouvir acordes cheios de ternura vindos do alaúde do rei.

------*****------

Dentro do jarro o beduíno encontrou um grande rolo: O Livro de Melquisedeque. O rolo era composto por dois

manuscritos, costurados um ao outro. Eles traziam caligrafias distintas, com assinaturas de Abraão no primeiro e de

Melquisedeque no segundo.

Em seu manuscrito, o patriarca conta a fascinante história do livramento de Ló e de muitos

habitantes de Sodoma, levados cativos por um poderoso exército. Acompanhado por apenas 300

pastores armados com tochas, bordões e chifres de carneiro, ele obteve completa vitória sobre os

numerosos inimigos. Abraão continua contando a história de Salém, conforme ouviu dos lábios de

Melquisedeque por ocasião de um banquete que seguiu ao livramento, quando entregou-lhe o dízimo

de suas riquezas e alegraram-se comendo pão e vinho.

Abraão termina contando sobre outro encontro que teve com o rei de Salém sete anos depois, quando o presenteou

com um lindo jarro que continha o seu manuscrito.

Melquisedeque que no decorrer daqueles anos registrara em um rolo revelações detalhadas

sobre a história do Universo, num gesto de humildade e gratidão, uniu os dois manuscritos formando

um único rolo, no qual os seus escritos vieram a ocupar o segundo lugar. Depois de selado, aquele

tesouro foi colocado no jarro, sendo levado pouco tempo depois para um esconderijo seguro: uma

caverna situada ao norte do Mar Morto. O grande rolo permaneceria em silentes trevas até chegar o

momento de sua revelação ao mundo, por ocasião do último jubileu

-------***** ------

Tendo em mãos um tesouro tão precioso, o beduíno esqueceu-se de toda a agonia vivida

naquela caverna. Sua atenção voltava-se agora para a última parte do rolo, onde Melquisedeque

descrevia a Nova Jerusalém. O relato era muito parecido com as revelações do quarto manuscrito.

Sua linguagem tinha igualmente o poder de transportar o leitor para aquele reino de amor e paz,

dando-lhe uma visão nítida das Kevod(glória)s da Cidade de Elohim: seus murais de pedras preciosas; seus

portais de pérolas; suas avenidas de ouro puro; suas mansões de refulgentes cristais; o rio da vida que

nasce do trono; o jardim do Éden. Podia-se até mesmo ouvir o cântico dos anjos e das multidões de

remidos reunidos diante do trono.

Cheio de alegria, o menino uniu a voz ao coro angelical, louvando ao Eterno, cuja bondade é

infinita. Enquanto cantava, notou um brilho que saía de dentro do jarro, inundando toda a caverna.

Ao olhar, descobriu no fundo do jarro uma caixinha de ouro com adornos de pedras preciosas. Na

tampa da caixa havia uma inscrição em hebraico que dizia: Um presente do Rei de Salém para aquele

que encontrar o jarro com o rolo, revelando-o ao mundo.

Sentindo-se indigno de estender a mão para tomar para si aquele presente, o menino ficou ali

encurvado por algum tempo. Finalmente, ganhou forças e coragem, tomando a caixinha de ouro, a

qual abriu cuidadosamente.

Havia nela lindas pérolas de tamanhos variados. O brilho dessas jóias espalhou-se por toda a

caverna, criando um ambiente de muita alegria e paz.

Tomando uma das pérolas, o menino sentiu que dela emanava energia que dava-lhe forças e

paciência para aguardar pelo livramento. Ao observá-la, descobriu nela três inscrições em hebraico:

Melquisedeque que significa Rei da Justiça, Jerusalém e o seu nome.

Depois de contemplar demoradamente a pérola que trazia o seu nome, ele olhou para dentro da

caixinha e viu muitas outras; Eram ao todo 144 pérolas. Depois de contá-las, lembrou-se de sua

missão: deveria, o quanto antes, sair daquela caverna com o tesouro, compartilhando-o com o

mundo.

--------*****----------

Consciente da urgência de sua missão, começou a procurar alguma maneira de sair dali.

Pareceu-lhe inicialmente impossível sair, pois a boca da caverna ficava muito acima de sua cabeça,

não podendo alcançá-la.

Depois de raciocinar em busca de uma alternativa, concluiu que, se subisse no vaso, alcançaria

o buraco. Na primeira tentativa, obteve vitória, saindo da caverna. Estava agora livre, sob o sol de

uma linda manhã, respirando, depois de muitas horas, o ar fresco.

Depois de saltar de alegria pela liberdade alcançada, o pequeno beduíno lembrou-se dos rolos e

do vaso que o salvara daquele abismo. Sabia que, depois de toda aquela experiência, não conseguiria

jamais viver longe daquele tesouro. Lembrou-se também de sua missão de tirar da caverna o vaso

com o seu tesouro, revelando-o ao mundo.

Decidido, saltou novamente para dentro da caverna, evitando, na queda, tombar sobre o vaso.

Feriu-se novamente, mas estava consolado pela certeza de que muito em breve todo aquele

sofrimento passaria, e veria muitas pessoas alegrando-se com sua mensagem

Imaginava agora o que poderia fazer para levar o vaso para fora. Teve inicialmente a idéia de

colocar o jarro sobre a cabeça, empurrando-o para fora. Essa solução, contudo, o deixaria retido na

gruta, pois não teria depois em que subir para alcançar a abertura da caverna. Mesmo assim, se não

descobrisse uma outra maneira de sair juntamente com o vaso, ele daria a ele preferência, para que o

mundo conhecesse a mensagem dos rolos. O pensamento de ficar retido naquela prisão, contudo, o

entristecia, pois ficaria impossibilitado de testemunhar o engrandecimento do vaso perante as nações.

Não encontrando nenhuma outra solução para libertar o vaso com os rolos, levantou-os

cuidadosamente rumo à passagem, mas a mesma revelou-se por demais estreita para contê-los.

Desesperava-se por não encontrar uma solução, quando uma voz soou-lhe aos ouvidos,

dizendo:

- Leia a última parte do rolo, onde a sua história é contada.

Imediatamente abriu o rolo, e procurou pela sua história. Ao encontrá-la, saltou tudo o que já

sabia, até chegar àquele momento em que estava com o Livro nas mãos. Passou a ler as seguintes

palavras:

"Na hora de sua maior angústia, o beduíno lembrou-se do meu Rolo, e, ao lê-lo, ficou sabendo

sobre uma machadinha e sobre os restos de tecidos deixados junto ao vaso: Com a machadinha ele

ampliou a boca da caverna, e com os tecidos fez uma corda com a qual puxou o vaso para fora".

Depois de ler esta declaração do Rei de Salém, o pequeno beduíno começou a procurar, até que

viu a machadinha descrita, como também os restos de tecidos, com os quais preparou a corda.

Começou logo em seguida a executar sua tarefa: com a machadinha nas mãos, subiu no jarro e,

depois de jogá-la para fora, saltou atrás. Sob um sol escaldante, passou a escavar a rocha, removendo

muitos pedregulhos que entulhavam a boca da gruta. Era um trabalho muito cansativo, tendo muitas

vezes de parar para descansar. Ao chegar à noite, saltou novamente para junto do vaso, retornando na

manhã seguinte ao trabalho.

Ao ver que a fenda fora ampliada o suficiente, o menino pulou para dentro da cova a fim de

concluir os últimos preparativos. Depois de colocar os sete rolos dentro do jarro, amarrou-o

firmemente com a corda de pano, retornando ao exterior da caverna, pronto para realizar a parte mais

emocionante de todo aquele trabalho.

Ao puxar com todas as forças da alma e dos músculos aquele jarro para fora, ele sentia pela

primeira vez a emoção de um pai que, depois de ansiosa espera, vê sair do ventre de sua esposa o

primeiro filho.

Quando os sete rolos, protegidos por aquele lindo jarro, chegaram à superfície a salvo, o

beduíno chorou de alegria. Todo aquele passado de lutas e sacrifícios ficaria agora no esquecimento.

Lembrando-se de seus três irmãos, passou a sentir um grande amor por eles. Tinha vontade de saltarlhes

ao pescoço, para agradecer todo o bem que haviam lhe feito, lançando-o naquela escura gruta.

Foi com esse espírito de alegria, amor e perdão, que o pequeno beduíno, tomando sobre si o pesado fardo,

começou uma longa e penosa caminhada em direção ao acampamento de sua tribo Taamireh, junto ao Mar Morto.

Referências: (1)Levítico 25:8-10) (2)Ezequiel 38,39;(3).Salmo 37;(3)Salmo 46:4;48:1,2;(4)Apocalipse 21 e 22.

A História de um Jarro

( Manuscrito de Abraão)

 

 

 

PRIMEIRA PARTE

Eu estava descansando sob a sombra do Carvalho de Mambré, junto à tenda, quando vi chegar apressadamente um

dos servos de meu sobrinho Ló. Quase sem fôlego, ele passou a relatar-me sobre a tragédia: houvera no dia anterior uma

batalha entre as cidades da planície, envolvendo quatro reis contra cinco. Como resultado, Sodoma fora derrotada e

muitos de seus habitantes levados cativos, entre eles o meu sobrinho Ló. A notícia deixou-me muito aflito, pois ao mesmo

tempo em que sentia que precisaria sair em seu socorro, via-me frágil, sem nenhuma possibilidade de me sair vitorioso.

Sempre fui um homem pacífico e detesto aqueles que derramam sangue. Tenho muitos servos,

mas poucos sabem manejar espadas e lanças, pois desde a infância são treinados como pastores. Em

lugar de espadas, eles manejam bordões com os quais conduzem os rebanhos. Em lugar de escudos,

carregam vasos em suas cinturas, sempre cheios de água fresca para matarem sua sede e refrigerarem

as ovelhas cansadas. Em lugar de vinho para se embebedarem, carregam presos em seus cintos

pequenas botijas com o azeite das oliveiras, com os quais untam as feridas do rebanho. Em lugar de

ressonantes trombetas eles sopram pequenos chifres, com os quais convocam o rebanho para o

curral.

Imaginando como seria um combate entre os meus servos e os exércitos daqueles cinco reis

vitoriosos, comecei a rir. Enquanto gargalhava, a voz d’Aquele que sempre me guia, soou aos meus

ouvidos, dizendo:

- Abraão, Abraão! Não menosprezes os instrumentos dos pastores, pois santificados pelo fogo

do sacrifício, haverão de conquistar o grande livramento.

O Eterno passou a dar-me ordens, fazendo-me avançar pela fé, sem saber como tal livramento

haveria de realizar-se.

O primeiro passo foi a convocação de todos os pastores que, deixando seus rebanhos, dirigiram-se

ao Carvalho de Mambré, trazendo seus instrumentos pastoris. Eram ao todo 600 pastores.

Ordenei que eles esvaziassem os jarros, colocando neles o azeite da botija.

Depois de cumprirem esta ordem, pedi que tomassem cada um a lã de uma ovelha, misturando-a com o azeite dos

jarros.

Depois de transmitir todas as ordens aos pastores, o Eterno falou-me:

- Toma agora o teu vaso, o teu único vaso, e traga-no a mim para que eu te mostre o que

deves fazer”.

Tínhamos na tenda três jarros adquiridos na cidade de Harã; Nos dois menores, guardávamos o azeite para as

lâmpadas, e no terceiro que era o maior e mais bonito, guardávamos pérolas e pedras preciosas, jóias reunidas por Sara ao

longo de nossas peregrinações. Julgando ser o terceiro jarro o escolhido, estendi as mãos para tomá-lo, mas o Senhor

impediu-me de fazê-lo, afirmando que, ainda que ele fosse portado de riquezas que seriam essenciais para o livramento,

Ele escolhera um jarro especial – aquele que fora rejeitado e esquecido.

Lembrei-me do grande jarro de barro que nos fora presenteado por um humilde oleiro, quando estávamos

próximos de Canaã. Nós o pusemos inicialmente ao lado dos três, e nele colocamos os primeiros frutos colhidos na terra

prometida. Não havendo, contudo, nenhuma beleza nele, Sara o rejeitou, lançando-o para fora da tenda. Sete anos depois,

o oleiro visitou-nos e, ao encontrá-lo abandonado junto à tenda, mostrou-nos uma maneira em que ele poderia ser útil.

Amarrando-o firmemente com uma corda de linho, lançou-o ao fundo do poço; Por meio dele, os pastores passaram a

tirar água para os rebanhos.

Seguindo as orientações do Eterno, dirigi-me ao poço, fazendo emergir de suas profundezas o jarro esquecido; Ao

vê-lo repleto de água, lembrei-me do momento em que ele fora lançado ali, vazio e seco.

Depois de esvaziá-lo, o Eterno ordenou-me transferir para ele o azeite dos dois jarros menores bem como as jóias

do terceiro. Como sobrara muito espaço vazio no jarro, o Eterno ordenou completá-lo com azeite novo de oliva.

Ao concluir essa tarefa, o Senhor mandou-me fazer um longo pavio de lã, devendo ficar uma de suas pontas

mergulhada no azeite e a outra suspensa sobre o vaso.

Depois destas coisas, o Eterno ordenou-me a acender o pavio com o fogo do altar.

Ao aproximar-me do fogo sagrado que ainda ardia sobre o sacrifício da manhã, uma pequena

fagulha saltou para o pavio, e pouco a pouco foi-se alimentando do azeite, até tornar-se numa

labareda que podia ser vista de longe.

--------***** ---------

Com o vaso nos ombros, comecei uma longa caminhada rumo às cidades da planície, sendo acompanhado pelos

pastores. Logo começaram a surgir escarnecedores que, ao verem-me com aquele vaso incandescente em pleno dia,

passaram a dizer que eu ficara louco. Ao espalhar esta notícia, muitos vieram ao meu encontro, aconselhando-me a

retornar para a tenda, abandonando aquele jarro que seria capaz de destruir a boa reputação que eu havia conquistado

entre eles.

Quando eu lhes falei sobre os exércitos e sobre minha missão juntamente com os pastores, eles

concluíram que de fato eu ficara louco. Tentaram tirar-me o vaso pela força, mas, agarrando-me a

ele, impedi que o tirassem de mim.

12

12

Envergonhados diante de tudo aquilo, muitos pastores começaram a afastar-se: alguns

retornaram para suas tendas, enquanto outros, uniram-se àqueles que riam de meu comportamento

estranho.

Sentindo-me sozinho com aquele pesado vaso sobre os ombros, comecei a angustiar-me.

Ansiava encontrar alguém com quem pudesse compartilhar minha experiência, mas todos lançava-me

olhares de reprovação.

Lembrei-me de Sara, minha amada esposa. Em obediência à voz do Eterno, havíamos trilhado

por muitos caminhos, estando ela sempre ao meu lado, animando-me a prosseguir mesmo nos

momentos mais difíceis. Com certeza Sara me traria consolo e forças para continuar firme,

conduzindo o jarro da salvação.

Enquanto avançava pelo caminho pensando em Sara, ela surgiu no meio da multidão. Ao

dirigir-me a ela, fiquei surpreso e desalentado ao notar em seus olhos o mesmo menosprezo daqueles

que zombavam de mim.

-------*****-------

Lembrando-me da ordem do Criador de que teria de libertar meu sobrinho Ló, fui andando

sozinho pelo caminho. Ao colocar-me no lugar daqueles que me achavam louco, eu dava-lhes razão,

pois, em condições normais, nenhuma pessoa sai de casa, sem rumo definido, levando em pleno dia

um vaso com uma labareda, afirmando estar marchando contra o exércitos de cinco reis. Realmente

parecia se tratar de uma grande loucura. Mesmo assim, a despeito de todas as humilhações e palavras

contra mim, eu avançava rumo ao vale.

Toda aquela zombaria foi finalmente diminuindo à medida em que me distanciava do Carvalho

de Mambré.

Começaram a sobrevir ao meu coração muitas dúvidas quanto ao meu futuro. Ficava às vezes

aflito com o pensamento de que toda a minha experiência, desde a convocação dos pastores até

aquele momento, poderia ser, de fato, demonstração de insanidade.

Cheio de dúvidas, comecei a pensar na possibilidade de abandonar à beira do caminho o jarro,

retornando para a tenda. Esses eram os conselhos de alguns pastores e amigos que, condoídos de

minha solidão, ainda vinham ao meu encontro, aconselhando-me a retornar. Ali, diziam, eu poderia

conquistar novamente a confiança dos pastores, voltando a ser, quem sabe, até mesmo um sacerdote

honrado como antes. Sobre o altar, diziam, havia um fogo muito maior do que aquele que eu

carregava sobre os ombros.

Estava a ponto de retornar, quando Sara veio ao meu encontro, contando-me sobre o desprezo

que muitos pastores lançavam contra mim. Ela estava consternada, pois toda aquela desonra recaía

também sobre ela, ao ponto de não sentir mais desejo de permanecer junto ao altar.

Depois de alertar-me, Sara passou a falar-me de um plano: poderíamos, quem sabe, nos mudar

para uma cidade distante, onde esqueceríamos todo aquele vexame.

Esquecendo-me da voz que me mandara seguir rumo à planície, respondi que eu estaria

disposto a acompanhá-la para qualquer lugar, se ela permitisse que eu levasse aquele jarro; Ele seria

o nosso altar, aquecendo e iluminando nossas noites com sua chama.

Ao ouvir sobre o vaso, Sara ficou novamente irada, afirmando não entender minha teimosia em

continuar levando sobre os ombros aquele símbolo de vergonha e desprezo. Depois de dizer-me tais

palavras, voltou-me as costas, retornando para a tenda.

-----****------

Angustiado por não poder agradar Sara, prossegui rumo ao futuro incerto, sendo orientado

unicamente pela chama, cujo brilho aumentava à medida em que as trevas adensavam-se. Comecei a

meditar sobre aquele fogo que me acompanhava com seu brilho e calor.

Eu estava acostumado a ver o Fogo Sagrado entronizado sobre o altar de pedras, em meio aos

louvores de muitos pastores, entre os quais me destacava como mestre e sacerdote. Naqueles

momentos de adoração, eu me vestia com os melhores mantos, e fazia questão de realizar o sacrifício

somente quando todos os meus servos estivessem reunidos ao meu redor, para que ouvissem meus

conselhos e advertências. Na hora do sacrifício, eu erguia minha espada desembainhada e, com

palavras amedrontadoras, proclamava a grandeza do Senhor dos Exércitos, o Elohim Todo Poderoso

que domina sobre os Céus e a Terra. Vibrando a espada num movimento ameaçador, eu representava

diante de meus pastores a imagem de um Elohim severo, que está sempre pronto a revidar qualquer

afronta. Depois dessa demonstração de soberania e poder, eu tomava uma ovelha das mãos de um

pastor, e a amarrava sobre o altar. Para que ficasse patente a ira divina, eu pisava sobre o seu

pescoço, golpeando-a severamente, até vê-la perecer. Depois eu descia do altar e ficava esperando

pelo Fogo Sagrado que jamais deixou de manifestar-se sobre o sacrifício.

Eu aprendera desde a infância a reverenciar o Fogo Sagrado, crendo ser ele uma revelação

visível do Eterno, o Grande Elohim Invisível. Até então, eu o vira como um Fogo Único e Indivisível.

Agora, ao transportar em humilde jarro a chama que se desprendera do Altar, meus pensamentos

agitavam-se com o surgimento de um novo conceito sobre o Criador: o conceito de um Elohim

Sofredor que é capaz de desprender-se do grande Ser representado pelo Fogo, para acompanhar o

pecador em sua jornada.

Arrependido, prostrei-me diante do jarro e chorei amargamente. Estava consciente de que todo

o zelo demonstrado junto ao Altar, tinha por finalidade a exaltação de meu orgulho, e não do amor

daquele que me acompanhava pelo caminho.

Subitamente, gravou-se-me na mente a convicção de que aquela pequena chama que se

desprendera do Fogo Sagrado, era uma representação do Messias prometido, que Se desprenderia do

Eterno para ser Elohim Conosco, companheiro em todas as nossas jornadas. Ao sobrevir-me esta

convicção, a chama alegrou-se, tornando-se mais brilhante e calorosa.

Com o coração transformado, prossegui pelo caminho rumo ao vale, levando sobre os ombros o

jarro que me trouxera depois de tanto desprezo, a alegria de uma nova compreensão sobre o caráter

do Criador.

-------****-------

Momentos difíceis começaram a surgir em minha caminhada, quando ventos frios vindos do

Mar Morto começaram a arremeter-se contra a pequena chama, procurando apagá-la. Eu a amparava

com o meu corpo, andando muitas vezes de lado e mesmo de costas, mas sempre avançando rumo ao

vale.

Ao romper a luz do dia, achei-me a um passo da planície. Comecei então a encontrar pelo

caminho muitos rebanhos que eram conduzidos por rudes pastores. À medida em que avançava entre

eles, ocorriam tumultos e confusões, pois muitas ovelhas e cabras assustavam-se com a chama de

meu jarro, debandando-se por todas as partes. Isto fez com que a maioria dos pastores ficassem

irritados com a minha presença em seu meio.

Sabendo que não poderia ficar retido naquele vale, prossegui rumo a Sodoma. Enquanto

avançava, começou a acontecer algo interessante: muitas ovelhas, meigas e submissas, começaram a

acompanhar-me. Eram poucas a princípio, mas pouco a pouco seu número foi aumentando, até que

passei a andar com dificuldade, devido ao grande número de ovelhas que me seguiam. Ao longe eu

podia ver os pastores, enfurecidos, pela perda de suas ovelhas mais bonitas.

Ao chegar à cidade de Sodoma, encontrei-a vazia e devastada. Seguindo os rastros deixados

pelos exércitos e pela multidão de cativos, fui aproximando-me cada vez mais do alvo de minha

missão. Ao chegar à campina de Dã, pude avistar ao longe o grande acampamento dos soldados, ao

pé de um outeiro. Sem pressa, encaminhei-me para lá, conduzindo o meu novo rebanho.

Do alto do monte, pude observar o acampamento em toda a sua extensão. Havia ali milhares de

soldados comemorando a vitória. Enquanto isso, centenas de cativos jaziam amontoados no meio do

arraial, humilhados e sem esperança. Diante desse quadro, fiquei imaginando como poderia se dar o

livramento.

Minha presença despertou curiosidade em alguns soldados que, ao ver-me com o vaso

fumegante, aproximaram-se. Quando me perguntaram sobre o motivo de minha presença naquele

lugar, eu disse-lhes que viera libertar meu sobrinho Ló. Minhas palavras tornaram-se motivo de

muitos gracejos em todo o acampamento. Depois disso, passaram a escarnecer de Ló.

Em pouco tempo, toda aquela zombaria transformou-se em gritos de vingança, e proclamaram

que, na manhã seguinte, todos os cativos seriam exterminados, começando pelo meu sobrinho.

--------*****---------

Enquanto eu tentava imaginar o que o Eterno poderia fazer para alcançar o livramento, vi surgir

ao longe o vulto de pastores que se encaminhavam em minha direção, vindos de Sodoma. Pensei a

princípio que fossem os pastores inimigos que vinham arrancar-me o rebanho conquistado com amor.

Tal receio logo desapareceu dando lugar a um sentimento de muita alegria, quando descobri que

eram os meus pastores fiéis. Ele foram aproximando-se em pequenos grupos de doze, até alcançarem

o total de 300 pastores. Ao olhar para eles, pude notar em seus semblantes os sinais de uma grande

luta espiritual que tiveram de enfrentar, para estarem do meu lado. Contaram-me da experiência de

muitos companheiros que, desanimados, haviam lançado fora o azeite e a lã de seus vasos,

retornando para as suas tendas. Falaram-me de como, na noite anterior, haviam aprendido a amar a

luz de meu jarro, que para eles tornara-se como uma estrela que os guiava na escuridão.

Alegrava-me com a presença de meus humildes pastores, quando vieram em nossa direção

Aner, Escol e Manre, acompanhados por 15 homens armados; Eram eles fiéis amigos que,

conhecendo os perigos que enfrentaríamos naquele vale, vieram socorrer-nos. Para que não

atrapalhassem o plano Eterno, pedi-lhes que permanecessem escondidos até o alvorecer, quando

receberiam orientações sobre como participar da missão.

Comecei a orientar os pastores, seguindo as instruções da voz divina que soava de dentro da

chama: A primeira tarefa dos pastores seria cuidar do rebanho até o anoitecer.

Ao retornarem, ordenei que amarrassem os novelos de lã embebidos em azeite na ponta de seus

bordões, colocando-os dentro dos jarros que deveriam ser mantidos suspensos de boca para baixo.

Passei a incendiá-los com o fogo de minha labareda, até que as trezentas tochas ficaram

ardendo, mas, ocultas no interior daqueles vasos.

Ordenei a quarenta de meus corajosos pastores que, no momento indicado por um sinal,

deveriam avançar silentes para o meio do acampamento, circundando todos os cativos que jaziam

amontoados no meio do arraial. Ao mesmo tempo, os 260 pastores restantes deveriam circundar todo

o acampamento, aguardando pelo sinal de quebrarem os vasos com os chifres.

Orientado pela voz da chama, indiquei-lhes os sinais: quando a última tocha se apagasse no

acampamento, deveriam ficar atentos, pois uma pequena lamparina seria acesa por um dos cativos.

Assim que a lamparina começasse a arder, deveriam correr cada um para o seu lugar, evitando

qualquer ruído para que não fossem notados.

O sinal para quebrarem os vasos com os chifres, erguendo bem alto a tocha, era o apagar da

lamparina.

-------*****--------

Depois dessas orientações, os 260 pastores, ocultos pelas sombras da noite, espalharam-se pelo

vale, e ficaram esperando pelo momento de se posicionarem ao redor do acampamento. Enquanto

isso, os 40 se posicionaram próximos a uma passagem vulnerável, através da qual haveriam de

alcançar os cativos.

Já era alta noite quando a tocha do último soldado apagou-se, sobrevindo completa escuridão e

silêncio sobre o arraial.

Entre os cativos, havia um homem que naquela noite vivia a maior angústia de sua vida. Era o

meu sobrinho que, depois de tornar-se alvo de tantos abusos e humilhações, tomara conhecimento do

castigo que os aguardava pelo alvorecer.

Naquela noite, Ló tinha seus pensamentos voltados para o seu tio. Lembrava-se com

arrependimento do momento em que me deixara, mudando-se para as campinas de Sodoma. Em seu

desespero, sentiu desejo de rever minha face e pedir-me perdão por ter-se afastado de mim.

Justamente naquele momento, Ló foi atraído pelo brilho de uma tocha que ardia sobre o outeiro. Ao

fitar o brilho, imaginou estar tendo uma visão, pois o mesmo revelava-lhe a face de seu querido tio.

Querendo mostrar-me o seu rosto, Ló apalpou em meio às trevas, até encontrar uma pequena

lamparina que trouxera em seu alforje. Frustrado, percebeu que não havia nela nenhum azeite.

Concluiu que a lâmpada apagada e seca era um símbolo de sua vida vazia e sem fé.

Sem desviar os olhos de meu rosto iluminado pela chama do jarro, num desesperado gesto de

fé, Ló apalpou o pavio de sua lamparina, descobrindo nele um resto de azeite. Curvando-se, passou a

ferir as pedras do fogo, até que uma faísca saltou para o pavio. Sem que soubesse, Ló estava

comandando, com seus gestos, os passos para um grande livramento.

Os trezentos pastores ao verem o tênue brilho da lamparina, encaminharam-se rapidamente

para os seus postos e ficaram aguardando o apagar da pequena chama.

Desde o momento em que Ló erguera-se com sua diminuta chama, fiquei olhando para os seus

olhos que fitavam os meus. Vi que sua face trazia sinais de indizível angústia e maus tratos. Mesmo

assim pude ler em seus olhos que a esperança e a fé ainda não o haviam abandonado.O foguinho de

sua lamparina, contudo, não resistiria por muito tempo. Era necessário que se apagasse, para sinalizar

a grande vitória.

Quando a escuridão voltou a cobrir a face de Ló, meus trezentos pastores arremeteram os

chifres contra os vasos que mantinham ocultas as tochas ardentes. Um forte ruído, como de cavalaria

em combate, ecoou por todas as partes, enquanto as tochas eram suspensas pelos bordões. Os

trezentos chifres, usados até então para conduzir o rebanho, soavam agora como trombetas de

conquistadores.

Todo o acampamento despertou num único salto e, sem saberem como escapar de tão terrível

investida que partia de fora e de dentro, os soldados começaram a lutar entre si, enquanto meus

pastores permaneciam em seus lugares, fazendo soar os chifres.

Os cativos ficaram muito espantados a princípio, mas pouco a pouco foram tomando

consciência do grande livramento que estava se operando em seu favor.

Quando amanheceu, revelou-se aos nossos olhos um cenário de completa destruição. Todo o

arraial estava coberto por milhares de corpos rasgados pelas próprias espadas e lanças. Somente uns

poucos conseguiram fugir daquele acampamento de morte, mas foram perseguidos pelos meus 18

aliados que estavam armados, sendo alcançados em Hobá, situada à esquerda de Damasco. Enquanto

isso, os cativos, agora libertos, recuperavam todas as riquezas que haviam sido saqueadas pelos

inimigos.

------****-------

Do cimo do outeiro, enquanto eu vibrava com a alegria dos cativos naquela manhã de

liberdade, ouvi a voz do Eterno falando-me do meio da chama:

- Este livramento que hoje se concretiza, representa o livramento que hei de operar nos

últimos dias, salvando os remanescentes de teus filhos, do cerco de numerosas nações que se

aliarão a Gog com o propósito de destruí-los. Naquele dia em que triunfarem sobre o meu povo, a

minha indignação será mui grande, e contenderei com ele por meio da peste, do fogo e do sangue;

chuva inundante, grandes pedras de saraiva, fogo e enxofre farei cair sobre ele, sobre as suas tropas

e sobre os muitos povos que estiverem com ele. Assim, eu me engrandecerei, vindicarei a minha

santidade e me darei a conhecer aos olhos de muitas nações; e saberão que eu sou o Senhor. E sobre

a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o Espírito de Graça e de Súplicas;

olharão para Mim a quem traspassaram, prantear-me-ão como quem pranteia por um unigênito e

chorarão por mim como se chora amargamente pelo primogênito. Naquele dia, haverá uma fonte

aberta para a casa de Davi e para os habitantes de Jerusalém, para remover o pecado e a

impureza.(1)

--------*****--------

A chama que para mim tornara-se uma representação do Messias prometido, apagou-se no

momento em que desci ao encontro dos pastores e dos muitos cativos agora libertos. Cheios de

alegria e de admiração, todos queriam saber como tornara possível tão grande livramento, somente

com a utilização daquelas tochas e chifres. Falei-lhes da importância daquele fogo que se desprendera

do Altar, para libertá-los naquele vale, identificando-o com o Messias Salvador.

Ao ver que todos carregavam em seus corpos e mantos a sujeira da escravidão, convidei-os a

seguirem-me até o rio Jordão, onde poderiam banhar-se para purificação de seus pecados, pois aquele

era o Yom Kipur, o dia do perdão.

Somente três pessoas atenderam ao convite: Ló e suas duas filhas mais novas. Os demais

retornaram contaminados para suas casas.

Antes de partir, o rei de Sodoma veio ao meu encontro, prometendo dar-me todas as riquezas

recuperadas naquela manhã. Eu recusei sua oferta, para que jamais alguém possa dizer que eu me

enriqueci com aquele saque.

Permanecemos acampados às margens do rio Jordão, nas proximidades de Jerico por quatro

dias. Naqueles dias de descanso, todos ficaram livres das impurezas, deixando-as nas águas do

 

Jordão. Esse era um preparo especial para nossa subida a Salém, onde comemoraríamos a vitória nos

dias de Sukot.

-------****-------

Cheios de alegria, iniciamos uma caminhada ascendente rumo à cidade de Salém, inconscientes

da feliz surpresa que nos aguardava. Eu seguia à frente tendo ao meu lado Ló e suas duas filhas, e

atrás vinham os 300 pastores, conduzindo o grande rebanho.

À medida em que avançávamos, comecei a notar que o meu jarro tornara-se muito pesado. Ao

baixá-lo, fiquei surpreso ao descobrir que estava repleto de pérolas e pedras preciosas de variados

tamanhos e brilhos.

Ao avistarmos ao longe a alva cidade, começamos a ouvir sons de uma grande festa. Acordes

harmoniosos repercutiam pelos montes, enquanto avançávamos pelo caminho.

Minha curiosidade em conhecer aquela cidade e o seu jovem rei era imensa, pois muito já

ouvira sobre sua grandeza e fama. Tratava-se de um reino diferente, onde os súditos eram treinados

não no manejo de arcos e flechas, mas no domínio de instrumentos musicais. Melquisedeque, o seu

jovem rei, regia a todos com um cetro muito especial: um alaúde, pelo qual pagara um preço elevado.

Enquanto crescia em mim a alegria por estar nos aproximando da cidade do grande Rei, vimos

uma multidão vestida de linho fino, puro e resplandecente, saindo ao nosso encontro. Todos tangiam

instrumentos musicais e cantavam um hino de vitória. À frente da multidão vinha um jovem tocando

um alaúde, trazendo na fronte uma coroa repleta de pedras preciosas, que brilhavam sob a claridade

do sol poente. Eu tive a certeza de que aquele era o tão aclamado rei de Salém.

Ao nos encontrarmos, ficamos surpresos com a saudação que nos fizeram. Inclinando-se diante

de mim, Melquisedeque afirmou:

- Bendito és tu Abraão, servo do Elohim Altíssimo, que possui os Céus e a Terra; e bendito seja o

Elohim Altíssimo, que entregou os teus adversários nas tuas mãos .(2)

---------*****---------

Surpresos pela festiva recepção, fomos introduzidos na cidade, onde a beleza das mansões e

jardins nos causou muita admiração. Tudo ali era puro e cheio de paz. Salém estava em festa, pois

teria início naquele entardecer a festa de Sukot.

Fomos recebidos no palácio real, edificado sobre o monte Sião. Ali, uma nova surpresa nos

aguardava: a grande sala do trono estava toda adornada com representações de nossa vitória sobre os

inimigos. Havia no centro uma mesa muito comprida, coberta por toalhas de linho fino adornadas

com fios de ouro e pedras preciosas. Sobre a mesa estavam 304 coroas, cada uma trazendo a

inscrição do nome de um vencedor. Num gesto que novamente nos surpreendeu, Melquisedeque,

tomando as coroas, começou a colocá-las na cabeça de cada um de nós, começando por Ló e suas

filhas. Estávamos todos admirados pelo fato do rei de Salém conhecer-nos individualmente, e por ter

preparado aquelas coroas muito antes de sermos vencedores.

Eu observava a alegria de meus companheiros coroados quando, tomando uma coroa

semelhante à sua, o rei de Salém dirigiu-se a mim com um sorriso. Ao levantá-la sobre minha cabeça,

notei algo que até então não havia percebido: suas mãos traziam cicatrizes de profundos ferimentos.

Vencido por um sentimento de gratidão, prostrei-me aos seus pés e, comovido, beijei suas bondosas

mãos, banhando-as com minhas lágrimas.

Ao levantar-me, perguntei-lhe o significado daquelas cicatrizes. Com um meigo sorriso, ele

prometeu contar-me a história daquele próspero reino, e do quanto lhe custara a sua paz.

--------*****---------

Depois de coroar-nos, Melquisedeque nos fez assentar ao redor da grande mesa, e passou a

servir-nos pão e vinho. A partir daquele momento, passamos a honrá-lo como sacerdote do Elohim

Altíssimo.

Num gesto de gratidão, tomei o jarro que se enchera de pérolas e o coloquei aos pés do rei.

Tomando-o nos braços, ele passou a acariciá-lo sem atentar para o brilho das jóias. Expressando

gratidão por aquela oferta, ele disse-me que aceitaria o jarro; Quanto às pérolas e pedras preciosas,

ele aceitaria somente o dízimo delas.

Imediatamente passei a contar as jóias, separando as mais belas para o rei. Havia um total de

1440, das quais lhe entreguei 144. Ele as guardou cuidadosamente em uma caixinha de ouro puro, em

cuja tampa havia lindos adornos marchetados de pedras preciosas.

Depois de receber o dízimo que simbolizava o grande livramento operado por Elohim na planície,

Melquisedeque chamou para junto de si um de seus súditos que era mestre em adornos e pinturas,

ordenando-lhe embelezar o jarro com uma linda gravura que retratasse o momento em que eu o

ofertei.

Enquanto o jarro era pintado, Melquisedeque passou a contar-me a história de seu reino, desde

sua fundação até aquele momento em que estávamos comemorando a grande vitória sobre os

inimigos.

Ao devolver-me o jarro, agora honrado pela mais bela gravura e inscrições que exaltavam a

justiça e o amor, o rei de Salém ordenou-me levá-lo com aquelas jóias. Durante seis anos eu e meus

pastores deveríamos contar para todos a história daquele jarro que transportara a chama vitoriosa do

altar. A todos aqueles que, com arrependimento, aceitassem a salvação representada por sua história,

deveríamos oferecer uma pedra preciosa ou pérola. Ao fim dos seis anos, as jóias acabariam. Já não

haveria oportunidade de salvação. Sobreviria então o sétimo ano, no qual haveria um tempo de

grande angústia e destruição, quando somente existiria proteção para aqueles que possuíssem as jóias.

Por essa ocasião, as cidades da planície seriam totalmente destruídas pelo fogo do juízo, e os demais

povos impenitentes, seriam dizimados por terríveis pragas.

--------******----------

Depois de revelar-nos sobre os sete anos que ainda restavam, dentro dos quais teríamos uma

missão importante a cumprir, Melquisedeque nos afirmou que nossa experiência consistia numa

parábola que representa a história universal, com ênfase no livramento dos filhos de Israel nos

últimos dias. Ele o previu com as seguintes palavras:

Ao chegar a plenitude dos tempos, todos os esforços humanos em busca da paz se frustrarão.

Naquele tempo, numerosas nações se aliarão contra o reino de Jerusalém, e sobrevirá um tempo de

angústia qual nunca houve para os filhos de Israel. Depois de um terrível conflito, verão numerosos

exércitos invadindo sua terra, numa aparente vitória. No momento mais difícil, quando as suas

forças estiverem esgotadas, o Eterno intervirá em Seu favor, lançando por terra os numerosos

inimigos.(3)

Toda a humanidade testemunhará, com espanto as cenas de livramento. Naquele dia, muitos

povos e poderosas nações se posicionarão ao lado do Senhor dos Exércitos. Naquele dia acabará a

cegueira dos filhos de Jacó, e olharão para Aquele a quem traspassaram, e chorarão amargamente

por ele como se chora por um filho unigênito.

Naquele dia os eleitos de Elohim compreenderão as palavras do Livro:

Ouvi-me, vós, que estais à procura da justiça, vós que buscais o Eterno. Olhai para a rocha da

qual fostes cavados, para a caverna da qual fostes tirados. Olhai para Abraão, vosso pai, e para

Sara, aquela que vos deu a luz. Ele estava só quando o chamei, mas eu o abençoei e o multipliquei.

O Senhor consolou a Sião, consolou todas as suas ruínas; ele transformará o seu deserto em um

Éden e as suas estepes em um jardim. Nela encontrarão gozo e alegria, cânticos de ações de graças

e som de música.(4)

Naquele dia os habitantes de Jerusalém trocarão suas armas por instrumentos musicais e os

remidos, consolados pela grandiosa revelação de Elohim, com alegria cantarão:

“Como são belos, sobre os montes, os pés do mensageiro que anuncia a paz, do que proclama

boas novas e anuncia a salvação, do que diz a Sião: O teu Elohim reina! Porque o Eterno consolou o

seu povo, ele redimiu Jerusalém. O Senhor descobriu o seu braço santo aos olhos de todas as

nações, e todas as extremidades da terra viram a salvação do nosso Elohim.(5)

O grande livramento se cumprirá no início de uma nova semana de anos, ao fim de um ciclo

determinado envolvendo dez jubileus. Durante seis anos, toda a humanidade, iluminada pela maior

revelação do amor e da justiça de Elohim, terá oportunidade de romper com o império do pecado,

unindo-se aos filhos de Israel em sua marcha de purificação e restauração do reino da luz.

Então acontecerá que todos os sobreviventes das nações que marcharam contra Jerusalém,

subirão, ano após ano, para prostrar-se diante do Rei e Senhor dos Exércitos, e para celebrar a festa

de Sukot. E acontecerá que aquele das famílias da Terra que não subir e não vier, haverá contra ele

a praga com que o Eterno ferirá as nações que não subirem para celebrar a festa de Sukot.(6)

Naqueles anos de oportunidade, soará por todas as partes do mundo o último convite de

misericórdia, num apelo para que todos os pecadores se arrependam e se unam ao Criador numa

eterna aliança .Por todas as partes se ouvirá o brado Eterno:

Observai o direito e praticai a justiça, porque a minha salvação está prestes a chegar e a

minha justiça a manifestar-se. Bem-aventurado o homem que assim procede, o filho do homem que

nisto se firma, que guarda o sábado e não o profana e que guarda sua mão de praticar o mal. Não

diga o estrangeiro que se entregou ao Senhor: - Naturalmente Elohim vai excluir-me do seu povo, nem

diga o eunuco: - Não há dúvida, eu não passo de uma árvore seca. Pois assim diz o Senhor aos

eunucos que guardam os meus sábados e optam por aquilo que é a minha vontade, permanecendo

fiéis à minha aliança: Hei de dar-lhes, na minha casa e dentro dos meus muros, um monumento e um

nome mais precioso do que teriam com filhos e filhas; hei de dar-lhes um eterno nome, que não será

extirpado. E, quanto aos estrangeiros que se entregarem ao Senhor para servi-lo, sim, para amar o

nome do Eterno e tornarem-se servos seus, a saber, todos os que se abstêm de profanar o sábado e

que se mantêm fiéis à minha aliança, trá-los-ei ao meu santo monte e os cobrirei de alegria na minha

casa de oração. Os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão bem aceitos no meu altar. Com

efeito, a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos.(7)

Na última semana de anos, os filhos de Belial se aliarão contra os filhos da Luz, e os acusarão

como causadores de toda a desarmonia no mundo. Em oposição à santificação do sábado que é o

sinal da aliança entre Elohim e seus escolhidos, muitas nações imporão outro dia para o culto, não

podendo comprar nem vender todos aqueles que se mantiverem fiéis à aliança do Eterno.(8)

Ao fim dos seis anos, o rolo se fechará e não haverá mais oportunidade de salvação.

Desprotegidos, os ímpios sofrerão os juízos Eternos que se manifestarão nas sete últimas pragas.

Desesperados, muitos correrão de um lado para o outro em busca da mensagem do rolo, mas não a

encontrarão. Durante o sétimo ano, os escolhidos de Elohim passarão por grandes provas, pois serão

condenados pelas nações como os causadores de todo o caos que sobrevirá ao mundo em

conseqüência dos juízos.(9)

Ao consumarem-se os sete anos, o Messias se manifestará nas nuvens do céu, acompanhado

por todas as hostes celestes, para salvação de seu povo. Ao tocar Sua trombeta, os fiéis falecidos

ressuscitarão revestidos de Kevod(Kevod(glória)); os vivos vitoriosos serão transformados num abrir e fechar de

olhos, recebendo corpos perfeitos. Juntos, todos os remidos serão arrebatados para a Nova e Eterna

Jerusalém, numa viagem inesquecível que começará no primeiro dia da festa de Sukot. Depois de

sete dias de feliz ascensão, chegarão à Cidade Santa para comemorarem, diante do trono ,no oitavo

dia da festa, a grande vitória. Como que a sonhar, os resgatados do Senhor entrarão na Cidade

Santa, encontrando ali o jardim do Éden, no meio do qual eleva-se o monte Sião, o lugar do trono

de Elohim. Coroados pelo Messias, os remidos entoarão o cântico da vitória, fazendo vibrar por todo o

espaço os acordes de incontáveis instrumentos musicais. (10)

---------*****--------

Depois de proferir todas essas predições, Melquisedeque disse-nos novamente que toda a

experiência que estávamos vivendo era prefigurativa, e teríamos de cumprir ainda importantes tarefas

nos próximos sete anos: Durante seis anos a história do jarro deveria ser contada aos pecadores,

dando-lhes a oportunidade de arrependerem-se, apossando-se das jóias que simbolizam salvação; Ao

fim dos seis anos, na véspera de Rosh Hashanah as pérolas acabariam, ficando fora do abrigo todos

aqueles que não a receberam.

Ao ouvir tais palavras do rei de Salém, sobreveio-me grande angústia, por lembrar-me dos

últimos passos de Sara. Eu temia que ela, em sua incredulidade, não aceitasse uma pérola. Se isto

acontecesse, os meus lindos sonhos cairiam por terra, pois não conseguiria ser feliz em sua ausência.

Lendo nos meus olhos a angústia, Melquisedeque consolou-me com uma promessa:

- Abraão, daqui a seis anos o Eterno visitará sua tenda, e sua esposa será curada de sua

aridez. Ela se converterá e lhe dará um filho que se chamará Isaque.

--------*****---------

Ao findar a festa de Sukot, retornamos às nossas tendas junto ao Carvalho de Mambré. À

medida que íamos avançando pelo caminho, muitas pessoas nos cercavam, admirados pela beleza do

vaso repleto de pérolas. A todos contávamos a história de sua chama redentora, e dávamos as jóias

àqueles que aceitavam a salvação.

Quando chegamos ao Carvalho de Mambré, uma multidão de pessoas nos esperava. Muitos

tinham ouvido falar do miraculoso livramento operado através daquele jarro que fora alvo de tanto

menosprezo. Agora, estavam todos emudecidos ao vê-lo glorificado.

Juntamente com os meus pastores, continuamos a proclamar o infinito amor de Elohim revelado

pela chama. O número daqueles que procuravam pelas pérolas ia aumentando, dia após dia, e todos

éramos felizes.

Melquisedeque enviou-nos muitos de seus súditos que eram mestres em música, para

realizarem uma missão importante. Eles apresentavam a história de seu reino de paz por meio de

lindos cânticos que exaltavam o poder da humildade e do amor. Sua música tinha o poder de

transformar corações infelizes, dando-lhes esperança e alegria em viver. Para que se propagasse a

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influência restauradora da música de Salém, eles ensinavam a muitos a cantarem tocarem flautas e

alaúdes, enviando-os depois de certo tempo como mensageiros de sua missão de paz.

--------******--------

Os dias, os meses e anos foram-se passando, e as pérolas e pedras preciosas foram diminuindo

dentro do jarro. Estávamos vivendo agora os últimos meses do sexto ano, que era o último da

oportunidade. À medida em que os dias se passavam, aumentava em meu coração uma preocupação e

uma angústia, pois Sara até então não tomara interesse em apossar-se de sua pérola, apesar de meus

constantes rogos.

Naqueles momentos de aflição em que clamava a Elohim pela salvação de Sara, meu único

consolo eram as últimas palavras do rei de Salém, de que ao fim dos seis anos ela seria transformada.

Vivíamos agora os últimos dias do sexto ano. A consciência de que o tempo estava se

esgotando, fazia com que muitas pessoas nos procurassem de manhã até à noite, para apossarem-se

das jóias da salvação. Com o coração ferido por uma indizível aflição, eu insistia com Sara,

procurando convencê-la de sua necessidade em tomar, o quanto antes, uma pérola, pois as mesmas

estavam ficando escassas. Sem atentar para a minha angústia, Sara desdenhava de meus apelos,

afirmando que aquelas pérolas não tinham nenhum valor para ela.

-------****-------

Depois de uma noite de vigília em que, desesperadamente, procurei em vão convencer minha

amada a apossar-se uma pérola, aceitando a salvação representada por aquele jarro, vi o sol surgir

trazendo a luz do último dia, véspera de Rosh Hashaná. Ao olhar para dentro do vaso naquela manhã,

vi que restavam apenas três pérolas. Ao admirar-lhes o brilho, comecei a imaginar que a maior seria

para o meu filho prometido, a de tamanho intermediário seria a de Sara, e a menor seria a minha.

Esse pensamento trouxe-me alívio e esperança. Mas, ao mesmo tempo, comecei a preocupar-me com

a possibilidade de chegarem pessoas procurando por elas. Se viessem, eu não poderia negá-las.

Tomado por essa preocupação, permaneci sentado sob o Carvalho de Mambré. Na viração do dia, sobreveio-me

um grande estremecimento quando vi ao longe três peregrinos que caminhavam rumo à nossa tenda. Comecei a clamar ao

Eterno para que eles mudassem de rumo, mas meus clamores não foram atendidos. Dominado por uma indizível

amargura, corri até eles e, depois de prostrar-me, convidei-os para a sombra.

Tomando uma bacia com água, passei a lavar-lhes os pés, limpando-os da poeira do caminho.

Ao ver os pés feridos e calejados daqueles homens, senti compaixão por eles. Compreendi que

haviam vindo de muito longe, enfrentado perigos e desafios, com o propósito de pegarem em tempo

as pérolas. Vi que eles eram mais merecedores que eu, Sara e nosso filho prometido.

Ao lavar os pés do terceiro, meu coração que, até então estava aflito, encheu-se de paz e

alegria. Imaginava naquele momento, quão terrível seria se aquele terceiro peregrino não houvesse

se unido aos dois primeiros naquela caminhada. Nesse caso eu seria obrigado a tomar da última

pérola, subindo sem minha amada para Salém. Se eu tivesse de passar por essa experiência, a pérola

que simboliza a alegria da salvação, se tornaria num símbolo de minha solidão e tristeza, pois a vida

longe do carinho de Sara, seria para mim o maior castigo, como a própria morte.

Depois de lavar-lhes os pés, comecei a servir-lhes o alimento que foi especialmente preparado

para eles. Enquanto os servia em silêncio, fiquei esperando pelo momento em que eles perguntariam

pelas pérolas. Mas, sem revelar nenhuma pressa, eles falavam sobre a longa caminhada que fizeram,

e sobre as cidades por onde haviam passado. Eu perguntei-lhes se conheciam Salém. Eles

responderam-me afirmativamente, acrescentando que naqueles seis anos, muitas obras haviam sido

realizadas naquela cidade, em preparação para uma grande festa que estava para realizar-se dentro de

mais um ano, por ocasião da festa de Sukot.

As palavras daquele terceiro peregrino, o mais falante deles, começaram a trazer-me,

misteriosamente, um sentimento de esperança. Ao olhar para os seus olhos, vi que ele se parecia com

Melquisedeque.

Lembrava-me da última promessa feita pelo rei de Salém, quando o terceiro peregrino

perguntou-me com um sorriso:

- Abraão, onde está Sara sua mulher?!

Atônito, perguntei-lhe:

- Como você sabe o meu nome e o nome de minha esposa?

O peregrino respondeu-me:

- Não somente sei o nome de vocês, como também sei que daqui a um ano vocês terão um filho

que será chamado Isaque.

Ao ouvir as palavras do visitante, corri para dentro da tenda a fim de chamar minha esposa,

para que ouvisse as palavras daquele peregrino.

Ao vê-la, o peregrino perguntou-lhe:

- Sara, por que você riu de minhas palavras?

Assustada, Sara, respondeu:

- Eu não ri, meu Senhor!

- Não diga que não riu, pois eu a vi rindo dentro da tenda. Afirmou o peregrino.

Consciente de estar diante de alguém que conhecia o seu íntimo, Sara perguntou-lhe:

- Quem és tu Senhor?!

- Eu sou a Chama que se desprendeu do fogo do Altar para estar no jarro que você rejeitou!

Eu sou o Messias, o Elohim que sofre humilhações e desprezo por amor ao seu povo!

Tendo feito esta revelação, o peregrino estendeu suas mãos sobre a cabeça de Sara para

abençoá-la. Somente então vi que elas estavam marcadas por cicatrizes semelhantes às do rei de

Salém.

O peregrino, com muita ternura, começou a falar ao coração de minha amada, resgatando-a de

sua incredulidade:

- Sara, você é preciosa aos meus olhos! Todo o seu passado de descrença e infertilidade está

perdoado! Tenho para você um futuro glorioso, pois você se tornará mãe de muitos povos e nações!

Depois de dizer estas palavras, o nobre visitante encaminhou-se para o jarro e, inclinando-se,

tomou dele as três pérolas restantes. Dirigindo-se a Sara, entregou-lhe duas pérolas, e disse-lhe:

- Uma é para você e a outra é para o seu filho Isaque.

Com a vida transformada pelo amor do Eterno, Sara prostrou-se agradecida aos pés daquele

peregrino que a salvara no último momento. Quando a vi prostrar-se submissa, meu coração por

tantos anos aflito, rompeu-se em lágrimas de alegria e gratidão, e caí aos pés de meu Redentor e Rei.

Depois de consolar-nos com a certeza de nossa eterna salvação, o peregrino entregou-me a

última pérola. Quando apertei-a em minhas mãos, senti grande luz e paz inundar-me todo o ser, e

passei a louvar ao Eterno pela certeza de que teria para sempre ao meu lado minha querida Sara e o

filho que, segundo a promessa, dentro de um ano nasceria.

------****-------

Depois destas coisas, o Eterno despediu-se de Sara e dos pastores que ali se encontravam, e

convidou-me a acompanhá-los até o outeiro que fica defronte do vale. Ao chegarmos àquele lugar, o

Eterno despediu-se de seus dois companheiros, enviando-os para uma missão especial em Sodoma.

Do cimo do monte contemplávamos os férteis vales e florestas que, como um paraíso,

estendiam-se em ambas as margens do rio Jordão, circundando as prósperas cidades, dentre as quais

destacavam-se Sodoma e Gomorra.

Fora sobre aquela colina que, depois da contenda entre os meus pastores e os pastores de Ló,

dei-lhe a oportunidade de escolher o rumo a seguir, pois não poderíamos permanecer juntos. Atraído

pelas riquezas da campina, ele decidiu mudar-se para lá.

Ao olhar para o meu companheiro que ficara silente desde o momento em que avistamos a

campina, fiquei surpreso ao vê-lo chorando. Perguntei-lhe o motivo de sua tristeza, e Ele, soluçando,

respondeu:

- Este é para mim um dia de muita tristeza, pois pela última vez meus olhos podem pousar

sobre este vale fértil. Choro pelos habitantes dessas cidades que não sabem que os seus dias

acabaram!

A declaração do Messias trouxe-me à lembrança todos aqueles cativos que haviam sido libertos

seis anos antes. Infelizmente, quase todos rejeitaram o banho da purificação, retornando imundos

para suas casas. Unicamente Ló e suas filhas aceitaram a salvação, tomando posse de suas pérolas.

Pensando numa possibilidade de livramento para aquele povo, perguntei ao Eterno:

- E se por acaso existir, naquelas cidades, cinqüenta pessoas justas; mesmo assim elas serão

destruídas?

O Senhor disse-me que se houvesse cinqüenta justos, toda a planície seria poupada.

- E se houver 45 justos?

- Se houvesse ali 45 justos, todas aquelas cidades seriam poupadas.(11)

Continuei com minhas indagações até chegar ao número dez. O Eterno disse-me que, se

houvesse dez justos naquelas cidades, toda a planície seria poupada.

Torturado por uma indizível agonia de espírito, o Senhor voltou a chorar amargamente,

enquanto com voz embargada, pronunciava um triste lamento:

- Sodoma e Gomorra, quantas vezes quis Eu ajuntar os seus filhos, como a galinha ajunta os

seus pintainhos debaixo das asas, mas você não aceitou minha proteção. Por que você trocou a luz

da minha salvação pelas trevas deste reino de morte?! Meus ouvidos estão atentos em busca de pelo

menos uma prece, mas tudo é silêncio! Minhas mãos estão estendidas, prontas a impedir o fogo do

juízo, mas vocês recusam o meu socorro!

Curvando-me ao lado de meu companheiro sofredor, uni-me a Ele na lamentação. Naquele

momento de dor, tive a certeza de que Melquisedeque também sofria por todos aqueles que haviam

trocado o amor e a paz de Salém pelas ilusões daquele vale de destruição.

Depois de um longo pranto, o Messias consolou-me com a revelação de que os seus dois

companheiros encontravam-se naquele momento em Sodoma, com a missão de salvar Ló e suas

filhas, livrando-os da morte. Suas palavras trouxeram-me alívio, e prostrei-me agradecido aos seus

pés.

---------***----------

Antes de partir, o Eterno encarregou-me de uma missão, dizendo:

- Tome um rolo vazio e registre nele a história do vaso e a história de Salém, conforme ouviu

dos lábios de Melquisedeque. Dentro de um ano, você e todos aqueles que aceitaram a salvação,

deverão subir à Salém para a festa de Sukot. Naquele dia, entregará ao rei de Salém o jarro,

oferecendo dentro dele, como presente, o rolo.

Naquela mesma tarde, em obediência às ordens do Senhor, comecei a registrar a história vivida

por mim e por meus pastores, desde o momento em que parti rumo ao vale, levando sobre as costas o

vaso com sua labareda.

No dia seguinte, o sol já ia alto, quando, ao mencionar a cidade de Sodoma no manuscrito,

lembrei-me que aquele era o dia de sua destruição. Com o coração acelerado, corri para lá e fiquei

espantado com o cenário que se estendeu diante de meus olhos: em lugar daquele vale fértil,

semelhante a um paraíso, havia um deserto fumegante, sem nenhuma vida. No lugar das cidades de

Sodoma e Gomorra, havia uma cratera, para onde as águas do mar salgado escorriam.

Abalado ante essa visão de destruição, retornei à tenda com o coração entristecido. A

lembrança de tantas pessoas que, por rejeitarem o perdão Eterno, haviam sido consumidas pelo fogo,

deixou-me profundamente abalado. Nos dias seguintes, não encontrei forças para escrever. Retornei

outras vezes ao outeiro, com a esperança de que tudo aquilo fosse um pesadelo, mas em lugar do vale

fértil eu somente conseguia enxergar aquele caos.

Demorou vários dias para que eu voltasse a ter ânimo para prosseguir com os escritos do rolo.

Referências: (1)(Ezequiel 38; Zacarias 12: 10; (2) Genesis 14:18-24; (3)Jeremias 30:7-8; (4)

Isaias 51:1-3;(5)Isaias 52:7; (6)Zacarias 14:16-19; (7)Isaias 56:1-8;(8) Apocalipse13: 15-18;

(9)Apocalipse 15; Sonfonias 1:13-18; (10)S.Mateus 24:30,31; Apocalipse 14:1-5; 21:1-5; (11)

Gênesis

A História de Salém

- SEGUNDA PARTE -

Esta é a história de Salém, segundo ouvi dos lábios de Melquisedeque por ocasião da festa de

Sukot, cinco dias depois do livramento de Ló e suas filhas.

Tudo começou com um sonho no coração de um homem chamado Adonias. Ele possuía muitas

riquezas, mas a nada prezava mais que a justiça e a paz que nascem da sabedoria e do amor.

Cansado com as injustiças que predominavam por toda a terra de Canaã, Adonias resolveu

edificar um reino que fosse regido por leis de amor e de justiça. O nome da capital desse reino seria

Salém, a Cidade da Paz.

Os súditos de Salém não empunhariam arcos nem flechas, mas seriam treinados na arte

musical. Cada habitante de Salém teria sempre ao alcance de suas mãos um instrumento musical,

para expressar por meio dele a paz e a alegria daquele novo reino. Juntos formariam uma poderosa

orquestra na luta contra a desarmonia que nasce do orgulho e do egoísmo.

O primeiro passo de Adonias para a concretização de seu plano, foi elaborar as leis do novo

reino, as quais ele escreveu em um pergaminho. Os súditos de Salém não poderiam mentir, furtar,

odiar, nem matar seus semelhantes. O orgulho e o egoísmo eram apontados como causa de todo o

mal, portanto, não poderiam existir naquele lugar de paz.

As leis do pergaminho requeriam a prática da humildade, da sinceridade, da amizade, e, acima

de tudo, do amor, que é a maior de todas as virtudes.

Depois de registrar no pergaminho as leis que regeriam aquele reino, Adonias passou a

arquitetar Salém. Seria uma cidade a princípio pequena, com habitações para mil e duzentas pessoas.

Como lugar de sua edificação, foi escolhida uma região alta de Canaã, ao ocidente do Monte das

Oliveiras.

Em pouco tempo, a realização de Adonias começou a atrair pessoas de todas as partes que, de

perto e de longe, vinham para conhecer os palácios e as mansões que estavam sendo edificados.

Admirados ante a beleza daquela cidade tão alva, os visitantes perguntavam sobre quem seriam os

seus moradores. Adonias mostrava-lhes o pergaminho, dizendo que Salém destinava-se aos limpos de

coração - aqueles que estivessem dispostos a obedecerem suas leis.

--------*****-------

A edificação da cidade foi finalmente concluída, e Salém revelou-se formosa como uma noiva

adornada, à espera de seu esposo.

Assentado em seu trono, Adonias examinava os numerosos pretendentes que chegavam de

todas as partes, desejosos em ser súditos daquele reino. Aqueles que, prometendo fidelidade às leis

eram aprovados, recebiam três dotes do rei: o direito a uma mansão, vestes de linho fino e um

instrumento musical no qual deveriam praticar.

A cidade ficou finalmente repleta de moradores. Cheio de alegria, Adonias convocou a todos

para a festa de inauguração de Salém, no decorrer da qual proclamou um decreto que determinaria o

futuro daquele reino, dizendo:

- A partir deste dia, que é o décimo do sétimo mês, seis anos serão contados, nos quais todos os

moradores serão provados. Somente aqueles que permanecerem leais, progredindo na prática das

leis do pergaminho, serão confirmados como herdeiros deste reino de paz. Aqueles que forem

enlaçados por culpas e transgressões serão banidos pelo juízo.

As palavras do rei levaram todos a um profundo exame de coração, e alegraram-se com a

certeza de que alcançariam vitória sobre todo o orgulho e egoísmo, que são as raízes de todos os

males.

--------******--------

Adonias tinha um único filho a quem dera o nome de Melquisedeque. A beleza, ternura e

sabedoria desse filho amado haviam sido sua inspiração para a edificação de seu reino.

Melquisedeque tinha doze anos de idade, quando Salém foi inaugurada. Era plano de Adonias

coroá-lo rei sobre os súditos aprovados, ao fim dos seis anos. Este plano, ele o manteria em segredo

até o momento devido.

O príncipe, com suas virtudes e simpatia, tornou-se logo muito querido de todos em Salém. Ele

tinha sempre nos lábios um sorriso e uma palavra de carinho. Apreciava estar junto aos súditos em

seus lares, recitando-lhes as leis do pergaminho em forma de lindas canções que vivia a compor. Sua

presença trazia ao ambiente uma atmosfera de felicidade e paz. Esse amado príncipe possuía, de fato,

todas as virtudes necessárias para ser rei de uma Salém vitoriosa.

---------******---------

Adonias edificara uma mansão especial junto ao palácio, com o propósito de ofertá-la ao súdito

cuja vida expressasse mais perfeitamente as leis do pergaminho. Diariamente ele observava os

moradores, procurando entre eles essa pessoa a quem desejava honrar.

Passeava pelas alamedas de Salém, quando, por entre o trinar de pássaros, Adonias ouviu uma

voz semelhante a de seu filho. Ao voltar-se para ver quem era, encontrou um belo jovem que

cantarolava uma canção. Ao contemplar em sua face o brilho da sabedoria e da pureza, Adonias

alegrou-se por haver encontrado aquele a quem poderia honrar. Aquele jovem, que era uma cópia

fiel do príncipe, chamava-se Samael.

Colocando-lhe um anel no dedo, o rei conduziu-o ao palácio, onde foi recebido por

Melquisedeque que ofereceu-lhe muitos presentes, entre os quais o direito de estar sempre ao seu

lado.

Adonias preparou um grande banquete em honra a Samael, para o qual todos foram

convidados. Ao contemplá-lo ao lado do rei, os súditos o aclamaram com alegria, acreditando ser ele

o próprio príncipe.

Exaltavam com júbilo as virtudes daquele formoso jovem, quando revelou-se Melquisedeque,

posicionando-se com um sorriso à direita de seu pai.

No banquete, Samael foi honrado por todos. Realmente ele era digno de residir na mansão do

monte, pois havia nele um perfeito reflexo das virtudes que coroavam o amado príncipe.

---------*****--------

Salém crescia em felicidade e paz. Com alegria, os súditos reuniam-se a cada dia ao amanhecer

para ouvirem, cantarem e tocarem as sublimes composições de Melquisedeque, que inspiravam atos

de bondade e paz.

Entre as amizades nascidas e fortalecidas em virtude da música harmoniosa, sobressaía aquela

que unia o príncipe a Samael. Desde que passara a residir na mansão do monte, Samael tornara-se seu

companheiro constante. Passavam longas horas juntos, meditando sobre as leis do pergaminho. Com

admiração, o súdito honrado via o filho de Adonias transformar aquelas leis em lindas canções. As

doces melodias nasciam dos seus lábios como o perfume de uma flor.

Consciente da importância da música na preservação da harmonia e paz em Salém, o príncipe,

além do canto, passou a dedicar-se à música instrumental, sendo o seu instrumento preferido o

alaúde. Era por meio desse instrumento que conseguia expressar com maior perfeição a riqueza de

seu íntimo.

--------******--------

Dos seis anos de prova, cinco, finalmente, passaram. Adonias, feliz por ver que até ali todos os

habitantes de Salém haviam permanecido leais aos princípios contidos no pergaminho, convocou-os

para um banquete, no qual faria importantes revelações.

Tendo tomado seus lugares diante do trono, os súditos, com alegria uniram as vozes entoando

os cânticos da paz, sendo regidos por Samael.

Depois de ouvi-los, o rei, emocionado, dirigiu-se a seu filho, abraçando-o em meio aos

aplausos da multidão agradecida. Todos reconheciam que a paz e a alegria em Salém eram em grande

medida devidas ao amor e dedicação do querido príncipe, que era o autor daquelas doces canções.

Naquele momento de reconhecimento e gratidão, Adonias revelou os seus planos mantidos até

então em segredo. Com voz pausada, disse-lhes:

- Súditos deste reino de paz, minh’alma está repleta de alegria por contemplar nesse dia vossas

faces mais radiantes que outrora. Vossas vestes continuam alvas e puras, como quando as recebestes

de minhas mãos. A harmonia de vossas vozes e instrumentos hoje são maiores.

Tendo dito estas palavras, o rei acrescentou com solenidade:

- Um ano de prova ainda resta, ao fim do qual sereis examinados. Permanecendo fiéis como

até aqui, sereis honrados, confirmados como súditos deste reino de paz. Contudo, se alguém for

achado em falta, será banido, ainda que este julgamento nos traga muita tristeza e sofrimento.

As palavras do rei levaram os súditos a uma profunda reflexão. Todos, examinando-se,

indagavam reverentes: - Estaremos aprovados?!

Certos de que seriam vitoriosos, pois amavam Salém e suas leis, uniram as vozes num cântico

expressivo de fidelidade. Ao terminarem o cântico, Adonias revelou-lhes seu grande segredo:

- Aqueles que forem aprovados, herdando este reino de paz, receberão como rei o meu filho, a

quem darei o trono glorificado dessa Salém vitoriosa.

A revelação do rei foi aclamada por todos com muito júbilo. Adonias, contudo, ainda não lhes

revelara todo o seu plano, por isso, pedindo-lhes silêncio, prosseguiu:

- O meu filho empunhará um cetro especial, no qual selarei todo o direito de domínio. Seu

cetro, simbolizando toda a harmonia, será um alaúde.

Diante desta revelação que a todos sensibilizou, o príncipe, prostrando-se aos pés de seu pai,

chorou motivado por muita alegria. Enquanto isto, todos o aplaudiam com euforia, ansiando ver o

raiar desse dia em que a paz seria vitoriosa.

Adonias, chamando para junto de seu filho a Samael, concluiu dizendo:

- No governo dessa Salém vitoriosa, tenho proposto fazer de Samael o primeiro depois de

Melquisedeque. A ele será confiado o pergaminho das leis, devendo ser o guardião da honra desse

reino triunfante.

--------******---------

Samael, ao conhecer os planos de Adonias quanto ao futuro de Salém, encheu-se de euforia.

Contemplava agora risonho aquela cidade sem igual, imaginando seu futuro de Kevod(Kevod(glória)). Considerando

as palavras do rei, de que ele seria o segundo no reino, deixou ser dominado por um sentimento de

exaltação. Ele, que até ali, em obediência às leis do pergaminho, vivera uma vida de humildade,

começava a orgulhar-se de sua posição. Em seu devaneio sentia-se junto ao trono, tendo os súditos de

Salém a seus pés, aclamando com louvores sua grandeza. Samael, totalmente dominado por esse

sentimento, não dava por conta de que estava sendo conduzido para um caminho perigoso. O

orgulho que o seduzira estava gerando o egoísmo que logo se manifestaria em cobiça.

--------***** --------

Uma semana após a revelação de Adonias, os súditos promoveram uma festa em homenagem a

Melquisedeque, o futuro rei de Salém. Vendo-o aclamado por tantos louvores, Samael teve o coração

tomado por um estranho sentimento de inveja, fruto do orgulho e do egoísmo. Não podia suportar o

pensamento de ser deixado em segundo plano. Não era ele tão formoso e sábio quanto o príncipe?!

Era quase impossível disfarçar tal sentimento de infelicidade.

Outrora, Samael encontrara indizível prazer nos momentos em que, ao lado do príncipe,

recitava as leis contidas no pergaminho, que eram transformadas em lindas canções. Agora, tais

momentos tornaram-se desagradáveis, pois aqueles princípios contrariavam os seus ideais. Decidiu,

contudo, não revelar seus sentimentos de revolta. Suportaria o antiquado pergaminho até que, com

sua autoridade, pudesse bani-lo do novo reino que seria estabelecido. Não seria ele o guardião

daquelas leis? Essa “vitória” procuraria alcançar mediante sua influência e sabedoria.

Julgando poder influenciar o filho de Adonias com seus sonhos de grandeza, Samael

aproximou-se dele com euforia, e passou a falar-lhe das Kevod(glória)s do reino vindouro, onde os dois,

cobertos de honras, desfrutariam os louvores de uma Salém vitoriosa. Seriam eles os heróis do mais

perfeito reino estabelecido entre os homens.

As delirantes palavras do súdito honrado trouxeram preocupação e tristeza ao coração do jovem

príncipe, pois não refletiam os ensinamentos de amor e humildade do pergaminho.

Vendo o seu íntimo amigo em perigo, Melquisedeque, com uma ternura jamais revelada,

conduziu-o para junto do trono, onde, tomando o pergaminho, passou a ler compassadamente os

seguintes parágrafos:

- O reino de Salém será firmado sobre a humildade, pois esta virtude é a base de toda

verdadeira grandeza.

A humildade é fruto do amor, sendo contrária ao orgulho, que pode manter uma criatura presa

ao pó, fazendo-a contentar-se com suas limitações, iludindo-a como se as mesmas fossem de infinito

valor.

A humildade consiste no esquecimento de si, e este, numa vida de abnegado serviço aos

semelhantes.

Samael, esforçando-se para encobrir sua indignação ante a leitura do pergaminho que para ele

era ultrapassado, disse ao príncipe, em tom de conselho amigo:

- Meu bom companheiro, reinaremos numa Salém vitoriosa, que fulgurará muito acima deste

pergaminho, cujos princípios foram cumpridos fielmente nesses anos de prova. A plena liberdade

não será a Kevod(glória) de Salém? Pois saiba que, completa liberdade não coexistirá com estas leis, cujo

objetivo encerra-se ao fim dos cinco anos. Caberá a nós dois coroarmos Salém com a honra de uma

total liberdade, que gerará uma felicidade sem fim. Tal liberdade é impossível existir sob as

limitações do pergaminho.

O filho do rei ficou muito abalado ante as palavras de seu amigo, que evidenciavam loucura.

Como libertá-lo desse caminho de morte?!

------******------

Ninguém em Salém, além de Melquisedeque, conhecia a triste condição de Samael. Com

paciência, o príncipe procurava conscientizá-lo do real valor do pergaminho, cujas leis não podiam

jamais ser alteradas, pois isto seria o fim de toda a paz.

Os conselhos do príncipe despertaram finalmente o seu coração. Meditando sobre suas

palavras, conscientizou-se de estar seguindo por um caminho enganoso.

Ao ver nos olhos daquele a quem tanto amava as lágrimas do arrependimento, o filho de

Adonias alegrou-se com sua vitória sobre o orgulho e o egoísmo.

Os dias que seguiram-se à libertação foram cheios de realizações. O príncipe revelava-se ainda

mais amigo, disposto a dar tudo de si para que seu companheiro pudesse prosseguir triunfante no

caminho da humildade. Naqueles dias de júbilo, foi dada a ele a honra de conhecer o cetro que estava

sendo moldado.

Num momento de descuido, Samael, que voltara a desfrutar paz de espírito, permitiu que seu

coração novamente ficasse possuído por um sentimento de grandeza, que fez desencadear nova

tormenta em sua alma. Esse sentimento misto de orgulho e cobiça lhe sobreveio no momento em que

o príncipe mostrava-lhe o dourado alaúde, no qual estava sendo impresso o selo de todo o domínio.

--------******--------

De sua mansão Samael contemplava Salém em seu resplendor matinal. Vendo-a, qual noiva

adornada à espera de seu rei, cobiçou-a. Em seu delírio passou a formular planos de conquista. Já

podia sentir-se exaltado sobre o seu trono, tendo nas mãos o cetro precioso. Todos o aclamariam

como o libertador da opressão daquelas leis. Salém seria um reino de completa liberdade e prazer.

Dominado por esta cobiça, passou a maquinar planos de conquista.

Samael decidiu agir subtilmente entre os súditos, levando-os a ver no pergaminho um

empecilho à real liberdade. Em sua missão de engano, agiria com aparente bondade, revelando

interesse pelo crescimento da felicidade de todos.

Pondo em prática seus planos, passou a visitar os súditos em suas mansões, falando-lhes das

Kevod(glória)s do reino vindouro, onde desfrutariam completa liberdade.

Grande era a sua influência em Salém. Todos admiravam sua beleza e sabedoria, tendo-o como

um perfeito apóstolo da justiça e do amor. Ninguém podia imaginar que, em meio àquela atmosfera

de júbilo e gratidão, uma armadilha sutil estava sendo colocada, nas garras da qual muitos poderiam

cair por descuido.

Em sua sedutora missão, Samael não falava contra o pergaminho, aliás, louvava-o por haver

exercido naqueles seis anos, prestes a findarem, uma missão de prova. Em sua lógica, contudo,

procurava mostrar que, no reino vindouro, quando todos estivessem aprovados, estariam acima

daquelas leis. Seus argumentos, aparentemente corretos, preparavam-lhe o caminho para afirmar

abertamente que, no novo reino, a existência do pergaminho seria um entrave à concretização da

verdadeira liberdade.

--------*****--------

As sementes da rebelião lançadas por Samael não tardaram a germinar no coração de muitos

em Salém. Isto acontecia a seis meses do Yom Kipur, quando o destino de todos seria selado. Um

terço dos habitantes, seduzido pelo terrível engano, exaltava-o agora, em completo desprezo às leis e

ao príncipe, a quem julgavam ultrapassados.

Adonias, que sofria ao ver o surgimento de toda essa rebeldia, convocou os súditos para uma

reunião de emergência. Na face de todos podia-se ver as contrastantes disposições.

Com voz compassiva, o rei passou a revelar-lhes, como jamais fizera antes, a grande

importância das leis registradas no pergaminho, mostrando que elas eram a base de toda a

prosperidade e paz. Se tais leis fossem banidas, toda felicidade e Kevod(glória) se extinguiriam, dando lugar

ao caos.

Depois de mostrar a necessidade das leis, Melquisedeque, movido por um forte desejo de salvar

aqueles a quem tanto amava, ergueu diante de todos o pergaminho e, com voz cheia de bondade,

ofereceu-lhes o perdão e a oportunidade de recomeçarem no caminho da paz. Suas palavras a todos

emocionou. Até mesmo Samael ficou a princípio motivado, contudo, o orgulho impediu-lhe novo

arrependimento. Desta maneira, o súdito honrado, quando ainda podia olhar arrependido para o

pergaminho, endureceu-se em sua rebeldia, decidindo prosseguir até o fim. Esta decisão, todavia, não

a manifestaria prontamente, pois idealizara um traiçoeiro plano.

----------******----------

Ao findar o encontro da oportunidade, Samael convocou seus seguidores para uma reunião

secreta, que foi realizada sob o manto da noite, junto ao riacho de Cedrom, que fica fora dos muros

de Salém.

Após maldizer o pergaminho e a todos aqueles que o defendiam, começou a falar-lhes de seus

planos de vingança e traição:

- Como vocês sabem, os seis anos da prova estão se esgotando, restando, a partir de hoje, vinte

e quatro semanas para o dia da coroação. Se vocês quiserem ter-me como rei em lugar de

Melquisedeque, poderei roubar-lhe o cetro, apoderando-me do reino.

Samael passou a explicar-lhes os lances da traição, dando-lhes as devidas orientações sobre a

maneira de agirem a partir daquela data:

- Precisamos manter uma aparência de fidelidade ao pergaminho e ao príncipe até que chegue

o momento de agirmos. O golpe será dado na noite que antecede o dia da coroação. À meia-noite,

furtivamente nos ausentaremos de Salém. Roubarei nessa noite o cetro e, juntos, fugiremos para o

profundo vale onde estão as cidades de Sodoma e Gomorra. Ali nos armaremos, e marcharemos

contra Salém, subjugando nossos inimigos. Acabaremos então com o pergaminho e com todos

aqueles que se recusarem prestar obediência ao nosso governo.

-------*****--------

Sobrevieram dias de aparente tranqüilidade e paz. Samael, fingindo fidelidade, estava sempre

ao lado do príncipe, demonstrando admiração pelas suas novas composições que exaltavam as leis do

pergaminho. Os seguidores de Samael, da mesma maneira, uniam as vozes em louvores que

expressavam a grandeza dos princípios aos quais repugnavam.

Melquisedeque, cheio de alegria por ver aproximar-se o dia de sua coroação, ensaiava com os

súditos os cânticos da vitória, os quais compusera especialmente para aquela ocasião. Com

felicidade falava a todos sobre seus sonhos em tornar Salém cada vez mais honrada por sua beleza e

harmonia.

Samael, em sua maldade velada, zombava do príncipe. Já previa a dor que lhe traria o golpe da

traição.

Naqueles dias de aparente paz, o súdito rebelde procurou conhecer o lugar em que o cetro

ficaria oculto até o dia da coroação. O príncipe, sem nada desconfiar, revelou-lhe todo o segredo: a

sala, o cofre com seu enigma, o rico estojo e, finalmente o tesouro. Contemplando-o, o astuto Samael

animou-se ao ver estampado em seu bojo o selo do domínio. Compreendeu que aquele que o

possuísse teria nas mãos o reino de Salém. Somente alguns dias, pensou, e teria sob seu poder aquele

instrumento precioso.

-------******--------

O sol declinou trazendo para Salém o dia que significaria vitória ou derrota.

Pouco antes do anoitecer, Samael deixara o palácio onde passara todo o dia ao lado do príncipe,

ajudando-o nos preparativos para a cerimônia da coroação. Dirigindo-se para sua mansão, saudou as

trevas com um sorriso maldoso. Como ansiara por aquela noite!

Enquanto os fiéis, embalados pela emoção da feliz vitória, revisavam sob a luz de candeias os

adornos de seus instrumentos, de vestes e mansões, certificando-se que seriam aprovados na manhã

seguinte, Samael e seus seguidores faziam seus últimos preparativos para desferirem o golpe.

À meia-noite, seguindo as instruções de Samael, todos os seus seguidores abandonaram

silentemente suas mansões, rumando-se ao profundo vale de Cedrom, onde esperariam pelo seu

novo rei.

Samael, por sua vez, dirigiu-se aos fundos do palácio, por onde esperava entrar sem ser notado,

indo ao encontro do cetro. Evitando qualquer ruído, transpôs o portal, dirigindo-se silentemente à sala

que guardava o precioso cetro.

Naquele momento, o príncipe que, insone rolava em seu leito, pressentindo algum perigo,

dirigiu-se ao quarto de seu pai e o despertou dizendo:

- Meu pai, ouvi ruídos de passos no interior do palácio.

Afagando a cabeça de seu filho, Adonias, sonolento respondeu-lhe:

- Filho, não se preocupe. Deite-se comigo e durma tranqüilamente. Daqui a pouco raiará o

alvorecer e você terá nas mãos o alaúde dourado.

O príncipe, tranqüilizado pelas palavras confiantes de seu pai, entregou-se a um sono de lindos

sonhos em que vivia ao lado de Samael e de todos os súditos de Salém, os momentos festivos da

coroação. Enquanto isso, o rebelde, com as mãos trêmulas, apossava-se do cetro. Naquele momento,

teve a idéia de levar somente o alaúde, deixando o estojo em seu devido lugar. Com um sorriso cheio

de maldade, imaginou o momento em que o rei entregaria ao seu filho aquele estojo vazio.

Levando consigo o cetro, Samael dirigiu-se apressadamente ao lugar em que seus seguidores o

aguardavam. Ao encontrá-los, deu vazão a todo o seu orgulho proclamando:

- Agora eu sou o rei de Salém. Quem possui um cetro como o meu? Com ele domino a terra e o

mar. A minha força está nas trevas, pois através delas o conquistei.

Festejando a vitória, a turba ruidosa afastou-se para distante de Salém, seguindo rumo às

cidades corrompidas da planície, onde pretendiam armarem-se para a conquista de seu reino.

--------*****-------

O sol surgiu no horizonte, trazendo a luz do dia da expiação (Yom Kipur). Despertando de seu

sono de lindos sonhos, o príncipe apronta-se para a cerimônia do juízo e da coroação. Vestes

especiais de linho fino, adornadas com fios de ouro e pedras preciosas, foram-lhe preparadas. Depois

de vestir-se, Melquisedeque encaminhou-se para o encontro de seus súditos, na extremidade sul de

Salém. Dali os conduziria numa marcha festiva rumo ao palácio situado ao norte, sobre o monte

Sião.

Adonias, fazendo soar um longo chifre, convocou a todos para a reunião do julgamento.

Deixando suas mansões, todos os remanescentes dirigiram-se para a praça do portão sul, levando

consigo seus instrumentos musicais.

Ao encontrar-se com aqueles fiéis, Melquisedeque ficou surpreso pela ausência de muitos. Esse

mistério doía-lhe na alma, pois lhe ocultava a face mais querida de seu amigo Samael.

Deixando seus seguidores reunidos, o príncipe saiu à procura dos ausentes. Em sua busca

infrutífera, dirigiu-se finalmente à mansão do monte, onde chamou por Samael. Sua voz, contudo,

não trouxe nenhuma resposta além de um eco vazio, que traduzia ingratidão.

Lendo no triste vazio a traição, sentiu vontade de chorar. Num só momento veio-lhe à mente

todo o passado daquele a quem buscara com tanta dedicação conservá-lo em sua Kevod(glória), através de

conselhos sábios. Recordou aqueles dias que seguiram à sua recuperação. Como se alegrara com a

certeza de que seu amigo não mais voltaria a cair! Levando-o a pressentir a tragédia, vieram-lhe à

lembrança as indagações de Samael sobre o alaúde, o qual mostrou-lhe num gesto de amizade. A

memória deste fato, somada aos passos ouvidos no interior do palácio naquela noite, deu-lhe a

certeza de que Salém corria perigo. Não suportando essa possibilidade de traição, prostrou-se em

pranto, ferido pela terrível ingratidão daquele a quem dedicara tanto amor.

Curvado pela dor, permaneceu por algum tempo procurando encontrar algum consolo.

Enxugou finalmente as lágrimas, decidido a fazer qualquer sacrifício a fim de devolver a Salém sua

Kevod(glória) e poder, redimindo-lhe o cetro das mãos do rebelde.

Consolado pela certeza da vitória, Melquisedeque retornou para junto dos súditos fiéis.

Ocultando-lhes seu sofrimento, bem como o motivo da ausência de tantos, o príncipe guiou-os em

marcha triunfal rumo ao palácio.

--------*****----------

Ao aproximarem-se do monte Sião, galgaram os alvíssimos degraus da escadaria, sendo

seguidos pela multidão exultante. Doía-lhe na alma a expectativa de ver morrer nos lábios dos fiéis,

naquela manhã, o seu alegre canto, devido ao golpe da traição.

Encontravam-se agora no interior do palácio, diante do magnífico trono que esperava pelo

jovem rei. Na base do trono, jazia aberto, em meio a um arranjo de flores, o pergaminho das leis.

Junto dele podia-se ver a linda coroa, feita de ouro e pedras preciosas, bem como o estojo daquele

cetro que simbolizava toda a harmonia de Salém.

Os súditos estavam felizes, pois sabiam que seriam considerados dignos de herdar aquele reino

de paz. Aguardavam agora o momento da coroação, quando o seu novo rei os regeria de seu trono

com seu cetro precioso, num cântico triunfal.

Em meio aos aplausos das hostes vitoriosas, Melquisedeque dirigiu-se a seu pai, que o recebeu

com um carinhoso abraço. O momento era deveras solene. As hostes silenciaram-se na expectativa da

coroação. O estojo seria aberto e todos testemunhariam a exaltação do querido príncipe.

Com o coração pulsando forte pela alegria, Adonias curvou-se sobre o estojo, abrindo-o

cuidadosamente. Ao encontrá-lo vazio, a alegria de seu semblante deu lugar a uma expressão de

indizível preocupação e tristeza, pois naquele cetro selara o destino daquele reino de paz.

Ao ver seu pai e todos os súditos aflitos pela ausência do cetro e de tantos amigos que deveriam

estar com eles naquele momento, Melquisedeque consolou-os com a promessa de que buscaria o

cetro. Inconscientes dos riscos e perigos que aguardavam o príncipe em seu caminho, os súditos

despediram-se dele, vendo-o partir apressadamente.

--------*****--------

O alvorecer daquele dia que seria o da coroação alcançou os rebeldes distantes de Salém, a

caminho das cidades da planície. Naquele manhã, Samael encheu-se de fúria ao ver que o precioso

alaúde estava adornado com inscrições das leis contidas no pergaminho. Tomando uma pedra

pontuda, passou a danificar o cetro, raspando-lhe todas as palavras de amor e justiça. Suas

harmoniosas cordas estavam agora desafinadas sobre o seu bojo ferido, mas continuava sendo

precioso, pois sobre ele jazia selado o domínio de Salém. Possuí-lo, significava ser dono de todo o

poder.

Ao chegarem à altura em que o caminho bifurcava-se, Samael ordenou a seus seguidores que

prosseguissem rumo a Gomorra, enquanto ele iria até Sodoma, onde permaneceria por dois dias,

juntando-se depois a eles.

Esperou pela noite para entrar em Sodoma. Quando ali entrou, caminhou pelas ruas estreitas

sem ser notado, até encontrar uma casa isolada sobre uma elevação. Fazendo do cetro sua arma,

invadiu a casa matando seus moradores, enquanto dormiam. Apossou-se dessa maneira daquela

residência onde, solitário, maquinaria seus planos para a tomada de Salém.

--------*****---------

O entardecer daquele dia que seria o da coroação alcançou o filho de Adonias a caminhar pelo

pedregoso caminho rumo ao vale. Seus olhos carregados de tristeza e anseio voltam-se para o solo,

em busca dos rastros dos rebeldes. A lembrança da ingratidão daqueles a quem tanto amava o fez

chorar. Suas lágrimas, refletindo os últimos lampejos daquele sol poente, assemelham-se a gotas de

sangue jorrando de um coração ferido. Ele chorava não por causa dos perigos que lhe sobreviriam

naquela fria noite, mas pela infeliz sorte daqueles que haviam trocado a paz de Salém pela violência

daquelas cidades da planície.

O seu único consolo era a lembrança daqueles que, apesar de todas as tentações, haviam

permanecido fiéis. A eles prometera devolver o cetro, e isto o faria apesar de qualquer sacrifício.

--------*****-------

Depois de uma longa noite de insônia em que o príncipe ficou recostado ao lado do caminho,

raiou a luz de um dia que seria decisivo.

Ao aproximar-se de Sodoma naquela manhã, o pensamento de estar tão próximo do cetro de

sua amada Salém fez com que se esquecesse de toda a fadiga, abreviando seus passos rumo ao

desafio.

Ao abeirar-se do grande portão da cidade, ficou tomado por um temor, ao ouvir ruídos

espantosos de desarmonia, que traduziam o orgulho, o egoísmo e a cobiça que ali dominavam todos

os corações, fazendo-os explodir na orgia de uma maldade sem fim.

Seria um grande risco expor-se à violência gratuita daquela cidade. Esse pensamento o fez

deter-se a um passo do portal, onde estremecido curvou a fronte em indizível luta íntima. Era tentado

a recuar, mas lutava com todas as forças de sua alma contra esse pensamento de fracasso.

Pensando na triste sorte de Salém, cujo domínio estava sendo pisado no interior daquela cruel

Sodoma, Melquisedeque tomou uma firme decisão: como um destemido guerreiro haveria de

avançar, e, mesmo que tivesse de enfrentar o acúmulo de todos os perigos, prosseguiria, até erguer

em suas mãos vitoriosas o cetro amado.

Resoluto e esperançoso, transpôs o portão de Sodoma, mergulhando naquele mundo estranho.

Tudo ali era o oposto de Salém, começando pelas pedras ásperas e sujas de suas construções. Sodoma

era um reino de trevas.

A presença contrastante do príncipe foi logo notada por muitos que, em tumulto, o cercaram. A

pureza de caráter expressa em sua meiga face e o esplendor de suas vestes encheram-nos de espanto,

e recuaram como que vencidos por uma força invisível. Dominados pela fúria, passaram a perseguilo

à distância, decididos a fazê-lo recuar. Jogavam-lhe pedras e lama tentando macular-lhe as vestes,

mas não o atingiam, enquanto ele avançava em sua ansiosa busca. Desistiram finalmente de persegui-lo,

ao entardecer.

-------*****-------

O filho de Adonias percorrera todas as ruas e becos à procura do precioso cetro, mas em vão.

Ao ver tombar no horizonte o sol, anunciando a chegada de mais uma escura e fria noite, seu coração

ficou opresso por uma grande agonia. Ali, naquele último beco, quase vencido pela exaustão e pelo

desespero, inclinou a fronte, desfazendo-se em pranto. Seus lábios pronunciaram em meio aos

soluços as seguintes palavras:

- Salém, Salém, você não pode perecer! O seu cetro precisa ser redimido das garras da

rebeldia! Mas quando e onde vou encontrá-lo?! Já não restam forças em mim e a esperança de

redimi-lo antes da noite me abandona!

O príncipe, em sua suprema angústia, não percebia que outro gemido de dor, procedente de

cordas arrebentadas de um alaúde humilhado, fazia-se ouvir naquele entardecer.

Subitamente, o fraco gemido penetrou seus ouvidos, reanimando-o com a certeza de que o

grande momento da redenção havia chegado. Enxugando as lágrimas, reuniu as últimas forças

correndo em direção a uma pequena casa situada sobre um monte, de onde parecia vir o som.

Ao dirigir-se à porta entreaberta, deteve-se ao contemplar uma cena chocante, de humilhante

escravidão: Samael, envolvido por um manto sujo, castigava o cetro de Salém. Tanto o rapaz quanto

o cetro achavam-se tão desfigurados, que não restavam neles quase nenhum traço da Kevod(glória) perdida.

Aquele cetro, contudo, mesmo arrasado como estava, era muito precioso, pois nele jazia o selo do

domínio de Salém.

A contemplação daquele que fora seu maior amigo e daquele cetro idealizado como símbolo de

toda a harmonia, em tão trágica condição, comoveu profundamente o príncipe, fazendo-o chorar em

alta voz. Somente então o súdito rebelde percebeu sua presença indesejada. Estremecido, levantou-se,

e, cheio de ira perguntou-lhe:

- O que o trouxe a Sodoma?

Apontando para o cetro danificado, Melquisedeque exclamou:

- A Kevod(glória) de Salém está destruída!!!

Com uma gargalhada, Samael zombou de sua tristeza, dizendo:

- Agora eu sou o rei de Salém. Vocês que são fiéis ao pergaminho, tornar-se-ão meus escravos.

Sem se importar com as palavras de afronta de Samael, o príncipe, movido por uma infinita

angústia, disse-lhe:

- Samael, Salém está ferida por sua traição. Por que você trocou o seu lar de justiça e amor

por esse vale de injustiça, ódio e morte?! Agora, se não deseja retornar à Salém arrependido,

devolva-lhe o cetro. Foi para redimi-lo que, a despeito de todos os perigos, desci a esse vale hostil.

Conhecendo o propósito do príncipe, o rebelde encheu-se de raiva e, cerrando os punhos, disse-lhe

:

-Eu o odeio Melquisedeque!

Tendo dito isto, arremessou o cetro ao chão, e pisando-o acrescentou:

- Tenho vontade de fazer o mesmo com você.

Diante dessa afronta, o príncipe não sentiu nenhum temor, mas compaixão. Transportando-se

ao feliz passado, lembrava-se dos momentos felizes em que tinha sempre ao seu lado a Samael. Ele

era um jovem puro e humilde de coração. Por que permitira ser escravizado pela ilusão do orgulho e

do egoísmo?! Quão doloroso era ver aquele jovem que, por sua beleza e simpatia, havia sido honrado

acima de todos os súditos, agora arruinado pela cobiça! Não fora o sonho do príncipe ter junto ao seu

trono glorificado, aquele que lhe era o mais precioso amigo?! Essa tragédia feria-lhe a alma.

Contudo, a triste condição do cetro o atingia ainda mais, pois ele fora feito como o símbolo de toda a

harmonia, e estava sendo desfeito sob os pés da ingratidão.

Surpreso por não ver nos olhos de Melquisedeque nenhuma expressão de temor, porém de

piedade, Samael sentiu-se frustrado em suas afrontas que visavam amedrontá-lo, levando-o desistir

de sua missão.

Diante da postura digna do príncipe, que em silente dor o contemplava, sentiu-se

envergonhado. Essa fraqueza, contudo, foi banida pelo orgulho que dominava o seu coração.

Começou então a planejar algo terrível, para humilhar e ferir o príncipe, fazendo-o sofrer ainda mais.

Com escárnio disse-lhe:

- O cetro de Salém poderá ser seu, se você conseguir pagar-me o preço de seu resgate.

Com um brilho nos olhos, o príncipe perguntou-lhe:

- Qual é o preço?

Samael, com um sorriso maldoso, respondeu-lhe pausadamente:

- O preço não é ouro nem prata, mas dor e sangue. Você deverá despir-se completamente de

suas vestes, deitando-se ao chão. Deverá suportar nessa condição, espancamentos, até que o sol se

ponha. Se você estiver disposto a submeter-me, sem reagir, o cetro será inteiramente seu.

Estremecido ante tão cruel proposta, o filho de Adonias olhou para o sol que pairava distante

sobre uma nuvem. Passou a travar em seu coração uma luta intensa. A princípio, o horror do

sacrifício quase o dominou, levando-o recuar, mas o pensamento de ver Salém escravizada pela

rebeldia, levou-o finalmente à decisão de pagar o preço do resgate, entregando-se ao humilhante

sofrimento.

--------******---------

Tendo tomado a firme decisão de resgatar o cetro, o príncipe tirou as vestes, colocando-as

sobre uma pedra. Deitou-se em seguida naquele solo frio, com a fronte voltada para o poente.

Impiedosamente, Samael começou a espancá-lo, fazendo uso do próprio cetro como

instrumento de tortura. Gemendo pela dor dos golpes que o faziam sangrar, o príncipe mantinha o

olhar fixo no sol que parecia deter-se sobre a nuvem. Atordoado pela dor, contemplou finalmente o

sol prestes a se pôr. Alentado pela vitória que se aproximava, murmurou baixinho:

- Salém, Salém, daqui a pouco terei em meus braços o teu cetro precioso que, em minhas mãos,

tornar-se-á num instrumento de justiça e paz.

Ouvindo a promessa do príncipe feita por entre gemidos, Samael bradou-lhe com fúria:

- O seu sofrimento não trará nenhum alvorecer para Salém, pois suas mãos jamais serão

capazes de tocar no cetro.

Depois de fazer essa afronta, Samael apossou-se de uma pedra pontuda, preparando-se para

desferir os últimos golpes.

Enquanto pensava sobre a feliz vitória de Salém, Melquisedeque sentiu seu braço direito ser

comprimido pelos pés de Samael. Seguiu a esse rude gesto um golpe que o fez contorcer-se em

agonia. Sua mão fora vazada cruelmente, passando a jorrar abundante sangue da ferida aberta. Essa

mesma violência foi descarregada logo depois sobre sua mão esquerda.

Não suportando a agonia causada por esses derradeiros golpes, o filho de Adonias,

ensangüentado, mergulhou nas trevas de um profundo desmaio.

-------*****-------

Ao cessar de golpear o príncipe, o súdito rebelde ficou possuído por um estranho horror, ao

contemplar na face daquele que somente lhe fizera o bem, o torpor da morte. Procurava não recordar

o passado, mas, irresistente, sentia ser arrastado aos dias de sua feliz inocência em Salém. Revestido

de ricas vestes estava sempre ao lado do príncipe que, com dedicação, ensinava-lhe a cada dia suas

canções falando de paz.

Nas indesejadas lembranças pelas quais era arrastado, reviveu seus primeiros passos no

caminho do orgulho e do egoísmo. Lembrou-se dos incessantes conselhos e rogos daquele que fora

seu melhor amigo, para que desistisse daquele caminho que poderia conduzi-lo à infelicidade.

Depois de ser arrastado em lembranças por todo aquele passado de felicidade destruída por sua

culpa, Samael teve consciência de sua ingratidão. Horrorizado pelo que fizera, curvou-se sobre o

corpo ensangüentado de Melquisedeque, e desesperou-se ao vê-lo sem vida. Não suportando o peso

da grande culpa, deixou às pressas aquele lugar, desejando ocultar-se distante, sob as trevas da fria

noite.

------*****------

Depois de um profundo desmaio, o príncipe começou a voltar à consciência. Em delírios que o

transportavam ao seio de sua amada Salém, ele revivia momentos vividos e sonhados. Com alegria

contemplava a face de seu maior amigo, para quem estendeu a mão com um sorriso. Mas seu gesto

foi frustrado por uma profunda dor. Em meio aos aplausos dos súditos vitoriosos, recebe de seu pai o

cetro, mas, ao tocá-lo, sente uma irresistível dor em suas mãos.

Com esses sonhos frustrados pela dor, Melquisedeque despertou para a realidade. Estava nu,

ferido e solitário, em um lugar perigoso, longe do abrigo e carinho de Salém. Mais doloroso era

pensar que tudo aquilo era a retribuição de alguém que fora o alvo principal de todas as dádivas de

seu amor.

O príncipe, sem poder mover-se, considerando a grande traição, passou a chorar sem consolo.

Lamentava não por sua dor, mas pela perdição daqueles que haviam trocado o carinho e a justiça de

Salém pelo desprezo e ódio que os reduziriam finalmente a cinzas sobre aquele vale condenado.

Através das lágrimas, o príncipe contemplava o céu que, semelhante a um manto tinto de

sangue, estendia-se banhado na luz do sol poente. Lembrou-se então do alaúde pelo qual pagara tão

alto preço. Onde estaria ele?

Em sua desesperada fuga, Samael deixara o cetro abandonado junto ao corpo ferido de

Melquisedeque. Quando ele o viu, esqueceu-se de toda a dor, e alcançou-o com suas mãos feridas.

Acariciando-lhe o bojo arruinado, disse-lhe com um sorriso:

- Você é meu novamente. Eu o comprei com o meu sangue.

--------******---------

Samael que, dominado pelo estranho horror, fugira após cometer o horrível crime, deteve-se a

um passo do portão de Sodoma. Ali impulsionado pelo orgulho, arrependeu-se com indignação de

sua fraqueza. Por que fugira depois de conquistar tão grande vitória? Não era seu plano destruir o

reino de Salém, para estabelecer seu próprio reino? Lembrando-se do cetro, decidiu retornar para

tomá-lo. Por que o deixara abandonado junto ao cadáver daquele odiado príncipe?

Reunindo suas poucas forças, Melquisedeque dirigiu-se tropegamente ao lugar em que deixara

suas vestes.

Depois de vestir-se, tendo junto ao peito o cetro amado, o filho de Adonias, com profunda

emoção, fez um juramento antes de deixar aquele lugar de seu sofrimento. Acariciando o cetro, disselhe:

- Meu querido cetro, você foi criado como um emblema da harmonia que procede da justiça e

do amor. Toda a Kevod(glória) de Salém repousava sobre você quando a rebeldia em sua ingratidão

escravizou-o, arrastando-o para este vale hostil. Aqui você foi ferido e humilhado, vindo a tornar-se

um instrumento de impiedade nas mãos do tirano. Eu, porém, o redimi com o meu sangue. Agora

nossas feridas serão restauradas, e em breve seremos entronizados em meio aos louvores de uma

Salém vitoriosa. Quando esse sonho se concretizar, testemunharemos juntos o fim daqueles que se

levantaram contra nós para nos ferir. Samael e seus seguidores serão devorados pelo fogo que

reduzirá a cinzas Sodoma e Gomorra.

Concluindo seu solene juramento, o jovem príncipe, já oculto pelas trevas da noite, deixou

aquela colina, e sobre ela as marcas de seu sofrimento.

--------******--------

Desde que o filho do rei partira, prometendo retornar com o cetro, Salém vivia momentos de

indizível anseio. Em pranto, o rei e os súditos remanescentes lembravam-se de todo aquele feliz

passado desfeito pela ingratidão dos rebeldes. O que mais lhes torturava era a ausência do príncipe e

do cetro, sem os quais todo o brilho daquele reino de paz se ofuscaria.

Desejando consolar o coração de seus súditos, Melquisedeque avançava em meio à noite rumo

aos montes que cercavam Salém. Ainda que enfraquecido e ferido, prosseguia em sua marcha

ascendente, esperando alcançar sua pátria pela manhã.

Aquela longa e escura noite foi finalmente vencida pelos raios do alvorecer. Em Salém a

esperança em rever Melquisedeque com o seu cetro estava quase banida quando, ao olharem para o

Monte das Oliveiras, viram-no descendo pelo caminho do Getsêmani. Quando o encontraram no

profundo vale de Cedrom, ficaram assustados com sua aparência: sua face estava pálida e seu manto

encharcado de sangue. Mesmo assim, ele sorria expressando grande alegria.

Ao perguntarem-no sobre o porquê daquelas marcas de sangue, Melquisedeque retirou de sob o

manto suas mãos feridas, revelando-lhes entre elas o cetro redimido.

Depois de contar-lhes os passos que o levaram ao resgate do cetro, os súditos, emudecidos,

prostraram-se reverentes aos seus pés, aclamando-o como seu redentor e rei.

Em meio aos louvores das hostes redimidas, o príncipe foi introduzido no palácio real, onde,

sob os cuidados de seu amoroso pai, deveria restabelecer-se de seu sofrimento. O cetro desfigurado,

agora mais precioso, seria também restaurado, devendo tornar-se mais belo que antes.

O dia da coroação foi fixado para o próximo Yom Kipur. Naquele dia, Melquisedeque selaria

com o cetro restaurado o triunfo de todos os fiéis, bem como a condenação dos rebeldes.

--------*****-------

Poucos instantes após a saída de Melquisedeque, Samael chegara ao local onde o deixara

aparentemente sem vida, ao lado do alaúde. Sem entender aquele misterioso desaparecimento, ele

prosseguiu para Gomorra, onde seus seguidores o esperavam. Ao vê-los, proclamou sua “vitória”

sobre o odiado príncipe e sobre o cetro, os quais massacrara em Sodoma, não restando aos

seguidores do pergaminho nenhuma esperança.

Suas palavras agradaram a turba rebelde, que passou a comemorar a “conquista”, entregando-se

à orgia. Zombavam agora da justiça e do amor, exaltando a Samael como rei vitorioso.

Obteriam agora armas, com o propósito de avançarem sobre Salém, desferindo-lhe o último

golpe. Juntaram-se a eles, em seu maléfico propósito, muitos criminosos que foram recebidos como

mestres no manejo de arcos e flechas.

Em sua loucura, Samael ordenou o banimento de todo calendário, pois em seu reino de

“liberdade” não estariam sujeitos a nenhum cômputo de tempo. As leis da moralidade foram também

banidas, surgindo com isso um completo caos. Essa desordem revelou-se de maneira mais patente no

barulho estridente e cacofônico, ao qual proclamaram como a nova música.

Dominados pelo egoísmo, Samael e seus seguidores alimentavam-se de ilusões, inconscientes

de que seus dias estavam contados. Os frutos da rebelião não tardariam a atrair sobre eles o fogo da

destruição.

Dividindo seus seguidores em pequenos grupos, Samael passou a comandá-los em atos

violentos que aterrorizavam os moradores das planícies. Por esse tempo, eles escondiam-se nas

cavernas situadas próximas ao mar salgado.

O respeito e o medo dos guerrilheiros de Samael levaram finalmente os reis de quatro cidades a

procurarem-no, propondo alianças de paz. Eram eles: Bara, rei de Sodoma; Bersa, rei de Gomorra;

Senaab, rei de Adama; Semeber, rei de Seboim, e Segor, o rei de Bela. Por essa época, esses reis

pagavam tributos a Cordolaomor, rei de Elam, que, acompanhado pelos exércitos de quatro outras

cidades, os haviam subjugado no vale de Sidim junto ao mar salgado.

Fortalecido pelas alianças, Samael tornou-se mais ousado em suas investidas, levando o terror e

a destruição aos territórios de cidades distantes. Os exércitos de Cordolaomor e seus aliados que

retornavam nesses dias de outras conquistas, enfurecidos pelas provocações de Samael, marcharam

contra os quatro reis, vencendo-os novamente no vale de Sidim. Foi nessa ocasião que levaram

cativos os habitantes de Sodoma, entre os quais encontrava-se o meu sobrinho Ló.

Acovardados diante do furor dos cinco reis, Samael e seus seguidores esconderam-se em suas

cavernas, ao norte do mar salgado.

---------******---------

Os doze meses contados a partir do grande sacrifício estavam prestes a terminar. O cetro,

totalmente restaurado, resplandecia em seu estojo, enquanto o príncipe, igualmente restabelecido das

feridas causadas pela rebeldia, alegrava-se ao ver chegar o Yom Kipur de sua coroação. Enquanto

isso, ele compunha lindas canções que expressavam o seu amor por Salém.

Naqueles doze meses, a cidade da paz tornara-se mais bela, sendo adornada qual noiva para o

grandioso dia da coroação.

 

A uma semana para o Yom Kipur, Samael, totalmente inconsciente de que o dia de seu

julgamento se aproximava, reuniu os seus seguidores, anunciando-lhes que a próxima missão seria a

conquista de Salém. Antes de avançarem, contudo, ele subiria sozinho para verificar os pontos

vulneráveis da cidade.

Depois de ser aplaudido pela turba, Samael partiu em sua missão de reconhecimento. Enquanto

avançava sozinho, procurava não se lembrar daqueles momentos que lhe trouxeram terror pela culpa,

mas, dominado por uma força superior, foi arrastado em suas lembranças para aquele monte da cruel

tortura.

Todo o seu passado começou a vir-lhe à lembrança, como um peso esmagador.

Quando despertou de suas lembranças, das quais não conseguiu fugir, já era noite. A escuridão

que o envolvia pareceu-lhe o prenúncio de um triste fim. Esse desânimo, contudo, procurou bani-lo

com a lembrança do exército que o esperava, pronto para cumprir suas ordens, na conquista de

Salém, onde não haveria lembranças daquele pergaminho.

O alvorecer o alcançou próximo de Salém. Ao avistar o monte das Oliveiras, veio-lhe à

lembrança a última vez que o transpôs, deixando para trás a cidade vencida. Quantas noites haviam

passado desde então? Ele perdera a noção de tempo, não sabendo que justamente doze meses haviam

se passado. Não podia imaginar que raiava naquela manhã o Yom Kipur, o dia de seu julgamento.

Ao chegar ao topo do monte das Oliveiras naquela manhã, Samael surpreendeu-se ao ver que a

cidade tornara-se mais bonita que outrora. Toda ela estava adornada de ramos e flores, como uma

donzela à espera de seu noivo. Contudo, Salém estava abandonada, não havendo nenhum sinal de

vida em todas as suas mansões. Isto o fez concluir que os golpes, que haviam aniquilado o príncipe e

o cetro, trouxeram como conseqüência todo aquele abandono. Ele não sabia, contudo, que naquele

momento todos os remanescentes daquele reino, encontravam-se ocultos no grande salão do palácio,

aguardando pelo momento mais glorioso da coroação de Melquisedeque.

Imaginando-se exaltado sobre o trono abandonado, tendo a seus pés os exércitos vitoriosos, o

rebelde penetrou na cidade, dirigindo-se apressadamente ao palácio. Ao transpor o portal principal

que dava entrada ao salão principal, ficou surpreso ao ver ali reunida uma multidão de fiéis. Sobre

um áureo tablado, enfeitado de flores talhadas em pedras preciosas, encontra-se o trono vazio. Na

base do trono estava o pergaminho das leis, uma coroa de ouro cheia de pedras preciosas e o estojo

que deixara vazio naquela noite de traição. Sem entender o enigma, Samael escondeu-se por trás de

uma coluna, temendo ser reconhecido, e ficou observando.

Os súditos, com expressão de feliz expectativa, olhavam para o trono vazio. Onde encontravam

eles motivos para toda essa alegria, se haviam perdido o seu rei juntamente com o cetro? Samael

questionava sobre esse mistério, quando Adonias, aplaudido pelos súditos, encaminhou-se para junto

do trono. Com voz cheia de emoção pela vitória, o fundador de Salém anunciou que havia chegado o

momento tão sonhado da coroação. Um brado de triunfo ecoou pelos ares quando, anunciado pelo

seu pai, entrou o amado príncipe encaminhando-se em direção ao trono. Ao vê-lo coberto por um

manto de Kevod(glória), Samael ficou possuído por um terrível pavor, e procurou fugir. Descobriu, contudo,

que todos os portais do grande salão estavam fechados por fora.

Teve início a cerimônia da coroação. Era um momento deveras solene. Adonias, num gesto

reverente, tomou a rica coroa, colocando-a na fronte de seu filho. Prostrando-se depois sobre o estojo,

abriu-o cuidadosamente, tirando dele o alaúde restaurado, cuja beleza e brilho eram muito superiores

à sua primeira condição, ao sair das mãos de Adonias o seu luthier. Assentando-se no trono em meio

às aclamações dos súditos, Melquisedeque passou a dedilhar o cetro, tirando dele acordes de muita

 

harmonia e paz. Todos se aquietaram para ouvirem suas novas composições que expressavam o seu

profundo amor pelo cetro e por todo aquele reino de paz.

Grande emoção invadia o coração de todos naquele momento, levando-os às lágrimas. Samael,

sem forças para reagir, sentia-se torturado por aqueles acordes que faziam reviver em sua mente suas

oportunidades perdidas, numa terrível dor para sua consciência.

Melquisedeque compusera para aquele momento especial, canções que retratavam os

momentos marcantes da história de Salém; Quando passou a cantar sobre a amizade que tinha por

Samael, sua voz embargou-se pelas lágrimas que não conseguia conter. Triste para ele era cantar

sobre a queda daquele que foi-lhe o maior amigo! Cantou então sobre o alto preço que teve de pagar

pela reconquista do cetro, que representa a honra de Salém.

Ao contemplarem aquelas mãos marcadas pelas cicatrizes, tocando com tanta maestria e

carinho o cetro restaurado, os súditos tomados por forte emoção, prostraram-se em pranto.

Ao ver nas nãos de Melquisedeque aquele alaúde que, em suas mãos fora instrumento de

tortura, Samael compreendeu, tarde demais o quanto errara, desviando-se dos conselhos do príncipe;

Quantas vezes aquelas mãos sobre as quais descarregara toda aquela violência haviam sido

estendidas num esforço de salvá-lo, e ele as havia negligenciado. Agora, era tarde demais! Tarde

demais!!!

-------*****-------

Os súditos triunfantes que, reverentes, haviam sido conduzidos a todo aquele passado de

felicidade, traição, dor e triunfo, uniram finalmente as vozes numa jubilosa proclamação:

Verdadeiros e justos são os teus princípios, ó rei de Salém. Digno és de reinar em Kevod(glória) e

majestade entre os louvores de teus fiéis, porque em teu sacrifício nos livraste das ameaças das

trevas, fazendo renascer em nosso coração a alegria do alvorecer.

Esse cântico de exaltação foi seguido pela cerimônia de confirmação de todos os fiéis em sua

vitória. O filho de Adonias, com o seu cetro redimido, passou a selar com um toque especial do cetro,

a vitória de cada um. Formou-se para tanto uma longa fila de fiéis exultantes

Os súditos confirmados, à medida em que iam recebendo o toque de aprovação do rei,

posicionavam-se ao lado direito do trono, onde permaneciam aguardando pela confirmação dos

outros.

Os olhares que, iluminados de alegria, haviam acompanhado o selamento dos últimos justos,

pousaram sobre a figura estranha de Samael que, dominado por uma força irresistível, encaminhava-se

cabisbaixo em direção do trono. Seu aspecto era horrível: seu semblante havia sido deformado

pelo mal; suas vestes estavam sujas e mal cheirosas; tudo nele repugnava, ao ponto de ninguém

reconhecê-lo.

Em meio ao espanto dos súditos, Melquisedeque ergueu-se de seu trono como que ferido por uma grande dor; De

seus lábios os súditos ouviram uma dolorosa exclamação:

- Samael, Samael!!!

A figura deplorável daquele que fora tão belo, encheu a todos de tristeza, e começaram a

prantear. Eles lamentavam por saber que o destino de Samael e de todos aqueles que o seguiram,

poderia ter sido muito diferente, se eles houvessem atendido aos rogos de amor de Adonias e de seu

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filho. Não era o plano do rei e o sonho de Melquisedeque tê-lo como o guardião do pergaminho,

sendo o segundo em honra naquele reino?

--------*****--------

Samael que, reconhecendo sua desventura, aproximara-se cabisbaixo do trono, ao presenciar

toda aquela lamentação, foi novamente iludido pelo orgulho, julgando tratar-se de uma demonstração

de fraqueza de seus inimigos. A lembrança de seu exército que fortalecido o aguardava na planície,

iludiu-o com a certeza de que seria vitorioso sobre Salém. Com esse pensamento, ergueu a fronte

marcada pelo ódio e, fitando o rei, levantou o punho cerrado e o desafiou, desdenhando de sua

autoridade, com a ameaça de tomar-lhe o trono.

Ainda que condoídos por sua perdição, os súditos de Salém não suportaram a ousada afronta

daquele enlouquecido jovem que, depois de causar tanto sofrimento, ainda era capaz de erguer-se

com tamanho desafio.

O vitorioso rei que com tanto prazer selara com o seu cetro a conquista dos fiéis, ergueu-o

dolorosamente para o selamento da triste sorte dos rebeldes. Imobilizado por uma força estranha,

Samael, sem desviar os olhos do cetro, ouviu dos lábios do rei a proclamação de seu julgamento e de

todos os seguidores: Prisioneiros de uma força invisível, ficariam retidos em suas cavernas por seis

anos, sendo depois visitados pelo fogo do juízo que os destruiria juntamente com as cidades que a

eles se aliaram.

-------******-------

Ao ir para a cama depois daquele dia de tantas emoções, o jovem rei, imerso nas lembranças

daquele passado de felicidade e dor, rolava em sua cama insone. Quando finalmente adormeceu, teve

um sonho muito significativo.

No sonho, apareceu-lhe um anjo luminoso, que saudou-o com um sorriso, dizendo-lhe que todo

o Universo acompanhava com atenção todo aquele drama que estavam vivendo, e que o mesmo

tinha um sentido prefigurativo, retratando acontecimentos passados e futuros, que envolvia todo o

vasto universo.

As palavras do anjo despertaram em Melquisedeque um grande desejo de conhecer a história

desse drama cósmico.

Conhecendo o seu anseio, o anjo arrebatou-o no sonho revelando-lhe um distante futuro.

Diante de seus olhos manifestaram-se as Kevod(glória)s de uma nova e esplêndida Salém, cujas muralhas e

mansões eram de pedras preciosas; Os portais da cidade eram de pérolas. Suas amplas avenidas

eram de ouro puro. A cidade era quadrangular e se estendia por centenas de quilômetros. Estava

dividida em dois setores distintos: Norte e Sul. Ao Sul elevavam-se incontáveis mansões, habitações

eternas de anjos e de seres humanos redimidos; Ao Norte havia um lindo paraíso ao qual o anjo

revelou ser o jardim do Éden. Ali, em ambas as margens do rio da vida, havia campos repletos de

todo tipo de vegetação, com flores e frutos em abundância. Viviam ali em perfeita harmonia, todas as

espécies de aves e animais.

No meio do paraíso podia-se ver uma montanha fulgurante, a qual o anjo afirmou ser o monte

Sião, o lugar do trono de Elohim. Era daquele monte que emanava o rio da vida, fluindo por toda a

cidade.

Quando alcançaram o topo da montanha sagrada, o rei de Salém ficou deslumbrado com o

cenário visto ao seu redor. Encontrava-se na parte mais elevada de Sião a mais linda de todas as

edificações revelado pelo anjo como o palácio de Elohim. Aquela magnífica construção era sustentada

 

por sete colunas, todas de ouro transparente, engastadas de lindas pérolas. Ao redor do palácio,

floresciam a mais exuberante vegetação: havia ali o pinheiro, o cipreste, a oliveira, a murta, a

romãzeira e a figueira, curvada ao peso de seus figos maduros.

Enquanto admirava-se ante a beleza daquele lugar, o anjo disse-lhe que a nenhum ser humano

fora dado o privilégio de ver o interior daquele palácio de Elohim. A ele seria dada esta honra, pois fora

escolhido para ser o portador das mais amplas revelações sobre o reino da luz.

Ao transporem com reverência um dos portais de pérolas, prostraram-se em adoração, enquanto

ouviam o cântico de uma multidão de serafins, que circundavam o trono, em constante louvor

Àquele que Era, que É e que Sempre Será.

Ao olhar para Aquele que estava assentado sobre o trono, Melquisedeque ficou surpreso ao

descobrir a figura de um homem. Ele estava coberto por um manto de linho fino, de uma alvura sem

igual, e tinha sobre a cabeça uma coroa formada por sete coroas sobrepostas, repletas de pedras

preciosas.

Ao olhar para as mãos que sustentavam o cetro, o filho de Adonias ficou surpreso ao descobrir

nelas cicatrizes de ferimentos, semelhantes àquelas em suas mãos. O anjo afirmou-lhe ser o Messias,

o Grande Melquisedeque, a manifestação visível de Yahweh, o Elohim Invisível.

Atraído para o cetro resplandecente, com o qual o Messias governava sobre todo o Universo, o

rei de Salém viu nele o selo do domínio, e nele escrito o nome: Israel.

Tomado por profunda emoção, Melquisedeque prostrou-se ante o Rei daquela eterna Salém, e,

revivendo ali a história de sua pequena cidade, teve desejo de conhecer o grande drama da história

universal. Conhecendo o desejo de seu coração, o anjo disse-lhe:

- Agora lhe farei conhecer a história desta gloriosa Salém. Tudo o que lhe for mostrado na

visão, você deverá registrar fielmente em um rolo. Você terá seis anos para escrevê-los. Ao fim dos

sete anos, você receberá das mãos de um ancião um vaso contendo um rolo especial, com muitas

revelações importantes, entre as quais estará a história de Salém. Você tomará esse rolo, e o

costurará ao seu, formando um único rolo. Você o devolverá juntamente com o vaso ao patriarca

para que ele o leve ao lugar que lhe mostrarei, onde ficará oculto até o fim dos dias. As revelações

desse grande rolo, consistirão na luz e no consolo que enviarei aos escolhidos por ocasião da última

semana de anos da história.

Depois de falar ao rei de Salém estas palavras, o anjo conduziu-o em visão a um infinito

passado, quando o Universo ainda não existia.

Uma história muito parecida com a de Salém passou a desdobrar-se diante de seus olhos;

porém, numa dimensão infinitamente maior, começando pela criação do reino da luz. Com admiração

contemplou a formação de bilhões de mundos e estrelas, repletos de vida e felicidade que passaram a

girar em torno da Salém Celeste, o paraíso de Elohim.

Sua atenção voltou-se depois para o mais belo de todos os querubins que, honrado pelo

Criador, passou a residir com Ele em Seu palácio. Uma eternidade de felicidade e paz parecia

embalar aquele reino, quando a mesma experiência de egoísmo e rebeldia vivida por Samael,

começou a repetir-se na vida daquele anjo amado.

Cenas de uma grande rebelião começaram a ser mostradas a Melquisedeque, envolvendo todos

os habitantes do Universo. O querubim honrado, semelhante a Samael, seduzira um terço das hostes

que, passaram a reverenciá-lo como rei.

 

Em meio às cenas daquele grande conflito, o rei de Salém testemunhou a criação do planeta

Terra, sobre a qual surgiu o homem como cetro racional daquele reino disputado.

Com agonia viu o momento em que o chefe da rebelião aproximou-se subtilmente do paraíso,

apossando-se do ser humano, depois de seduzi-lo com tentações. Ouviu então o seu brado, numa

proclamação de vitória. A partir daquele momento, o inimigo de Elohim passou a arruinar o ser

humano, apagando nele todos os traços da Kevod(glória) divina, como Samael fizera com o cetro.

A sua própria experiência, ao declarar naquela manhã aos súditos de Salém sua decisão de ir

em busca do cetro perdido, começou a repetir-se diante de Seus olhos.

Reunindo as hostes que haviam permanecido fiéis ao Seu governo, o Criador passou a revelar

um plano de resgate: Ele haveria de ir em busca do homem, e o remiria, ainda que isto lhe custasse

infinito sacrifício. Diante desta revelação, o filho de Adonias prostrou-se comovido, ao descobrir que

em sua vida tivera a honra de retratara o próprio Messias.

Todo o drama vivido pelo filho de Adonias em sua angustiante busca, até o momento de seu

suplício pela redenção do cetro, foi ganhando amplitude naquela visão que abarcava toda uma

eternidade. Diante de seus olhos desfilavam cenas de uma grande batalha que, sem trégua se

estenderia até o dia do juízo final, quando o Messias, o Grande Melquisedeque, vitorioso,

empunharia o cetro redimido, selando com ele a condenação de todos os filhos de Belial..

--------*****-------

Através das revelações recebidas do anjo, Melquisedeque tomou conhecimento do livramento

alcançado por ocasião de sua coroação, quando diante de trezentos pastores com seus vasos

incendiados, exércitos de cinco reis tombaram, saindo livres os cativos.

Conhecendo nossa intenção de subir à Salém por ocasião de Sukot, o rei fez preparativos para

uma grande festa, na qual comemoraríamos juntos a vitória sobre toda a desarmonia gerada pelo

orgulho e pelo egoísmo.

Foi por isso que ao chegarmos a Salém, ficamos surpresos com toda aquela honrada recepção.

-------******--------

Ocupar-me com o relato de todos esses acontecimentos, fez-me passar por todo este sétimo

ano, quase sem notar os seus dias, que passaram velozes. Estamos hoje às portas de um novo Rosh

Hashanah, quando os 300 pastores tocarão os chifres, convocando todos aqueles que possuem as

pérolas, para a reunião solene de Yom Kipur. Cinco dias depois seremos recebidos em Salém para a

festa de Sukot.

A certeza de que acontecimentos importantes ainda deverão ser relatados neste rolo, fez-me

reservar um espaço, no qual registrarei, dia após dia, os fatos, até a consumação desta história que

estamos vivendo.

-------******--------

Rosh Hashaná! Esse foi o dia mais feliz de minha vida, pois meus braços puderam receber o

filho da promessa. A primeira coisa que fiz, foi colocar-lhe em sua mãozinha direita a segunda

pérola que o Messias deu a Sara no dia de sua conversão; Ele a segurou com firmeza, alegrando-nos

com a certeza de que viverá para sempre ao nosso lado.

Dois dias antes do Yom Kipur, Isaque foi circuncidado, conforme a ordem do Eterno.

 

Desde que os pastores começaram a tocar seus chifres em Rosh Hashanah, todos aqueles que

possuem pérolas do vaso, deixaram suas tendas, dirigindo-se em pequenos grupos, para junto do

Carvalho de Mambré.

Ao chegar o Yom Kipur, o dia da reunião solene, meus pastores informaram-me que todos

aqueles que haviam recebido as pérolas, haviam comparecido ao encontro, não faltando nenhuma

pessoa. É maravilhoso ver a alegria estampada no semblante de toda essa multidão que anseia pela

subida à Salém. Todos trazem uma história para contar, de como foram vitoriosos sobre tantos

desafios e provações. Todos estão felizes com a expectativa da subida à Salém para a festa de Sukot.

No primeiro dia da festa de Sukot, a multidão foi subdividida em pequenos grupos de doze

pessoas, para subirmos em ordem à Salém.

Tendo sobre os ombros o vaso com o rolo, posicionei-me à frente da multidão, sendo seguido

por Sara e Isaque que vinham montados num camelo; Logo atrás vinha Ló e suas filhas; um pouco

atrás, os trezentos pastores seguidos por todos os fiéis.

Iniciávamos nossa escalada quando, acompanhado por todos os seus súditos, surgiu

Melquisedeque vindo ao nosso encontro, fazendo vibrar pelos ares o som festivo de muitos

instrumentos musicais, comemorando a grande vitória.

Depois de saudar-nos, o filho de Adonias conduziu-nos numa marcha festiva até adentrarmos

os portais de Salém, que encontra-se agora mais bonita que outrora.

Antes de iniciar o banquete, Melquisedeque coroou todos os vencedores, enquanto as hostes de

Salém faziam soar seus instrumentos, comemorando a feliz vitória..

--------******--------

Grande foi a alegria do rei de Salém quando entreguei-lhe o jarro com o manuscrito. Ao

desenrolá-lo, fiquei surpreso ao ver sua atenção voltar-se para a última parte do rolo que ainda estava

vazia. Como se estivesse lendo algo ali, ele me disse:

-Abraão, de tudo o que você escreveu , nada me comove mais do que o relato que você

registrará na última parte de seu manuscrito.

Melquisedeque mostrou-me em seguida um rolo escrito por dentro e por fora, no qual escrevera

naqueles seis anos a história do Universo, conforme revelações feitas a ele por um anjo. Tomando o

meu manuscrito, ele o costurou ao seu formando um grande rolo. Tendo feito isto, enrolou-o

cuidadosamente, colocando-o dentro do jarro.

Ao chegar o oitavo dia da festa, num ato que surpreendeu a todos, o rei enalteceu o jarro,

colocando-o sobre o seu trono. Ao ver o vaso que fora tão humilhado e rejeitado, agora glorificado

em meio aos louvores de Salém, senti uma forte emoção e chorei; Era impossível olhar para ele, sem

pensar no seu significado: era um perfeito símbolo do Messias prometido. Por intermédio dele,

muitas vidas haviam sido libertas e transformadas, começando pela minha. Sem o dom daquele vaso,

eu não teria hoje em meus braços meu querido Isaque pelo qual Sara e eu esperamos por tanto tempo.

Depois de entronizar o jarro, o filho de Adonias, chamando-me para junto do trono, passou a

honrar-me perante todos os fiéis; Tomando a caixinha de ouro na qual colocara as 144 pérolas do

dízimo, ele colocou-a em minhas mãos, afirmando ser um presente seu para Isaque. Como se não

bastasse, ele tomou o vaso que continha o valioso rolo e, colocando-o aos meus pés, disse que ele

pertencia a mim e aos meus descendentes para sempre.

 

Com o coração repleto de alegria, prostrei-me diante do rei que me oferecia tão precioso dom,

estendendo-lhe as mãos com a caixinha das pérolas. Tomando-a de minhas mãos, ele a colocou

dentro do jarro sob o rolo, reafirmando sua doação.

Ao dirigir-me ao aposento naquela noite, tendo ao meu lado Sara, Isaque e o jarro com o seu

tesouro, experimentava uma felicidade jamais sentida em toda a minha vida. Como me era difícil

pegar-me ao sono, fiquei acordado por longo tempo, imaginando o futuro de Kevod(glória) de Isaque e do

jarro, cuja mensagem de amor, justiça e paz, levaria esperança aos meus descendentes por todas as

gerações, até a vinda do Messias. Imaginando esse futuro feliz adormeci e tive um sonho no qual

muito sofri. No sonho, o Eterno apareceu-me e disse:

-Abraão, toma agora o jarro o qual tanto amas, e leva-o ao Mar Salgado, onde lhe mostrarei

uma caverna na qual você o ocultará.

Depois de dar-me esta ordem, o Eterno entregou-me uma machadinha e um manto de linho,

com o qual envolvi o vaso. Comecei então uma dolorosa jornada, levando sobre os ombros aquele

que simbolizava a concretização de todos as minhas esperanças. Quando cheguei à região norte do

mar, fui conduzido para junto da caverna que deveria ocultar o jarro. Colocando-o sobre uma pedra,

num gesto de despedida, passei a acariciá-lo, enquanto contemplava os adornos e inscrições que o

embelezavam; O pensamento de que não mais o teria comigo, enchia-me de profunda tristeza. Meus

olhos voltaram-se para a figura de Melquisedeque que inclinava-se para receber recebê-lo repleto de

jóias. Derrepente a figura do rei começou a ganhar vida e movimento, e foi crescendo até que todo o

jarro transformou-se num belo jovem que me olhava com amor. Pensei a princípio que fosse o rei de

Salém, mas olhando para suas mãos, não encontrei as cicatrizes. Ao ver que seus olhos eram tão

parecidos com os de Sara, perguntei-lhe o nome. Ele respondeu-me com um sorriso que era Isaque, o

meu filho.

Alegrava-me na presença de Isaque, quando a voz divina novamente soou-me aos ouvidos

dizendo:

- Abraão, toma agora o teu filho a quem amas, e sacrifica-o com a machadinha que eu te

dei(1)

Aterrorizado ante a ordem divina, caí aos pés de Isaque, não encontrando forças nem coragem

para realizar o terrível ato. Contudo, ele consolou-me, afirmando estar disposto a cumprir a vontade

divina. Depois de terrível luta íntima, tomei a decisão de sacrificar meu filho.

Ao erguer-me, vi que Isaque contorcia-se em grande agonia, enquanto o seu corpo tornava-se

coberto de chagas que cheiravam mal. Sentia desejo de socorrê-lo, curando-lhe as chagas, mas a voz

insistia em sua ordem, para que eu o sacrificasse. Tomei então a machadinha e a ergui sobre o seu

pescoço. Quando meus braços moviam-se para o golpe, um forte clarão nos iluminou, e senti que a

machadinha não mais estava em minhas mãos.

Ao erguer a fronte, me deparei com o peregrino que anunciara o nascimento de Isaque. Ele

estava vestido com vestes brilhantes, de linho fino, branco e puro; Seu rosto brilhava como o sol,

enquanto olhava-me com infinito amor. Abraçando-me, ele enxugou minhas lágrimas e disse:

- Abraão, agora sei que você verdadeiramente me ama, porque não me negou nem o jarro nem

o seu filho a quem você ama. Por causa desse amor, eu transformarei você no pai da fé, e muitos

povos e nações se alegrarão na luz do rolo que lhe foi dado.

Tendo dito estas palavras, o Peregrino encaminhando-se para Isaque que contorcia-se em dor,

colocando as mãos sobre sua cabeça. Esse contato fez com que todas as impurezas que

manifestavam-se em chagas purulentas no corpo de meu filho, se transferissem para o Seu corpo,

enquanto a Sua Kevod(glória) era transferida para Isaque. Fiquei possuído por um misto de alívio e pesar -

alívio por ver Isaque restaurado, mas aflito por contemplar o Messias opresso por tantas culpas. Por

entre gemidos de dor ele afirmou:

- Eu morrerei, para que Isaque e sua descendência possa ser justificada, redimida e

glorificada perante Yahweh.

Ao voltar-me para o meu filho que fora liberto, vi que seu lugar fora ocupado por doze jovens

que se chamavam: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zebulon,José,Benjamim,Dã, Naftalí, Gad,

Aser. Quando lhes apresentei o Peregrino sofredor, eles o menosprezaram por não verem nele

nenhuma beleza que os atraíssem. Finalmente eles o conduziram como um cordeiro e o sacrificaram,

lançando o seu corpo dentro daquela caverna.(2)

Sobrevieram logo depois as trevas de uma longa noite, na qual fomos atacados por um grande

exército que, depois de ferir-nos, arrancou-nos de nossa terra, espalhando-nos por entre as nações.

Ali, todos os que nos encontravam nos humilhavam e perseguiam, acusando-nos da morte do

Peregrino, e assim sofremos por toda a noite. Quando o dia estava quase raiando, sobreveio-nos o

maior sofrimento, pois nossos inimigos, depois de uma pequena trégua, investiram sobre nós com a

intenção de nos destruir completamente. O Eterno, contudo, bendito seja o Seu nome, teve

compaixão de nós e nos libertou, reconduzindo-nos para a Terra Prometida. Mas mesmo ali não

encontramos descanso, pois tínhamos de estar sempre atentos, defendendo-nos de muitos inimigos

que procuravam nos destruir.

Cansados desses conflitos, nos aproximamos de nossos inimigos propondo uma aliança de paz;

Quando o acordo estava prestes a se concretizar, um desentendimento envolveu-nos num conflito

ainda maior. Enquanto ouvíamos gritos de todos os lados clamando contra nós, vimos baixar as

trevas de mais uma escura noite.

Angustiado, passamos a clamar ao Eterno, dizendo: - Até quando Senhor buscaremos a paz e

não a acharemos?! Ansiamos pelo descanso que nos prometestes, mas somente encontramos o furor

de nossos inimigos! Auxilia-nos Senhor! Até quando teremos de esperar?!

Enquanto clamava em minha angústia, o Senhor veio ao meu encontro e disse-me:

- Abraão, olha para o céu e conta o número das estrelas.

Ao olhar para o céu, vi que as estrelas moviam-se formando pequenos grupos de doze. Esses grupos por sua vez,

juntavam-se de doze em doze, em formações perfeitas de 144 estrelas. Finalmente todo o céu cobriu-se por esses

agrupamentos estelares: eram ao todo 40 grupos, somando um total de 5760 estrelas.

Enquanto imaginava o que poderia significar o número daquelas estrelas, vi surgir no meio delas outra especial

que foi aumentando em brilho e grandeza. A sua luz crescente, deu-me a certeza de que aquela noite seria finalmente

vencida, e alcançaríamos um alvorecer de paz.

A estrela de número 5761 continuou aumentando até que tornou-se do tamanho da Lua, e nela pude ler em letras

muito brilhantes a palavra: Sábado, e abaixo, o nome de Israel.

Quando os raios que emanavam das letras sagradas começaram a penetrar as trevas da noite, atraindo a atenção de

muitos sobre a Terra, ventos fortes vindos do Norte começaram a soprar, trazendo pesadas e negras nuvens em direção da

estrela. Formou-se um cerco de trevas, enquanto camadas sobre camadas de nuvens foram comprimindo a estrela que,

sem forças para resistir, foi-se apagando até que mergulhou em completa escuridão.

Com o coração aflito, continuei olhando na direção da estrela oculta, sem perder a esperança de que ela seria

liberta das garras daquelas nuvens ameaçadoras.

Em diferentes partes do céu escurecido pelas nuvens, começaram a surgir pontinhos de luz que foram se

agrupando de sete em sete, até alcançarem o total de 483 estrelas. Sem temerem as ameaças das nuvens escuras, elas

 

foram-se aproximando mais e mais até formarem um anel de luz em torno da estrela opressa. O brilho dessas pequenas

estrelas fez renascer a esperança de um livramento, e a estrela cativa emitiu por entre as nuvens um tênue raio de

confiança.

Ao estreitarem-se cada vez mais em torno da estrela escurecida, as 483 estrelas se fundiram finalmente a ela,

comunicando-lhe sua luz. Nesse momento, um grande clarão tomou conta do céu, e todas as nuvens foram desfeitas,

perdendo o seu domínio. A junção de todas essas estrelas, deu origem a uma estrela de incomensurável esplendor,

semelhante ao Sol. Em forma de uma coroa que pairava sobre ela, podia-se ler: Yom Kipur - É chegado o Último Jubileu.

Assim que surgiu no céu a estrela do Último Jubileu, veio ao nosso encontro um pequeno beduíno, carregando

sobre os ombros um pesado jarro. Sua face estava marcada por uma grande luta, mas refletia a luz da estrela que lhe dava

consolo e indizível alegria. Em seu jarro estava escrito em grandes letras o seguinte: “Caiu! Caiu a grande Babilônia! Sai

dela povo meu! (3)

Aproximando-se dos doze filhos de Israel, o pequeno beduíno saudou-os com um sorriso, e disse-lhes que viera de

muito longe, trazendo-lhes uma mensagem e um presente da parte do Rei de Salém. Curiosos, mas ao mesmo tempo

desconfiados, eles assentaram-se e ficaram esperando, enquanto o beduíno enfiava suas mãos no jarro. A primeira coisa

que ele tirou dali foi um pequeno manuscrito com uma mensagem intitulada: O Último Jubileu: Um Texto Sobre

Melquisedeque. Os doze olharam entre si surpresos, pois o título da carta estava relacionado com as palavras escritas na

última estrela. Ansiosos por conhecerem o conteúdo do manuscrito, eles o tomaram e passaram a ler as seguintes

palavras:

“Falarei sobre o Ano Jubileu, que encontra-se em Levítico 25:13. Nós lemos: Neste ano

jubileu, tornará cada um à sua possessão”. Esta é uma parte do mandamento que cumprir-se-á nos

últimos dias, no Período da Remissão, quando aqueles que estão em cativeiro serão libertos,

conforme as palavras de Isaias: “O Senhor enviou-me para proclamar libertação aos cativos.”(3)

O Libertador é o Messias, que foi prefigurado por Melquisedeque, rei de Salém. Ele era e

sacerdote do Elohim Altíssimo, e pronunciou uma benção sobre o nosso pai Abraão.

Como Sumo Sacerdote, o Messias que é nosso eterno Melquisedeque, receberá por herança o

domínio sobre todas as coisas, e Abraão tomará parte nesta herança. Não somente Abraão, como

também sua descendência terá esse privilégio, quando ela se unir a Elohim numa eterna aliança.

Naquele tempo, o próprio Senhor será a herança e patrimônio de Seu povo.

No último jubileu, Elohim restaurará o Seu povo, e eles retornarão, cada um, ao seu patrimônio.

A libertação referida na Lei do Jubileu deve ser entendida com o sentido de remissão de suas culpas

, e não haverá mais punição para aqueles que forem justificados. Isto ocorrerá na última semana de

uma série de setenta semanas de anos, envolvendo nove precedentes jubileus.(5)

Ao chegar o Dia do Juízo do Último Jubileu, todos aqueles que se colocam do lado da justiça,

terão suas culpas anuladas, ao passo que os injustos e maus colherão as conseqüências de tudo o

que semearam, e encontrarão o seu fim. (6)

Começará então o Ano do Favorável, do qual fala o profeta Isaias (61:2), que será marcado

pelo Favor de Elohim, pois o Rei da Justiça, Aquele que foi prefigurado por Melquisedeque, receberá

o Seu domínio. Ele assentar-se-á entre as hostes santas no Céu, e executará várias sentenças de

julgamentos, como foi predito por Davi: “Elohim assentou-se em concílio entre os seres celestes, para

realizar julgamento”.(7) Por meio desse julgamento, Israel será absolvido de suas culpas, e

retornará ao seu lugar de eminência em meio aos povos. Esse retorno ocorrerá em cumprimento da

Lei do Jubileu.

Ao mesmo tempo em que a palavra “Favor” indica o triunfo dos filhos de Elohim, ela aponta

também para a destruição dos ímpios. Salmos 7: 9 e 10 faz referência a esse julgamento, dizendo:

“Elohim é o juiz dos povos. Põe fim à maldade dos ímpios e confirma o justo”. Serão desarraigados

todos os filhos de Belial, aqueles que desafiam os estatutos de Elohim, e pervertem a justiça. O futuro

Rei da Justiça, que é Melquisedeque (o Messias) executará sobre eles a justiça de Elohim,

estabelecendo ao mesmo tempo os justos. Acompanhado pelos exércitos celestes, ele dará fim aos

intentos dos ímpios, fazendo com que os filhos de Elohim fiquem em eminência.

O julgamento em questão é o mesmo Dia da Retribuição do qual fala o profeta Isaias: “Como

são belos sobre os montes os pés daquele que proclama a paz (Shalom), o mensageiro que anuncia

coisas boas, que faz ouvir a salvação; que diz a Sião: O teu Elohim agora é aclamado Rei.”(8) A

palavra paz (shalom) pode também ser lida como (shillum) que significa “retribuição”.

O mensageiro prometido se manifestará no Último Jubileu, e proclamará a sua mensagem de

paz, dizendo: “ O Senhor enviou-me para confortar todos os que choram.” (9) O conforto que ele

trará, consistirá numa revelação das sucessivas eras da história do universo, desde o princípio da

criação até o fim. Naquele tempo, os filhos de Belial se aliarão com o propósito de perverter toda a

justiça, mas serão confundidos pelos julgamentos de Elohim.

O reino de Elohim em Sião, será estabelecido mediante a aliança que Melquisedeque ( o Rei da

Justiça) fará com todos os justos , destruindo ao mesmo tempo os filhos de Belial.

O mandamento do jubileu fala também de um forte som de trombeta que repercutirá por toda a

terra, no dia dez do sétimo mês.(10) Aplicando-se aos últimos dias, isto se refere à uma poderosa

manifestação divina que sacudirá o mundo, preparando-o para a Era Messiânica” (*)

(*) O texto em destaque é uma tradução livre do manuscrito original encontrado na Gruta

11 de Qunram, em janeiro de 1956, por beduínos da tribo de Taamireh.

Depois de lerem com atenção as promessas contidas no pergaminho, os doze voltaram-se para o beduíno que,

curvando-se sobre o jarro, tomou um grande rolo de pele de cordeiro, escrito por dentro e por fora. Antes de entregarlhes,

afirmou que a mensagem de consolo prometida no manuscrito que acabavam de ler, estava contida naquele rolo

especial. Ao abrirem-no, vi que era o Livro de Melquisedeque, composto pelo manuscrito do rei de Salém e pelo meu. A

leitura dos relatos ali contidos comoveu-os profundamente, levando-os a compreenderem que aquele a quem

menosprezaram e entregaram para a morte, era o Messias prometido, o grande Melquisedeque que, em virtude de seu

sacrifício, os libertara naquele Último Jubileu. Cheios de arrependimento, choraram amargamente, mas foram consolados

pelas revelações contidas no manuscrito do rei, onde as sucessivas eras da história eram contadas em ricos detalhes, desde

o princípio da criação até aquele tempo.

Ao terminarem a leitura do Livro de Melquisedeque, os doze prostraram-se reverentes, e louvaram ao Eterno pelo

consolo que lhes enviara, através de tão humilde mensageiro.

Curvando-se sobre o jarro, o menino tomou uma caixinha de ouro ornamentada com pedras preciosas, na qual

haviam 144 pérolas de variados tamanhos. Afirmando ser um presente de Melquisedeque para eles, o beduíno passou a

distribuí-las, doze para cada, começando por Rúben. Aquelas pérolas simbolizavam a vitória que haviam alcançado

mediante a concretização de uma nova e eterna aliança com o grande Melquisedeque, que é o Messias.

Depois de louvarem ao Eterno pelas pérolas que selavam a vitória alcançada, os doze, num gesto de

reconhecimento e gratidão, passaram a honrar o humilde beduíno que, por meio de lutas e sacrifícios, resgatara das trevas

todos aqueles tesouros, para ofertar-lhes naquele Jubileu. Representando os seus irmãos, Rúben, o primogênito, tomou

um de seus melhores mantos e cobriu o corpo desnudo do menino. Aquecido por aquele manto que simbolizava sua maior

conquista, o beduíno emocionou-se ao ver que ele trazia, do lado de seu coração, um distintivo precioso, com a gravura

de uma cruz vermelha da qual saiam raios dourados. Isto fez com que reconhecesse que toda aquela honra recebida,

pertencia ao Messias que resgatou-o das profundezas de uma caverna, conduzindo os seus passos através de caminhos

perigosos e solitários, até que pudesse entregar aos filhos de Israel os tesouros contidos no jarro. Ele devia também aquela

conquista aos seus três irmãos, sem os quais não teria encontrado aquele presente do rei de Salém. A lembrança de seus

irmãos o fez chorar de saudade, e desejou muito beijar suas faces, compartilhando com eles toda a honra recebida.

Num gesto surpreendente que consolou o coração do menino, Rúben tomou três de suas pérolas mais brilhantes e,

colocando-as numa caixinha vermelha, entregou-as ao menino e disse:

- Estas pérolas são para os seus irmãos.

Logo depois surgiram ao longe a figura de três beduínos que caminhavam ao nosso encontro, trazendo jarros em

seus ombros. Quando os viu, o menino alegrou-se ao descobrir que eram os seus irmãos. O mais velho tinha em seu jarro

uma inscrição que dizia: Temei a Elohim e dai-lhe Kevod(glória), pois é chegada a hora de seu juízo.(11) O segundo trazia no vaso

a mesma inscrição contida no jarro do menino, porém em letras menores e menos brilhantes: Caiu, caiu a Grande

Babilônia!(12) O terceiro carregava um vaso um pouco maior que os dois anteriores, e nele estava escrita uma

advertência: Se alguém adorar a besta ou a sua imagem, e receber o sinal na fronte, ou na mão, também o tal beberá do

vinho da ira de Elohim, que se acha preparado sem mistura, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre

diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. Abaixo desta advertência, em grandes letras lia-se o seguinte: Aqui está a

perseverança dos santos, daqueles que guardam os mandamentos de Elohim e tem a fé do Messias.(13)

Quando eles viram o seu irmão mais novo em honra perante os filhos de Israel, correram ao seu encontro e

prostraram-se, depondo os seus jarros aos seus pés. Em grande pranto revelaram o seu arrependimento pelo desprezo e

sofrimentos pelos quais o fizeram passar. O pequeno beduíno inclinando-se para os seus irmãos com amor, beijou-lhes as

faces, e falou-lhes que tudo o que lhes acontecera, fora para o bem.

Depois de consolarem-se, os filhos de Israel prepararam um banquete em homenagem ao pequeno beduíno e aos

seus irmãos. No banquete o rolo foi mais uma vez aberto, e todos alegraram-se com sua mensagem. Quando estavam

quase ao fim da festa, o menino honrou os seus irmãos na presença de todos, dando-lhes as pérolas recebidas de Rúben. O

mais velho recebeu a pérola menor, o do meio a pérola de tamanho médio, e o mais novo a maior. Eles ficaram felizes ao

receberem aquelas jóias que simbolizavam sua vitória.

Todos tinham agora suas pérolas, menos o menino, cuja alegria consistia em ver os filhos de Israel e seus irmãos

enriquecidos pelos presentes do Rei. A maior e mais brilhante de todas as pérolas, contudo, Rúben separara para ele.

Quando a recebeu, seu coração transbordou de indizível alegria, vendo nela o símbolo de seu triúnfo. Na pérola havia três

inscrições: Melquisedeque, Eliahu Hanavi e Nova Jerusalém.

Depois da festa, o pequeno beduíno procurou pelo seu jarro, e ficou surpreso ao encontrá-lo repleto de

pérolas.Com muito esforço, tomou-o em seus braços, levando-o para junto de seus irmãos que tinham os seus jarros

vazios. Começando pelo primogênito, ele foi compartilhando o tesouro, até que todos os vasos se encheram com aquelas

lindas pérolas.

Renascidos pelo arrependimento e movidos pela gratidão, os três beduínos juntamente com os doze filhos de

Israel, seguiram os passos do menino na realização de uma importante obra sobre a Terra: Sua missão seria abrir perante

o mundo o Rolo de Melquisedeque, oferecendo a todos quantos aceitassem sua mensagem, aquelas pérolas que

simbolizam a vida.

Durante seis anos a humanidade teria a oportunidade de conhecer a mensagem do rolo, e as advertências escritas

naqueles jarros, apossando-se das pérolas da salvação. Ao fim dos seis anos, os jarros se esvaziariam e o rolo seria

fechado.

Enquanto os anos da oportunidade se escoavam, multidões acorriam de todas as partes em busca da mensagem do

rolo e das pérolas. Olhando para os céus, descobri que a cada novo ano que era representado por um dia da semana, uma

nova estrela surgia ao lado da estrela do jubileu, iluminando cada vez mais a Terra com a sua Kevod(glória).

Ao fim dos seis anos de oportunidade, o mundo achava-se dividido em duas classes de pessoas: os possuidores das

pérolas da salvação, que são chamados filhos de Elohim, e os que rebelaram-se contra a mensagem do rolo, os filhos de

Belial.

Ao expirar-se o tempo da oportunidade, no momento em que as seis estrelas do jubileu enchiam toda a Terra com

sua claridade, soou uma voz desde os céus, dizendo: Está Consumado! Quem é injusto , faça injustiça ainda; e quem está

sujo, suje-se ainda; quem é justo, faça justiça ainda, e quem é santo, santifique-se ainda. Eis que cedo venho, e esta

comigo a minha recompensa, para retribuir a cada um segundo a sua obra. Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o

derradeiro, o princípio e o fim. Bem aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que

tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas. Ficarão de fora os feiticeiros, os adúlteros, os

homicidas, os idólatras e todo o que ama e pratica a mentira.(14)

Quando o Messias, que é Melquisedeque, proclamou o decreto, o rolo foi fechado, pois não havia mais pérolas

nos jarros. Subitamente as seis estrelas se apagaram, mergulhando o mundo em completa escuridão. Surgiu então no céu

uma estrela vermelha, cujos raios traziam luz e proteção para os filhos de Elohim, ao passo que para os ímpios traziam

trevas e sofrimento. Isto fez com que eles blasfemassem contra Elohim, levantando-se contra os Seus redimidos.

No momento mais difícil, quando as mãos dos ímpios pesavam sobre os justos prestes a destruí-los, a Terra foi

sacudida por um grande terremoto.(15) Em meio às nuvens negras, surgiu o brilho de uma estrela que foi crescendo

rapidamente, até cobrir todo o céu. Hozanas de vitória ecoaram por todas as partes, quando os remidos contemplaram a

face do Messias que vinha em seu socorro, acompanhado pelos exércitos dos céus.Diante de sua presença majestosa, os

ímpios fugiram, mas foram consumidos pelo fogo.(16)

O Messias fez soar sua trombeta, e todos os justos mortos ressurgiram com corpos perfeitos e imortais. Logo

depois, os justos vivos foram transformados, recebendo, igualmente, corpos incorruptíveis. Acompanhados pelos anjos,

fomos arrebatados para o encontro com nosso Rei e Redentor nos ares. Ele nos recebeu com indizível alegria, e nos

conduziu numa viagem inesquecível rumo à Nova e Eterna Jerusalém. (17)

Ao entrarmos na Cidade Santa, ficamos deslumbrados diante de tantas maravilhas. Fomos conduzidos ao paraíso,

onde fora preparado um grande banquete para nós Ali, diante do trono, em meio às hozanas angelicais, fomos coroados

pelo Messias, recebendo um reino de paz que jamais findará.

Enquanto desfrutava as delícias do Éden, acordei e vi que tudo fora um sonho. Levantando-me, tomei Isaque nos

braços e, sentando-me do lado do jarro, os acariciei até o alvorecer, enquanto relembrava as cenas marcantes de meu

sonho.

Ao encontrar-me com Melquisedeque naquela manhã, desejei contar-lhe o meu sonho. Mas

antes que eu lhe dissesse algo, ele fitou-me com um olhar muito parecido com o do Messias, e deu-me

uma ordem:

-Abraão, toma agora o jarro que você tanto ama e leve-o ao Mar Salgado, onde lhe mostrarei

uma caverna na qual você o esconderá.

Tomando uma machadinha e um manto de linho, o rei acompanhou-me até a caverna que eu

vira no sonho, onde assentei-me para registrar estas últimas palavras. O rolo será agora lacrado, e

será deixado no silêncio da caverna, e permanecerá oculto até que seja aberto perante as -nações, no

Último Jubileu.

Referências: (1) Gênesis 22: 1, 2; (2)Isaias 53; (3)Apocalipse 18: 2,4; (4)Isaias 61: 1; (5)

Levitico 25:10; Daniel 9: 24,25; (6) Levítico 25:9; (7)Salmo 82: 1; (8) Isaias 52:7; (9) Isaias 61: 3;

(10) Levítico 25: 9; (11) Apoc. 13:7; (12) Apoc. 13:9; (13)Apoc. 13:9 – 12; (14)Apoc. 22: 11-15;

(15) Apoc. 16: 17-21; (16) S. Mateus 24: 29-31; (17)I Coríntios 15: 50-55; Apoc. 21 e 22.

 

A História do Universo

Manuscrito de Melquisedeque

PRIMEIRA PARTE

Antes que existisse uma estrela a brilhar, antes que houvesse anjos a cantar, já havia um céu, o

lar de Yahweh, o único Elohim.

Perfeito em sabedoria, amor e Kevod(glória), vive Yahweh eternidade, antes de concretizar o Seu lindo

sonho, na criação do Universo.

Os incontáveis seres que compõem a criação foram todos idealizados com muito carinho.

Desde o íntimo átomo às gigantescas galáxias, tudo mereceu Sua suprema atenção.

Amante da música, Elohim idealizou o Universo como uma grande orquestra que, sob Sua

regência, deveria vibrar acordes harmoniosos de justiça e paz. Para cada criatura Ele compôs uma

canção de amor.

Elohim é Espírito, portanto, é invisível; Para relacionar-se com as criaturas, Ele assumiria uma

forma visível. Por meio dessa manifestação, Ele traria à existência o Universo, revelando-se a ele. A

forma visível do Eterno, manifestada antes da criação, é a pessoa do Messias, o grande

Melquisedeque da história a quem tive a infinita honra de representar em parábola.

-------******--------

O Eterno estava muito feliz, pois os Seus sonhos estavam para se realizar. Movendo-se com

majestade, iniciou Sua obra de criação. Suas mãos moldaram primeiramente um mundo de luz, e

sobre ele uma montanha fulgurante sobre a qual estaria para sempre firmado o trono do Universo. Ao

monte sagrado denominou: Sião.

Da base do trono, fez jorrar um rio cristalino, para representar a vida que dele fluiria para todas

as criaturas.

Como sala do trono, Yahweh criou um lindo paraíso que se estendia por centenas de

quilômetros ao redor do monte Sião. Ao paraíso denominou: Éden.

Ao sul do paraíso, em ambas as margens do rio da vida, foram edificadas numerosas mansões

adornadas de pedras preciosas, que destinavam-se aos anjos, os ministros do reino da luz.

 

Circundando o Éden e as mansões angelicais, construiu Elohim uma muralha de jaspe luzente, ao

longo da qual podiam ser vistos grandes portais de pérolas.

---------******---------

Com alegria, Yahweh contemplou a Capital sonhada. A cidade em seu esplendor era como uma

noiva adornada, pronta para receber seu esposo. Carinhosamente, o grande Arquiteto a denominou:

Jerusalém, a Cidade da Paz.

Elohim estava para trazer à existência a primeira criatura racional. Seria um anjo glorioso, de

todos o mais honrado. Adornado pelo brilho das pedras preciosas, esse anjo viveria sobre o monte

Sião, como representante do Rei dos reis diante do Universo.

Com muito amor, o Criador passou a modelar o primogênito dos anjos. Toda sabedoria aplicou

ao formá-lo, fazendo-o perfeito. Com ternura concedeu-lhe a vida; O formoso anjo, como que

despertando de um profundo sono, abriu os olhos e contemplou a face de seu Autor.

Com alegria, Yahweh mostrou-lhe as belezas do paraíso, falando-lhe de Seus planos, que

começavam a se concretizar. Ao ser conduzido ao lugar de sua morada, junto ao trono, o príncipe dos

anjos ficou agradecido e, com voz melodiosa, entoou seu primeiro cântico de louvor.

Das alturas de Sião descortinava-se aos olhos do formoso anjo, Jerusalém em sua vastidão e

esplendor. O rio da vida, ao deslizar sereno em meio à Cidade, assemelhava-se a uma larga avenida,

espelhando as belezas do jardim do Éden e das mansões angelicais.

----****----

Envolvendo o primogênito dos anjos com Seu manto de luz, Yahweh passou a falar-lhe dos

princípios que haveriam de reger o reino universal. Leis físicas e morais deveriam ser respeitadas em

toda a extensão do governo Eterno.

As leis morais resumiam-se em dois princípios básicos: amar a Elohim sobre todas as coisas e ao

próximo corno a Si mesmo. Cada criatura racional deveria ser um canal por meio do qual o Eterno

pudesse jorrar aos outros vida e luz. Dessa forma, o Universo cresceria em harmonia, felicidade e

paz.

No reino de Elohim, as leis não seriam impostas com tirania; Os súditos seriam livres. A

obediência deveria surgir espontânea, num gesto de reconhecimento e gratidão. Nesse reino de

liberdade, a desobediência também seria possível. O resultado de tal comportamento seria o

esvaziamento das forcas vitais.

Depois de revelar ao formoso anjo as leis de Seu governo, Yahweh confiou-lhe uma missão de

muita responsabilidade: seria o protetor daquelas leis, devendo honrá-las e revelá-las ao Universo

prestes a ser criado. Com o coração trasbordante de amor a Elohim e aos semelhantes, caber-lhe-ia ser

um modelo de perfeição: seria Lúcifer, o portador da luz.

O príncipe dos anjos; agradecido por tudo, prostrou-se ante o amoroso Rei, prometendo-lhe

eterna fidelidade.

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Yahweh continuou Sua obra de criação, trazendo à existência inumeráveis hostes de anjos: os

ministros do reino da luz. A Cidade Santa ficou povoada por essas criaturas radiantes que, felizes e

gratas, uniam as vozes em belíssimos cânticos em louvor ao Criador.

Elohim traria agora à existência o Universo que, repleto de vida, giraria em torno de Seu trono

firmado em Sião. Acompanhado por Seus ministros, Ele partiu para a grandiosa realização.

Depois de contemplar o vazio imenso, Yahweh ergueu as poderosas mãos, ordenando a

materialização das multiformes maravilhas que haveriam de compor o cosmo. Sua ordem, qual

trovão, ecoou por todas as partes, fazendo surgir, como que por encanto, galáxias sem conta, repletas

de mundos e sóis - paraísos de vida e alegria -, tudo girando harmoniosamente em torno do monte

Sião.

Ao presenciarem tão grande feito do supremo Rei, as hostes angelicais prostraram-se, fazendo

ecoar pelo espaço iluminado um cântico de triunfo, em saudação à vida. Todo o Universo uniu-se

nesse cântico de gratidão, em promessa de eterna fidelidade ao Criador.

Guiados por Yahweh, os anjos passaram a conhecer as riquezas do Universo. Nessa excursão

sideral, ficaram admirados ante a vastidão do reino da luz. Por todas as partes encontravam mundos

habitados por criaturas felizes que os recebiam em festa. Os anjos saudavam-nos com cânticos que

falavam das boas novas daquele reino de paz.

Tão preciosa como a vida, a liberdade de escolha, através da qual as criaturas poderiam

demonstrar seu amor ao Criador, exigia um teste de fidelidade. Com o propósito de revela-lo, o

Eterno conduziu as hostes por entre o espaço iluminado, até se aproximarem de um abismo de trevas

que contrastava com o imenso brilho das galáxias. Ao longe, esse abismo revelara-se insignificante

aos olhos dos anjos, como um pontinho sem luz; mas à medida de sua aproximação, mostrou-se em

sua enormidade. O Criador, que a cada passo revelava aos anjos os mistérios de Seu reino, ficou

silencioso, como que guardando para Si um segredo. As trevas daquele abismo consistiam no teste da

fidelidade. Voltando-Se para as hostes, Yahweh afirmou:

-“Todos os tesouros da luz estão abertos ao vosso conhecimento, menos os segredos ocultos

pelas trevas. Sois livres para me servirem ou não. Amando a luz estareis ligados à Fonte da Vida”.

Com estas palavras, fez Elohim separação entre a luz e as trevas, o bem e o mal. O Universo era

livre para escolher seu destino.

----****----

O tão acalentado sonho do Criador se concretizara. Agora, como Pai carinhoso, conduzia as

criaturas através de uma eternidade de harmonia e paz. Em virtude do cumprimento das leis divinas,

o Universo expandia-se em felicidade e Kevod(glória). Havia um forte elo de amor, que a todos unia

fortemente. Os seres racionais, dotados da capacidade de um desenvolvimento infinito, encontravam

indizível prazer em receber os inesgotáveis tesouros da Sabedoria divina, transmitindo-os aos

semelhantes. Eram como canais por meio dos quais a Fonte da Eterna Vida nutria a todos de amor e

luz.

Em Jerusalém, os ministros do reino reuniam-se ante o soberano Rei, sempre prontos a cumprir

os Seus propósitos. Era através de Lúcifer que Yahweh tornava manifesto os Seus desígnios. Depois

de receber uma nova revelação, ele prontamente a transmitia às hostes angelicais. Estas, por sua vez,

a compartilhavam com a criação. Em célere vôo os anjos rumavam para os planetas distantes onde,

em grandes assembléias, reuniam-se os representantes dos mundos vizinhos.

Em muitas dessas assembléias, o querubim fazia-se presente, enchendo os participantes de

alegria e admiração. Perfeito em todas as virtudes, ele os cativava com sua simpatia. Nenhum outro

anjo conseguia revelar como ele os mistérios do amor do Criador.

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O Universo, alimentando-se da Fonte da Vida, expandia-se numa eternidade de perfeita paz. A

obediência às leis divinas era o fundamento de todo progresso e felicidade. Ainda que conscientes do

livre-arbítrio, jamais subira ao coração de qualquer criatura o desejo de afastar-se do Criador. Assim

foi por muito tempo, até que tal problema irrompeu na vida daquele que era o querubim protetor das

leis.

Lúcifer, que dedicara sua vida ao conhecimento dos mistérios da luz, sentiu-se aos poucos

atraído pelas trevas. O Rei do Universo, aos olhos de quem nada pode ser encoberto, acompanhou

com tristeza os seus passos no caminho descendente que leva à morte. A princípio, uma pequena

curiosidade levou-o a aproximar-se daquele abismo profundo. Contemplando-o, começou a indagar o

porquê de não poder compreender o seu enigma.

Retornando a seu lugar de honra, junto ao trono, prostrou-se ante o Eterno Rei, suplicando-lhe:

- Pai, dá-me a conhecer os segredos das trevas, assim como me revelas a luz.

Ante o pedido do formoso anjo, Yahweh, com voz expressiva de tristeza, disse-lhe:

- Meu filho, você foi criado para a luz, que é vida.

Convencendo-se de que o Criador não lhe revelaria os tesouros das trevas, o querubim decidiu

compreender por si o enigma; Julgava-se capacitado para tanto. Com esta triste decisão, o príncipe

dos anjos permitiu que surgisse em seu coração uma mancha de pecado que poderia trazer uma

catástrofe para o Universo.

Só Elohim sabia o que se passava no coração de Lúcifer. O anjo, que fora criado para ser o

portador da luz, estava divorciando-se em pensamentos do bondoso Criador que, num esforço de

impedir o desastre, rogava-lhe permanecer ao Seu lado.

Uma tremenda luta passou a travar-se em seu íntimo. O desejo de conhecer o sentido das trevas

era imenso, contudo, os rogos daquele amoroso Pai, a quem não queria também perder, o torturavam.

Vendo o sofrimento que sua atitude causava ao Criador, às vezes demonstrava arrependimento, mas

voltava a cair.

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Antes de criar o Universo, Elohim já previra a possibilidade de uma rebelião. O risco de conceder

liberdade às criaturas era imenso, mas, sem este dom, a vida não teria sentido. Yahweh não queria

reinar sobre seres constrangidos a fazerem somente a Sua vontade. Ele queria que a obediência fosse

fruto de reconhecimento e amor, por isso decidiu correr o grande risco.

Ainda que prosseguisse na busca do sentido das trevas, Lúcifer não pretendia abandonar a luz.

Esforçava-se para chegar a uma combinação entre essas partes que, no reino de Elohim coexistiam

separadas. Finalmente, com um sentimento de exaltação, concebeu uma teoria enganosa, que

pretendia apresentar ao Universo como um novo sistema de governo, superior ao governar do

Criador. Sua teoria viria a ser conhecida como “a ciência do bem e do mal”.

Estruturada na lógica, a ciência do bem e do mal revelou-se atraente aos olhos do querubim,

parecendo descerrar um sentido de vida superior àquele oferecido por Elohim, cujo reino possibilitava

unicamente o conhecimento experimental do bem. No novo sistema, haveria equilíbrio entre o bem e

o mal, entre o amor e o egoísmo, entre a luz e as trevas.

Ao longo do tempo em que amadurecera em sua mente a ciência do bem e do mal, Lúcifer

soube guardar segredo diante do Universo. Continuava em seu posto de honra, cumprindo a função

de Portador da Luz. Contudo, por mais que procurasse fingir, seu semblante já não revelava alegria

em servir a Yahweh.

O Eterno Rei, que sofria em silêncio, procurava, por meio de Suas revelações de amor, preparar

as criaturas racionais para a grande prova que se aproximava. Sabia que muitos dariam ouvido à

tentação, voltando-lhe as costas. A noite da provação faria sobressair, contudo, os verdadeiros fiéis -

aqueles que serviam-no não por interesse, mas por amor.

Ao ver que a hora da prova chegara, e que Lúcifer estava pronto para traí-lo diante do

Universo, Yahweh, que jamais cessara de revelar os tesouros de Sua sabedoria, tornou-se silencioso e

contemplativo. Seu silêncio fez reviver no coração das hostes a lembrança daquela primeira excursão

sideral, quando, depois de lhes mostrar as riquezas do reino da luz, tornou-se silencioso ante aquele

abismo. Lembraram-se de Suas palavras: “Todos os tesouros da luz estão abertos ao vosso

conhecimento, menos os segredos ocultos pelas trevas. Sois livres para me servirem ou não. Amando

a luz estareis ligados à Fonte da Vida”.

Lúcifer que passara a cobiçar o trono de Elohim, indagou-lhe o motivo de Seu silêncio. O

Criador, contemplando-o com infinita tristeza, disse-lhe: “É chegada a hora das trevas. Você é livre

para realizar os seus propósitos”.

----****----

Vendo que o momento propício para a propagação de sua teoria havia chegado, Lúcifer

convocou os anjos para uma reunião especial. As hostes, desejosas de conhecer o significado do

silêncio do Pai, tomaram seus lugares aos pés do magnífico querubim, que sempre revelara-lhes os

tesouros do reino da luz.

Lúcifer começou seu discurso exaltando, como de costume, o governo do Criador. Num amplo

retrospecto, lembrou-lhes as grandiosas revelações que os enriquecera em toda aquela eternidade.

O silêncio Eterno, apresentou-o como sendo a indicação de que o Universo alcançara a

plenitude do conhecimento oriundo da luz. Silenciando, Yahweh abria-lhes caminho para o

entendimento de mistérios ainda não sondados, mantidos até então além dos limites de Seu governo.

Surpresas, as hostes tomaram conhecimento da experiência de Lúcifer sobre as trevas. Com

eloqüência, ele falou-lhes da ciência do bem e do mal, indicando-a como o caminho das maiores

realizações.

O efeito de suas palavras logo se fez sentir em todo o Universo. A questão era decisiva e

explosiva, gerando pela primeira vez discórdia. Os seres racionais, em sua prova, tinham de optar por

permanecer somente com o conhecimento da luz, o qual Lúcifer afirmava haver chegado ao seu

limite, ou se aventurarem no conhecimento da ciência do bem e do mal. No começo, somente os

anjos debateram-se diante da questão, sendo logo depois todo o Universo posto à prova. Dir-se-ia que

a ciência do bem e do mal haveria de arrebanhar a maior parte das criaturas, mas, aos poucos, muitos

que a princípio se empolgaram com a teoria, despertaram para a ilusão da mesma, reafirmando sua

fidelidade ao reino da luz. Ao fim desse conflito, que se arrastou por longo tempo, revelou-se um

terço das estrelas do céu ao lado de Lúcifer, e as restantes, ainda que abaladas pela prova, ao lado de

Yahweh.

----****----

A ciência do bem e do mal fora apregoada por Lúcifer como um novo sistema de governo. Mas

como exercê-lo, se Yahweh continuava reinando em Sião? Precisavam encontrar um meio de afastálo

dali. O conselho, formado pelos anjos rebeldes, passou a tratar dessa questão. Decidiram,

finalmente, solicitar-lhe o trono por um tempo determinado, no qual poderiam demonstrar a

excelência do novo sistema de governo. Caso fosse aprovado pelo Universo, o novo sistema se

estabeleceria para sempre; caso contrário, o domínio retornaria ao Criador.

Foi assim que Lúcifer, acompanhado por suas hostes, aproximou-se arrogante daquele Pai

sofredor, fazendo-lhe tal pedido.

Yahweh não era ambicioso, apenas queria bem às Suas criaturas. Se a ciência do bem e do mal

consistisse realmente num bem maior, não Se oporia à sua implementação, cedendo o trono a seus

defensores. Mas Ele sabia que aquele caminho conduziria à infelicidade e à morte.

Movido pelo amor protetor, o Criador desatendeu o pedido das hostes rebeldes, que afastaramse

enfurecidas.

----****----

Ao lhes ser negado o trono, Lúcifer e suas hostes passaram a acusar o Eterno Rei, proclamando

ser o seu governo uma tirania. Afirmavam que sua permanência no trono, era a mais patente

demonstração de Sua arbitrariedade. Não lhes concedera liberdade de escolha?! For que neutralizá-la

agora, impedindo-os de pôr em prática um sistema de governo superior?!

As acusações das hostes rebeldes repercutiram por todo o Universo, fazendo parecer que o

governo de Yahweh era de fato injusto. Isto trouxe profunda angústia para aqueles que permaneciam

fiéis ao reino da luz. Não sabendo como refutar tais acusações, essas criaturas, emudecidas pela dor

moral, ansiavam pelo momento em que novas revelações procedentes do Criador pudessem aclarar-lhes

os mistérios desse grande conflito.

As acusações e blasfêmias das hostes rebeldes alcançavam o ponto culminante quando

Yahweh, num gesto surpreendente, ergueu-se de Seu trono, como que pronto a deixá-lo. Os infiéis,

na expectativa de uma conquista, aquietaram-se, enquanto um sentimento de temor penetrava no

coração dos súditos da luz. Entregaria Ele o domínio de toda a criação, para livrar-se das vis

acusações? De acordo com a lógica a partir da qual o querubim fundamentava seus ensinamentos,

não restava outra alternativa ao Criador. Nesta tremenda expectativa, o Universo acompanhava os

passos de Elohim.

Num gesto de humildade, o Criador despojou-Se de Sua coroa e de Seu manto real, depondo-os

sobre o alvo trono. Em Seu semblante não havia expressão de ressentimento ou ira, mas de infinito

amor e tristeza.

Com solenidade, Yahwéh proclamou que o momento decisivo chegara, quando cada criatura

deveria selar sua decisão ao lado da luz ou das trevas. Numa ampla revelação, alertou para as

conseqüências de um rompimento com a Fonte da Vida.

Com olhar de ternura o Criador contemplou seus filhos. Era um olhar de humildade, que cheio

de amor, suplicava para que permanecessem ao Seu lado. Incontáveis criaturas, emocionadas,

corresponderam ao Seu olhar de bondade, enquanto uma multidão se manteve cabisbaixa.

Lúcifer e seus seguidores estavam conscientes da seriedade daquele momento. Ainda era

possível voltar atrás em seus planos, entregando-se arrependidos ao Eterno Pai que sempre os amara.

Enquanto cabisbaixos consideravam sobre a decisão final, Lúcifer e seus adeptos ouviam o cântico

daqueles que, em reconhecimento e gratidão, colocavam-se ao lado de Yahwéh. A última luta

travava-se no coração dos infiéis que, estremecidos, chegaram a pensar em recuar.

Finalmente, a lembrança do recente gesto Eterno, despojando-Se da coroa, deu-lhes a certeza de

que o governo lhes seria entregue. Vendo que o Trono permanecia vazio, Lúcifer e suas hostes,

dominados pela cobiça, romperam definitivamente com o Criador.

----****----

Ao ver um terço dos súditos transpor as divisas da eterna separação, Elohim deixou extravasar a

dor angustiante que por tanto tempo martirizava Seu coração, curvando-Se em inconsolável pranto.

Contemplando Seus filhos rebeldes, ergueu a voz numa lamentação dolorosa: "Meus filhos, meus

filhos! Já não posso chamá-los assim! Queria tanto tê-los nos braços meus! Lembro-Me quando os

formei com carinho! Vocês surgiram felizes e perfeitos, em acordes de esperança em eterna

harmonia! Vivi para vocês, cobrindo-os de Kevod(glória) e poder! Vocês foram a minha alegria! Por que seus

corações mudaram tanto? O que mais poderia eu ter feito para fazê-los permanecer comigo? Hoje

minh'alma sangra em dor pela separação eterna! Como olharei para os lugares vazios onde tantas

vezes rejubilantes ergueram as vozes em hosanas festivas, sem me vir à mente um misto da felicidade

e dor?! Saudade infinita já invade o meu ser, e sei que será eterna!

Hoje o meu coração rompeu e quebrou-se; as cicatrizes carregarei para sempre!

Depois de proclamar em pranto tão dolorosa lamentação, Yahwéh, dirigindo-Se a Lúcifer, o

causador de todo o mal, disse: "Você recebeu um nome de honra ao ser criado. Agora não mais o

chamarão Lúcifer, mas Satã, o inimigo do Criador e de Suas leis."

----****----

Depois de lamentar a perdição das hostes rebeldes, Yahwéh, em lentos passos, ausentou-se do

jardim do Éden, lugar do trono Universal.. Onde seria agora a Sua morada?

As hostes fiéis acompanharam reverentes os Seus misteriosos passos de abandono, que

pareciam descerrar um futuro difícil, de sofrimentos e humilhações. Ocupariam os rebeldes o Eterno

trono, profanando-o como domínio do pecado? Esta indagação torturava o coração dos súditos de

Yahwéh.

Deixando Sua amada Cidade, o Senhor da luz conduziu-Se, em meio às Kevod(glória)s do Universo,

em direção do abismo imenso, a respeito do qual silenciara até então. Ali deteve-Se mais uma vez,

emudecido, enquanto parecia ler nas trevas um futuro de grandes lutas. Ante o sofrimento de

Yahwéh, expresso na tristeza de Seu semblante, os fiéis puderam finalmente compreender o

significado daquele misterioso abismo: consistia numa representação simbólica do reino da rebeldia.

Na face entristecida de Elohim manifestou-se, por fim, um brilho que aos fiéis animou. Erguendo

os poderosos braços ante as trevas, ordenou em alta voz: "Haja luz."

Imediatamente, a luz de Sua presença inundou o profundo abismo e, triunfando sobre as trevas,

revelou um mundo inacabado, coberto por cristalinas águas. Com esse gesto, iniciava Yahwéh uma

grande batalha pela reivindicação de Seu governo de luz; batalha do amor contra o egoísmo; da

justiça contra a injustiça; da humildade contra o orgulho; da liberdade contra a escravidão; da vida

contra a morte. Batalha que, sem trégua, se estenderia até que, no alvorecer almejado, pudesse o

Eterno Rei retornar vitorioso ao santo monte Sião, onde, entronizado em meio aos louvores dos

remidos, reinaria para sempre em perfeita paz. As trevas, em sua fuga, apontavam para o

aniquilamento final da rebeldia.

As águas abundantes que cobriam aquele mundo, até então oculto, simbolizavam a vida eterna

que para os fiéis seria conquistada pelo amor que tudo sacrifica.

O mundo revelado era a Terra. Visitada pelas trevas e pela luz, ela seria o palco da grande luta.

----****----

Rejubilavam-se os fiéis ante o triunfo da luz naquele primeiro dia, quando as trevas em sua

fúria rolaram sobre o planeta, sucumbindo-o em densa escuridão. A luz, que parecia vencida,

renasceu vitoriosa num lindo alvorecer.

Ao raiar a luz do segundo dia, Yahwéh ordenou: "Haja uma expansão no meio das águas, e haja

separação entre água e águas."

Imediatamente, o calor de Sua luz fez com que imensa quantidade de vapor se elevasse das

águas, envolvendo o planeta num manto de transparência anil. Surgiu assim a atmosfera, com sua

mistura perfeita de gases que seriam essenciais à vida que em breve coroaria o planeta. O Criador,

contemplando a expansão, denominou-a "céus".

A atmosfera, que cheia de brilho envolvia a Terra, sombreou-se ao sobrevir o crepúsculo de um

outro entardecer.

----****----

Ao serem vencidas as trevas no terceiro dia, o Criador prosseguiu Sua obra, fazendo surgir os

imensos continentes que ainda estavam sob a superfície das águas. Com as mãos erguidas ordenou:

"Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar e apareça a porção seca."

Em pronta obediência, as cristalinas águas cederam sua posição superior à porção seca que se

ergueu, sobrepondo-se a elas. Nas regiões baixas da Terra, as águas continuariam refletindo o brilho

celeste, sendo um refrigério para as criaturas sedentas. Nesse gesto de humildade, as águas

prefiguravam o Criador, que na grande luta desceria ao mais profundo abismo para fazer renascer nas

almas sedentas a vida eterna.

Contemplando a face daquele novo mundo, Yahwéh denominou a parte seca "terra", e ao

ajuntamento das águas chamou “mares”.

Com Sua poderosa voz prosseguiu, ordenando: "Produza a terra erva verde, erva que dê

semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nela sobre a terra."

Em obediência ao mando Eterno, a superfície sólida do planeta revestiu-se de toda sorte de

vegetação: lindos prados a florir, campos verdejantes entrecortados por rios cristalinos, florestas sem

fim onde árvores frondosas deixavam pender frutos saborosos de infindáveis espécies. A Terra era

como uma tela onde o Criador, pelo poder de Sua palavra, coloria quadros de beleza sem par.

----****----

Enquanto com admiração as hostes contemplavam as belezas daquela criação, surpreenderam-se

ao reconhecer sobre o novo planeta o jardim do Éden, lugar do trono Eterno. Yahwéh, pelo poder

de Sua palavra, o havia transferido para o seio daquele mundo especial, onde em justiça seria

confirmado o governo do Universo.

Naquele dia primaveril, a brisa acariciou mansamente as verdes florestas e os prados em flor,

inundando a atmosfera com suave aroma e frescor. Contemplando Sua obra, o Criador com felicidade

exclamou: "Eis que tudo é muito bom."

Exuberante, o planeta cumpriu mais um dia em sua harmoniosa rotação.

 

----****----

As hostes fiéis agora podiam compreender melhor a importância da luz divinal. Sua ausência

havia ofuscado, naquela noite, as belezas de Sião.

Nesse novo dia, o Criador expressaria o Seu grande poder, dando à Terra luminares que a

encheriam de luz e calor. Esses luminares permaneceriam para sempre como símbolos da presença

espiritual de Yahwéh, que é a fonte de toda a luz.

Contemplando o espaço escuro e vazio que se estendia ao redor da Terra, com potente voz

ordenou: "Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; sejam

eles para sinais e para tempos determinados, para dias e anos. E sejam para luminares na expansão

dos céus para alumiarem a Terra."

Imediatamente, o espaço tornou-se radiante pelo brilho do sol e pelo reflexo de planetas e

satélites. Ante esta demonstração de poder, as hostes fiéis curvaram-se em reverente adoração.

No quarto dia, Yahwéh criou os mundos de nosso sistema solar não para serem habitados como

a Terra, mas para o equilíbrio do sistema. Encheriam também o céu de fulgor, abrandando as trevas

das noites terrenas.

Volvendo os olhos para a Terra, as hostes alegraram-se por vê-la radiante em cores. Bem

próximo dela podia-se ver a Lua que, com seu reflexo prateado, afugentaria as profundas sombras

noturnas.

----****----

Envolvidos por esse cenário encantador, os filhos da luz, rejubilantes, saudaram o alvorecer do

quinto dia, que seria de muitas surpresas. Yahwéh tornaria a Terra festiva pela presença de

infindáveis espécies de animais irracionais que habitariam toda a superfície do planeta. Essa criação

teria continuidade no sexto dia. Erguendo as poderosas mãos, o Criador, olhando primeiramente para

as cristalinas águas, ordenou: "Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente."

De imediato, as águas tornaram-se ondulantes pela presença de incontáveis espécies de répteis

que, felizes e gratos, festejavam a existência num contínuo nadar e saltitar. Desde os seres

microscópicos até as grandes baleias, todos surgiram em completa harmonia, refletindo em sua

natureza o amor do Criador.

Pousando os olhos sobre a atmosfera anil que repousava sobre as verdejantes florestas, Yahwéh

continuou: “Voem as aves sobre a face da expansão dos céus”.

Mediante Sua ordem, os Céus encheram-se de pássaros coloridos que, voando em todas as

direções, tinham no coração um cântico de gratidão pela vida. Esse cântico encheu o ar, misturandose

com o perfume das matas floridas.

Contemplando com prazer Suas criaturas terrenais, Yahwéh abençoou-as dizendo: "Frutificai e

multiplicai-vos e enchei as águas nos mares, e as aves se multipliquem na Terra."

----****----

Rejubilantes, as hostes fiéis presenciaram o alvorecer do sexto dia. O que criaria Elohim nesse

novo dia? Esta indagação pairava na mente de todos os seres racionais. Estavam certos de que algo

muito especial estava para acontecer.

 

Erguendo os potentes braços, Yahwéh ordenou: "Produza a Terra alma vivente conforme a sua

espécie: gado, répteis e bestas-feras da terra, conforme a sua espécie."

Sua voz poderosa foi prontamente ouvida e, nas florestas e campos, pôde-se ver o resultado de

Seu poder criador. Animais de todas as espécies despertaram numa existência feliz, em meio a um

paraíso de perfeita paz.

A Terra tomara-se extremamente bela, qual princesa adornada para receber o seu rei e senhor.

Quem seria esse ser especial?

Movendo-Se com majestade, Yahwéh baixou às Kevod(glória)s do novo mundo, dirigindo-Se ao jardim

do Éden, lugar do Eterno trono. Os anjos da luz acompanharam-nO reverentes, detendo-se qual

nuvem sobre os céus do paraíso. Todo Universo observava com profundo interesse o desdobramento

dos atos do Criador, em resposta às acusações de seus inimigos.

O momento era decisivo. Tudo indicava que Yahwéh demonstraria não ser tirano nem egoísta,

coroando alguém sobre o monte Sião. Satã e seus seguidores não duvidavam de que o reino lhes seria

entregue e reinariam vitoriosos no seio daquele antigo abismo, onde as trevas e a luz agora se

entrelaçavam. Os súditos da luz estremeceram ante essa perspectiva.

----****----

Junto à fonte do rio da vida, Yahwéh curvou-Se solenemente e, com os elementos naturais da

Terra, começou a moldar, com muito carinho, uma criatura especial. Depois de alguns instantes,

estava estendido diante do Criador o corpo, ainda sem vida, do primeiro homem. Yahwéh

contemplou-o e, após acariciar-lhe a face fria e descorada, soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida e o

homem começou a viver.

Como que despertando de um sono, o homem abriu os olhos e contemplou a face meiga de Seu

Criador que, sorrindo, beijou-lhe a face agora corada e cheia de vida. Emocionou-se ao ouvir

Yahwéh dizer-lhe com voz suave e cheia de afeição: "Meu filho, meu querido filho!" Por ter nascido

do solo, o primeiro homem recebeu o nome de Adão.

Tomando-o pela mão, Yahwéh levantou-o. Sem perceber o cenário de fulgor que o circundava,

Adão, num gesto de gratidão pela existência, envolveu o Criador num terno abraço, prostrando-se em

reverente adoração.

As hostes fiéis que admiradas testemunhavam a grandiosa realização divina, emocionadas ante

o gesto humano, prostraram-se também em reverente adoração. Uniram então as vozes num cântico

de júbilo em saudação àquela criatura especial, que despertava para a vida num momento tão

decisivo para o Universo.

Com o coração cheio de felicidade, Adão uniu-se aos anjos em seu cântico de louvor. Sua voz,

ao ecoar pelos arredores floridos, misturou-se ao canto das aves e ao mugir de animais que se

aproximavam em festa.

Num passeio de surpresas inesquecíveis, Adão foi conscientizado das belezas de seu lar. Com

admiração, contemplou o monte Sião, donde jorrava o rio da vida, numa cascata de luz. O glorioso

monte jazia coroado por um lindo arco-íris. Em seus passos, seguiu o curso do cristalino rio, que

deslizava sereno em meio às maravilhas do Éden. Admirava-se das altaneiras árvores que, embaladas

pela brisa, deixavam pender dos ramos abundantes flores e frutos. Inclinava-se aqui e acolá, atraído

pelo fulgor de pedras preciosas que por todas as partes enfeitavam o gramado.

----****----

 

Com intensa alegria, Adão tomava conhecimento das infindáveis espécies de animais que

povoavam o jardim. Todos eram mansos e submissos e viviam em perfeita harmonia e felicidade.

Detendo-se em seus passos, Adão admirou-se da alvura e meiguice de um animalzinho que

brincava no gramado. Aproximando-se, tomou-o em seus braços, dedicando-lhe um afeto especial.

Como era agradável acariciar sua alva lã! Seus olhinhos meigos refletiam um brilho de amor e

humildade. Havia algo de especial naquele animalzinho. Afetuosamente, Adão chamou-o de

"cordeiro".

Com o animalzinho em seus braços, Adão olhou agradecido para Yahwéh e O adorou.

Contemplando Suas alvas vestes, Seus olhos expressivos de um amor sem par, Adão descobriu que

tinha nos braços um símbolo de seu Autor. Feliz, exclamou: "Oh, Senhor, este cordeirinho revestido

de tão branca lã, com olhar expressivo de tanto amor, se parece Contigo. Eu quero tê-lo sempre junto

a mim."

----****----

Observando os animais, Adão percebeu que eles desfrutavam de um companheirismo especial.

Via por toda parte casais felizes que viviam um para o outro. Seus pensamentos voltaram-se para o

Seu Companheiro. Olhou ao derredor e ficou surpreso por não vê-Lo. Yahwéh havia Se ocultado

propositadamente, tornando-Se invisível.

Adão sentia-se solitário em meio àquele paraíso. Com quem partilharia sua felicidade e seu

amor? Havia ali os animais, mas eles eram irracionais, não podendo compartilhar de seus ideais.

Nascia em seu coração, ao caminhar solitário naquele entardecer, um desejo ardente de encontrar

alguém que pudesse estar sempre a seu lado.

Enquanto Adão olhava para as distantes colinas na esperança de ver alguém, Yahwéh

apresentou-Se ao seu lado e disse-lhe: "Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma

companheira."

Adão ficou feliz ao ouvir do Criador essa promessa, justamente no momento em que tanto

ansiava ter alguém para estar sempre visível a seu lado.

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Tomado por um profundo sono, Adão reclinou-se no peito de seu amoroso Criador que, com

carícias, o fez adormecer. Em seu subconsciente surgiram os primeiros sonhos coloridos:

Contempla o olhar meigo de Yahwéh; ouve o som harmonioso da música angelical; descobre as

maravilhas ao derredor: o monte Sião com seu arco-íris; o rio da vida; os prados em flor; os animais

que o saúdam em festa. Repetem-se em seus sonhos as cenas que o envolveram em seu anseio; olha

ao derredor na esperança de encontrar seu companheiro, mas não o vê. Sente-se solitário em seu

sonho, e isso o faz procurar alguém com quem possa compartilhar sua existência. Seu olhar estendese

por campinas verdejantes, divisando ao longe colinas floridas. Enquanto caminha esperançoso,

sente a brisa mansa a afagar-lhe os cabelos macios. Conversa com a brisa: “Brisa, você parece ser

quem tanto procuro; você me afaga os cabelos; beija minha face; você tem o perfume das verdes

matas. Se eu pudesse ver sua face, beijá-la-ia; se eu pudesse tocar os seus cabelos, faria longas

tranças e as enfeitaria com as flores do nosso jardim!”

Após caminhar em sonho pelos prados do paraíso, Adão deteve-se enquanto contemplava a

paisagem ao redor. Admirou-se por não ver o efeito da brisa nos ramos floridos. Mas como, se a

sentia calidamente no rosto? Começou então a despertar de seu sonho. Ainda com os olhos fechados

lembrou-se do momento em que, sonolento, recostara-se no peito de Yahwéh. Seria a brisa o afago de

 

Suas mãos? Com esta indagação abriu os olhos e emocionou-se ao contemplar uma linda mulher que,

com as mãos perfumadas, acariciava-lhe a face com amor. Era a brisa de seu sonho; a promessa de

um Criador que só queria faze-lo feliz.

Agora Adão era completo, pois tinha Eva, que era carne de sua carne e ossos de seus ossos.

Tomando-a pela mão, Adão convidou-a para um passeio de surpresas inesquecíveis. Mostraria

à sua companheira as belezas de seu lar.

Sensibilizada Eva detinha-se a cada passo, atraída pelas flores que exalavam suaves perfumes;

pelos pássaros que gorjeavam alegres cantos; pelos animais que os seguiam submissos; pela

vegetação de ricos matizes; pelas águas cristalinas do rio da vida que jorravam em cascata do monte

Sião. Tudo no paraíso era perfeito e belo, mas nada se igualava ao ser humano, criado à imagem de

Elohim. Voltaram-se um para o outro em admiração e carícias. Embalados por esse amor,

permaneceram até o entardecer.

----****----

Com deleite, o jovem casal passou a contemplar o sol poente que, através de rosados raios,

coloria o céu em lindo arrebol. Era o sexto dia que chegava ao seu final, dando lugar às horas de um

dia especial: o sábado. Esse dia, em seu significado, seria solene para todos os súditos de Yahwéh,

pois seu alvorecer traria a vitória para o reino da luz.

O sol, que durante o sexto dia alegrara a natureza com seu brilho e calor, ocultou-se, deixandoa

em frias sombras. Os alegres pássaros, silenciando seus trinos, buscavam seus ninhos enquanto os

outros animais se recolhiam. Somente o casal permaneceu imóvel, procurando divisar, no último

lampejo que se apagava no horizonte, a esperança de um novo alvorecer.

Indagavam o sentido das trevas quando, por entre as ramagens, viram um lindo luar, cujos raios

prateados banhavam a natureza em suave luminosidade. Todo o céu estava iluminado pelo fulgor das

estrelas. Admirados, descobriram que a noite somente era escura quando se olhava para baixo.

Adão e Eva em sua inocência não sabiam que aquela noite simbolizava o futuro sombrio da

humanidade. Quando o compreendessem, ficariam confortados ao contemplar o fulgor dos céus: o

luar falaria de esperança e as estrelas cintilantes testemunhariam o interesse das hostes da luz em

aclarar-lhes as trevas morais, dando alento aos pecadores. Mas seriam iluminados apenas aqueles

que, desviando os olhos da Terra, contemplassem os altos céus.

Após contemplar por algum tempo o céu em sua luminosidade, o casal, lembrando-se das

belezas do paraíso, volveu os olhos, buscando divisá-las. Estavam, porém, ocultas em meio às

sombras. Quanto almejavam o alvorecer, pois somente ele traria consigo o paraíso!

Ante o anseio do coração humano, Yahwéh surgiu em meio às trevas, devolvendo ao casal a

alegria de se encontrar novamente num jardim colorido.

Banhados em suave luz, caminhavam agora por prados verdejantes e floridos. o brilho do

Criador despertava a natureza por onde passavam, colorindo e alegrando tudo em derredor. O casal,

admirado, aprendeu que ao lado de Yahwéh poderiam ter um paraíso em plena noite.

Sentindo-se sonolentos, Adão e Eva recostaram-se no colo do amoroso Pai, que os faz

adormecer docemente, esperançosos de um despertar feliz. Deitando-os sobre a relva macia, Yahwéh

elevou-Se indo para junto das hostes contemplativas. Voltaria a manifestar-Se ao alvorecer, fazendo

 

o casal despertar para o mais solene acontecimento, que reduziria a pó as vis acusações dos inimigos.

----****----

A noite escura e fria, através de suas longas horas, parecia zombar da luz. Ofuscaria para

sempre as belezas da criação? Oh, jamais! O sol não recuaria ante a imponência das trevas; surgiria

em breve como um libertador, arrebatando com seus cálidos raios a natureza das frias garras, dandolhe

vida e cor.

Num último desafio, as trevas tornaram-se densas nas horas que antecederam o alvorecer. A

noite arregimentava suas forças para lutar pelo domínio usurpado.

Finalmente, surgiu no leste um lampejo que parecia falar de esperança em um novo dia. O céu

aos poucos tornou-se colorido de um vermelho vivo. As trevas impotentes recuaram ante a força

crescente da luz e foram consumidas em sua fuga. A natureza começou a despertar da longa noite,

refletindo em seu seio os saudosos raios. Flores abriram-se, exalando perfumes de alegria; animais e

aves, silenciados pela noite, uniram as vozes num cântico triunfal em saudação ao alvorecer daquele

dia grandioso.

A negra noite chegara ao fim, dando lugar à luz do dia sonhado - dia que para Elohim tinha um

sentido especial, pois prefigurava a final vitória de Seu reino sobre o domínio da rebeldia.

Yahwéh agora despertaria Seus filhos humanos que, banhados pela luz de Sua presença,

haviam adormecido na esperança de um alvorecer feliz. Numa marcha festiva, todas as hostes santas,

com cânticos de vitória, acompanharam-nO rumo ao paraíso banhado em luz. Quando já estavam

próximos, o Criador deteve-Se contemplando o casal adormecido, e exclamou suavemente:

"Acordem meus filhos." Sua voz penetrou nos ouvidos de Adão e Eva, despertando-os para a mais

feliz comunhão. Quão depressa raiara a acalentada manhã, trazendo em sua luz o doce paraíso,

perdido naquela noite! Com alegria o casal saudou o Eterno Criador, unindo-se aos anjos em

antífonas triunfais.

----****----

O Universo vivia um momento deveras solene. Naquela manhã festiva, Yahwéh haveria de

revelar a grandeza de Seu caráter, que é justiça e amor. As acusações de que Seu governo era de

egoísmo e tirania seriam refutadas.

Aos olhos de todas as criaturas racionais do vasto Universo, Elohim conduziu o jovem casal ao

monte Sião, lugar do Eterno trono. Ali, ante o estremecimento das hostes emudecidas, o Criador, num

gesto surpreendente, cobriu o homem com o manto real, colocando sobre sua cabeça a coroa que fora

cobiçada por Lúcifer.

Movidos por profunda gratidão pela suprema honra conferida, Adão e Eva prostraram-se

reverentes, depondo aos pés do Criador sua coroa preciosa, em sinal de submissão. Seguiu-se a esse

gesto humano um brado de vitória que sacudiu toda a Criação. Os filhos da luz, que por tanto tempo

haviam sofrido afrontas e humilhações ante as constantes acusações das hostes rebeldes, exaltaram

em retumbante louvor o Elohim bendito, que em Sua obra de justiça desmentira os inimigos, revelando

Seu caráter de humildade, desprendimento e amor.

Tendo constituído o homem como o senhor de toda a criação, Yahwéh, com voz solene, passou

a conscientizá-lo da grandiosidade de sua missão. Como um mordomo fiel, deveria cuidar do paraíso,

mantendo límpida a fonte do rio da vida. As leis da justiça e do amor, fundamentos do reino da luz,

deveriam ser honradas. Como um cetro racional, caberia ao homem, em gesto de reconhecimento e

gratidão, aceitar livremente o governo d'Aquele que o criou.

As hostes, que maravilhadas testemunhavam a revelação do desprendimento Eterno,

compreenderam que o Senhor da Luz não governaria mais o Universo, a não ser com o

consentimento humano. O homem, pela vontade de Yahwéh, fora feito o árbitro da criação; em seu

glorioso ser, feito à imagem do Criador, resplandecia o selo do eterno domínio.

----****----

Após revelar ao casal a infinita honra e responsabilidade de sua missão, o Criador

conscientizou-o do conflito espiritual que se travava pela conquista do domínio universal: Lúcifer,

que por incontáveis eras servira ao Eterno Rei em Sião, havia sido corrompido pelo orgulho e pelo

egoísmo, sendo seguido por um terço das hostes racionais; buscavam agora destronar o Eterno,

desonrando-O com vis acusações.

Tendo revelado ao ser humano a dolorosa situação em que o Universo se encontrava, Yahwéh,

num gesto solene, mostrou-lhe duas altaneiras árvores que, carregadas de grandes frutos, se erguiam

em ambas as margens do rio que nascia do trono. A que se elevava à direita revelou o Senhor ser a

árvore da vida monumento do reino da luz. A que se erguia à outra margem revelou ser a árvore da

ciência do bem e do mal - símbolo da rebeldia.

Comendo do fruto da árvore da vida, o homem manifestaria sua submissão ao Criador, que é

Fonte de vida e luz. Comer da outra árvore seria entregar ao inimigo o domínio de Sião. O inevitável

resultado desse passo seria a morte eterna, não somente para o ser humano, mas para toda a criação,

que se reduziria ao caos sob a fúria da rebeldia.

Após contemplar demoradamente as duas altaneiras árvores, que externavam em seus frutos tão

infinita responsabilidade, Adão prostrou-se ante o Criador, dizendo: "Digno és Senhor de reinar sobre

o Universo, pois pela Tua sabedoria, amor e poder todas as coisas foram criadas e subsistem."

O sábado, emblema do triunfo Eterno, encheu-se de louvor. Todos os filhos da luz uniram-se ao

ser humano no mais harmonioso cântico de exaltação Àquele cuja grandeza é sem par.

----****----

Foi com espanto que Satã e seus seguidores testemunharam a grandiosa realização de Yahwéh.

Presenciaram com amargura a alegria dos fiéis ante a coroação do homem- acontecimento que

lançara por terra as fortes acusações que eles haviam levantado contra o governo Eterno. Cheios de

frustração e ira, consideravam agora sua triste condição. Quão terrível e humilhante era-lhes o

pensamento de verem seus planos de rebeldia desfazerem-se diante do Criador, semelhantes às

sombras daquela noite. Se pudessem, pensavam, encheriam o sábado de trevas, banindo da mente dos

súditos de Yahwéh qualquer esperança de vitória.

Finalmente, em suas considerações, Satã e seus liderados compreenderam que lhes restava uma

oportunidade: no meio do jardim do Éden, nas alturas de Sião, elevava-se, junto ao rio da vida, a

árvore da ciência do bem e do mal. Bastaria um gesto humano, nada mais, e teriam sob seu poder,

para sempre, o domínio cobiçado. Mas como seduzi-lo?

Animado ante a perspectiva de uma conquista, Satã procurou, com engenhosidade, arquitetar

um plano de abordagem. Sabia que, se falhasse em sua tentativa, todas as esperanças de triunfo terse-

iam diluído, desfazendo-se todos os seus sonhos de aventura. Concluiu que o engano haveria de

ser sua poderosa arma. Não fora através dele que conseguira dominar um terço das hostes celestes?!

Aguardaria, portanto, um momento propício para armar sua cilada.

 

----****----

No Éden pairava a doce calma de uma perfeita paz. Por todos os lados os amáveis passarinhos

faziam ouvir seus alegres trinos em louvor constante ao Criador. Toda a natureza a florir parecia

proclamar um reino de eterna alegria. Os animais em união brincavam por toda parte, sempre

submissos ao homem, o senhor daquele paraíso encantador.

Tudo era felicidade para o casal; mas esta tornava-se mais intensa na viração daqueles dias

primaveris. O arrebol, que com sua beleza coloria o céu prenunciando as escuras noites, anunciavalhes

também o momento da visita diária de Yahwéh. Juntos, sob a luz de Sua presença, passavam

longo tempo em feliz conversação. Com ânimo, o casal contava ao Senhor as surpreendentes

maravilhas que iam descobrindo a cada dia na natureza. Elohim, com carinho, descerrava-lhes o

significado de cada ser. Como ficavam gratos pelas lindas lições aprendidas a Seus pés! A cada dia

que passava, maior era o amor, o respeito e a admiração pelo grandioso Criador. Como Ele fora bom,

trazendo-os à existência e concedendo-lhes um lar tão cheio de delícias! Ao despertarem para as

alegrias de cada dia, vinham-lhes à lembrança as carícias e o doce canto de Yahwéh, que os fazia

adormecer todas as noites.

A vida de Adão e Eva no Éden não era de ociosidade. A eles foi recomendado o cuidado do

jardim. Sua ocupação não era cansativa, ao contrário, era agradável e revigorante. O Criador indicara

o trabalho como uma fonte de benefícios para o homem, a fim de ocupar-lhe a mente e fortalecer-lhe

o corpo, desenvolvendo-lhe todas as faculdades. Na atividade mental e física, o homem encontrava

um elevado prazer.

Era comum ao jovem casal receber visitas de seres celestes. Aos visitantes sempre tinham

novidades a relatar e perguntas a fazer. Passavam longo tempo ouvindo deles sobre as maravilhas do

reino de luz. Através desses visitantes, Adão e Eva passaram a ter amplo conhecimento da rebelião

de Lúcifer e de suas eternas conseqüências. Aos visitantes, Adão e Eva sempre pediam que lhes

ensinassem os harmoniosos cânticos celestiais. Como se deleitavam ao unirem as vozes ao coro

angelical!

----****----

Em Sua onisciência, Elohim tinha conhecimento do terrível intento do inimigo. Convocando as

Suas hostes principais, revelou-lhes com pesar o iminente perigo que pairava sobre o Universo. Satã

haveria de armar uma cilada, a fim de levar o homem a comer da árvore da ciência do bem e do mal.

Ante essa revelação, os filhos da luz ficaram temerosos, pois conheciam a tremenda facilidade de

Satã em enlaçar criaturas inocentes e atirá-las em suas malhas de morte.

No solene concílio, decidiram enviar, com urgência, mensageiros para advertirem o homem do

grande perigo. Dois poderosos anjos foram encarregados dessa decisiva missão.

Imediatamente, os mensageiros comissionados irromperam pelos portais de Jerusalém,

alcançando o seio do espaço infinito. Em instantes, transpuseram imensidões, cruzando galáxias no

percurso. Penetraram no túnel da constelação de Orion, aproximando-se do novo sistema. Podiam

agora divisar a pouca distância o planeta azul, onde o destino do Universo estava para ser decidido.

No Éden, havia descontração. O jovem casal continuava em suas inocentes atividades,

desfrutando o prazer de um viver feliz. Longe estavam de pensar que naquele momento todo o todos

os filhos da luz estavam tensos, pensando em seu futuro ameaçado. Viram então no límpido céu o

sinal da aproximação dos visitantes celestes e a eles ergueram os braços numa alegre saudação. Adão

e Eva admiraram-se, porém, por não verem no semblante deles a mesma alegria. Os visitantes

traziam na face uma expressão de anseio que eles não podiam entender. Tentaram mudar-lhes a triste

 

feição, contando-lhes as novas descobertas feitas no paraíso. Os mensageiros, todavia, não tendo

tempo disponível como outrora, interromperam-nos com palavras de advertência. Satã haveria de

armar-lhes uma cilada, a fim de levá-los a comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal. Se

dessem ouvi dos à tentação, fariam sucumbir toda a criação no abismo de um eterno caos.

Os anjos lembraram-lhes que o reino lhes fora confiado como um sagrado depósito, devendo,

em uma vida de fidelidade, honrar Aquele que por amor esvaziou-Se, colocando-Se numa posição de

hóspede do ser humano. Adão e Eva deveriam ser firmes ante as insinuações do inimigo, pois assim

selariam a eterna vitória do reino da luz.

Falando-lhes da feliz recompensa que se seguiria ao seu triunfo, os anjos revelaram que era

plano de Elohim a transferência de Jerusalém Celeste para a Terra. Ali, novamente acoplada ao paraíso,

permaneceria para sempre. E o homem, submisso ao Criador, reinaria pelos séculos sem fim sobre o

monte Sião, em meio aos louvores das hostes universais.

Mas tudo isso dependia inteiramente do posicionamento humano frente às tentações do

inimigo, que faria de tudo para arrebatar-lhe o reino.

Adão e Eva ficaram temerosos ao conhecerem os planos de Satã, mas foram consolados ao

saberiam que ele não poderia fazer-lhes nenhum mal, forçando-os a comer do fruto proibido. Se,

porventura, procurasse intimidá-los com seu poder, todas as hostes de Yahwéh viriam em seu

socorro.

Os mensageiros da luz concluíram sua missão recomendando ao casal permanecerem

vigilantes, tendo sempre em mente a responsabilidade que sobre eles repousava. Não deveriam

separar-se um do outro, nem por um momento sequer, pois a sós poderiam ser seduzidos.

Adão e Eva, agradecidos pelas advertências dos anjos, uniram as vozes num cântico de

promessa em uma eterna vitória. Estavam certos de que jamais abandonariam o bendito Criador,

ouvindo a voz do tentador.

Animados ante a promessa humana, os dois mensageiros retornaram ao seio da Jerusalém

Celeste onde, junto às hostes santas, aguardariam com anseio o anelado triunfo.

----****----

Satã viu aproximarem-se do paraíso os mensageiros e ouviu o canto do homem prometendo

uma eterna vitória. Esse cântico fez com que sua inveja e ódio aumentassem de tal maneira que não

os pôde conter. Disse então a seus seguidores que em breve faria silenciar aquela voz irritante. Faria

tudo para transformar o louvor humano em blasfêmias ao Criador.

As hostes rebeldes ficaram curiosas para conhecer os planos de seu chefe, mas foram por ele

advertidas de que deveriam aguardar até que tudo ficasse para sempre decidido. Se o homem ouvisse

sua voz, comendo do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, seria vitorioso, possuindo para

sempre o domínio do Universo. Caso o homem resistisse, permanecendo fiel ao Criador, já não

haveria qualquer esperança para eles.

O paraíso parecia estar envolvido por uma eterna segurança, mas no semblante do homem

podia ser vista uma expressão de temor. Desde a partida dos anjos, Adão e Eva permaneciam

silenciosos, meditando com reverência sobre a tremenda responsabilidade de sua missão. Pensavam

na seriedade daquela iminente prova que haveria de selar o seu futuro e o de toda a Criação.

Animados, contudo, ante o pensamento da vitória, uniram mais uma vez as vozes num cântico que

expressava a certeza do triunfo anelado. Essa melodia baniu de suas mentes todo o medo de derrota e,

alegres, correram pelos prados verdejantes, acompanhados pelos fogosos animais que pareciam

 

comemorar a grande conquista. Sentiam-se seguros em seu paraíso, totalmente esquecidos do perigo

de um possível assalto.

----****----

Satã, que observava atentamente o casal, percebeu estar chegando a sua oportunidade.

Aproximou-se de forma invisível do paraíso, e ficou esperando o melhor momento para armar sua

cilada.

Inconsciente da presença do inimigo, o casal continuava em sua desprendida alegria, brincando

despreocupadamente com os animais. No semblante transtornado de Satã estampou-se um maldoso

sorriso, ao presenciar um descuido do casal: em sua exaltação, haviam deixado de atender a última

recomendação dos mensageiros, afastando-se um do outro. O astuto inimigo, não perdendo tempo,

apossou-se de uma serpente, a mais bela do paraíso, fazendo-a aproximar-se graciosamente de Eva.

Eva, que assentada no gramado brincava com os animais, percebeu a presença da atraente

serpente, cujo corpo refletia as cores do arco-íris. Ficou admirada ao vê-la colher flores e frutos do

jardim, depositando-os a seus pés. Agradecida, tomou-a nos braços, dedicando-lhe afeto.

Tendo conquistado a afeição da mulher, Satã, em sua astúcia, começou a atraí-la para junto da

árvore da ciência do bem e do mal. Sem se dar conta do perigo, Eva acompanhou a serpente até a

árvore da prova. Ali, tendo nos braços o inimigo velado, acariciou-o e disse-lhe palavras de carinho.

Tendo nos olhos o brilho da sedução, a serpente pôs-se a falar. Suas palavras eram cheias de

sabedoria e ternura e sua voz como a de um anjo. Eva mal pôde crer no que via. Sua alegria tornou-se

imensa por ter nos braços uma criatura tão fantástica. Passaram a conversar sobre muitas coisas: o

amor; as belezas do jardim; o poder do Criador. Eva ficou admirada ante o conhecimento tão vasto da

serpente, que discorria com maestria sobre qualquer assunto. Envolvida por essa experiência, Eva

esqueceu-se completamente de seu companheiro. Nem sequer passavam pela sua mente as

advertências dos anjos.

----****----

Adão, inteiramente esquecido dos conselhos dos mensageiros celestes, havia se afastado na

companhia de alguns animais. Depois de certo tempo, sobreveio com ímpeto em sua mente a

lembrança das advertências recebidas. Soaram em seus ouvidos com clareza as últimas palavras

proferidas pelos anjos: "Não se afastem um do outro... Não se separem nem por um instante, pois é

perigoso." O seu coração pulsou forte por não ver Eva a seu lado. Ergueu então a voz num grito

ansioso. Sua voz, ao ecoar pelas abóbadas do paraíso, contudo, não trouxe consigo uma resposta. O

silêncio quase o sufocou. Em sua aflição pôs-se a correr de um lado para outro, procurando-a, em

vão. Nessa ansiosa busca, sentiu a brisa afagar-lhe os cabelos e recordou seu primeiro sonho. Essa

lembrança, no entanto, desfez-se ante o pensamento do perigo que os ameaçava.

Com a mente tomada por um grande senso de culpa, Adão apressou o passo na aflitiva procura.

Onde estaria a sua amada? A envolveria a tempo em seus braços, livrando-a de cair? Mais uma vez

ergueu a voz num grito ansioso que repercutiu por todo jardim: "Eva, onde você se encontra?"

Aguardou uma resposta, mas ouviu somente um eco vazio que o desesperou. Lembrou-se da árvore

da ciência do bem e do mal; ali era o único lugar em que sua companheira poderia ser iludida.

Esperando obstruir a única oportunidade do inimigo, avançou em direção ao lugar da prova. Seu

coração pulsou forte ao contemplar ao longe a copa da árvore proibida.

----****----

Com a serpente em seus braços, Eva interrogou-a a respeito de muita coisa. Maravilhou-se ao

perceber que a serpente a sobrepujava grandemente em conhecimento. Cheia de curiosidade,

perguntou à serpente:

- Onde está a fonte de seu tão grande saber? Responda-me, pois quero também possuí-la.

Sem perder tempo, Satã, apontando para a árvore da ciência do bem e do mal, respondeu:

- Ali está a fonte de todo meu saber.

Ele conta então uma mentirosa história: disse que era uma serpente como as demais, comendo

dos frutos do paraíso. Provando certo dia daquele fruto proibido, recebeu, como que por encanto,

todas as virtudes.

Olhando para a árvore da ciência do bem e do mal, Eva ficou surpresa e confusa. Privaria o

Criador em seu amor algo tão bom às suas criaturas?! Vendo-a surpresa, Satã perguntou:

- É assim que Elohim disse: Não comereis de todas as árvores do jardim?

Eva, inquieta, respondeu:

- Dos frutos das árvores do jardim comemos, mas do fruto dessa árvore que você diz ser fonte

de sabedoria, disse Elohim: "Não comereis dele, para que não morrais."

A serpente em tom de desdém disse:

- Isso é falso. Se fosse assim, eu teria morrido. Certamente Yahwéh os proibiu de comer dessa

árvore para impedir que o homem venha a se tomar como Ele, conhecendo todas as coisas.

As palavras sedutoras da serpente causaram confusão na mente de Eva. Em quem confiaria?

Tinha em mente a lembrança da ordem do Criador e de sua sentença, mas ao mesmo tempo tinha

diante de si uma prova palpável que O contradizia. Atordoada, começou a duvidar do caráter de

Yahwéh.

Num desafio, a serpente colheu frutos da árvore proibida e passou a saboreá-los. Colocando um

fruto nas mãos da mulher, incentivou-a a comer, dizendo:

- Não disse Yahwéh que se alguém tocasse nesse fruto morreria?

----****----

Um completo silêncio pairava sobre o Universo. Em cada planeta habitado, os filhos da luz

contemplavam impotentes aquela angustiante cena. O futuro deles estava em jogo.

Em Jerusalém havia grande comoção. Poderosos anjos apresentaram-se diante do Criador,

solicitando permissão para esmagarem o covarde inimigo, oculto naquela serpente. Yahwéh, contudo,

impediu-lhes tal ação. Se o uso da força fosse a solução, já o teria aplicado. Deviam respeitar o livre arbítrio

concedido ao homem, podendo ele manifestar sua escolha sob a tentação do inimigo.

Os filhos da luz sofriam imensamente ao verem a mulher duvidando d'Aquele que tão

bondosamente lhes dera a vida e a oportunidade de reinarem naquele paraíso. Como poderia duvidar

de quem lhes dedicava tanto amor?!

Adão, que numa forte esperança de assegurar a acalentada vitória apressava-se em sua corrida,

contemplou ao longe sua amada, assentada junto à árvore da prova. O que fazia Eva naquele lugar tão

perigoso?! Um pressentimento horrível lhe sobreveio, ao lembrar-se mais uma vez das advertências

recebidas, mas procurou bani-lo como pensamento de que alcançaria sua esposa antes que algum mal

 

lhe ocorresse.

Eva vacilava em sua convicção ao contemplar o fruto em suas mãos. Por alguns momentos o

futuro pareceu-lhe sombrio e aterrador, mas venceu esse sentimento, pensando nas Kevod(glória)s que

haveria de conquistar ao comer aquele fruto. Ainda um tanto indecisa, ergueu vagarosamente as mãos

até tocar o fruto com os lábios.

Os súditos do reino da luz, estremecidos, inclinaram-se tomados por grande espanto. Parecia

quase impossível, àquela altura, a mulher voltar atrás.

Enquanto pálidos os fiéis indagavam sobre uma possível esperança, presenciaram com horror a

terrível decisão de Eva: resolvera romper para sempre com o Criador, tornando-se cativa da morte.

Yahwéh, que em silente dor contemplava aquela cena de rebelião, curvou a fronte tendo a face

banhada de lágrimas. Não podia suportar a dor daquela separação.

Os fiéis, que em pânico julgavam-se vencidos, foram conscientizados de que nem tudo estava

perdido. Se Adão resistisse à tentação, permanecendo fiel a Yahwéh, ele selaria a grande vitória. Eva,

que fora vítima de um engano, poderia ser conscientizada de seu erro, sendo favorecida com o perdão

Eterno.

Quando Adão em sua angustiosa corrida alcançou o lugar da provação, já era tarde demais.

Assentada junto ao rio, Eva saboreava despreocupadamente o fruto proibido. Adão estremeceu. Seria

mesmo o fruto da prova? Num gesto de esperança olhou para a árvore da ciência do bem e do mal,

mas em pranto reconheceu a triste condenação. Cheio de tristeza contemplou sua esposa, mas não

encontrou palavras para despertá-la para tão amarga realidade. Em completo desespero, ergueu a voz

numa dolorosa exclamação: "Eva, Eva, o que você está fazendo!"

Ao comer do fruto proibido, a mulher foi tomada por emoções que a fizeram imaginar haver

alcançado uma esfera superior de vida. Ao ouvir a voz de seu esposo, ainda tomada pelas ilusórias

emoções, ergueu a fronte estampando um sorriso, mas surpreendeu-se ao vê-lo chorando.

Com profunda amargura, Adão procurou saber a razão que a levara a rebelar-se contra Yahwéh.

Eva, prontamente, passou a contar-lhe a fantástica história da sábia serpente.

Satã sabia que essa história de serpente jamais convenceria o homem a comer do fruto da

árvore proibida. Precisava encontrar uma maneira sutil de levá-lo a selar sua sorte seguindo os passos

de sua esposa. Tendo Eva sob seu poder, resolveu fazer dela o objeto tentador. Aguardaria o

momento oportuno para enlaça-lo.

----****----

No dia em que dela comerdes, certamente morrereis. A lembrança desta sentença deixava Adão

muito aflito. A expectativa de ver sua amada perecendo em seus braços, era demais para suportar.

Esta aflição, contudo, foi diminuindo, ao ver que ela continuava feliz e carinhosa ao seu lado, como

se nenhum mal lhe houvesse acontecido. Aliviado, Adão voltou a sorrir, correspondendo aos afetos

de sua companheira. Rendia-se às mais doces emoções, longe de saber que era o inimigo quem o

envolvia naqueles abraços.

Nesse momento de enlevo, Eva começou a falar-lhe de sua experiência com a ciência do bem e

do mal. Falou-lhe dos tesouros da sabedoria que lhe haviam sido abertos. Em seu novo reino, viveria

muito feliz. Entretanto, essa felicidade seria incompleta sem a participação de seu esposo. Falou-lhe

da impossibilidade de retroceder em seus passos, e insistiu para que ele a seguisse.

Depois de falar-lhe de sua decisão, Eva, com um doce sorriso, estendeu-lhe as mãos contendo

um fruto, pedindo-lhe que o comesse numa demonstração de seu amor por ela.

Com a voz tentadora em seus ouvidos, Adão assentou-se no gramado em profunda reflexão.

Sua face tornou-se novamente pálida e suas mãos trêmulas. Temia rebelar-se contra o Criador, mas

ao mesmo tempo compreendia que não conseguiria viver separado de sua companheira, a quem

amava com infinito amor. Eva era carne de sua carne, a extensão de seu ser.

Sentia-se angustiado ao ter de tomar uma decisão tão séria.

A palidez do rosto de Adão refletiu-se no semblante de todos os fiéis de Yahwéh. Ouviram a

insinuação do inimigo e perceberam com horror a vacilação do homem. A indecisão de Adão

deixava-os desesperados. Obedecesse ele àquela proposta de Satã, toda felicidade seria eternamente

banida. Nas decisões do ser humano estava o destino de todo o Universo. Atenderia ele ao apelo de

Satã?

Depois de intensa luta íntima, Adão olhou para sua companheira; a ela unira-se em promessas

de uma eterna entrega. Não a deixaria só agora. Partilharia com ela os resultados da rebelião. Tomou

então das mãos de Eva um fruto e, num gesto apressado, levou-o à boca.

Procurando abafar a voz de sua consciência, que lhe falava de uma eterna perdição, Adão

lançou-se nos braços de sua esposa, desfrutando o alto preço de sua rebelião.

Satã, com brados de triunfo, deixou o paraíso, voando rapidamente para junto de suas

inumeráveis hostes, que aguardavam ansiosas o resultado de tão arriscada tentativa. Ao saberem da

desgraça humana, uniram-se numa estrondosa festa. Sentiam-se seguros. Sião agora lhes pertencia

por direito, podendo lá estabelecer um reino eterno, jamais sendo molestados pelas leis de Yahwéh.

----****----

Em todo o Universo os filhos da luz sofriam e pranteavam a derrota. Nunca houvera tanta

tristeza e horror ante o futuro. As vozes que viviam a entoar louvores ao Criador proferiam agora

lamentações.

Yahwéh, que vencido por infinita dor prostrara -Se em pranto ante a queda do homem, não

fora, contudo, surpreendido. Antes mesmo de criar o Universo já havia previsto esse triunfo da

rebeldia e, em Sua sabedoria e amor, idealizara um plano de resgate que O envolveria num imenso

sacrifício. Enxugando as lágrimas de Seu pranto, pôs-Se a agir poderosamente em favor de Seus fiéis

aflitos, impedindo-os de caírem nas mãos dos inimigos. Nessa misteriosa intervenção que

aparentemente depunha contra a justiça, Yahwéh ordenou que Seus mais poderosos anjos

circundassem imediatamente o jardim do Éden, impedindo que Satã tomasse posse do monte Sião.

Consoladas ante a manifestação divina, as potentes criaturas, em pronta obediência, romperam o

espaço infinito, circundando em instantes o paraíso, no seio do qual o ser humano, já transtornado

pelo pecado, vivia o negror de uma noite que seria longa e cruel.

Sendo a autoridade de Yahwéh fundamentada na justiça, de que maneira poderia justificar Suas

ações diante dos inimigos? Não entregara por Sua vontade o reino ao homem, e esse por livre escolha

não o submetera a Satã? Enquanto surpresas as criaturas racionais consideravam as ações decisivas

de Elohim, ouviram Sua potente voz que, repercutindo por toda a criação, trazia a revelação do grande

mistério - revelação tão maravilhosa que a partir daquele momento, por toda a eternidade, ocuparia a

mente dos fiéis, sendo tema para as mais doces meditações.

Yahwéh falou primeiramente sobre a terrível condenação que pendia sobre o homem e toda a

criação. Disse que, ao se desligar da Fonte da Vida, o homem havia se precipitado em tão profundo

abismo que não poderia ser alcançado pelo Seu braço de justiça e poder. Humilhado e torturado pelas

garras do inimigo, não restava ao homem outra sorte além da morte - fruto doloroso de sua

espontânea rebelião.

Considerando a situação humana, as hostes da luz não viam possibilidades de triunfo. Sabiam

que só o homem poderia retomar o domínio do inimigo, devolvendo-o ao Criador. Mas o ser humano,

eternamente escravizado em sua natureza, seria incapaz de tal vitória.

Com voz melodiosa e cheia de ternura, Elohim revelou o plano da redenção, dizendo: "Na

verdade, o homem colherá o fruto de sua rebelião numa terrível morte. Não posso, com o meu poder,

mudar-lhe a sorte. Se assim agisse, seria injusto diante de meu decreto. Mas farei cair toda a

condenação sobre um Substituto que surgirá na descendência humana. Esse Homem não trará em

suas mãos as algemas da morte, sendo inocente e incontaminado em Sua natureza. Como

representante da raça humana, enfrentará Satã e o vencerá. Após triunfar nessa batalha, provando que

o amor é mais forte que o egoísmo, que a verdade é mais forte que a mentira, que a humildade é mais

poderosa que o orgulho, o fiel Substituto erguerá as mãos vitoriosas não para saudar a grande

conquista, mas para tomar das mãos da humanidade escravizada a taça de sua condenação. Sorverá

assim, submisso, o cálice da eterna morte. Esse imenso sacrifício abrirá aos seres humanos uma

oportunidade de serem redimidos, voltando aos braços do Criador, juntamente com o domínio

perdido."

As hostes, surpresas ante a revelação de Yahwéh, indagaram a identidade d'Esse Substituto. O

Criador, com um sorriso amoroso, disse-lhes:

"Eu serei esse Homem. O Meu Espírito repousará sobre uma virgem, e nela será gerado um

Filho Santo. Esse menino será Eterno e humano. Em sua humanidade, ele será submisso à divindade

que n'Ele habitará. Os remidos verão n'Ele o Pai da Eternidade, o Criador e Redentor, o Rei dos reis.

O Seu nome será Yeshua (nome hebraico que traduzido significa Yahwéh salva)."

Assumindo a natureza humana, Elohim poderia pagar o alto preço do resgate, morrendo em lugar

dos pecadores.

As hostes da luz ficaram emudecidas ao conhecer o plano do Criador. O pensamento de verem

submeter-Se a tão penoso sacrifício, a fim de redimir o domínio perdido, era demais para

suportarem. Não havia, contudo, outra esperança de vitória, a não ser através dessa amorosa entrega.

----****----

Após desfrutar o alto preço do pecado, o jovem casal sentiu-se mal. Inicialmente sentiram um

grande vazio no coração, que logo foi preenchido pelo remorso e pela tristeza. Perceberam que,

inspirados pela cobiça, haviam selado sua triste sorte e a de toda a criação. Parecia-lhes ouvir ao

longe o gemido de um Universo vencido.

O sol, que os enchera de vida e calor naquele dia, ocultava-se no horizonte, anunciando-lhes

uma negra noite. O arrebol, que até ali anunciara-lhes o feliz encontro com o Criador, parecia

envolve-los numa sentença de que jamais despertariam para um novo dia. Não ousavam sequer olhar

para cima, temendo ver cair sobre eles o raio do juízo que os reduziria a pó. Com o olhar voltado para

o frio solo, vinha-lhes à lembrança a sentença: "No dia em que dela comerdes, certamente morrereis."

Desesperadas lágrimas rolavam em seus rostos ao aguardarem o trágico fim.

Ao considerar o motivo de sua rebelião, Adão começou a recriminar sua esposa por ter dado

ouvidos à serpente. Eva, por sua vez, procurando desculpar-se, lançou a culpa sobre o Criador,

dizendo: "Por que Yahwéh permitiu que a serpente me enganasse?!"

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O amor que reinava no coração humano desaparecia, dando lugar ao orgulho e ao egoísmo, que

se fundiam em ressentimentos e ódio. Sua natureza já não era pura e santa, mas corrompida e cheia

de rebeldia. Tudo estava mudado. Mesmo a brisa mansa que até ali os havia banhado em carícias

refrescantes, enregelava agora o culposo par. As árvores e os canteiros floridos, que eram seu deleite,

consistiam agora em empecilhos ao caminharem sem rumo naquela noite.

O propósito de Satã em encher o sábado de trevas parecia haver se cumprido. Naquela noite,

não existia sequer o reflexo prateado do luar para falar-lhes de esperança. As estrelas cintilantes,

suspensas no escuro céu, estavam ofuscadas pela dor. Baixavam sobre o mundo as trevas de uma

longa noite de pecado - sombras sob as quais tantos se arrastariam sem esperança de um alvorecer.

-----*****-----

A noite já ia alta e as trevas pareciam envolver o triste casal em eternas sombras. Nem sequer

cogitavam em suas poucas palavras, sufocadas pela agonia, de um alvorecer. Cabisbaixo, tateavam

daqui para ali, na expectativa do juízo iminente, que os reduziria ao frio pó, esquecido sob aquelas

trevas sem fim.

Surgiu repentinamente um brilho no céu, que ia aumentando à medida que se aproximava da

Terra. O casal estremeceu, pois sabia que era o Criador que vinha dar-lhes o castigo. Vencidos pelo

pânico, puseram-se a correr, distanciando-se do monte Sião, o lugar da vergonhosa queda. Justamente

para ali viram o Criador dirigir-Se. Eles, que sempre corriam ao encontro do amoroso Pai, atraídos

por Sua luz, fugiam agora desesperados em busca de lugares escuros, de densa floresta.

Yahwéh, movido por infinito amor, passou a seguir os passos do casal fugitivo. Enquanto

caminhava, chorava ao lembrar os momentos felizes que havia passado junto a eles naquele paraíso.

Como tudo se transformara! Seus filhos não conseguiam mais ver n'Ele um Pai de amor, mas alguém

que, irado, buscava castigá-los.

Movido por forte anseio de abraçar Seus filhos humanos, Elohim fez ecoar a voz numa

indagação: "Adão, onde vocês se encontram?" Sua voz, ao soar em meio às trevas, trazia consigo

somente um eco vazio que falava de ingratidão e rebeldia. Como desejava envolver o casal num

ardoroso abraço, e com palavras de carinho confessar-lhe que Seu amor era o mesmo!

Ao ver Seus filhos fugindo de Sua presença, Yahwéh foi tomado de grande dor. Ante Seu olhar

mareado de lágrimas, estendia-se o futuro da raça humana. Quantos, enganados por Satã, fugiriam de

Sua presença no decorrer da longa noite de pecado, julgando-No um Senhor tirano, que vive

buscando falhas e fraquezas nos pecadores, a fim de castigá-los! O Criador, todavia, não desistiria de

procurá4os pelos vales sombrios do reino da morte, até conquistar um povo arrependido.

Adão e Eva, exaustos pela pressurosa fuga, esconderam-se por entre a folhagem de um pé de

figueira. Reconhecendo sua nudez, procuraram fazer aventais cosendo aquelas folhas. Vestidos

assim, julgaram poder livrar-se do sentimento de vergonha ante o Criador.

Yahwéh, aproximando-Se do local onde o casal se escondia, perguntou:

- Adão, onde estão vocês?

Não podendo mais se ocultar de Elohim, Adão ergueu-se juntamente com sua companheira e,

cabisbaixos, apresentaram-se ao Criador, prostrando-se trêmulos a Seus pés. Não conseguiram

encará-Lo mais, devido ao senso de culpa.

O Criador, carinhosamente, tomou-os pelas mãos, erguendo-os do chão, e, com expressão de

tristeza no semblante, perguntou-lhes:

- Por que vocês fugiram de Mim? Acaso comeram do fruto da árvore da ciência do bem e do

mal?

Adão, todo trêmulo, com voz entrecortada por soluços de temor, respondeu:

- A mulher que me deste por companheira, ela deu-me o fruto e eu comi.

Com esta resposta, Adão procurava desculpar-se, lançando a culpa sobre sua esposa.

Voltando-Se para Eva, Yahwéh indagou-lhe:

- Por que você fez isso?

Eva prontamente respondeu-Lhe:

- Aquela serpente me enganou e eu comi.

Ambos não queriam reconhecer a culpa, lançando-a sobre outrem. Em suma, atribuíam ao

Criador a responsabilidade por todo o mal praticado: "Por que concedera-lhes o livre-arbítrio? Por

que criara a mulher? Por que criara a serpente?"

Silente, Elohim observava Seus filhos que, tímidos e desconcertados, permaneciam diante de Si.

Com profunda tristeza, Ele previu que essa seria a experiência de incontáveis seres humanos no

decorrer da história. Quantos haveriam de se perder por não reconhecerem a própria culpa! Quantos

procurariam justificar-se, lançando seus erros sobre os outros e até mesmo sobre o Criador!

Com palavras brandas, Yahwéh procurou fazê-los reconhecer sua culpa. Somente

reconhecendo sua necessidade, poderiam ser ajudados.

Olhando para as frágeis vestes tecidas por mãos pecadoras, disse ao casal:

- Filhos, essas vestes são insuficientes, logo secando se desfarão. Vocês precisam de vestes

duradouras, que possam cobrir vossa nudez, livrando-vos da condenação. Se vocês quiserem, Eu

posso dar-lhes essa veste.

Ante as palavras bondosas do Criador, que traziam esperança, o casal prostrou-se arrependido,

despindo-se de suas ilusórias vestes, símbolos de seu fracasso. Almejavam agora as vestes da

salvação, prometidas pelo Eterno Pai.

-----*****-----

Depois de contemplar Seus filhos que, arrependidos, jaziam a Seus pés, Yahwéh tomou-os

carinhosamente pelas mãos e os levantou. Alegrava-Se em poder revelar ao homem caído o plano da

redenção.

Com ternura, Elohim passou a descerrar-lhes primeiramente os amargos resultados de sua queda,

dizendo: "Filhos, vocês selaram o destino de toda a criação nas garras da morte. A desarmonia já

permeia a natureza, procurando destruir nela todas as virtudes. O abismo no qual vocês imergiram

pela desobediência é por demais profundo para que possam ser alcançados pelo meu poderoso braço.

Assim, desligado da Fonte da Vida, não resta mais ao ser humano outra sorte além da morte."

Depois de proferir estas palavras que revelavam uma triste sorte, Yahwéh convidou o casal a

segui-Lo. Cabisbaixos, Adão e Eva, em pranto, seguiram o Criador em Seus passos de justiça, que

encaminhavam-nos ao lugar da vergonhosa queda, onde supunham encontrar o doloroso fim. Nessadolorosa caminhada, soluçaram ao lembrar seu passado de Kevod(glória) desfeito pela ingratidão. Como

doía-lhes na alma a terrível expectativa de serem reduzidos, juntamente com a criação, a frias cinzas

sob a escuridão daquela noite de pecado!

Enquanto caminhavam, contemplavam através das lágrimas as belezas adormecidas banhadas

pela luz de Elohim. Viam os inocentes animais, que não tinham consciência da grande dor Subitamente,

o casal se deteve, vencido por intenso pranto; seus vacilantes passos os haviam levado para junto de

um cordeiro, o animalzinho mais querido. Seus olhinhos de meiguice haveriam também de se

apagar?!

Enxugando-lhes as lágrimas, Yahwéh ordenou-lhes tomar nos braços o inocente cordeiro.

Envolvendo-o junto ao peito, acompanharam silentes os passos do Criador, até alcançarem o

topo do monte Sião, lugar da vergonhosa queda. Contemplando ali os restos dos rubros frutos, com

ímpeto lhes veio à mente a lembrança da sentença divina: "No dia em que dela comerdes, certamente

morrereis."

O terrível momento chegara. O homem culpado deveria sorver o amargo cálice da morte,

sucumbindo sem esperança. Consciente de sua perdição, o casal percebeu, com horror, que as mãos

que os trouxeram para a vida empunhavam agora um cutelo pontiagudo de pedra. Trêmulos,

prostraram-se e esperaram pelo cumprimento da justa sentença.

Enquanto emudecidos pelo medo, Adão e Eva aguardavam o golpe que os reduziria a pó,

sentiram o toque macio das mãos divinas que os erguiam para uma nova vida. A condenação,

contudo, haveria de recair sobre um substituto.

Colocando nas mãos de Adão o cutelo, o Criador lhe disse:

- O cordeiro morrerá em lugar de vocês.

Adão deveria sacrificá-lo.

Assustado ante a ordem de Elohim, o casal, em pranto, pôs-se a clamar:

- Senhor, o cordeirinho não, ele é inocente! Com expressão de justiça, Yahwéh acrescentou:

- Se ele não morrer, vocês não poderão ter as vestes das quais falei.

Ante a insistência do Criador, Adão, todo tremulo, num esforço doloroso, cravou no peito do

cordeirinho aquela aguda pedra. O golpe foi fatal, e o animalzinho, vertendo seu precioso sangue,

mergulhou nas trevas de uma noite sem fim.

Contemplando o cordeirinho inerte sobre a relva ensangüentada, o casal ergueu a voz e chorou.

Começavam a compreender a enormidade de sua tragédia. Quão terrível era a morte! Ela, em seu

poder, apagara toda a luz dos olhos do inocente animal.

Inclinando-Se silente sobre o corpo inerte do cordeiro, Yahwéh tirou-lhe a pele revestida de

branca lã e com ela fez túnicas para cobrir a nudez do casal. Após vesti-los perguntou-lhes com

carinho:

- Vocês entenderam o sentido de tudo isto?

Em profunda reflexão, por entre soluços de reconhecimento e gratidão, o casal exclamou:

- Ele morreu em nosso lugar, para dar-nos suas vestes!

Adão e Eva, embora compreendessem aquela realidade física, estavam longe de entender o

significado daquele acontecimento. A eles o Criador revelaria o mistério do Eterno amor.

-----*****-----

Com expressão de infinita misericórdia, Elohim passou a revelar ao ser humano o sentido daquele

doloroso sacrifício, dizendo:

O inocente cordeirinho, que hoje padeceu, simboliza um homem que haverá de nascer. Em seus

olhos haverá a mesma meiguice, o mesmo amor. Revestido por uma vida justa, como a branca lã que

cobria o cordeiro, esse homem crescerá como um renovo sobre a Terra, não tendo nas mãos as

algemas do pecado. Em sua aparência, esse homem não trará a pompa de um rei, por isso será

desprezado por muitos. Será um homem de dores, pois cairá sobre si o peso de todas as provações.

Em sua fidelidade ao reino da luz, esse homem lutará contra o inimigo usurpador, vencendo-o

finalmente. Após triunfar em suas lutas, tomará sobre si o fardo de vossa condenação que lhe causará

uma terrível morte. Ele será traspassado por causa da vossa rebelião e moído pelas vossas

iniqüidades. Será oprimido e humilhado, mas não abrirá a sua boca, como o cordeirinho que hoje

entregou-se pacificamente. Sucumbindo na morte, ele vos concederá os méritos de sua vitória.

Envolvidos por suas vestes de justiça, estareis livres da condenação. A vida eterna alcançareis assim,

mediante o sacrifício desse homem justo que haverá de nascer.

Adão e Eva, que num misto de gratidão e dor ouviram a revelação de tão grande salvação,

indagaram reverentes a respeito desse homem especial que em sua descendência haveria de surgir, a

fim de cumprir tão imenso sacrifício.

O Criador, olhando-os ternamente, movido por um amor que supera mesmo a morte, os

envolveu num carinhoso abraço e revelou:

- Eu serei esse Homem!

Surpresos ante a declaração de Yahwéh, Adão e Eva ficaram imóveis, enquanto contemplavam

o Seu meigo semblante. Compreendendo o significado do tremendo sacrifício, prostraram-se a Seus

pés e com lágrimas clamaram:

- Nós somos merecedores da morte Senhor, mas Tu és inocente e não deves sofrer em nosso

lugar!

Enxugando-lhes as lágrimas, Yahwéh com ternura lhes falou:

- Meus filhos, Eu os amo com um eterno amor. Eu morrerei em lugar de vocês.

Ante esta confirmação, o casal ergueu a voz numa lamentação dolorosa. Diziam:

- Nós matamos o Criador! Nós matamos o Criador!

Mas Elohim passou a consolar o casal com palavras de esperança, dizendo:

- Após sorver o cálice da eterna morte, Eu retomarei a vida e subirei ao céu. Intercederei ali

pelo homem perdido, concedendo a todos aqueles que, arrependidos, aceitarem meu sacrifício, as

vestes de minha vitória. Juntos, triunfaremos finalmente sobre o reino do pecado que se desfará em

cinzas sob nossos pés. Criarei então um novo Céu e uma nova Terra, onde unicamente a justiça e o

amor reinarão. Viveremos assim para sempre, num reino de perfeita harmonia e paz.

 

-----*****-----

O Criador, que acompanhado pelo casal permanecia ainda sobre o monte Sião, concluiu Suas

revelações dizendo: "O jardim do Éden ficará agora vazio. O ser humano, durante a longa noite de

pecado, vagueará em seu exílio. Não andará, contudo, sozinho: Yahwéh, também peregrino, trilhará

com o homem toda a estrada espinhosa, até poderem juntos galgar o monte perdido, triunfando

gloriosamente sobre o reino da morte. A árvore da ciência do bem e do mal monumento da rebeldia

será então desfeita, dando lugar a uma árvore gloriosa que, unindo sua copa à árvore da vida, se

tornará no arco comemorativo da grande vitória. Sobre o santo monte redimido, repousará então para

sempre o torno universal, que pelos fiéis triunfantes será nomeado: o trono de Elohim e do Cordeiro."

Adão e sua companheira, após ouvirem palavras tão confortadoras e cheias de esperança,

ergueram a voz num cântico de gratidão e louvor. Conheciam agora o infinito amor de seu Criador e

estavam dispostos a servi-lo.

Depois de consolar o casal, Elohim levou-os para fora do Éden. Não lhes foi fácil se despedir

daquele precioso lar; ali haviam despertado para a vida nos braços de Yahwéh; ali desfrutaram

momentos de pura felicidade, em companhia do Criador, dos anjos e dos dóceis animais. Uma

saudade infinita parecia envolver o casal em seus passos de abandono.

------*****-----

Foi com espanto que Satã e seus súditos presenciaram a intervenção de Yahwéh. Ficaram

abalados ante a surpreendente revelação do plano de resgate. Com raivosa frustração,

compreenderam que, se de fato a promessa divina se concretizasse, não restaria nenhuma esperança.

Depois de refletir sobre tudo o que acontecera, uma grande ira apossou-se de seu coração. Não

estava disposto a reconhecer a redenção do ser humano. Faria todos os esforços para retê-lo,

juntamente com o reino que lhe fora entregue.

Quando o casal, acompanhado pelo Criador, alcançou o vale ferido pela morte, amanhecia. Ali

Satã os enfrentou com fúria, numa tentativa de se apossar novamente do ser humano. O casal ficou

trêmulo em face do inimigo, mas as mãos protetoras de Elohim os acalmaram.

Expressando no semblante a firmeza de uma justiça que é eterna, Yahwéh silenciou as ameaças

do inimigo com as seguintes palavras: “O ser humano Me pertence, pois Eu o comprei com o meu

sangue”.

-------*****------

Ao caminharem silentes junto ao Criador, Adão e Eva observavam com tristeza os sinais da

morte estampados naquela natureza antes tão cheia de vida. As belas flores, que haviam

desabrochado para exalar aromas eternos, pendiam agora murchas; os passarinhos, que com alegria

os saudavam em cada alvorecer com os seus trinos, voavam agora distantes, fazendo soar tão tristes

cantos! Tudo estava mudado na natureza. A ciência do bem e do mal não trouxera nenhum bem ao

Universo, mas um intenso conflito espiritual e físico.

Ante as conseqüências devastadoras de sua queda, o casal, vencido por uma indizível tristeza,

prostrou-se arrependido e chorou amargamente. Elohim, que também compungido pela dor

contemplava o cenário desolador, procurou, com palavras de esperança, confortá-los. Falou-lhes

sobre o novo Céu e a nova Terra que um dia criaria, onde a paz e o amor voltariam a reinar em cada

coração. Ali viveriam sempre juntos, não trazendo na fronte as marcas da tristeza, mas coroas de

eterna vitória. Ali enxugaria as lágrimas de suas faces e essas jamais voltariam a umedecer os seus

olhos.

------*****------

Amparando Adão e Eva em seus passos, o Criador conduziu-os através de um vale ferido, até

alcançarem o sopé de uma colina. Galgaram-na em lentos passos, enquanto trocavam palavras de

ânimo e esperança. Seus pés alcançaram finalmente a relva macia que cobria o topo espaçoso daquela

colina. Era sobre aquele lugar que o casal via a cada dia o sol declinar, banhando o céu e os vales de

um vermelho vivo, como o sangue que jorrara do peito do cordeiro.

Voltando-se para o lado oriental, o casal, num misto de dor e saudade, contemplou ao longe as

paisagens que os envolveram naquele passado tão feliz. Ao divisarem o monte Sião, que majestoso

erguia-se no meio do Éden, choraram ao lembrar da queda. Quão fracos tinham sido!

O sol declinava em sua jornada, anunciando a chegada de mais uma triste noite - a primeira

fora do paraíso. Num calmo gesto, Yahwéh, mostrando-lhes o vale sobranceiro à colina, falou-lhes

com carinho: “Aqui será vossa provisória morada. Daqui podereis contemplar o paraíso que por

algum tempo permanecerá na Terra, até ser recolhido ao seu lugar de origem, no seio da Jerusalém

Celeste. Ali, protegido pela justiça, aguardará o alvorecer da vitória. Quando esse grande dia chegar,

retornaremos juntos a Sião, onde seremos coroados em Kevod(glória), num reino de eterna felicidade e paz”.

Depois de dizer estas palavras, Elohim ordenou ao casal que construísse naquele lugar um altar de

pedras, sobre o qual a cada semana, na noite que antecede o sábado, deveriam imolar um cordeiro,

pela memória de Seu sacrifício. Como sinal de Sua presença, e para a certeza de que seus pecados

seriam perdoados, Ele acenderia um fogo sobre o altar, o qual duraria toda a noite, até consumir por

completo a oferta do sacrifício.

Para que o ser humano pudesse firmar sua fé sobre as verdades reveladas, e não na

manifestação visível da pessoa do Criador, Ele haveria de permanecer invisível daquele momento em

diante. Somente em ocasiões especiais, quando se fizesse necessário Sua aparição ou a de anjos para

novas revelações e advertências, isto ocorreria.

Contemplando os Seus filhos entristecidos naquele momento em que seriam deixados

aparentemente sozinhos. Yahwéh disse-lhes com amor: "Filhos, embora vocês tenham de permanecer

neste ambiente hostil, não precisam temer, pois Eu permanecerei ao lado de vocês. Serei um

companheiro amigo nesta jornada; levarei sobre os meus ombros suas dores, seus anseios, suas lutas.

Quando, tentados pelo inimigo, estiverem a ponto de ceder, poderão encontrar abrigo em meus

braços, que sempre estarão estendidos para salvá-los e, se algum dia vocês não resistirem, e pela fúria

do inimigo forem arrastados para as profundezas do abismo, não se desesperem julgando não haver

esperança, pois Eu estarei ali para acudi-los com o meu perdão e força. Tenham sempre em mente o

significado das vestes recebidas das minhas mãos, pois elas falam da redenção que ao homem

pertence. Descansem filhos meus, nos meus braços de amor."

Depois de consolar o casal com estas promessas, o Criador, vendo que estavam sonolentos pelo

cansaço, os fez reclinar no Seu colo e, como de costume, acariciou-os docemente até adormecerem.

Ao vê-los esquecidos em seu sono, Elohim chorou ao prever o sofrimento que experimentariam ao

acordar.

----****----

Com o coração partido pela dor causada pôr aquela separação física, o Criador deixou o casal

adormecido sobre a relva, depois de beijar-lhes as faces já marcadas pelo sofrimento. Sua luz

dissipou-se ao tornar-Se invisível, dando lugar às trevas daquela primeira noite fora do paraíso.

 

No subconsciente do casal começaram a desfilar sonhos coloridos de um passado feliz.

Encontravam-se mais uma vez em meio às belezas do Éden, saciados pôr uma alegria eterna.

Agradecidos pela vida, corriam pelos campos floridos, brincando com os animais.Com felicidade

uniam as vozes aos anjos nos harmoniosos cânticos em louvor ao Criador. Tantas cenas lindas

desfilavam em seu subconsciente, mas esses sonhos tornaram-se pesadelos, fazendo-os reviver sua

tragédia. Agonizantes despertaram em meio à escuridão daquela primeira noite no exílio.

Não conseguindo conciliar o sono, o casal permaneceu em pranto até ser consolado pelo

alvorecer que revelou-lhes ao longe o saudoso paraíso.

Elohim, ainda que invisível, permanecia ao lado de Adão e Eva ali na colina. O sofrimento deles

era o Seu sofrimento, como também a esperança de um dia retornarem vitoriosos a Sião.

----****----

Ante o olhar contemplativo do Criador, revelava-se o futuro sombrio da humanidade. Com

pesar, via incontáveis criaturas perecendo sem salvação, por rejeitarem o Seu amor. Lágrimas

molharam a Sua face, ao antever o inimigo empregando toda astúcia a fim de reter os seres humanos

sob seu domínio.

Longa seria a noite do pecado, e renhida a batalha pela reconquista do reino perdido. O triunfo

da luz requereria da parte de Elohim um sacrifício imenso. Na pessoa do Messias, a seu tempo, ele

nasceria entre os homens, com a missão de pagar o preço do resgate. Por meio dEle muitos seriam

libertos das garras do inimigo: todos aqueles que O aceitassem como Salvador e Rei. Contra esses

escolhidos, o inimigo arregimentaria todas as forças procurando fazê-los cair.

Em sua visão do futuro, o Criador contemplou com alegria o triunfo final dos redimidos.

Haviam sido extremamente provados, mas em tudo foram mais do que vencedores por meio dAquele

que os redimiu das trevas para o reino da luz.

----****----

Depois de antever os sofrimentos que adviriam da grande luta, Yahwéh estendeu o olhar pelas

planícies cativas, contemplando ali as hostes rebeldes dispostas para a luta. O objetivo desses

exércitos, era apossar-se novamente do ser humano, no qual estava selado o direito de domínio sobre

o Universo.

Contrária à natureza do Criador é a guerra, mas para defesa de Seus filhos, estava disposto a

empregar o Seu poder. Sua força, contudo, somente seria empregada com justiça. Se o ser humano

recusasse essa proteção oferecida mediante o sacrifício do Messias, Elohim nada poderia fazer para

impedir que o mesmo perecesse nas garras do inimigo. Adão e Eva, contudo, haviam se arrependido

de seu grande pecado, recebendo pela misericórdia de Elohim vestes de salvação, simbolizadas pelas

peles do cordeiro sacrificado.

----****----

Justificado pela entrega do casal, Yahwéh convocou Seus poderosos exércitos para a peleja.

Em pronta obediência as hostes da luz irromperam pelo espaço sideral em direção à Terra,

circundando qual forte muralha a colina, portadora daquele tesouro redimido pelo sangue do Eterno

Rei.

Ao ser humano fora conferido no Éden o dever de cuidar da natureza : preparavam canteiros

para as flores; colhiam frutos para mantimento; dirigiam os animais em seu inocente viver,

adestrando-os para que lhes fossem úteis. Essas ocupações tinham sido para eles fontes de

desenvolvimento e prazer. Agora, apesar das adversidades, deveriam continuar realizando esse dever.

O trabalho em sí, realizado segundo as ordens do Criador, já anularia muitos ataques do inimigo.

As primeiras ocupações do casal naquela manhã, trouxeram-lhes revelações do grande amor de

Elohim, até então desconhecidas. Ao reunirem as pedras para construção do altar, experimentaram a

dor de feridas que jorram sangue, como também a fadiga que faz minar suor. Sentindo e

contemplando tudo na própria carne, amaram mais o Salvador, para quem o altar construido

prefigurava feridas maiores, que verteriam todo o Seu sangue, como também fadigas que minariam

toda a seiva de Sua vida.

O olhar de saudade e de esperança do casal de agora em diante, jamais pousaria no Éden

distante, sem discernir primeiro o altar dos sacrifícios. Esse altar, com suas manchas de suor e

sangue, permaneceria como uma lembrança da dor e do sofrimento que, depois de umedecer os lábios

dos seres humanos, transbordaria na taça do Criado

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Após contemplar pôr longo tempo o paraíso da eterna vida que estendia-se muito além daquele

altar escuro de morte, o casal experimentou o doce alívio do descanso.

Desejosos de conhecer as paisagens de seu novo lar, Adão e Eva, animados pela esperança,

saíram a passear. Seus passos conduziram-nos por caminhos de sorrisos e de lágrimas; de encantos e

desilusões; de flores que desabrochavam delicadas, banhadas em perfume, e de flores despetaladas,

tombadas murchas e sem cheiro; de animais ainda dóceis e submissos e de animais inimigos, ferozes

e ameaçadores.O casal discernia em seu passeio as divisas de dois mundos: o da luz e o das trevas; do

amor e do egoísmo; da esperança e do desespero; da harmonia e da desarmonia; da vida e da morte.

Essa visão encheu-lhes de tristeza e choraram longamente. Essa tristeza aumentaria ainda mais no

futuro, quando descobrissem o aprofundamento dessas divisas no seio de sua descendência.

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Seis arrebóis já haviam colorido os céus anunciando ao casal as noites escuras e frias que com

seu manto de trevas desfazia todas as imagens vivas, menos a esperança de revê-las coloridas no

alvorecer de luz.

Aproximava-se agora a hora do sacrifício, quando o rude altar, abrasado em sua justiça

clamaria pôr sangue. Se não lhe oferecessem a oferta, explodiria com certeza, envolvendo todo o

mundo com suas chamas; Já não haveria então alvorecer, nem esperança de Éden a florir.

Quão precioso é o sangue! Sangue é vida; vida é luz! Para um ser aquela noite tornar-se-ia

eterna, sem alvorecer! Esse ser deveria assumir a culpa de todo o mundo, dando o seu sangue ao rude

altar. Quem se ofereceria? Quem verteria a seiva da vida, até ver a última estrela apagar-se em seu

céu?!

Adão e Eva depois de refletirem por longo tempo, contemplando o berço da morte construído

pôr suas mãos, entreolharam-se inquietos com essa questão decisiva: Quem se oferecerá? Essa

indagação nascida de sua culpa, fez vibrar no profundo de suas lembranças a voz do bendito Criador

em Sua revelação de infinita bondade: -Eu os amo com um eterno amor; Eu morrerei em vosso

lugar”.

Agradecido, o casal prostrou-se reverentemente ante o sedento altar, vendo-o pela fé, saciado

pelo dom do eterno amor.

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Naquela tarde de sexta-feira, Elohim submetia o ser humano a uma tremenda prova de fé. Eles

tinham diante de si o altar de pedras, construído conforme a ordem divina, mas não havia nenhuma

ovelha para o sacrifício. Em seu anseio, lembravam-se do Éden, onde havia muitos rebanhos.

Ao verem o sol tombar no horizonte, Adão e Eva passaram a clamar a Elohim por socorro, pois

sabiam que somente um milagre poderia providenciar-lhes, naquele derradeiro momento, um

cordeiro para o sacrifício.

Aos olhos dos habitantes do Universo, o grande milagre pelo qual o ser humano clamava, já se

processava à quase uma semana: Guiado pelo Criador, um imaculado cordeiro deixara o Éden e

seguira os rastros do casal em sua caminhada para o exílio. Em sua longa jornada, esse animalzinho

teve de enfrentar muitos desafios e perigos, mas protegido e guiado por Yahwéh prosseguia em sua

missão.

Quando as sombras do anoitecer começaram a envolver a colina, o casal que vivia tão dura

prova de fé, discerniu um pontinho branco que saltitava no gramado vindo em direção deles. À

medida em que se aproximava, aquele vulto parecia falar de esperança, de vida e calor. Ao verem que

o grande milagre acontecera, correram ao encontro do cordeiro, envolvendo-o nos braços. Ele estava

fatigado, mas não descansaria: daria descanso.Estava sedento, mas não beberia: daria de beber ao

altar que clamava por sangue. Aquele cordeiro tinha vontade de viver nos braços do homem, mas

morreria, para que esse pudesse viver nos braços de Elohim. Era um perfeito simbolísmo do Redentor

que deixaria Sua Kevod(glória), vindo em busca do pecador.

As trevas de mais uma noite prefigurativa baixaram lentamente envolvendo toda a natureza em

sua prisão.Sua força, porém, seria quebrada diante do ser humano, pelo brilho de um fogo especial,

aceso pelas mãos do Eterno perdão sobre o corpo sem vida do inocente cordeiro.

Tudo estava preparado para o doloroso golpe: ato que apagaria daqueles olhinhos meigos a

última estrela de vida, mergulhando-os na fria escuridão de uma eterna noite: escuridão que geraria

luz; frio que geraria calor; morte que geraria vida - dons imerecidos; frutos do Eterno amor

oferecidos às mãos pecadores, prestes a ferir.

Em meio à silente noite o altar clama; o homem triste exclama, enquanto o cordeiro, mudo, não

reclama ao ser estendido para a morte.

As mãos que construíram o altar erguem-se agora, não para acariciar como outrora, mas para

ferir, sangrando o preço do perdão. Só um gesto, nada mais, e a estrela se apagará para sempre dos

olhos inocentes, fazendo brilhar na face culpada a luz da salvação.

Adão, trêmulo hesita em compaixão. No cordeirinho manso e submisso, pronto a morrer em

seu lugar, vê o Salvador prometido. Com o coração arrependido, num esforço doloroso, crava o

cutelo de pedra no peito do animalzinho que perece em suas mãos sem sequer dar um gemido.

O poder da noite imediatamente é quebrado pelo brilho do fogo da aceitação. Sua luz revela ao

ser humano sua trágica condição: Vendo as mãos manchadas pelo sangue inocente, o casal sente-se

culpado por aquela morte. Em pranto ajoelham-se ante o altar que já não lhes reclama sangue, mas

oferece luz, aceitando o imerecido perdão.

Erguendo-se, o casal contempla demoradamente o corpo ferido do pobre cordeirinho, sem

poder agradecer-lhe pela riqueza concedida em troca de seu tão rude golpe.

Banhados pela suave luz do sacrifício, Adão e sua companheira permanecem silentes a meditar,

até serem vencidos por um profundo sono. Recostando-se ao solo coberto de relva macia, adormecem

docemente sob os cálidos raios do perdão, certos de que seu brilho e calor perdurariam até serem as

trevas daquele sábado desvanecidas completamente pelo fulgurante sol.

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A luz do cordeiro, desde que fora acesa sobre o altar naquela noite, permanecia em constante

guerra com as trevas. Por várias vezes crescia em brilho, afugentando para distante a fria escuridão,

banhando a natureza com os seus raios de vida. Por vezes, as trevas trazendo o seu vento frio, quase

bania por completo a chama. Essa, todavia, num grande esforço alimentava-se do sangue do cordeiro,

lançando ao alto sua ardente chama, inundando de luz e calor tudo aquilo que havia ao redor.

O conflito entre a luz nascida do sacrifício e as trevas naquela noite, descerravam aos fiéis do

Universo muitas lições importantes - verdades que ocupariam suas mentes por toda a eternidade.

Naquela chama, ora ardente em seu brilho, ora fustigada pelos ventos da noite, os fiéis viam uma

representação do conflito milenar entre o bem e o mal; conflito que sem trégua se estenderia até o

alvorecer eternal. Yahwéh, no penhor de Seu futuro sacrifício, acendera em meio das trevas, a luz da

verdade, e essa seria mantida acesa no coração do ser humano, em virtude de Seu sangue que seria

derramado para remissão da culpa. Contra essa luz, o inimigo arremessaria todos os ventos frios da

maldade, banindo do coração de muitos o seu doce brilho. Quantos jazeriam perdidos por recusarem

a luz do perdão Eterno, ficando envoltos pelas trevas da escura noite!

Depois de longas horas de combate, surge no céu os sinais do amanhecer. A escuridão que com

ira havia lançado seus ventos sobre a imorredoura chama procurando bani-la, torna-se confusa ante

os sinais do amanhecer. O céu tingido de um vermelho vivo, faz lembrar o sangue que jorrara do

peito do cordeiro para que a chama do perdão pudesse iluminar a noite humana. Em meio ao colorido

de sangue, surge no horizonte o fulgurante sol, trazendo em seus aquecidos raios o sabor da vitória,

envolvendo tudo com sua vida. O alvorecer em seu saudoso afeto, acaricia o distante paraíso, levando

de seu amado seio em sua brisa matinal o aroma da saudade, numa mensagem de consolo e esperança

às criaturas sofredoras do vale da morte.

Banhados pelos cálidos raios e pela brisa da esperança, o casal desperta em mais um sábado,

cujo simbolismo aponta para o descanso no reino de Elohim, ao culminar o grande conflito entre a luz e

as trevas.

Para além daquele altar coberto de cinzas, Adão e Eva contemplam demoradamente o saudoso

paraíso. Ainda que distantes em seu exílio, alegram-se com a certeza de que o sacrifício do Messias

fará raiar para eles o sábado dos sábados: aquele de lágrimas para sempre banidas; de sol sempre a

brilhar num límpido céu; de cordeiros sempre vivos a brincar pelo gramado; dia sem anoitecer,

quando não haverá mais altar coberto de sangue e cinzas. Suspiram por esse dia de Kevod(glória), quando

Elohim Se fará eternamente visível, levando nas mãos as marcas de Seu infinito amor pelos Seus

filhos.

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Antes da queda, o ser humano, assim como a todas as hostes celestiais, aprendia aos pés do

Criador que com paciência ensinava-lhes os tesouros da sabedoria contidos no vasto compêndio da

natureza.Tudo no Universo, desde o ínfimo átomo ao maior dos mundos, testificava em sua perfeita

existência do caráter do Eterno Rei. Muitos ensinamentos, porém, permaneceram ocultos nas páginas

desse grande livro no período que antecedeu à queda: Eram como as estrelas que, ocultas durante o

dia, revelam seu brilho ao baixarem as sombras da noite.

Tendo a natureza cativa, o inimigo, no intento de bloquear a revelação da Eterna Sabedoria,

introduziu nela borrões de egoísmo, destruição, infelicidade e morte. Não sabia que esses borrões

 

fariam evidenciar na face da criação a profundidade da justiça e amor de Elohim, levando os fiéis a

amá-Lo e reverenciá-Lo ainda mais.Para o casal, assim como para todos os filhos da luz, a natureza

ferida rompeu o seu véu, revelando novos aspectos da bondade do Criador ocultos até então.

Adão e Eva que estavam acostumados às flores eternas no paraíso, aquelas que não as viram

desabrochar, viam-nas agora surgirem em tenros botões, em meio às ameaças de espinhos prontos a

ferirem. Essas tenras flores, sem importarem-se com os espinhos, exalavam perfumes suaves de

louvor e gratidão, jamais se cansando de agradar o ambiente. Quando fustigada pelos ventos frios da

noite, essas flores não se ressentiam, mas ofereciam seu aroma, que transformava a fúria dos ventos

em brisas perfumadas de um alvorecer.

Movidos por profunda gratidão, o casal acompanhava atentamente o ministério de amor

daquelas flores que, jamais se cansavam de abençoar, oferecendo sua beleza e perfume como alívio

para aqueles que eram feridos pelos rudes espinhos.

Aquelas flores singelas e puras, depois de mostrar em sua curta vida que o perdão e o amor são

mais fortes que todos os ventos e espinhos, num último esforço de comunicar alegria, exalavam seu

perfume, tombando murchas e sem vida sobre o solo frio. Ali, esquecidas, transformavam-se em

insignificante pó que era espalhado pelo vento.

A morte das flores, ainda que parecesse fracasso, revelou ao casal o mistério do renascimento

da vida: Morrendo, as flores davam vida aos frutos que, por sua vez, depois de servirem de alimento,

doavam suas sementes cheias de vida. Na morte dessas sementes, renascia o milagre da vida,

multiplicando as árvores com suas flores prontas a repetir o ensinamento do amor e do sacrifício.

A natureza, portanto, embora maculada pelo pecado, revelava o mistério oculto do plano da

redenção. Cada flor a desabrochar em meio aos espinhos, em sua curta vida de amor, era um símbolo

do Salvador que nasceria entre os espinhos da maldade, para com o seu perfume consolar o coração

dos aflitos. Semelhante à flor, o Messias depois de provar que o amor e o perdão são mais fortes que

todos os ventos do ódio; que a verdade e a justiça do reino de Elohim são maiores que todos os

enganos e injustiças do reino do inimigo, verteria a seiva de sua vida, morrendo para redimir os

culpados.

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Consolados pelas revelações da natureza, Adão e sua companheira, alunos na escola do

sofrimento, aprendiam a cada dia a amar mais o Salvador.Cresciam em sabedoria, humildade e

santidade. Todas as virtudes destruídas pelo pecado, renasciam no coração.

Com ânimo o casal dedicava-se ao labor edificante: plantavam jardins que pelo poder de Elohim

enchiam-se de perfumadas flores e deliciosos frutos. Seu lar no exílio tornava-se num refúgio para os

animais perseguidos dos vales.

A colina, sob a proteção dos anjos da luz, tornou-se numa miniatura do Éden distante. Entre os

animais reunidos e domados com amor, haviam muitas ovelhas. Adão e Eva não conseguiam pousar

os olhos sobre esses dóceis animais destinados ao sacrifício, sem provar no profundo da alma um

misto de dor e gratidão. Na noite que antecedia cada sábado, Adão tinha, por ordem do Criador, de

repetir o doloroso ato. Quanta amargura e arrependimento sobrevinham ao casal ao baixarem as

trevas da noite do sacrifício! Quanto consolo lhes trazia a chama do perdão que jamais deixara de

brilhar sobre o altar, naquelas noites prefigurativas!

O decisivo valor do sacrifício, para que a vida pudesse florescer sob a proteção divina, levou o

casal a valorizar imensamente o seu pequeno rebanho.Cada sexta-feira, contudo, passou a trazer

consigo, além da dor, uma inquietação: - Quem doará seu sangue ao altar quando a última ovelha

perecer?

Aos olhos do casal maravilhado, aconteceu enfim o milagre do amor, renovando-lhes a

esperança de viverem outras semanas sob o brilho da chama do perdão: uma ovelha, a mais gorda

delas, passou a sangrar como em sacrifício; De sua dor, nasceram-lhes quatro cordeiros.

Cheios de alegria e gratidão, Adão e Eva prostraram-se ante o Salvador invisível, tendo nas

mãos aquelas novas criaturas que traziam em seus olhos a mesma meiguice e disposição para o

sacrifício.

Seguros de que novos milagres multiplicariam seus dias, o casal uniu sua voz como outrora,

num cântico de gratidão e adoração ao Criador que, como os cordeiros nasceria também da dor para

cumprir em sua vida o maior de todos os sacrifícios, para salvação da humanidade.

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Yahwéh, embora invisível aos olhos de Seus filhos humanos, permanecia bem próximo,

acompanhado por um exército de anjos, em incansável ministério de cuidado e proteção. O casal

estava inconsciente de que a doce calma e paz reinantes naquela colina, bem como toda a sua

prosperidade, eram frutos de tão intensa luta. Se os seus olhos fossem abertos para as cenas que

ocorriam invisíveis, ficariam tomados de espanto; Quão terrível era o inimigo e suas hostes em suas

constantes investidas com o propósito de arruinar o ser humano, arrebatando-o das mãos do Criador.

Vendo que o emprego da força não lhe redundaria em vitória, o inimigo em sua astúcia

idealizou uma armadilha com a qual poderia enlaçar o casal. Reunindo os seus exércitos, revelou-lhes

seus planos dizendo:

- Ao ser humano foi ordenado sacrificar cordeiros, como símbolos do Salvador vindouro. Os

tentaremos a olhar para esses símbolos como portadores de perdão e vida, fazendo-os aos poucos

esquecer a realidade do sacrifício prometido por Elohim. Será um processo lento, mas de segura

vitória”.

O Criador conhecendo o perigo dessa armadilha, entristeceu-se, pois ao olhar para o futuro,

pode ver tantos filhos Seus sendo desviados do caminho da salvação. Quantos se apegariam aos

símbolos julgando encontrar neles virtude!

Elohim em seu amor e cuidado, não os deixaria inconscientes do perigo que os ameaçava. Sabia o

quanto Adão e sua companheira amavam aqueles cordeiros que, ao morrerem sobre o altar,

ofereciam-lhes luz e calor. Facilmente poderiam ser induzidos a vê-los como fontes de vida e luz,

passando a reverenciá-los.

----****----

Muitas semanas já haviam passado, trazendo consigo as noites de dor e sacrifício, seguidas

pelos dias de esperança e saudade dAquele Pai carinhoso, o qual depois de fazer-lhes promessas e

enxugar suas lágrimas, tornara-Se invisível diante de seus olhos. Cada dia que passava, trazia para o

casal novo fardo de saudade, fazendo-os indagar a cada entardecer: - Quando beijaremos novamente

Sua face? Quando seremos envolvidos por Seus braços, caminhando sob a luz de Seu amor?! Quanta

saudade sentiam daquelas noites edênicas, quando adormeciam no colo macio de seu Eterno Pai!

Mais uma semana de trabalho e lições aprendidas estava findando. O sol em seu declinar

anunciava outra noite de arrependimento e de sangue inocente a banhar o altar.O silente casal estava

longe de imaginar que naquela noite, o doloroso golpe que sempre era seguido pelo fogo, revelaria-lhes

a face bendita do Pai.

Com as mãos trêmulas, Adão ergue o cordeiro que, mudo, não faz nenhuma resistência ao ser

deposto sobre o altar. Lágrimas rolam em seu rosto ao pensar que mais um inocente animal

mergulhará nas odiadas trevas da morte, para com seu sangue gerar a luz. É doloroso sacrificar, mas

não há outro caminho de salvação. Unicamente através do sangue derramado do cordeiro, poderão

viver para contemplar no futuro a face do Pai.

Num penoso esforço Adão faz cair aquela pedra pontuda sobre o cordeirinho que, num gemido

de dor derrama o seu sangue. Uma Luz gloriosa logo bane as trevas inundando toda a colina com

seus raios de vida. Através das lágrimas o casal então contempla em meio ao fogo do altar, o Criador.

Num gesto de amor, Elohim abre os Seus braços como outrora, e com um sorriso caminha para o

tão almejado abraço. Sem encontrar palavras que expressem sua imensa saudade, o casal lança-se ao

Seu peito e chora amargamente Eterno Pai, comovido, também chora, mas procura consolar seus

filhos, com seu doce sorriso.

Com emoção o casal contempla a face do Pai, envolvendo-a com beijos e carinhos. O amor

deles por Ele fora intensificado pelo sofrimento.

Gratos e felizes, caminham ao lado do Criador, mostrando-lhe os jardins carregados de flores e

frutos. Contam-lhe das lições aprendidas junto à natureza; Mostram-Lhe o rebanho domado pelo

afeto.

Iluminados pela suave luz do Eterno Pai, o casal assenta-se aos Seus pés como outrora, para

ouvir Seus ensinamentos. O Criador, olhando-os com ternura, passa a adverti-los do perigo. Orienta-os

a respeito dos sacrifícios de cordeiros, que eram importantes no sentido de manterem sempre em

mente a certeza de um Salvador vindouro que, como os cordeiros, seria sacrificado para redenção

dos pecadores. Os cordeiros, contudo, não possuíam em si poder para perdoar as culpas, pois

consistiam apenas símbolos do Messias Rei.

Depois de serem conscientizados do perigo de apegarem-se aos símbolos buscando encontrar

neles a salvação, o casal recebeu a incumbência de transmitir essas orientações aos seus

descendentes.

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Depois de advertir o ser humano, o Criador pousando o olhar sobre as ovelhas que jaziam

adormecidas junto aos seus filhotinhos, exclamou: - Como são belos os cordeirinhos! O casal, num

misto de felicidade e dor acrescentou:- Eles quando acordados saltam de prazer, esquecidos de que ao

nascerem e ao morrerem causam tanta dor!

Depois de contemplar os cordeirinhos, Elohim fitou o casal com ternura, revelando-lhes algo que

os surpreendeu e alegrou:

-Quando desses cordeiros trinta e seis houverem subido ao altar, os vossos braços envolverão

o primeiro filho que ,como eles surgirá também da dor. Esse filho em sua infância lhes trará alegria

saltando como os cordeirinhos em vosso lar. Devereis instruí-lo com dedicação nas leis da

harmonia, mostrando-lhes o caminho da redenção. Como vocês, ele será livre para escolher o rumo

a seguir. Aceitando o ensinamento, sua vida será vitoriosa; rejeitando-o, caminhará para a derrota.

Adão e Eva ouviram com alegria a promessa divina, mas ao mesmo tempo experimentaram no

profundo do ser um temor ao conscientizar-se da responsabilidade que teriam. Sabiam que Satã faria

todos os esforços para levar a criança prometida à perdição.

Era noite alta quando o Criador, depois de acariciar seus filhos, os deixou adormecidos sobre o

gramado macio.

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Depois da promessa, cada cordeirinho levado ao altar fazia pulsar mais forte no ventre materno

a esperança da alegria que em breve alcançariam.Trinta e seis finalmente baixaram às trevas

cumprindo o tempo determinado pelo Criador em que a primeira criança receberia a luz.

Com as mãos ainda manchadas pelo sangue do sacrifício, Adão amparou sua esposa que, aos

pés do altar prostrou-se vencida pela dor que lhe trouxe o primeiro filho. A pequena criança não

trazia na face a alegria da liberdade, mas o choro de sua prisão; Esse pranto duraria a noite inteira,

não fosse o brilho daquela chama aquecida de esperança que, logo atraiu a atenção de seus olhinhos

atentos. Envolvendo-o com alegria, Eva consolada de seu sofrimento, disse: “Alcancei do Senhor a

promessa”. Deu-lhe então o nome de Caim.

Depois de envolver o filhinho com as peles macias de um cordeiro, o casal permaneceu

acordado a meditar. Muitos eram os pensamentos que ocupavam suas mentes: pensamentos de

alegria, de gratidão, de esperança e de anseio pelo senso da responsabilidade que agora pesava sobre

seus ombros.

Acariciando com ternura a pequena criança, o casal amadureceu em sua experiência,

compreendendo melhor o misterioso amor de Elohim que, para salvar Seus filhos, dispôs-se a morrer

em lugar deles.

Adão e Eva não estavam sozinhos em suas reflexões: todos os seres inteligentes do Universo

consideravam com interesse sobre o futuro daquele indefeso bebê que no íntimo trazia um reino de

dimensões infinitas, a ser disputado pelos dois poderes em luta. Quem seria o Senhor de sua vida?!

Trilhariam os seus pés o caminho ascendente que leva à vida, ou a estrada descendente que termina

no abismo de uma eterna morte?!

Vendo a criança esboçar o seu primeiro sorriso, o casal subtamente lembrou-se da promessa do

Criador que era confirmada em cada sacrifício : Ele nasceria da mulher como criança, com a missão

de redimir a humanidade. Não seria Caim já o cumprimento da promessa? O infante com seus

olhinhos brilhantes de alegria se parecia tanto com os cordeirinhos que nasciam e cresciam com a

missão de serem sacrificados! Considerando assim, o casal apertando o filhinho junto ao peito

começou a chorar sem consolo. Quão terrível, seria oferecer seu filhinho inocente ao rude altar!

Para o casal compungido pela dor, surgiu em fim o brilhante sol fazendo reviver com seus

cálidos raios as promessas que apontavam para um Salvador que, ainda no futuro, nasceria também

da dor para cumprir o eterno plano de redenção.

----****----

Abençoada pelo Criador e envolvida pelo amor e cuidado dos pais, a criança se desenvolvia

em sua natureza física e mental, tornando-se a cada dia alvo maior de uma incansável batalha entre as

hostes espirituais.

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Adão e Eva, ansiosos por fazê-lo compreender as verdades da salvação, tomavam-no nos

braços a cada alvorecer e, à beira do altar lhe apontavam o Éden distante, contando aquelas histórias

de emoção as quais o pequeno Caim ainda não conseguia compreender. Qual foi a alegria daqueles

pais, ao vê-lo numa manhã de sol, apontar com a mãozinha para o lar da saudade, pronunciando o

nome sagrado do Criador. Emocionados tomaram-no nos braços, pedindo-o para repetir esse sublime

nome que, qual chave de felicidade, sempre descerrava-lhes um paraíso de eterno amor.

Todas as hostes da luz inclinaram-se com alegria ao ouvir a pequena criança pronunciar o nome

do Eterno Rei.

----****----

As semanas iam se passando trazendo consigo novas vítimas para o altar, e o pequeno Caim,

alvo da atenção e cuidado de Elohim, das hostes da luz e daqueles amantes pais incansáveis na missão

de instruí-lo, agrupando suas poucas palavras, sempre curiosos com tudo passou a interrogar.

O dia declinava quando o menino, que jazia ao colo de sua mãe, perguntou-lhe:

-Mamãe, por que o sol sempre vai-se embora, deixando a gente no frio da escuridão?”

Eva, surpresa contemplou seu filho, sem encontrar palavras para responder-lhe a indagação que

trouxe-lhe à lembrança o passado de felicidade destruído por sua culpa. Após um momento de

silêncio, beijando a face do pequeno Caim, disse-lhe:

- Filhinho, um dia o sol virá para ficar, trazendo em seus raios um mundo só de harmonia; já

não haverá animaizinhos a brigar, nem cordeirinhos a morrerem sobre o altar”

O pequeno Caim desejando ver raiar logo esse dia, disse para sua mãe:

-Mamãe, amanhã o sol nascerá no paraíso; Pede para ele ficar! Assim poderei brincar,

brincar, e nunca mais dormir”.

Ansioso em ver raiar o dia que não teria fim, o pequenino Caim somente adormeceu após fazer

sua mãe prometer que pediria ao sol para permanecer .

----****----

Um novo dia de sol radiante a caminhar pelo céu surgiu para Caim, trazendo em seus raios

alegria e calor. Enquanto brincava no jardim, seus olhinhos curiosos voltavam-se muitas vezes para

o sol que parecia acariciá-lo com um sorriso de esperança.Vendo-o, porém, caminhar em direção do

ocidente, o pequeno correu para sua mãe, perguntando-lhe:- Mamãe,ele prometeu ficar?”Eva,

tomando-o nos braços, sorriu-lhe procurando fazê-lo compreender com palavras simples, enquanto

apontava-lhe o paraíso distante, a história da redenção.O sol viria um dia para ficar.

Caim, insatisfeito com as palavras da mãe, demonstrou não ter paciência para aguardar esse dia

que jazia em distante futuro. Repetia em pranto: -”Eu quero o sol hoje , amanhã não!”

Eva, pacientemente, procurou acalmar seu filho, falando sobre a luz de Elohim, que pode tornar a

noite em dia. Ele o amava e poderia encher seu coraçãozinho de brilho, de alegria e paciência.

Poderia assim, aguardar feliz o dia de seus sonhos.

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Balançando a cabecinha em rejeição ao consolo da mãe, Caim proferiu entre soluços:-”Eu

quero o sol porque eu posso vê-lo, Yahwéh não”.

Como uma seta dolorosa as palavras de rebeldia de Caim penetraram no coração de Eva,

fazendo-a chorar amargamente. Os fiéis em todo o Universo uniram-se nesse pranto.Uma tristeza

infinita pairava sobre o coração do Criador rejeitado. Esboçavam-se nos gestos de Caim os primeiros

passos pelo caminho descendente da rebeldia.Quantos o seguiriam rumo à morte!

----****----

Inconsciente da tristeza que abatera-se sobre o reino da luz, Adão, ao ver o sol declinar no

horizonte, deixou seu trabalho no campo rumando-se para casa.Tinha um cântico no coração ao

caminhar para mais um encontro com os seus.

Ao aproximar-se do altar, viu junto dele sua companheira prostrada em pranto.O pequeno Caim

jazia também ali a chorar .Tomando-o nos braços, Adão perguntou-lhe com anseio: -”O que

aconteceu meu filho?” Caim tristemente respondeu: -”Mamãe deixou o sol ir embora”

Amparando o filho com seu braço esquerdo, Adão pousou sua mão direita sobre o ombro de

Eva, mas não encontrou palavras para consolá-la. A frase dita por seu filhinho, pareceu rasgar-lhe o

coração, fazendo-o reviver a queda.

Depois de refletir, Adão sentindo-se culpado respondeu para Caim:- ”Foi o papai quem deixou

o sol ir embora meu filho!”.

Com soluços de grande grande tristeza, Adão uniu-se a eles no pranto.A lembrança do

Salvador, contudo, o consolou. Enxugando suas lágrimas e as de seu filhinho, disse-lhe com ternura:-

”Podemos nos alegrar filhinho ,pois Elohim prometeu fazer o sol para sempre brilhar no céu; ele será

como o fogo que surge no altar,banindo as trevas da noite”.

Com os olhinhos voltados para o último clarão do arrebol, Caim permaneceu sem consolo.

Naquele entardecer, não houve como de costume um alegre jantar.A pequena família,

entristecida, permaneceu silente a meditar por longas horas, até sonolentos adormecerem sob a luz

das estrelas.

----****----

O inimigo e suas hostes, em sarcasmo de maldade zombaram naquela noite do sofrimento de

Elohim e Seus fiéis. Repetindo as palavras de rebeldia do pequeno Caim, ufanava-se como vencedor.

Num desafio ao Criador pronunciou : - Veja como esse meu pequeno escravo te rejeita! O mesmo se

dará com todos aqueles que hão de nascer.Estou certo de que o direito de domínio jamais sairá de

minhas mãos.

Todas as hostes rebeldes repetiram em eco as afrontas do enganador, humilhando os súditos da

luz que sofriam do lado de Yahwéh.

Com suas afrontas, o inimigo procurava fazer Elohim desistir de Seu plano de redenção. Se isso

acontecesse, seu reino de trevas se estenderia por toda a eternidade , suplantando o domínio da luz.

 

Em resposta ao desafio do inimigo, Yahwéh afirmou solenemente : - Ainda que todos me

rejeitem , Eu cumprirei a promessa.

----****----

O Criador não suportava o pensamento de ver o pequeno Caim caminhar para a perdição. Por

ele intercedia a cada dia, oferecendo ante a justiça o Seu sangue que verteria. Anjos poderosos

guardavam-no a cada momento, espancando as trevas espirituais que o acercavam procurando tornálo

insensível aos benefícios da salvação , que eram ilustrados pelos símbolos.

Adão e Eva em seu incansável ministério de amor, todos os dias ensinavam a Caim as lições

espirituais ilustradas na natureza.Em cada sábado procuravam firmar em sua mente juvenil a

esperança de uma vida eterna, que seria fruto do sacrifício do Salvador.Ele depois de viver uma vida

sem pecado, morreria como um cordeiro , para poder expulsar para sempre as trevas.

Caim comovia-se às vezes com os ensinamentos , mas quase sempre questionava vacilante.

Revoltado perguntava: - Por que Samael foi se rebelar?!

Certa noite, recusando ouvir os conselhos de seus pais, os acusou de todo o mal dizendo: -Se

agora não temos um sol a brilhar, é por culpa de vocês.”

----****----

A contemplação do Éden distante banhado em sol fez nascer no coração juvenil de Caim

pensamentos de aventura. Ele começou a pensar : “Este paraíso não está tão longe como afirmam

papai e mamãe.Por que esperar e sofrer tanto tempo?! Ele é tão belo! É dele que surge todos os dias o

sol! Se o conquistarmos, será fácil deter a luz em sua nascente; Assim viveremos num paraíso de

eterno sol.

As idéias de aventura de Caim, enchiam o coração de Adão e Eva de tristeza.Viam que seu

interesse era somente pelo tempo presente; ele sonhava com um paraíso de felicidade e luz

conquistado por sua força.Em seus planos, não sentia necessidade de um Salvador; - Para que, se era

tão jovem, inteligente , cheio de vida e ideais?- dizia.

----****----

Os dias de lutas, intercessões e sacrifícios pelo destino de Caim foram se passando.

Oportunidades preciosas surgiam em cada dia diante dele para se apegar ao Salvador, mas a todas

rejeitava, uma por uma. Em sua incredulidade chegou a duvidar da existência desse Elohim, o qual

jamais vira.

Aos pais que, aflitos mas sempre com paciência, procuravam livrá-lo da perdição para a qual

estava caminhando, prometeu um dia , após sorrir com ar de incredulidade, crer no Criador e em Seu

plano de salvação, caso Ele se tornasse visível na hora do sacrifício.

Com ardente fé, aqueles pais passaram a clamar ao Eterno. Sua presença visível poderia, quem

sabe, salvar aquele filho querido que a cada dia tornava-se mais rebelde.

 

----****----

O Criador ouviu o clamor dos pais aflitos. Embora soubesse que Sua aparição dificilmente

quebraria no coração do jovem Caim seu espírito rebelde, estava disposto a cumprir o pedido.

Estenderia os braços amigos a Caim, procurando com amor conquistar-lhe o coração. Como conhecia

os seus anseios e sonhos de aventura, facilmente poderia identificar-Se com ele, cativando-o, pois era

também Alguém que sempre carregara no peito sonhos de aventura; Não fora a criação do Universo

uma grande aventura?! Não fora o Seu sonho vê-lo cravejado de sóis fulgurantes, iluminando bilhões

de mundos com o seu brilho?! Não era também o Seu maior atravessar o vale da morte, em busca

da conquista do Éden distante, prendendo para sempre o Sol em seu céu?! Tinham muita coisa em

comum!

Caim estava curioso naquela sexta-feira. Na face dos pais, via ânimo e alegria, frutos de uma

fé grandiosa. Incentivado por essa expressão de confiança, o jovem passou a ajudá-los nos

preparativos para o santo sábado.

O Sol finalmente esquivou-se rolando para o poente, deixando como de costume seu rastro de

saudade que anunciava medo. Em meio às trevas, Caim discerniu o vulto branco do cordeiro sendo

erguido para o altar pelas mãos do pai - esse incansável sacerdote que sempre estava implorando ao

Criador pela salvação de seu amado filho.

Com a mão erguida, Adão preparava-se para o golpe que poderia, quem sabe, quebrar no

coração de Caim sua incredulidade, fazendo nascer num só momento a crença na salvação. De seus

lábios escapa-se então a prece da fé: - Pai Eterno, ouve o meu pedido; Meu filho precisa de Ti!

Somente um olhar Teu poderá conquistá-lo. Venha Senhor!!

Esta oração sincera caiu nos ouvidos daquele filho comovendo-o. Somente a prece já seria

suficiente para convencê-lo da existência real de um Salvador.

Enquanto enxuga as lágrimas da emoção, Caim estremece ao ouvir o ruído do golpe da morte.

Tudo era solene naquele momento; Viria o Criador do mundo em resposta à oração do amor?! Como

O encararia em sua incredulidade?!

Um forte brilho envolveu logo toda a colina banhando também o vale oriental .Os olhos

arregalados de Caim pousaram então nos olhos amáveis do Criador, que trazia na face um brilho

superior ao do sol, mas não ofuscante. Contemplando-O com admiração, Caim exclamou: -Ele é

jovem como eu, e se parece com o Sol!

Adão e Eva, comovidos pela grande saudade tinham vontade de saltar ao peito do Salvador e

beijá-Lo, mas deixaram que Ele Se encontrasse primeiro com Caim. Com alegria , viram o precioso

filho envolvido nos braços do grande amigo, que era parecido com o seu astro.

Depois de longo abraço, Elohim abraçou e beijou também o querido casal, companheiros no

sofrimento.

Com alegria, saíram a passear pelos jardins da colina. Ao centro iam o Criador e Caim,

ladeados por Adão e sua companheira. Quanta felicidade experimentavam nesses passos! Estavam

completos.

Caim, conquistado pela afeição do Pai Eterno, mostrou-Lhe seus animais de estimação e seu

pequeno jardim carregado de lindas flores. Como estava encantado por vê-los coloridos naquela noite

desfeita pelo brilho do Criador, como sob a luz do dia! Parecia até mesmo que o Sol baixara a eles.

Ao pensar no Sol, Caim como o amava muito, passou a falar sobre ele dizendo:

 

Como ele é belo e bom! Quando ele vai-se embora, deixa em suas lágrimas de sangue um

sentimento de tristeza e temor .Tudo desaparece em sua ausência : os animais, o jardim; até os

passarinhos silenciam os seus cantos! ...Mas basta ele dizer que vai aparecer, tudo se enche de

encanto; A natureza se desperta de mansinho, parecendo ainda temer as trevas, mas quando as vê

fugir , fica alerta e canta; Os animais, os passarinhos, o jardim,... tudo volta a viver feliz! Mas, esta

felicidade sempre acaba!!!

Após falar estas palavras, Caim fitando o Criador indagou curioso:

- Papai sempre diz que foi você quem criou o Sol. É verdade?

Com um sorriso de sinceridade Elohim respondeu-lhe que sim.

-Quando Você o fez no princípio, continuou Caim, ele já fugia para o poente?

-Ele nunca foge, respondeu o Eterno, é o mundo quem foge dele.Ele fica triste com essa

ingratidão!

--Mas como? Perguntou Caim, contemplando curioso Sua face de luz .

Com palavras carinhosas, Elohim passou a contar-lhe a história de Lúcifer que, em sua

ingratidão baniu de seus olhos e dos olhos de uma multidão de criaturas, o brilho de Sua face - o

Verdadeiro Sol. Depois de assim agir, iludiu a muitos dizendo que foi o Sol quem fugiu deles. Com

sua astúcia, continuou o Criador, o anjo rebelde procurou arrastar o ser humano para as trevas, e

conseguiu. O Sol naquele dia, chorou tantas lágrimas de sangue, que banhou todo o céu. Em seu

último suspiro de luz, porém, ele prometeu ao mundo já tomado pelas trevas, voltar um dia a brilhar

para sempre, enchendo todo o seu seio de vida.

Após falar-lhe estas palavras, o Eterno fitando aquele jovem, com expressão de tristeza nos

olhos concluiu dizendo: - Hoje, o anjo rebelde promete a seus seguidores que irá com sua força

deter o sol, mas ele jamais conseguirá realizar esse plano, pois não possui o laço que poderá detê-lo

: o amor.

Cabisbaixo, Caim ouviu dos lábios do Criador essa história de promessas, a qual já se cansara

de ouvir de seus pais. Essa história não lhe dava prazer, pois mostrava uma noite longa de sacrifícios

sobre o altar, e de um Salvador a perecer em dor. Em realidade, Caim não via razões para tudo isso.

Por que não banir logo o sofrimento colorindo as trevas de luz?!

Num esforço para conquistá-lo, o Eterno com muito amor fitou aquele jovem insatisfeito, e

disse-lhe que, somente o sangue de Seu sacrifício poderia fazer o Sol para sempre brilhar, num reino

de eterna felicidade e paz. Não havia outro caminho para essa conquista. Por isso, deveria ser

paciente, descansando-se sob o Seu cuidado.

Após conversar por longo tempo com Caim, na tentativa de fazê-lo reconhecer sua necessidade

de salvação, Yahweh voltando-Se para o casal, passou a consolá-los com a promessa do nascimento

de outro filho. Mais trinta e seis sacrifícios seriam contados, e seus braços envolveriam o segundo

filho. Nasceria também da dor, mas traria nos olhos o brilho e o consolo da salvação. O seu

testemunho de fidelidade ficaria perpetuado por todas as gerações, no símbolo de um altar coberto de

sangue.

----****----

 

As semanas iam se passando, trazendo ao casal novas de alegrias e tristezas : de um coração

cheio de vida a pulsar no ventre de Eva, e de um vazio com cheiro de morte a crescer no coração do

jovem Caim. Ainda que ele tenha ficado deslumbrado ante a manifestação de Elohim, em nada essa

aparição mudou-lhe sua maneira arrogante de pensar sobre o sentido da vida. Ele não via sentido nos

sacrifícios oferecidos no altar. Nos dias que seguiram o seu encontro com o Criador, ele

argumentava com os seus pais dizendo: - Se eu fosse poderoso como Yahwéh, eu jamais me

submeteria ao sacrifício para reconquistar o reino perdido. Ele é forte, e brilha como o sol. Ele

poderia com uma só palavra expulsar todas as trevas, devolvendo-nos o paraíso. Para que tanto

sofrimento?! Com essa argumentação, Caim supunha-se mais sábio que o Criador. Quem sabe, num

próximo encontro teria oportunidade de aconselhá-Lo.

Dessa forma, o jovem Caim aprofundava-se cada vez mais no abismo do orgulho e do egoísmo

- lugar de ilusões para onde se ia, pensando estar caminhando para a vitória. Não fora Lúcifer

juntamente com um terço das hostes celestes atraídos por essa mesma ilusão?! O bondoso Elohim ,

todavia, não selaria o destino de Caim sem antes procurar de todas as formas salvá-lo da ruína eterna.

Essa graça imerecida, fruto do Eterno amor, seria concedida a todo o ser humano que viesse a nascer

neste mundo.

----****----

As trinta e seis semanas anunciadas pelo Criador cumpriram-se, trazendo a noite do santo

sábado, na qual subiria ao altar o cordeiro da promessa - aquele que mergulhando nas trevas, faria

brilhar nos olhos de Abel o consolo da luz. Semelhante ao cordeiro, Eva sentia naquela noite a dor

de dar a luz. Adão, com suas mãos ainda banhadas pelo sangue do sacrifício, envolveu o frágil corpo

daquela criança com as peles macias de uma ovelha - vestes que simbolizavam a justiça protetora do

Salvador. Contemplando- o acalentado em seus braços, Adão disse-lhe com carinho: “Filhinho, o teu

pai é Elohim”. Deu-lhe então o nome de Abel.

Quando no alvorecer Caim testemunhou a alegria de seus pais pelo nascimento daquele filho,

foi possuído por sentimentos de ciúmes e mágoas.Com grande ira disse-lhes que, por sua vida,

somente os vira chorar. Seria esse pequeno intruso o único digno de suas alegrias?!

Adão e Eva com carinho procuraram mostrar a Caim o quanto o amavam, e que o nascimento

de Abel não devia entristecê-lo, mas alegrá-lo pelo privilégio de ter um irmão que lhe seria amigo e

companheiro; Poderiam trabalhar unidos na transformação do mundo num paraíso de paz.

----****----

Abel, envolvido pela graça divina crescia em sua natureza física e mental. Ainda pequeno,

passou a entender o significado daqueles sangrentos sacrifícios. O pensamento de que o Criador do

Universo haveria de tornar-se uma criança como ele, com a missão de oferecer-se em sacrifício

como aqueles inocentes cordeiros, para redenção dos pecadores, emocionava-o até as lágrimas.

Como Caim, Abel amava a natureza com seus jardins cheios de flores e frutos; Sentia-se

também triste ao ver o sol tombar no horizonte, ferido pela escura noite. Contudo, alimentava-se não

de sonhos em aventura, mas de esperança e confiança naquele que semelhante aos cordeiros se

entregaria ao altar, para depois de aquecer com a luz de Sua verdade o coração do homem em meio

à noite de pecado, surgir como o sol de sábado, trazendo consigo a eterna vitória.

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O casal, fecundado pelo amor Eterno, gerou duas meninas que, por sua vez, passaram a ser

disputadas na grande batalha espiritual pelo destino do Universo. Conscientes de sua

responsabilidade, aqueles pais procuravam imprimir na mente de suas filhas, as eternas verdades do

reino da luz. Nesse esforço, eram auxiliados por Abel, para quem o plano da redenção era o tema de

suas mais doces meditações; Bastava olhar para um cordeiro, vinha-lhe à mente a doce lembrança da

redenção prometida. Foi seu grande amor pelo Criador que levou-o a tornar-se num pastor de

ovelhas.

A influência de Caim, contudo, era negativa sobre aquelas meninas. Ele vivia falando de seus

sonhos de aventura. Apontando para o paraíso distante, berço do sol nascente, prometia conquistá-lo

um dia com suas forças. Não haveria mais noites, pois ele deteria o sol antes de sua partida. Em sua

conquista, transformaria os vales sombrios em jardins floridos repletos de paz. Inspirado por esse

ideal, Caim tornou-se lavrador. Plantava jardins que se carregavam de flores e frutos. Lutava

insistentemente contra espinhos e cardos, os quais acreditava poder finalmente bani-los

completamente com seus esforço . Pobre Caim, escravo de uma ilusão!

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Caim tornou-se finalmente em estatura semelhante ao pai. Trazia na face corada as marcas do sol que tanto amava,

e em seus músculos a força que julgava necessária para detê-lo antes de sua partida. Movido pelos sonhos alimentados

desde a infância, preparava-se agora para uma viagem de aventuras: Desceria ao desconhecido vale e caminharia em

direção à casa do sol. Não sabia por quantos dias se ausentaria de seu lar, mas tinha a certeza de que seria vitorioso em

sua missão.

Cheio de entusiasmo, Caim revelou aos seus familiares sua decisão de partir. Todos ficaram

preocupados, e procuraram insistentemente fazê-lo desistir de seu plano.No vale, disseram-lhe os

pais, habitam animais ferozes, sempre prontos a devorar.

Entre risos, Caim procurou convencê-los falando de sua força. Dizia-lhes que em sua jornada,

longe de encontrar derrotas, encontraria o caminho perdido que os conduziria à reconquista do sonho

desfeito pelo pecado.

Abel, conhecedor do verdadeiro caminho que leva à vitória, com lágrimas de compaixão

procurou detê-lo, falando-lhe do plano da redenção. Voltando-lhe as costas, Caim saiu contrariado.

Irava-se por não encontrar por parte de sua família, nenhum apôio para sua tão nobre missão.

Adão e Eva, acompanhados por Abel e as duas filhas, com tristeza seguiram-no implorando

para ficar, mas ele adiantando-se em seus passos desceu a colina, mergulhando naquela ameaçadora

selva que os separava do paraíso.

----****----

O entardecer alcançou Caim já distante do lar, naquela floresta perigosa e hostil. As trevas

trouxeram ao seu coração temor; Já não era aquele corajoso lutador que prometera vitória em todos

os seus passos. Lembrou-se de casa e teve arrependimento da maneira ingrata como havia tratado

seus pais naquela manhã. Ali no vale escuro, pela primeira vez ansiou pelo fogo do sacrifício;

Contudo, ele jamais acreditara na redenção simbolizada pela morte do cordeiro! Ele cria no poder de

sua vida que, aquecida pelo sol, crescia em força e esperança de um dia poder detê-lo sobre um reino

de eterna paz e harmonia.

No lar, seus pais e irmãos não conseguiam dormir. Tinham vontade de ir em busca do amado

Caim, mas onde encontrá-lo? Lembravam dos demônios cruéis que invisíveis infestavam o vale,

atormentando os animais que dia após dia iam tornando-se mais ferozes. Em agonia prostraram-se

aos pés do Criador invisível e clamaram fervorosamente pela sua proteção.Rogavam-Lhe que o

trouxesse de volta para o lar, pois sem ele, tudo era tão triste.

 

Yahwéh amava profundamente a Caim e, jamais o deixaria sozinho naquela floresta. Em

resposta às preces daquela família aflita, enviou Seus anjos para protegerem-no de todos os perigos.

Caim, vencido pelas opressivas trevas da noite que traziam consigo os ventos do temor,

tombou irresistente ao solo frio. Ali permaneceu até ter sua coragem e força restabelecidas pela luz

do alvorecer. Animado pelo brilho da esperança, continuou seus passos de aventura rumo ao berço

do sol : paraíso com o qual sonhara desde sua infância.

Seus pés conduziram-no naquele dia através de um vale intensamente marcado pela morte.

Com espanto contemplava por todos os lados ossos secos e restos de animais devorados com

ferocidade. Aos seus ouvidos atentos, chegavam uivos e gritos de feras ameaçadoras. Embora

banhado pelo sol, Caim começou a ficar com medo. Imóvel, lembrou-se do lar, dos conselhos e rogos

dos pais; Pensou nas constantes preces que faziam por ele; Estava certo de que não deixariam de

clamar por sua segurança ali naquela perigosa floresta, apesar de sua ingratidão.

Tomado de espanto, viu finalmente o sol lentamente caminhar para a sua morte diária. Se em

sua presença tremia, o que lhe reservaria a escura noite?! Revivendo, contudo, os sonhos que tivera

desde a infância, como um soldado que mesmo atingido por um golpe, se levanta num último esforço

de vencer, Caim alimentou-se de ânimo; Venceria o medo, e conquistaria toda a selva, banindo dela

todos os ossos secos e os sinais de morte.

Revigorado pelos ilusórios planos, em passos firmes prosseguiu sua jornada . Pobre Caim! O

primeiro de uma multidão que, escravizada pelos mesmos sonhos de progresso, caminharia para

dentro da noite, julgando encontrar o berço de toda a luz.

Diante dos olhos de Caim que jamais podia imaginar que todo passo que dava o levava para

mais longe daquele sol que almejava conquistar, brilhou distante por entre as ramagens uma

fulgurante luz. Cheio de curiosidade, apressou os passos, indagando silente : Mas como, se eu o vejo

declinar?! Seria outro astro que em seu berço aguardava o momento de partida para aquele suplício

diário? Com o coração pulsando forte pela emoção, adiantou-se em seus passos, julgando poder

naquele novo dia detê-lo em sua partida; Inauguraria assim um reino de luz, conquistado por sua

força. Correndo para a luz, porém, a viu desvanecer quando já próxima; Seria vertigem? Não.

Desvanecera simplesmente para revelar-se mais brilhante aos seus olhos.

Observando o brilho intenso, Caim ficou perplexo ao ver que procedia da face de um poderoso

querubim protetor que, desde a queda de seus pais permanecera ali velando as divisas do Édem.

Mudo, Caim contemplava a meiga face daquele anjo que, expressiva de amor, fazia renascer

em seu coração emoções da infância. Sentia-se agora esquecido de sua missão, revivendo em

lembrança o encontro que tivera com o Criador naquela noite de sacrifício. O querubim era

semelhante a Elohim, tendo no rosto um brilho de sol. Estampando no semblante preocupação, o anjo

depois de contemplá-lo demoradamente perguntou-lhe:

- O que busca meu filho?

Recordando o seu esquecido ideal, Caim respondeu:

-Busco a fonte do dia, o berço do Sol.”

O anjo continuou perguntando:

- O que o leva a procurá-lo com tanto anseio”.

Caim respondeu:

 

- Eu sou amante de sua luz que me faz ver em cada dia o fruto do meu labor. Admiro-o desde a

minha infância, por isso trago no peito o ideal de um dia detê-lo sobre o céu”.

O querubim contemplava-o penalizado, sem saber como convencê-lo daquela ilusão alimentada

durante tantos anos.

Após um momento de silêncio, o anjo com ar de tristeza, procurando fazê-lo recordar as

palavras que o Criador lhe dissera naquele encontro, perguntou:

- Com que você irá detê-lo?

Confiante, Caim ergueu os braços em resposta. Não construíra enormes jardins com eles?!

anjo, num esforço de fazê-lo entender que o sol é um símbolo do Salvador, disse-lhe:

-Caim, nada poderá detê-lo a não ser o amor. Quem ama, caminha na mesma direção. Para

onde você o vê caminhar todos os dias? Não é para o ocidente? Segue então os seus passos e jamais

o verá chorar lágrimas de sangue. Acompanha-o em sua caminhada e verá que o que você sempre

chamou de morte, consiste num alegre alvorecer para um continente além, perdido nas trevas.”

A afirmação do anjo fez Caim lembrar-se das últimas palavras ditas por Yahwéh naquela noite

transformada em dia. Ele dissera que somente o sangue de Seu sacrifício poderia fazer brilhar a luz

que triunfaria para sempre sobre as trevas. Contrariado, Caim baixara a cabeça, determinado a não

segui-Lo nessa direção.

Abalado, Caim encontrava-se agora diante de uma séria decisão que mudaria o rumo de sua

vida e de uma multidão que poderia segui-lo. Mudo e a tremer permanecia prostrado aos pés do anjo,

enquanto renhida luta travava-se em seu íntimo. Desde a infância alimentara um ideal, caminhando

na direção de um paraíso o qual julgava poder conquistar pela força. Agora o anjo apontava-lhe um

caminho oposto, de amor e sacrifício: o mesmo ensinado pelos pais e pelo Criador. Arrependido,

Caim desejou retornar para casa, mas o inimigo se opunha inspirando-lhe vergonha; Como encararia

sua família, a quem prometera vitória pela sua força, ao retornar de mãos vazias?!

Com o jovem Caim, prostrado aos seus pés, o anjo com voz de ternura instava:

- Filho, volte ao lar! Não há caminho de vitória além do amor. Ele poderá ter espinhos e no

trajeto um altar, mas é um caminho seguro, pois sempre leva o viajante aos braços de uma família

amorosa que, com saudade espera o fruto de seu perdão. Não será humilhante voltar; Não é esse o

caminho do sol?! O caminho do orgulho é sempre desconhecido; Em seu trajeto pode ter flores e a

promessa de que não haverá altar, mas o seu fim é sempre dentro da noite, distante dos braços

aquecidos pelo perdão. Volte ao lar filho! Volte!!!

O anjo com seus amorosos conselhos conseguiu finalmente convencer Caim. Ele estava

resolvido a percorrer o caminho do amor , desfazendo os passos até ali movidos pelo egoísmo.

Aguardaria agora o sol para com ele seguir humildemente rumo ao altar que, não mais lhe falava de

derrota, mas de triunfo sobre a morte.

----****----

Na colina distante, permanecia a família rogando incessantemente por Caim. Em seu anseio,

não conseguiam ficar longe daquele altar, berço de lágrimas e sangue. Ali junto a ele, Caim viera ao

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mundo, banhado pela luz do sacrifício; Ali fora instruído no caminho da salvação. Ali aguardariam

com fé, até vê-lo retornar arrependido.

Sob o sorriso do anjo, Caim vencido pelo cansaço de seus sonhos desfeitos, adormeceu a um

passo do paraíso de muralhas invisíveis - muralhas que somente poderiam ser finalmente transportas

pelo amor que sacrifica.

Uma brisa suave despertou-o naquela manhã, convidando-o a seguir o sol naquela jornada

rumo ao altar. Como dois companheiros avançariam sobre os espinhos, quebrando-os com os seus

pés feridos; Como guerreiros caminhariam rumo à colina do entardecer, não para serem vencidos

pela noite, mas para destruírem-na em sua fuga. Nessa marcha de resgate, tombariam finalmente

sobre o altar distante, não vencidos pela morte, mas conquistando a vida nascida da luz.

Com humildade, Caim deu os primeiros passos no caminho do arrependimento - caminho que

logo após o altar, lhe descerraria o seu lar de amor. Eram passos movidos por fé, pois diante de sí

não podia ver a face de seu companheiro, o sol, mas tinha certeza de sua presença, pois nos ombros

podia sentir seu calor a acariciá-lo num terno abraço. Eram companheiros de jornada pelo caminho

da vitória.

----****----

Era o sexto dia. Na colina, a família, ansiosa, encontrava-se reunida desde a manhã ao redor do

altar, inconsciente da experiência de transformação vivida por Caim lá nas divisas do Éden.

Com lágrimas rogavam a Elohim pelo querido Caim, ansiando vê-lo retornar.

Como era o dia da preparação, uniram-se no trabalho, deixando tudo em ordem para receberem

o santo sábado: limparam os jardins, colheram alimento, prepararam as vestes e separaram o cordeiro

para o sacrifício. Foi uma atividade muitas vezes interrompida por idas ao altar, onde estendiam

demoradamente o olhar sobre o vale, na esperança verem surgir aquele a quem tanto amavam.

----****----

Caim, embora cansado da longa jornada, continuava avançando com ligeiros passos, desejando

alcançar o sopé da colina antes da noite. Podia divisá-la ainda distante, banhada pelo sol poente.

O entardecer que até o dia anterior fora visto como a vitória das trevas sobre a luz, processava--se

diante de seus olhos. Via agora o sol envolto por nuvens tintas de um vermelho vivo, tombar

como um herói vitorioso, prestes a libertar um continente além, do poder da noite.

A escuridão envolveu o vale, e nele Caim que, com os olhos fitos no último clarão a dissipar-se

no horizonte, esforçava-se em prosseguir em seus passos.

Na colina, o patriarca Adão, com o coração a palpitar de saudade, anseio e dor, preparava-se

para oferecer o sacrifício. Intercederia como nunca nessa noite pelo seu filho, cuja ausência torturava

sua alma.

Eva, em passos lentos, cheia de tristeza, seguiu seu esposo rumo ao altar, acompanhada por

Abel e suas duas filhas. Sofriam muito naquela noite, pela ausência de Caim. A esperança de revê-lo

fora quase que totalmente banida.

 

Num doloroso esforço Adão ergueu o cordeiro, deitando-o sobre o altar.Quão doloroso era

sacrificar, mas não havia outro caminho

Cabisbaixo em meio às trevas , Caim refletia. Todo o seu passado construído por ilusórios

sonhos o via em cacos. Estava no limiar de uma nova vida, como uma criança recém nascida sob a

luz do altar.

Caim esforçava-se para identificar aquele dia especial, de sua conversão. A lembrança do

último sacrifício o conscientiza de ser véspera de sábado. Havia saído de casa no quarto dia da

semana, quando os seus passos conduziram-no para dentro de uma noite escura e fria, na qual temeu

a morte. Refeito, ao amanhecer do quinto dia, prosseguiu rumo ao desconhecido, até deter-se

amedrontado no vale dos ossos, onde a tarde transformou-se em noite. Foi dalí que contemplou o

brilho do anjo que o atraiu com o seu amor.

Detido em meio às trevas, Caim recordava com emoção os conselhos do anjo que o levaram a

uma mudança de rumo. Lembra-se de seus passos de fé que moveram-no durante todo aquele sexto

dia rumo ao lar.

Caminhar sob o brilho do sol fora fácil, mas o que fazer agora, quando as trevas o detinham nas

selvas?! Caim, porém, alegrou-se ao saber que a escuridão daquela noite seria em breve ferida pela

luz do sacrifício. Com anseio aguardava o momento de prosseguir sua jornada, orientado pelo fogo

que lhe indicaria o rumo de seu lar.

----****----

Movido pela dor da saudade e pelo último raio de esperança em abraçar o seu filho, Adão

ergueu o cutelo para matar o cordeiro. De seus trêmulos lábios, escapa-se então uma aflitiva prece em

favor de seu filho:

- Senhor, hoje eu compreendo o quanto sofres com a rebeldia de teus filhos rebeldes, que

trocaram o teu amor e o calor de uma família amorosa que vive no seio da luz, pelas trevas do vale,

onde o desespero e a morte atraem com ilusões de vitória. Neste momento minha mão está erguida

para ferir esta inocente ovelha que, com seu sangue precioso alimentará o fogo da esperança em

abraçar o meu filho que se encontra perdido. Faça Senhor,com que o brilho desta chama possa

alcançar o meu Caim onde ele se encontra, fazendo-o voltar ao lar arrependido.

Todas os súditos de Yahwéh com emoção contemplavam a comovente cena de significado tão

grandioso. Naquele pai tremente e aflito, pronto a sacrificar em favor do filho errante, viam o grande

Pai que, para atrair Seus filhos humanos do vale da perdição, ofereceria o maior sacrifício.

Após sua angustiante prece, Adão imolou o cordeiro. O fogo da esperança ergueu-se

imediatamente em brilhante chama, expulsando as trevas que envolviam aquela colina.

Caim que movido pela alegria de ser sábado erguera a fronte nas trevas na expectativa de

contemplar o brilho da vitória, ergueu as mãos aos céus agradecido quando viu surgir no escurecido

horizonte a estrela da aceitação. Cheio de ânimo prosseguiu em seus passos de fé. Embora lhe fosse

impossível enxergar e compreender todos os obstáculos que surgiam em seu caminho fazendo-o

tropeçar, mantinha o olhar fixo no brilho do cordeiro imolado, avançando sempre, com a certeza da

vitória.

Os passos de Caim conduziram-no finalmente para junto da colina, onde podia ver sua família

reunida sob a luz do altar.

Com o coração pulsando forte pelo cansaço e pela emoção, galgou em ligeiros passos a colina,

detendo-se junto ao altar. Sua família, com os olhos cerrados orava por ele. Não conteve as lágrimas,

ao ouvir seu pai clamar:

-“Senhor! Meu Caim, meu Caim!!!Quando o envolverei em meus braços?! Quisera voltar ao

passado, quando com prazer tomava-o no colo. Ele era a minha alegria, e esperava tê-lo sempre

salvo junto a mim. Mas oh, Senhor! Ele foi crescendo e se afastando, levado pelos seus sonhos de

aventura. E hoje, já é o quarto dia sem o nosso Caim! Meu coração está partido pela sua ausência, e

já não suporto viver sem ele! Se for possível Senhor, traga de volta o nosso Caim, e que ele seja feliz

ao Teu lado. Amém

Terminada a prece, Adão abriu os olhos para contemplar a chama do perdão que poderia, quem

sabe, atrair seu filho daquele vale sombrio. Seu olhar pousou de cheio em Caim que jazia prostrado

junto ao altar. Sem conter a alegria, Adão com um brado de vitória saltou para junto de seu filho,

envolvendo-o em seus braços. Toda a família o acompanhou nesse gesto carinhoso, festejando com

risos e lágrimas de emoção, o retorno daquele filho e irmão amado.

Sob a luz do altar, todos assentaram-se finalmente, passando a ouvir com atenção a experiência

passada por Caim naquela densa floresta. Ele contou do medo que sentiu naquela primeira noite fora

de casa; falou do vale da morte, onde viu tantos ossos de animais devorados com ferocidade; contou

da luz que surgira ao entardecer, fazendo-o apressar seus passos julgando ser o surgimento de um sol.

Falou do brilhante anjo que o atraíra para as divisas do Édem, levando-o com seus conselhos e

palavras de sabedoria e amor à uma mudança de rumo.Contou de seu retorno, das lutas e tentações

que teve de enfrentar a cada passo. Concluiu contando da alegria que sentiu, ao ver naquela noite o

surgimento do fogo sobre o altar, que semelhante a uma estrela, guiou os seus passos através daquele

vale tomado pelas trevas.

Para a família, consolada pelo retorno de Caim, surgiu finalmente o alvorecer da alegre vitória,

trazendo em sua brisa o aroma dos verdejantes prados edênicos cobertos de eternas flores. Naquela

manhã de sábado, uniram-se em cânticos de gratidão ao Criador, pela vida, pelo perdão, e pela

certeza de que sua feliz união jamais seria maculada pelo pecado.

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Desde o momento em que Caim passara a trilhar pelo caminho da salvação, Satã e suas hostes

cheios de ira passaram a fazer planos para reconquistá-lo. Decidiram lançar sobre ele densas trevas

espirituais, causando angústia e desânimo em sua nova experiência. Estavam certos de que

persistindo com essa pressão, alcançariam vitória.

Conhecendo os planos de Satã, Yahwéh ordenou Seus anjos a combaterem as trevas que

circundariam o jovem Caim. Ainda que conhecesse o seu futuro de rebeldia, o Criador faria todo o

possível para mantê-lo a salvo das garras do inimigo.

Sobre a colina, naquele lar repleto de felicidade, Caim tornara-se após sua conversão no

motivo principal dos louvores e comemorações. Como uma criança, humilde e submissa, Caim

andava entre os seus tendo na face o brilho do amor e da esperança, que eram nutridos sob a luz do

altar. Com lágrimas de gratidão distinguia agora em cada cordeirinho imolado o Redentor vindouro

que pereceria em dor para oferecer-lhes a luz da eterna vitória.

Com alegria, Caim testemunhava diante de sua família e diante do vasto Universo, da paz que

agora inundava sua alma agora renascida; Jamais experimentara antes sensação de tanta liberdade,

de tanto amor. Sobre sua mente refrigerada, contudo, começou a baixar as sombras da provação que

se intensificaram até mergulharem-no em escura noite. Era assediado por tantas tentações que

pareciam revigorar em seu coração os sonhos ilusórios de seu passado. Vozes pareciam gritar em

seus ouvidos dizendo: - Deixe esse caminho que não leva a nenhuma vitória! Chega desses

sacrifícios sangrentos que enaltecem a morte! Contemple os jardins que você plantou, e veja como

eles comemoram a vida. Você é sábio e forte, e poderá construir um império de paz e prosperidade,

colorido por extensos jardins que florescerão numa eterna primavera de sol.

Sacudido por essa tempestade de tentações, Caim quase vacilando, deixou transparecer em seu

semblante a agonia que lhe inundava a alma. Assim, sua aflição foi logo percebida põe sua família

que, preocupada procurou saber dele as razões de sua angústia.

Temendo expor para sua família o que lhe afligia, calou-se afirmando que era apenas um

sentimento de pesar que logo passaria. Os pais ficaram aflitos, pois concluíram acertadamente, que

era Satã quem estava pressionando-o com o objetivo de arrastá-lo novamente para a escravidão. Com

lágrimas, aqueles pais clamaram ao Criador em favor daquele filho que, aflito, caminhava de um lado

para o outro procurando encontrar alívio.

Anjos poderosos empenhavam-se insistentemente naquele conflito que travava-se invisível aos

olhos humanos. Ainda que severamente provado, Caim não chegaria ao ponto de ser forçado pelo

inimigo a render-se ao pecado. Havia um exército ao seu lado para ampará-lo em seus passos de

fidelidade. Todo o Universo estava atento para as decisões de Caim, que poderiam influir na

experiência de incontáveis seres humanos que seguiriam os seus passos.

Orientado pelo exemplo de seus pais, Caim buscou na oração o refúgio para sua alma torturada.

Com fervor implorava ao Criador que firmasse os seus passos. Embora sentisse forte apelo para

voltar ao caminho da do orgulho e da aventura, estava decidido a continuar seus passos pelo trilho

acidentado do amor e do sacrifício.

Temendo não alcançar o seu objetivo sobre Caim, Satã ordenou seus guerreiros a suspenderem

aqueles desesperados ataques. Disse-lhes que através de sutil engano, lograriam a vitória que

dificilmente alcançariam pela força. Com isso, a paz voltou a reinar na mente de Caim que, unido à

família, cantava louvores a Yahwéh, o autor de sua salvação.

----****----

Enquanto aquela família com alegria comemorava mais uma vitória alcançada na vida de

Caim, as hostes das trevas estavam reunidas tramando novos planos de ataque. Muitas idéias foram

apresentadas, mas prevaleceram aquelas elaboradas por Lúcifer, arqui-enganador. Ele afirmou

contiante:

- Se tão nos aproximarmos de Caim como amigos em sua jornada no caminho da salvação,

inspirando pensamentos e sentimentos de fé no Redentor, não nos será difícil introduzir com sutileza

as sementes da rebeldia que, germinarão uma a uma em seu coração confiante, fazendo-o

menosprezar finalmente os sacrifícios de sangue sobre o altar, com o pensamento de não mais

depender desse símbolo para ter em mente o Salvador vindouro. Quando iludido julgar haver

alcançado o amadurecimento espiritual, estará novamente no abísmo”.

Naquela colina, que era centro das atenções de todo o Universo, sucediam para a pequena

família dias de alegria, prosperidade e paz. Cresciam cada vez mais em sabedoria e graça, trilhando

no caminho da salvação. Por detrás dessa paz, porém, inconsciente à família jubilosa, uma perigosa

armadilha se armava.

Yahwéh e Seus exércitos, preocupavam-se com essa situação, pois sabiam que seus inimigos

poderiam causar com esse disfarce, uma grande ruína à humanidade, na experiência da qual se

processa a redenção do Universo. Os guerreiros da luz agora, não teriam de lutar contra as trevas,

mas contra um falso brilho.

Envolvido por influências aparentemente positivas, as quais julgava proceder todas do Criador,

Caim tornava-se aos poucos confiante e bem seguro da vitória prometida. Seu amor por Yahwéh

parecia tornar-se imenso, e vibrava ao prever a perfeita felicidade que alcançaria no alvorecer do dia

eternal.

Satã que atento o acompanhava em sua experiência religiosa, viu haver chegado o momento de

atraí-lo com sua falsa luz, desviando-o do caminho da justiça. Orientou mais uma vez seus guerreiros

a agirem com cautela e paciência, inspirando subitamente pensamentos e sentimentos de aparente

virtude que o levassem imperceptivelmente a negligenciar por fim o sacrifício de sangue sobre o

altar, julgando haver alcançado em sua santificação um nível superior, no qual não se depende mais

daquele doloroso rito.

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Em seu amor pelo saber, e apego a toda a revelação, Caim começou ter sua atenção voltada

para o falso brilho que, inicialmente parecia tornar mais claro e seguro o caminho da redenção. Com

ânimo apresentava para seus familiares que, admirados reuniam-se aos seus pés, os pensamentos de

aparente sabedoria e graça, gerados pela sua nova experiência. Longe estavam de saber que aquelas

idéias tão belas e cativantes, eram originadas por aquele que através da serpente conseguira seduzir

Eva.

Em suas palavras e louvores, Caim passou a exaltar o Salvador, bendizendo o Seu futuro

sacrifício. Inspirando esses pensamentos, Satã ganhava a simpatia não somente de Caim, como

também de toda aquela família.

Todavia, Caim que aparentemente tornava-se num eloqüente mestre e pregador da justiça e da

verdade, iludido em sua falsa segurança, começou a menosprezar em seus ensinos o sacrifício do

cordeiro sobre o altar. Argumentava que somente as ilustrações da natureza e as instruções verbais,

eram suficientes para gravarem na mente humana as verdades da redenção. Apelando às emoções da

família, dizia que o objetivo estabelecido pelo Criador por meio daqueles sacrifícios, já havia sido

alcançado na vida deles; poderiam evitar agora essa dor, apresentando sobre o altar ofertas de flores e

frutos, símbolos naturais da redenção.

Um grande laço armara-se sobre aquela família, levando-a à uma grande luta íntima.De um

lado estava o caminho da dor e do altar banhado em sangue, e do outro, a alegria de uma aparente

vitória, comemorada por um altar coberto com flores e frutos. Caso aceitassem a proposta vinda

através de Caim, cairiam sob o domínio do tentador.

Com a família em prova, Satã insistia por meio de Caim, procurando levá-los a decidirem de

seu lado, afirmando que Yahwéh não Se importaria com essa mudança, que expressava

amadurecimento e gratidão pelo Seu sacrifício, também simbolizado pelas flores e frutos.

Todo o Universo estava em comoção, diante da decisão que aquela família estava preste a

manifestar. O que estava em jogo, era o trono do Universo.

Depois de renhida batalha espiritual, conscientes do engano que se escondia nas palavras de

Caim, aqueles pais temendo serem arrastados para distante do Salvador, decidiram rejeitar aquela

proposta. Influenciados por essa decisão em favor da verdade revelada por Yahwéh, Abel e sua irmã

mais nova colocaram-se ao lado dos pais. Somente a irmã mais velha, que cultivava no íntimo grande

 

admiração por Caim, permaneceu indecisa, favorecendo seu irmão mais velho nas discussões que

tiveram lugar.

Embora contassem com a queda de toda a família humana, as hostes inimigas da luz se

alegraram em ter novamente Caim como escravo. Batalhariam agora pela conquista daquela jovem

indecisa que, unida ao irmão, poderia se tornar mãe de uma geração pecadora, no seio da qual se

fortificaria o reino das trevas.

Ao tomarem consciência da posição rebelde de Caim, Adão e Eva, seguidos por seus dois

filhos fiéis, passaram a rogar-lhe com amor, tentando convencê-lo do erro. Aquele filho, contudo,

mantinha sua posição sem ser agressivo. Estava confiante de ter aprovação do Criador para suas

idéias revolucionárias.

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Caim estava triste por não ter toda a família a seu lado, mas animou-se ante a manifestação de

compreensão e apoio por parte de sua irmã. A afinidade de suas idéias levava-os a passar longas

horas conversando sobre o futuro. Foi assim que nasceu entre eles a idéia da construção de um novo

altar onde Caim, como sacerdote, pudesse por em prática um culto renovado, oferecendo em lugar de

cordeiros, flores e frutos. Isso, evidentemente, significava a formação de um novo lar, pois Adão

como sacerdote de um culto conservador, jamais permitiria que o altar de sua família fosse maculado

por um culto diferente daquele estabelecido pelo Criador.

O ideal foi crescendo no coração daquele jovem casal, trazendo sonhos de um lar repleto de

crianças a brincar num paraíso banhado em sol. Caim, o senhor e mestre daquela nova família, a

guiaria numa caminhada de vitória, iluminados pelo brilho de um fogo mais brilhante que o do

cordeiro, que se ergueria de seu altar coberto de flores e frutos.

Semelhante a Caim, Abel que se tornara também adulto, enamorou-se de sua irmã mais nova -

aquela que desde a infância estivera ligada a ele por laços de íntima afeição. Juntos caminhavam

pelos campos, apascentando o rebanho, enquanto consideravam com interesse os ensinos de amor

escritos na natureza.

Adão e Eva, bem como o Criador e suas hostes fiéis, encontravam consolo e esperança na

experiência desses dois jovens que, jamais deixaram de refletir nos olhos a chama aquecida daquele

altar que indicava-lhes o caminho sangrento da redenção.

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Caim, em seu anseio por constituir um lar, unindo-se àquela a quem amava, aproximou-se

finalmente de seus pais, pedindo-a em casamento. Adão compreendeu-lhe o anseio, e pediu -lhe que

aguardasse a resposta de Yahwéh. Apresentaria a Ele o seu pedido, e esperariam pela manifestação

de Sua vontade.

Adão, o bondoso pai que a cada dia intercedia junto ao altar pela sua família, e de uma

maneira especial por aqueles filhos que se aventuravam em caminho de ilusões, apresentou com

tristeza o pedido de Caim ao Senhor da luz. Aguardariam dEle a manifestação de Sua vontade sobre

aquele passo tão importante no seio da humanidade.

Caim e sua irmã amada, aguardavam agora ansiosamente pelo dia do sacrifício, quando

poderiam com certeza ter um encontro com Aquele que tudo criou. Estavam convictos de que Ele

não recusaria a concretização de seu sonho, e manifestaria apoio ao seu ideal de culto.

 

O sol declinou-se ao fim daquele sexto dia, dando lugar às trevas de mais um sábado. Toda a

família reuniu-se reverente junto ao altar, enquanto Adão preparava o cordeiro para o sacrifício. Viria

o Criador em resposta ao anseio daquele jovem casal?! Esta questão pesava sobre todos eles, e em

especial sobre Caim e sua irmã companheira.

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Yahwéh ouvira o pedido de Caim apresentado por meio de Adão, e estava pronto a manifestar-

Se em resposta a esse anseio. Pesava sobre seu Ser, contudo, uma grande tristeza, pois não poderia

abençoar aquele jovem casal com a plenitude de felicidade e paz que almejavam obterem naquela

união. Unicamente um verdadeiro casamento poderia conferir-lhes essas virtudes.

O Criador estabelecera o matrimônio como um santo legado, de significado eterno. A união do

casal, sob a benção divina, deveria simbolizar a união espiritual entre Elohim e os ser humano. O

casamento, portanto, perderia o seu sentido prefigurativo, para aqueles que menosprezassem o

símbolo dessa união, que encontrava, desde a queda do homem, o seu ápice no sacrifício do

cordeiro. Yahwéh determinara ensinar por meio da cerimônia do casamento, a verdade fundamental

de que, unicamente mediante a morte do Messias, a seu tempo, Ele poderia casar-Se com a raça

humana, numa eterna aliança de paz. Portanto, Sua benção somente poderia ser obtida por aqueles

que Se submetessem ao ritual simbólico.

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O cordeiro atado sobre o altar, sentiu atravessar seu peito aquele cutelo de pedra que, depois

de causar-lhe profunda dor mergulhou-o na escuridão da morte. Sobre o sangue que brotou de sua

agonia, nasceu imediatamente uma luz que tornou-se intensa, até afugentar todas as trevas que

cobriam aquela colina. Em meio ao brilho, a família reunida pode distinguir a presença gloriosa do

Criador, que mansamente inclinou-se sobre eles, com o Seu sorriso amigo. A felicidade daquele

encontro era imensa, pois já haviam passado muitos anos desde Sua última aparição, que ocorrera por

ocasião do anúncio do nascimento de Abél. Para eles, portanto, aquele encontro era muito especial.

Depois de saudar afetuosamente aquela família, Yahwéh comunicou-lhes as novas que

poderiam ser de alegria. Disse-lhes que ouvira o pedido de Caim, que Lhe fora apresentado por Adão,

e viera com o propósito de orientá-los acerca dos passos que deveriam dar para concretização daquele

sonho. Conscientizou-os primeiramente da responsabilidade que assumiriam diante de dEle e de todo

o Universo, pois em sua espontânea união, trariam ao mundo filhos, os quais deveriam ser instruídos

no caminho da salvação. Falou-lhes também das funções que desempenhariam em seu novo lar.

Caim, semelhante a Adão, seria sacerdote e mestre ; Deveriam, portanto, construir um altar, para

sobre ele oferecer sacrifícios. Sua companheira, em semelhança de sua bondosa mãe, deveria ser

submissa e sempre pronta a auxiliá-lo nas lides diárias.

Com alegria, Caim e sua companheira ouviram de Elohim essas palavras de orientação e

aprovação ao casamento.

Abel e sua companheira que aos pés do Criador ouviam atentos Suas palavras de aprovação ao

casamento dos irmãos, entreolhavam-se movidos por um intenso desejo de formarem também um lar,

onde seguindo o exemplo dos pais, poderiam desempenhar um ministério de amor.

Lendo em seus olhos o desejo nascido no coração, Yahwéh com um sorriso os envolveu com

Seus braços, e disse-lhes que poderiam construir também o seu altar.

 

Com lágrimas de emoção, Abel e sua irmã prostraram-se aos pés do Criador, agradecendo-Lhe

por conferir-lhes tão sagrado dom.

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Yahwéh passou a orientar aqueles jovens com respeito à cerimônia que os enlaçariam.

Ordenou-lhes mais uma vez a construção do altar. Caim construiria o seu altar, e Abel o seu.

Preparariam cada um uma oferta especial, para oferecer em sacrifício, na noite que antecederia ao

próximo alvorecer do sábado. A aprovação e benção de Elohim ao casamento, se manifestaria na

presença do fogo que surgiria sobre o altar. Iluminados pelo brilho da presença divina, sua união

seria selada diante de todo o Universo,sendo considerados a partir desse ato, uma só carne. Essa

união, geradora de vida, consistiria num simbolismo perfeito da união de Yahwéh com o ser

humano, em virtude do sacrifício do Salvador. Com essas orientações e ordens de Yahwéh, tornou-se

claro para aqueles jovens pretendentes ao matrimônio, que a única oferta aceitável, que poderia trazer

a benção da verdadeira união, seria o sacrifício de um cordeiro.

Em meio ao júbilo daquela família, a luz de Elohim dissipou-se finalmente, ocultando-O de seus

olhos. Sob a luz do altar, permaneceram alegres a conversar sobre aquele futuro de felicidade que

acenava-lhes agora tão próximo.

O sol surgiu finalmente, trazendo em seus cálidos raios um alvorecer de brisa mansa a beijar-lhes

a face com o aroma do Éden, trazendo-lhes à lembrança as emoções daquele primeiro sonho de

Adão.

----****----

Caminhando pelos campos férteis sobranceiros à colina, a pequena família, seguindo instruções

de Yahwéh, passou a traçar as divisas de seus lares. Caim, sendo o primogênito, escolheu os campos

floridos que estendiam-se à direita do lar de seus pais; Ali , muito em breve, ergueria o seu altar.

Enquanto Caim e sua companheira permaneceram nos limites de seu futuro lar, traçando planos

para seu futuro, Abel e sua irmã mais nova acompanharam os passos de seus pais até alcançarem aos

campos que estendiam-se à esquerda do altar de Adão. Estavam contentes, pois em sua ocupação

pastoril, encontrariam ali sempre verdejantes pastagens regadas por refrigerantes mananciais.

Depois de definirem o lugar sagrado do altar, onde sob o calor da primeira chama viveriam a

mais íntima união, Abel e sua companheira passearam felizes pelos seus campos onde pastavam os

cordeiros; Ali adoraram o grande Elohim que, para casar-se com a humanidade em eterna aliança de

vida, Se faria cordeiro na pessoa do Messias, para verter Seu sangue em sacrifício remidor.

O alvorecer do primeiro dia da semana despertou enfim aqueles noivos para uma semana que

seria de muitas atividades: Deveriam construir os altares e preparar seus novos lares.

Com ânimo iniciaram o trabalho, ajudados pelos pais. Depois de lavrarem e prepararem os

lugares determinados, reuniram as pedras com as quais construíram cuidadosamente os altares.

Prepararam em seguida suas moradas, plantando arbustos para servirem de muro protetor. Esses

preparativos se estenderam até o quinto dia. Aguardavam agora o sexto dia, quando preparariam a

oferta para o altar - oferta que em sua aceitação os uniriam em sagrado matrimônio.

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A luz do sexto dia finalmente raiou, trazendo um dia significativo para aquela família. Caim e

Abel, juntamente com suas companheiras, haviam sido instruídos desde à infância sobre o caminho

da obediência. Haviam também recebido orientações diretas de Yahwéh com respeito ao verdadeiro

 

sacrifício. Agora, eram observados por todos os seres inteligentes do vasto Universo, naquele dia de

prova. Se atentassem para o caminho doloroso do cordeiro, seriam unidos num casamento de

significado solene; se rejeitassem seguí-lo, não alcançariam a aprovação, nem tão pouco a benção

que desejavam receber.

Abel e sua irmã mais nova, caminharam com alegria em direção ao rebanho, onde escolheram o

mais bonito cordeiro, tomando-o como oferta ao Senhor. Enquanto isso, Caim e sua companheira,

com determinação dirigiram-se aos pomares, colhendo ali os mais belos frutos e flores, para

oferecerem sobre o altar.

Yahwéh e seus súditos entristeciam-se ante a atitude de Caim. A oferta que preparavam,

consistia numa demonstração de rebeldia diante do plano da redenção. Rejeitando o sacrifício de

sangue, estavam menosprezando o único caminho pelo qual o ser humano poderia retornar ao paraíso

da eterna vida.

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O sol finalmente tombou no horizonte, trazendo em seu arrebol, como num último apelo ao

jovem Caim, a lembrança de seus passos naquele anoitecer em que retornava ao lar. Teria ficado

retido na selva naquela noite, não fosse a luz do cordeiro sacrificado. Essa lembrança mergulhou-o

em profunda luta íntima. Seria aceita a sua oferta de flores e frutos?! Não seria melhor retroceder em

seus passos, tomando um cordeiro para o altar?!

Invisíveis aos olhos de Caim, legiões de anjos procuravam influenciá-lo em sua solene decisão.

Em sua luta espiritual, chegou quase a abandonar seus planos, mas seu orgulho repelia repeliu

finalmente essa opção: seria humilhante àquelas alturas, confessar diante de sua irmã e de sua

família, a inconsistência de sua teologia.

Enquanto contemplava no horizonte o último lampejo do arrebol, Caim rompendo com o apelo

do Espírito Eterno, reafirmou-se em sua decisão : Ofereceria flores e frutos em lugar de um cordeiro,

inaugurando uma nova modalidade de culto que, certamente, poderia ser aceita por Yahwéh.

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As trevas baixaram lentamente sobre aquela colina, até cobri-la em semelhança de um espesso

manto. O momento era deveras importante , pois decisões de vida e morte estavam por manifestar-se

. O que estava em jogo no posicionamento humano, era o destino do Universo. Nos passos rebeldes

de Caim e sua companheira, viam os seguidores de Yahwéh um grande perigo que poderia dificultar

e por em perigo o triunfo do plano da redenção. Tomavam consciência naquela noite, de que Satã e

suas hostes, procurariam conduzir a humanidade para formas errôneas de culto, baseadas em

filosofias atraentes como aqueles frutos e flores colhidos por Caim, mas que em essência seria uma

negação do único caminho da salvação, representado pela morte do cordeiro.

Naquela noite, dois novos casais, movidos pelo mais profundo anseio, apresentavam-se diante

do Criador com suas ofertas. A aceitação divina descerraria para eles um caminho de felicidade, em

resposta aos seus mais acalentados sonhos. Sua união sob a luz do altar, traria para eles um vislumbre

das Kevod(glória)s futuras - aquelas que serão desfrutadas pelos redimidos - a alegria de estarem para sempre

unidos ao Redentor, o amante Esposo da alma humana. A não aprovação da oferta, traria amarga

decepção, pois além de não receberem a benção do Criador, teriam consciência de estarem trilhando

por um caminho de rebeldia, desligados do Autor da vida.

Foi com um misto de alegria e tristeza, que Adão e Eva dirigiram-se ao altar naquela noite,

depondo sobre o mesmo a ovelha para o sacrifício. Depois de tantos anos junto aos seus filhos, nos

quais por palavras e exemplo, procuraram mostrar o caminho da salvação, colhiam agora respostas de

 

obediência e desobediência. Estavam felizes por Abel, e tristes por Caim. O que mais poderiam fazer

por aquele filho rebelde?! Numa última tentativa de fazê-lo reconhecer seu êrro, Adão tomando nos

braços sua oferta, tateou-se até avizinhar-se do altar de Caim. Ali, com lágrimas a banhar a face,

implorou com seu filho a tomar aquela ovelha para o sacrifício. Se aceitasse os seus rogos, veria

surgir o fogo da benção divina, caso contrário, permaneceria mergulhado nas trevas. Caim com

arrogância, menosprezou a oferta de seu pai, afirmando que o seu altar jamais seria maculados pelo

sangue de inocentes animais.

Ferido pela rebeldia e ingratidão de seu filho, Adão retornou ao seu altar, onde juntamente com

Eva, continuaram intercedendo pelo futuro de seus filhos.

----****----

O momento da prova chegara. Todo o Universo estava atento. No coração de todos os filhos da

Luz havia um misto de alegria e tristeza: alegria pela oferta de Abel, e tristeza pela confirmação de

Caim no caminho da rebeldia.

Semelhante a seu pai, Abel ergueu com mãos trêmulas o cordeiro que não opunha resistência.

Desde a infância se apegara a esses inocentes e puros animais, vendo neles um símbolo do Salvador.

Seu apego aos cordeirinhos, levara-o a tornar-se pastor. Ele estremecia ante a idéia de ter de

sacrificar aquele animalzinho de estimação, mas sabia que não haver outro caminho para se

aproximar de Yahwéh. Unicamente a sua morte poderia descerrar a chama da aceitação, da benção

para o seu casamento. Presenciara desde à infância o doloroso ato do sacrifício, mas agora, quando

suas mãos deveriam desferir o golpe, hesitava. Tomado por profunda angústia ante seu dever, curvou

a fronte em inconsolável pranto.

Caim, movido pelo anseio da união que seguiria à chama da vitória, ergueu as mãos sobre as

flores e frutos, invisíveis sobre aquele altar mergulhado na escuridão. Seguro da aprovação divina,

voltou os olhos para o céu, e contemplou o fulgor das estrelas. Alegrava-se por saber que em resposta

à sua oferta, outra estrela surgiria para se unir àquelas com seu brilho.

Adão com a mão erguida chorava em sua prece, lamentando a perdição de Caim. Por que

rejeitara o cordeiro?! O que poderia mais ter feito, para fazê-lo compreender que o seu caminho era

de pecado?! Certo de que esgotara todos os meios para ajudá-lo, Adão tombou a cabeça, após desferir

o golpe mortal. A chama da aceitação imediatamente iluminou-lhe a face marcada pelo pranto.

Consolado pelo brilho da chama que ardia sobre o altar de seu pai, Abel num esforço doloroso

ergueu a mão portadora do cutelo da morte - aquele que em sua queda descerraria-lhes a benção

imerecida, após causar a dor. Enquanto trêmulo e pálido permanecia ainda hesitante em suas trevas,

Caim do outro lado da chama de perdão acesa no altar de seu pai, clamava pela luz divina. Confiante

de estar agradando o Criador com sua oferta, orava:

-Senhor, Criador e Rei Universal, Teu reino é de luz e alegria; Tu és como o sol que vitorioso

percorre o céu, envolvendo toda a natureza com o seu manto de luz, fazendo-a despertar colorida,

em pujante vida. A tí que com o Teu amor fazes brilhar o dia, unindo sob teus raios toda a vida,

trago estas flores e frutos que são produtos dessa união. Aceita-os como símbolos de nossa vitória, e

faça brilhar sobre nosso altar a chama da eterna benção”.

Abel, movido por uma profunda dor, cravou finalmente no peito do cordeiro aquele

instrumento de morte, fazendo-o adormecer para sempre. No impulso do golpe, prostrou-se ao solo

onde agonizante demorou, refletindo no significado daquele sacrifício. Podia agora compreender a

agonia que seu pai experimentava em todas aquelas noites de sacrifício.

Caim que silente aguardava a resposta de sua prece, inquietou-se pela demora. Sua inquietação

tornou-se finalmente desespero, ao ver surgir além a chama da benção descendo sobre o altar de seu

irmão. Tomado então por emoções de tristeza e ira, bradou aos céus:

-Senhor, Senhor, não me ouves?! Não me respondes?!

Seus rogos, porém, não trouxeram nenhuma resposta além de um eco vazio, perdido naquela

noite. Vencido pela vergonha da tragédia, Caim prostrou-se, revolvendo-se em inconsolável pranto.

Satã exultou ao testemunhar o desespero de Caim que, com gemidos maldizia o Criador por

não haver se manifestado sobre o altar. Festejava por ter conseguido através do engano levar Caim

novamente a manifestar diante do Universo sua rebeldia. Estava contente também em ver que Caim

não estava sozinho em sua queda, mas tinha sua irmã a seguir-lhe os passos. Agora, lutaria para

mantê-los cativos sob o seu poder, tornando-os inimigos declarados de Yahwéh e de seus seguidores.

O Criador, embora entristecido pela desobediência de Caim, alegrava-se em poder honrar

diante do Universo aquele casal obediente que, no cordeiro imolado, via a promessa de um Redentor

que no futuro nasceria para redenção de todos os pecadores que o aceitassem.

Abel e sua companheira após consolarem-se da dor do rude golpe, banhados pelos raios

aquecidos daquela chama, uniram-se em sublime ato de amor, esse que poderia gerar vida.

----****----

Adão e Eva que penalizados já haviam previsto a dura decepção de Caim e sua companheira,

atraídos pelos seus gemidos, apalparam-se nas trevas, até avizinharem-se de seu altar sem vida. Ali,

movidos por grande desejo de mudar-lhes a sorte, procuraram convencê-los a oferecerem um

cordeiro; O tempo ainda lhes era oportuno e se quizessem, poderiam buscar nas pastagens o rebanho,

tomando um cordeiro para o altar.

Impulsionados pelo orgulho, Caim e sua irmã rejeitaram os conselhos dos pais que somente

queriam a felicidade deles.

Remoendo em lamúria sua amarga decepção, Caim permaneceu o restante da noite a revolver-se

em insônia. Em seus sentimentos e pensamentos, sobrevinham agora as sombras do ódio e da

vingança. Estava irado contra o Criador, por haver rejeitado sua oferta.

Contemplando ao longe a chama da aprovação, sob a qual Abel e sua companheira viviam sua

feliz união, Caim encheu-se de indizível inveja que explodiu dentro dele num furor sem limites. Lá

estava o filho preferido - aquele a quem não tolerara desde a infância. Por que seria ele mais digno?!

Por que poderia gozar maiores privilégios?!

Inspirado pelo espírito maligno, quando o sol já estava quase raiando, Caim começou a

maquinar um terrível crime. Disse para si: - Se eu não sou digno de viver sob a luz da benção divina,

nem tão pouco o meu irmão será; Aguardarei o momento oportuno, para apagar de seus olhos todo

o brilho da felicidade.

----****----

O sol finalmente raiou revelando com sua luz a face transtornada de Caim. Que mudança! Não

brilhavam os seus olhos de felicidade ao entardecer?!

Todas as hostes da luz preocupavam-se com a situação infeliz de Caim. Sabiam que em sua

decidida rebelião, Satã o afundaria cada vez mais em maior desespero.

O Criador conhecendo os planos malignos de Caim, manifestou-se a ele no alvorecer, com o

propósito de ajudá-lo a compreender sua necessidade. Invisível aos demais da família, Yahwéh

dirigiu-se a Caim e, estendendo sobre ele Sua mão amiga, perguntou-lhe:

- Filho, por que você está tão irado?!

Em resposta, Caim apontando para o altar coberto de flores e frutos, respondeu:

- Estou magoado por não teres aceito essa oferta que ofereci com tanta fé.

Com palavras cheias de compaixão, o Criador explicou-lhe novamente a necessidade humana

da salvação, a qual somente poderia ser alcançada mediante o Seu sacrifício, que era simbolizado

pela imolação do cordeiro. Disse-lhe que sua oferta de gratidão somente poderia ser aceita, após o

sacrifício de sangue.

Não conformado com as palavras de Yahwéh, Caim procurou justificar-se. Suas palavras,

contudo, que revelavam a grande mágoa de um orgulho ferido, foram finalmente interrompidas pelos

conselhos finais de Elohim, que estendia-lhe uma única oportunidade, para romper com sua escravidão

espiritual:

- Somente há um caminho Caim , que é de sacrifício. Se você proceder conforme o seu irmão,

será também aceito e abençoado com a chama da benção; Se, todavia, proceder mal, terá selado o

seu destino das garras da morte.

Após afirmar solenemente essas palavras , Yahwéh despediu-se de seu filho, tornando-Se

invisível.

----****----

As palavras de Yahwéh mergulharam Caim na mais terrível luta íntima. De um lado Satã e seus

exércitos esforçavam-se em detê-lo em sua escravidão, do outro Elohim e suas hostes, procuravam

despertar naquele coração em luta, o reconhecimento do único caminho para a salvação.

Caim, agitado em seus pensamentos e torturado pelo peso de responsabilidade que repousava

sobre si, pois seus passos seriam seguidos por muitos outros, chegou, por vezes, a pensar em render-se,

tomando para si um cordeiro. Mas esse pensamento, logo era banido, dando lugar a outro, de ódio

e vingança.

Em sua agonizante luta, quando o sol já caminhava para o poente anunciando outra escura

noite, Caim vencido pelo orgulho tomou trágica decisão: Jamais aceitaria o plano da redenção

simbolizado pelo cordeiro sobre o altar. Essa decisão, qual seta dolorosa rasgou o coração de Yahwéh

e de suas hostes. fazendo-os prostrar em triste lamentação pela perdição daquele filho amado. Era

terrível pensar que muitos no desenrolar o grande conflito pelo trono do Universo, haveriam de

seguir os passos de Caim!.

Cessada a batalha, Caim ergueu-se com um sorriso maldoso nos lábios. Não teria mais conflitos

em sua consciência! Não seria mais perturbado pela idéia do sacrifício! Lutaria agora, e construiria

com sua sabedoria e força, um paraíso de paz e prosperidade.

----****----

 

Mais uma noite surgiu, trazendo com suas trevas a insônia de uma aventura louca, desumana e

cruel, que agora era planejada por Caim. Com o coração dominado pelo mal, dizia para se naquela

noite, que era a primeira da semana:

- Assim que raiar o dia, visitarei o lar de Abel. Fingindo estar arrependido, pedirei dele um

cordeiro para o meu altar. Pedirei que ele me acompanhe até o rebanho, que pernoita em pastagens

distantes; Sei que ele de boa vontade me atenderá. Quando em nossos passos, nos encontrarmos

distantes de seu lar, eu o farei compreender a dor sentida pelos cordeiros. Depois de matá-lo, o

esconderei na floresta, longe do alcance dos olhos de sua companheira e de seus pais. Comemorarei

então o seu fim, unindo-me à minha companheira, como ele o fez após a morte do cordeiro. Quando

surgir o entardecer - esse que com seu arrebol não trará mais Abel para o seu lar- fugirei com

minha irmã para o vale de onde regressei outrora, e de lá jamais voltarei à essa colina hostil, onde

cordeiros perecem sem culpa. Caminharemos assim até alcançarmos o berço da luz, que estende-se

nas campinas do Éden. Ali, longe dos rogos e conselhos desse meu intolerável pai, oferecerei ao

Senhor da luz, cultos de flores e frutos : produtos que nascem sob seu brilho.

O sol em sua marcha oculta, anunciou no horizonte distante os sinais do amanhecer, num clarão

que, refletido por uma nuvem, tornava-a parecida a um manto banhado em sangue. Caim que trazia

nos olhos as marcas da insônia, ocultou à sua companheira o motivo que não o deixara dormir. Sorriu

simplesmente após ver surgir o Sol, e saiu prometendo regressar assim que sacrificasse no campo um

cordeiro. Achando estranha sua atitude, sua irmã perguntou-lhe o por que de não oferecer a oferta

sobre o altar. Ele desculpou-se dizendo que manteria seu propósito jamais macular o seu altar com

sangue de inocentes animais, mas cumpriria a vontade divina, sacrificando um cordeiro para alcançar

a benção sobre o seu matrimônio, mas o faria distante, no campo. Após cumprir esse compromisso,

retornaria para ela, e seriam a partir de então uma só carne.

Abel alegrava-se naquela manhã ao lado de sua amada que, com um sorriso despertara como de

um sonho, reclinada ao seu peito, onde pulsava um coração o qual não podia ela imaginar, enviaria

naquele dia, num último esforço, a seiva da vida, para não mais retornar. Abel seria como um

cordeiro sobre o altar.

Depois de cingir-se com o instrumento da morte, Caim com passos movidos por uma decisão

que não seria revogada, ladeou a casa de seus pais, aproximando-se do lar de Abel que, ainda aos pés

do altar, permanecia com sua companheira, trocando juras de um amor eterno. O olhar de ternura de

Abel, sob o brilho do alvorecer trouxe para aquela jovem uma lembrança que a comoveu.

Acariciando sua face coberta pela barba macia qual lã, com os lábios trêmulos de emoção, sussurrou-lhe:

- Querido, o seu olhar é para mim como o olhar de um cordeiro: me traz segurança, paz e

esperança. Sou grata por poder contemplar esses olhos em que brilha o amor! Tudo o que eu quero,

é que eles jamais se fechem para mim!

Com emoção Abel beijou sua companheira depois de ouvir suas palavras de carinho, e

respondeu-lhe com um sorriso:

- Querida, somente a morte os poderá fechar; mas mesmo a morte não poderá serrá-los para

sempre, serrá-los para sempre, pois no alvorecer eternal, eles se abrirão para você com um brilho

que jamais será desfeito por essa sombra!

Abel dizia essas palavras, quando os passos de Caim se fizeram ouvir em aproximação. Ao

ouvirem-no chamar por Abel, saíram-lhe ao encontro, e ficaram felizes ao vê-lo expressar sua

decisão de sacrificar um cordeiro. Como não possuía rebanho, desejava adquirir um de seu irmão.

Abel prontamente autorizou-o a tomar de seu rebanho, não somente uma ovelha, mas quantas

precisasse, até que formasse o seu próprio rebanho.

Caim, com um sorriso agradeceu-lhe a dádiva, mas acrescentou:

-Meu caro irmão, não aprecio abusar de sua bondade, mas eu gostaria imensamente que você

me acompanhasse até o rebanho, pois as ovelhas certamente fugirão de mim que não sou pastor.

Abel consentiu de boa vontade em acompanhá-lo. Abraçou então sua companheira,

prometendo logo regressar - promessa que em dor veria desfazer-se no seu corpo ferido e em seus

olhos a escurecer em sangue, semelhante ao triste arrebol que não o traria de volta para os braços de

sua amada.

Abel alegrou-se ao saber que seu irmão tomara a decisão de sacrificar um cordeiro. Enquanto

caminhavam rumo ao rebanho, conversavam sobre a experiência do casamento: benção alcançada

mediante o sangrento sacrifício.

Quando já estavam distantes de seus lares, avistaram o rebanho que pastava sob o sol matinal.

Abel adiantou-se em seus passos fazendo soar sua voz de pastor. As ovelhas de uma só vez ergueram

a cabeça, olhando na direção do bom pastor.

Caminhando em direção ao rebanho, Abel pediu a seu irmão que o aguardasse naquele lugar

enquanto tomaria um cordeiro gordo para o seu altar. Não ouvindo resposta de Caim, Abel olhou

para traz, e surpreendeu-se ao ver que o semblante de Caim estava transtornado e seus olhos não

expressavam gratidão, mas ira. Abel voltando-se para ele, perguntou-lhe o por que de sua

infelicidade. Disse-lhe que Elohim o amava, e visto que estava decidido a oferecer-Lhe um cordeiro, o

seu casamento seria abençoado e desfrutariam paz na alma. Em resposta às palavras amorosas de

Abel, Caim disse-lhe friamente:

-Você é o cordeiro que eu quero sacrificar”

Depois de fazer-lhe esta cruel declaração, Caim tirou do interior de sua veste uma faca de pedra

e avançou sobre o seu irmão que, pálido rogava-lhe, desferindo-lhe um profundo golpe na face. O

sangue imediatamente jorrou como de um cordeiro, fazendo Abel estremecer de medo. Teria já

chegado o dia de depor a vida?! Enquanto com um gemido indagava, sentiu outro golpe que em sua

violência o fez tombar ao solo. Em sua mente atordoada pela dor, num último esforço de sua

consciência, lembra-se daquelas juras de amor trocadas no alvorecer. Em seu delírio de morte,

parecia ouvir sua amada dizer-lhe com os lábios trêmulos pela emoção:

- Querido, o seu olhar é como o olhar de um cordeiro...; Tudo o que eu espero, é que eles

jamais se fechem para mim! Revive assim com esforço, seu último beijo acompanhado por sua

promessa que a fez sorrir: - Somente a morte os poderá fechar; mas mesmo ela não os poderá serrar

para sempre, pois no alvorecer do dia eternal eles se abrirão para você com um brilho que jamais

será desfeito por essa sombra.

Após lembrar este juramento de amor, Abel vencido por um golpe fatal, mergulhou na

inconsciente treva, seguro de que em breve essa sombra seria banida de seus olhos, no dia da

ressurreição.

Caim somente cessou de golpear seu irmão, depois de certificar-se de que ele estava realmente

sem vida. Arrastou-o então até a floresta, deixando-o ali coberto com folhagens de capim.

Retornando para sua casa, Caim mostrou à sua companheira as marcas de sangue em suas

mãos, e disse que atendera o pedido Eterno, sacrificando um cordeiro. Agora, estavam livres para se

unir sob a benção do Senhor. Vencidos pela paixão carnal, uniram-se então sob o brilho daquele sol

que já não brilhava para Abel.

Quando o sol tingia o horizonte com seu arrebol, Caim lembrando-se de seu crime levantou-se

sobressaltado, e disse para a sua companheira que em seu sacrifício, prometera ao Senhor da luz

apresentar suas flores e frutos como uma oferta de gratidão pela benção alcançada. Essa oferta

deveria ser oferecida nas divisas do Éden por ocasião do alvorecer. Precisavam, portanto, partir

imediatamente.

Sem questionar a vontade de seu marido, aquela jovem reuniu apressadamente suas vestes e a

oferta de gratidão, e partiram para dentro da noite. Caim tinha pressa, pois sabia que a ausência de

Abel naquela noite, traria a revelação de seu crime, o qual pretendia para sempre ocultar de sua

esposa.

----****----

Banhada pela luz do arrebol, aquela jovem esposa sorria, certa de que abraçaria o seu Abel

antes da noite. Contemplando o sol em seu declinar sobre as campinas de onde esperava vê-lo

regressar, com saudade lembrava do alvorecer que em sua luz revelara os olhos de seu esposo,

compassivos como os de um cordeiro. Emocionou-se ao lembrar do pedido que num sussurro lhe

fizera: - Tudo o que eu quero é que seus olhos jamais se fechem para mim. Lembra-se de sua resposta

carinhosa: - Querida, somente a morte poderá fechá-los; mas mesmo essa não poderá cerrá-los para

sempre, pois no alvorecer eternal eles se abrirão para você com um brilho que jamais será desfeito

por essa sombra”.

Com essa lembrança, a jovem esposa viu enfim o sol mergulhar em seu túmulo de morte e vida,

envolvendo com seu último clarão a campina vazia e seu coração que a pulsar com saudade,

permaneceria também vazio.

Franzindo a testa com preocupação, aquela jovem indagava:

- Por que não vem o meu amado?!

Movida pelo anseio, correu até a casa de seus pais, onde imaginava o encontrar. Chamando-o,

porém, não ouviu nenhuma resposta além do ruído dos passos de seus pais que, curiosos saíram-lhe

ao encontro , indagando:

- Filha, você está procurando por Abel? Ele ainda não chegou?

-Não,- respondeu a filha, já com lágrimas nos olhos, - ele ainda não chegou!

Embora preocupados, aqueles pais abraçaram a filha procurando consolá-la, dizendo que ele

logo estaria em seus braços. Em sua preocupação velada, perguntaram então à filha:

- Já faz tempo que ele saiu?

-Logo após despertarmos, no alvorecer - respondeu.

A esta resposta, seguiu um silêncio de inquietantes indagações, enquanto juntos tentavam

divisar em vão seu vulto sob aquele prado banhado pelo último rastro de luz.

Suspirando profundo, Adão já suspeitando um possível mal, indagou de sua filha:

- Ele saiu sozinho?

Soluçando ela respondeu:

-Caim nos despertou pela manhã, pedindo um cordeiro, e Abel saiu com ele.

Preocupado, Adão saiu silencioso e dirigiu-se à casa de Caim. Chamando ali por ele, não ouviu

nenhuma resposta. Rompeu então através das folhagens para o interior daquela cabana, onde leu no

triste vazio um presságio doloroso de traição , confirmado numa veste manchada de sangue,

apagando-se na penumbra.

Vencido pela angústia, Adão caiu ao solo rompendo-se em pranto; Não querendo, contudo,

revelar seu desespero à sua filha e esposa que precisavam de consolo para vencerem aquela triste

noite, Adão num esforço imenso enxugou as lágrimas e firmou-se contra as emoções, ao ouvir os

passos delas em aproximação.

Do lado de fora, Eva e sua filha esperançosas de encontrarem alí Abel em visita a seu irmão,

indagou:

- Eles estão aí papai?

A voz esperançosa de sua filha em meio àquela noite, foi qual seta a sangrar seu coração, e

temia responder sua pergunta. Finalmente, caminhou na direção de sua filha, e vendo-a sofrer pela

ausência de seu companheiro, procurou consolá-la dizendo:

-Filha, confie no poder do Criador. Ele cuidará dele, e o trará no alvorecer!

As palavras de consolo de Adão, contudo, longe de suavizarem o pranto daquela jovem,

mergulhou-a em maior sofrimento, fazendo-a reviver em lembranças as promessas de Abel proferidas

naquela manhã; Ele havia dito que se algum dia os seus olhos fossem apagados pela morte, eles se

abririam para ela no alvorecer do sábado eterno.

----****----

Caim e sua companheira em seus passos apressados de fuga, encontraram-se finalmente

distantes da colina, mergulhados naquele vale de trevas que jamais entregaria de volta àquelas pais

sofredores seus filhos rebeldes. Caim agora, ao lado de sua esposa, ufanava-se zombando das trevas,

prometendo desfazê-la em breve com sua força.

Vencidos pelo cansaço, tombaram ao solo, onde adormecidos ficaram até serem despertos pelo

alvorecer. Refeitos da fadiga, continuaram a jornada pelo caminho da aventura, em passos que faziam

Caim se lembrar daquela caminhada interrompida pela incoerência. Quão tolo havia sido, pensava,

em dar ouvido a voz do anjo! Se houvesse continuado em sua missão, possivelmente já teriam um

paraíso banhado por uma eterna luz.

Entardecia quando o casal fugitivo alcançou o vale de ossos, lugar em que Caim outrora sentira

grande medo. Ao passar por aquele lugar, Caim estremeceu. Temia agora não as trevas que

lentamente baixavam sobre o vale, mas a luz.

Percebendo o seu temor, sua companheira perguntou-lhe:

- Você está temendo as trevas?

- Estou temendo a luz, respondeu Cai: - Aquela que me fez caminhar rumo à morte.

 

Não entendendo o que ele queria dizer, sua companheira insistiu para que ele esclarecesse o

mistério. Com impaciência, Caim revelou que estavam nas divisas do Éden; lugar onde encontrou-se

outrora com o anjo. Tendo dito isto, apontou para a esquerda acrescentando: - Sigamos nesta

direção, pois não quero encontrá-lo novamente.

Tomando-a pelo braço, caminharam rápidos, aproveitando a última luminosidade do arrebol.

Quando enfim seus passos não podiam ser dados sem dificuldades por causa das trevas,

contemplaram por entre as ramagens um brilho que, mais intenso que o do sol, permaneceu por um

momento, desvanecendo-se. Imóvel ao lado de Caim, suas esposa, curiosa indagou:

-Você viu?

-Sim , respondeu Caim a tremer.

- O que será?

À essa indagação, Caim não respondeu, simplesmente tomou-a pela mão e disse:

- Voltemos. Fujamos dessa luz que nos poderá matar.

Sem compreender o mistério, a jovem esposa o seguiu em passos rápidos que, aqui e acolá,

eram impedidos por tropeções que os lançavam ao chão. Nessa fuga, porém, não conseguiram

esquivar-se do brilho que surgiu-lhes mais forte diante dos olhos.

Enquanto espantados tentavam num último esforço fugir noutra direção, foram detidos por uma

forte mão que, desvendando os seus olhos, revelou diante deles a face de Yahwéh, mais brilhante que

o sol.

Não sabendo como encará-Lo em Sua luz de justiça, Caim temendo ser castigado pelo seu

crime, curvou a cabeça entre as mãos. O Criador indagou-lhe então com seriedade:

- Onde está Abel o seu irmão?!

Como insistisse nesta pergunta, Caim envergonhado por ter de confessar o seu terrível crime

diante de sua companheira, de quem queria ocultar, respondeu simplesmente:

- Não sei. Sou eu o guardador de meu irmão?!

Indignado por esta resposta de desprezo e irresponsabilidade, Yahwéh disse-lhe com firmeza:

- Que fizeste Caim! A voz do sangue do seu irmão clama a mim desde a terra. Agora -

continuou Elohim - maldito será nesta terra que recebeu o sangue inocente de seu irmão.

Com voz cheia de tristeza, Yahwéh continuou:

- Até este dia, o cobri de bênçãos, fazendo prosperar o seu labor na terra, dando-lhe prazer

nesta realização; desde agora, já não poderei abençoá-lo, pois pela espontânea rebeldia você cerrou

os canais desta benção. Por isso, caminhará sempre vagabundo sobre esta terra amaldiçoada por

sua culpa, fugitivo da luz desta face que sempre sorriu-lhe perdão e salvação, até tombar vencido

pela rebeldia dentro da eterna noite.

Depois de revelar sua triste e irremediável situação, o Criador ergueu a voz e chorou

amargamente. Duro Lhe era despedir para a morte aquele filho amado que, pela insistente rebeldia

selara seu destino eterno.

Caim todo trêmulo, tomado pelo medo e horror pela sua deplorável condição, com desespero

clamou a Elohim: - Volta Senhor, volta! Conceda-me somente uma benção!

Movido pelo Seu infinito amor, Yahwéh tornou-se para Caim que trêmulo Lhe falou de seu

temor:

- Tenho medo dos perigos da floresta, e daqueles que quererão no futuro procurar-me para

vingar o sangue de meu irmão que derramei”.

O Criador teve compaixão de Caim, prometendo-lhe proteção. Como sinal dessa promessa,

acariciou-lhe a face, fazendo-lhe desaparecer a abundante barba.

Depois deste gesto de pai amoroso que acaricia o filho mesmo na eterna partida, Caim viu

desaparecer diante de seus olhos o brilho daquela face banhada pelas lágrimas, produzidas por sua

ingratidão.

----****----

A noite de desespero e pranto foi finalmente foi banida pelo brilho de um novo alvorecer que

com sua luz revelaria uma tristeza ainda maior.

Antes mesmo que o sol mostrasse sua face sobre o vale oriental, a jovem viúva juntamente com

seus pais caminharam apressados pelos campos rumo às pastagens onde o rebanho pastava naqueles

dias. Com o coração ainda a palpitar esperança, avistaram ao longe o rebanho. Chamaram ali por

Abel, mas suas vozes não trouxeram nenhuma resposta além de um eco vazio. Seus olhos

discerniram então através das lágrimas, as marcas da dor, naquele gramado amassado e coberto de

sangue. Vencidos pela tristeza, seguiram dolorosamente as manchas de sangue, até encontrarem o seu

corpo dilacerado, sob aquele capim coberto de moscas. Diante desta cena de terrível humilhação,

ergueram as vozes em gritos de pavor, não suportando a dor da separação. Ali permaneceram em

agonia, até verem o sol tombar em seu mais melancólico entardecer. Quão dolorosa lhes era o

pensamento de terem de regressar para casa, deixando alí o amado Abél a desfazer-se em sua fria

noite.

Lembrando de sua infância, quando em seu leito o cobriam com amor, prometendo despertá-lo

no alvorecer com um beijo, aqueles pais com um doloroso esforço o cobriram novamente com aquele

capim, com a certeza de que no alvorecer do dia eterno o beijariam em seu em seu despertar feliz.

Com dificuldade deixaram finalmente aquele lugar já tomado pela noite e apalparam-se na

direção daquelas casas vazias, cujas paredes floridas já não traria para eles alegria.

----****----

Vencida pelo horror da dura revelação, a esposa de Caim prostrara em desmaio, vindo a

despertar pouco depois da partida de Yahwéh. Ali em meio às trevas, lembrou-se da terrível

revelação de Elohim, e ficou possuída por grande medo. Temia não somente as trevas, mas

principalmente a Caim. Pensou em gritar por socorro; mas quem a salvaria?! Dominada por esses

sentimentos, ficou atenta, esperando pelo amanhecer que revelou ao seu lado o corpo adormecido de

alguém que não se parecia com Caim. Assustada, temendo despertá-lo, afastou-se alguns passos

recostando-se num tronco de árvore, onde permaneceu até vê-lo levantar a face lisa , chamando por

ela. Reconhecendo ser a voz de seu esposo, moveu-se em sua direção, mas logo deteve-se dominada

pelo receio. Indagando em seu coração sobre o mistério de sua face agora lisa, disse-lhe:

- Tenho medo de aproximar-me de você!

Depois de expressar o seu temor, revelou outro maior:

- Tenho também medo de fugir de você!

Erguendo-se com um sorriso, Caim perguntou-lhe:

- Por quê você me teme?

- Porque temo a morte, respondeu aflita.

- Eu também, até ontem era como você, tinha medo da morte, disse-lhe Caim.

- Agora não a teme mais? Indagou-lhe sua esposa.

- Não a temo, respondeu Caim, passando a mão no rosto liso.

- Mas o que baniu-lhe o seu temor? Perguntou-lhe a jovem, temendo ainda aproximar-se.

- Vê minha face agora lisa? Este é o sinal de uma promessa feita pelo Senhor.

- Qual promessa? perguntou-lhe sua companheira, aproximando-se agora sem receio.

Caim falou-lhe então da benção prometida e confirmada naquele sinal, da qual partilharia

também ela, se o seguisse em seus passos. Não encontraria segurança e vida, contudo, ausentando-se

dele.

Consolada pela promessa de proteção garantida no rosto liso de seu esposo, aquela jovem o

seguiu numa longa caminhada em contorno ao Éden. Planejavam contorná-lo, alcançando o vale

oriental que estendia-se para além de seu impenetrável prado; Ali construiriam um altar

estabelecendo o seu novo lar.

----****----

Caim e sua companheira alcançaram finalmente em sua jornada um vale que, coberto por

densa floresta estendia-se ao oriente do paraíso. Ali naquele ambiente de aparência hostil teriam

temido não fosse a promessa assinalada na face de Caim.

Almejando encontrar além um lugar melhor, construíram ali um altar provisório, onde no

alvorecer do primeiro dia de uma nova semana, ofereceram ao Senhor revelado na face do Sol, flores

e frutos - símbolos de fecundidade. Sob a luz do alvorecer uniram-se novamente naquele ato

comemorativo da vitória que julgavam haver encontrado.

Depois de unir-se à sua mulher, Caim ergueu-se ante o altar dedicando ao Senhor representado

pelo sol, o seu lar. Pediu que os tornassem fecundos para darem a muitos filhos o direito de

contemplar-lhe a face de brilho.

Caim concluiu sua prece de consagração, com uma promessa confirmada por um sinal,

dizendo:

- Se atentares para a nossa súplica, trazendo em teu brilho fecundidade, construiremos por

onde andarmos altares em honra a ti, onde o adoraremos com ofertas de gratidão. Como sinal de

nossa fidelidade, consagraremos para o teu culto, este dia que nos unes sob tua luz, o qual

chamaremos pelo teu nome: O DIA DO SOL.

 

 

Quem Traduziu a Bíblia dos Cristãos?

Qui, 15 de Setembro de 2011 05:52

Quem traduziu as escrituras dos cristãos chamados
evangélicos?

Seria esta escritura confiável?

Por acaso não foi um padre chamado João Ferreira de Almeida
quem a traduziu?

Se você é um cristão você aceitaria um padre subir no púlpito
de sua igreja e dar um ensino sobre as palavras do Eterno? Você confiaria nas
palavras dele? Ou você ficaria cabreiro com as palavras de um padre?

Seja inteligente e pesquise mais sobre sua fé e sua bíblia,
pois disso depende sua salvação. Estão mentindo para você a quase dois mil
anos. Abre sua bíblia em Gálatas 5.1-4

Segundo este texto “Paulo” é contra a circuncisão. Se ele é contra
porque ele fala bem dela?Romanos 3.1-4. Porque ele circuncisa um homem chamado Timóteo?
Atos 16.1-3

Segundo este texto diz que “Paulo”o circuncidou por causa
dos judeus que estavam lá. Isso não seria dissimulação? Por acaso não foi ele mesmo
contra dissimulação de“Pedro”  ?Galatas:2.1-21
Pesquise, pois essa bíblia do padre João Ferreira de Almeida contém cinqüenta e
dois mil erros de tradução. O Personagem “Paulo” nunca se chamou Paulo. Jesus é
um deus pagão. Pesquise, pois estão mentindo para você. O nome do Messias a
quem vocês chamam Jesus nunca teve esse nome. Nome não muda. O salvador do
mundo se chama Ye’shua.

Entre neste link e pesquise por si próprio.

http://www.youtube.com/watch?v=5PpSK5hPzEw

A Nova Ordem Mundial

Seg, 29 de Agosto de 2011 22:37

"A ordem internacional da Guerra Fria refletiu-se em um modelo teórico e didático de apreensão do espaço mundial. Esse modelo fundado na subdivisão do globo nos "três mundos" dos livros de geografia apoiava-se em realidades que entraram em colapso.
A nova ordem mundial implica a revisão dos conceitos tradicionais que, por décadas, serviram para explicar a organização geopolítica e geoeconômica do espaço mundial.
O deslocamento da natureza do poder dos arsenais nucleares e convencionais para a eficácia, produtividade e influência das economias constituiu um dos mais notáveis fenômenos que acompanharam a dissolução da ordem da Guerra Fria.
A multipolaridade do poder global substituiu a rígida geometria bipolar do mundo do pós-guerra. A internacionalização dos fluxos de capitais e a integração dos fluxos de capitais e a integração das economias nacionais atingiram um patamar inédito. Como conseqüência, os pólos de poder da nova ordem mundial apresentam contornos supranacionais. Delineiam-se megablocos econômicos organizados em torno das grandes potências do fim do século.

  • Na América do Norte, constitui-se a Nafta, polarizada pelos Estados Unidos.
  • Na Europa, a Alemanha unificada funciona com eixo de ligação entre o leste e o oeste do continente.
  • No Pacífico, o Japão centraliza uma vasta área de influência.

A dissolução do Segundo Mundo expressa na transição para a economia de mercado na antiga União Soviética e Europa oriental suscita questões cujas respostas somente aparecerão nos próximos anos.
A geometria do poder europeu depende ainda do desenvolvimento das relações econômicas e políticas entre a Alemanha unificada e a Rússia pós-comunista. Essas relações podem conduzir ao deslocamento do eixo de poder europeu para o segmento da reta Berlim-Moscou, que se tornaria o sucessor do velho triângulo Londres-Paris-Bonn.
As reformas econômicas chinesas apoiadas sobre o alicerce do poder monolítico comunista - representam uma reorganização radical do espaço do leste asiático. Os crescentes investimentos dos chineses de Formosa, dos coreanos do sul e dos japoneses no território continental da China assinalam a integração de Pequim à esfera econômica polarizada por Tóquio. Os indícios de retomada das relações políticas e diplomáticas entre Japão e China abrem a possibilidade da emergência de um poderoso bloco supranacional asiático.
O Terceiro Mundo funcionou, por muito tempo, como um conceito crucial na reflexão e na prática didática da geografia. Ele representou uma tentativa de cartografar a pobreza, definindo seus contornos em escala global. A nova ordem mundial assinala a fragmentação do Terceiro Mundo em espaços periféricos, que tendem a se integrar marginalmente aos megablocos econômicos.

  • Os "Dragões Asiáticos" e os países pobres da Ásia meridional funcionam como áreas de transbordamento dos capitais japoneses.
  • A Europa do leste e do sul, bem como a África do norte, associa-se ao núcleo próspero da Europa centro-ocidental.
  • A América Latina entrelaça seu destino ao da América do Norte.

A nova ordem mundial ergueu-se sobre uma revolução tecnocientífica que reorganiza o alocamento dos capitais no espaço geográfico. A crise das velhas regiões urbanas e industriais desenvolve-se paralelamente à emergência de eixos de crescimento econômico apoiado em novas tecnologias industriais, nas finanças e nos serviços. Nesse movimento, a pobreza dissemina-se por toda a superfície do globo, avançando sobre as fronteiras do Primeiro Mundo e instalando-se no coração dos Estados Unidos e da Europa ocidental. No mundo todo, microespaços de prosperidade convivem com cinturões envolventes de pobreza e desemprego. Vastas regiões da África Subsaariana, América Latina e Ásia meridional conhecem as tragédias associadas à miséria absoluta. A nova ordem mundial não é mais estável ou segura que a ordem da Guerra Fria. Se o espectro da catástrofe nuclear parece ter sido afastado, novos demônios tomaram-lhe o lugar. A emergência dos nacionalismos e da hostilidade étnica, o ressurgimento do racismo e da xenofobia e a multiplicação dos conflitos localizados evidenciam a componente de instabilidade introduzida pela decadência das velhas super-potências. O século vindouro não promete um mundo melhor para se viver que o século que se encerra".

Artigo do Dr. James Trimm

Traduzido: Robespierre c cunha

A Teologia Moderna ensina que o Novo Testamento foi escrito em grego. Eis aqui seu principal argumento e a refutação feita atualmente baseada em fatos históricos, bem como descobertas arqueológicas.

Eles afirmam:

Primeiro Erro:

1. Os manuscritos mais velhos são gregos.

Resposta: Para falar a verdade as nossas cópias mais velhas do livro de Mateus estão no Hebraico (o único livro do NT que nós temos em hebraico) e a sua datação é antes da Idade Média. E é verdade que a mais velha cópia dos livros do Novo Testamento em Aramaico, data antes do 4º século d.c.

Para começar, precisamos entender que a descoberta do rolo do mar morto em 1947, é, de fato a mais antigo do TANAK (Velho Testamento) e ele data muito antes da Idade Média. Contudo, a nossa cópia mais velha do Tanak é oriunda da cópia grega da LXX ( Septuaginta ) que veio a nós no quarto século; entretanto, ninguém argumentaria neste ponto que os originais do Tanak vieram do grego, como sendo o idioma original do Tanak, mas sim do hebraico, porém, desde que as cópias do Mar Morto foram encontradas, a nossa tradução do Tanak continua a mesma da LXX (Septuaginta) do quarto século.

Outro Exemplo, a nossa mais velha cópia do livro de Éster no hebraico, veio da Idade média E, no entanto, até pouco tempo atrás, a copia do hebraico mais antiga que possuímos datava da idade média. Sendo que a copia mais antiga de Ester no grego data do século IV, entretanto, ninguém duvida que o idioma original foi o hebraico e não o grego.

O tempo da composição do livro de Éster (uma das mais velhas cópias hebraicas), foi por volta de 1.500 anos. Sendo o mesmo lapso de tempo na composição do livro de Mateus (um dos mais velhos livros hebraicos)! O fato de que a cópia deste livro tem um lapso de tempo de 1.500 anos não anula a originalidade hebraica do livro de Ester.

Embora não houvesse papiros hebraicos do livro de Mateus, encontrados entre os Cristãos (modernos), outros livros como Isaias, ou qualquer outro papiro hebraico do Velho Testamento, também não foram encontrados entre eles. Isaias é o único papiro hebraico encontrado entre os fragmentos do Mar Morto do Tanak, e não estava entre os livros descobertos entre os papiros dos Cristãos atuais.

Como poderíamos supor que o livro de Mateus ou qualquer outro livro hebraico ou aramaico do Novo Testamento foi mais preservado do que o Tanak, ou seja, os Livros do velho Testamento? Interessante é que encontraram os fragmentos do Novo Testamento e nada encontraram do Velho Testamento, porém, somente o Novo...e isto não significa que o Velho Testamento foi escrito em hebraico, como todos sabemos que de fato o foi.

O fato de não encontrarmos fragmentos da Primeira Aliança em hebraico ou Aramaico entre eles não é prova suficiente para afirmarmos se o foi ou não escrito por este ou aquele idioma, mas, o contrário também não é totalmente explorado pelos que afirmam ser em grego.

O mais velho Papiro Grego que temos conhecimento do Novo Testamento é o Papiro P52 que são fragmentos de alguns versos do livro de João (Yohanan). O estilo e a maneira destes versos suportam a maneira precisa dos velhos textos Siríacos Aramaicos, ou seja, o estilo destes versos suporta a versão que são oriundas do aramaico.

A nossa cópia mais antiga do Novo Testamento Grego data quarto século e é também a mesma idade da mais velha cópia dos manuscritos aramaicos do Novo Testamento.

Os originais em Hebraico e Aramaico do Novo Testamento jamais poderão ser desconsiderado ou refutado pelo fato de existir fragmentos de papiros gregos que pré datam da mesma época e data igual ao hebraico e aramaico.

Segundo Erro:

2- As citações gregas do Novo Testamento são da Septuaginta “Velho Testamento”

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Resposta :

A) Atualmente descobrimos que a principal tendência do Novo Testamento em grego veio do hebraico e aramaico, encontrando-se em harmonia com o texto Masorético e da Peshita em aramaico- Tanak.

B) Falar que o texto veio da Septuaginta, não prova e não significa que veio de fato da Septuaginta. Isso porque as cópias hebraicas do livro do Tanak (VT) encontrados entre os rolos do Mar morto não se harmonizam com a Septuaginta, mas sim com os manuscritos hebraicos.

Terceiro Erro:

3- Testemunhas e escolados PHDs. disseram explicitamente que concordam com o exposto acima, ou seja, Novo Testamento como sendo oriundo do grego

Resposta: Isto nada quer dizer, pois outros PHDs de largo conhecimento acerca desses estudos afirmaram que o Novo Testamento foi escrito em Hebraico e Aramaico.

Quarto Erro:

4- Lucas era grego e isto implica que ele escreveu em idioma grego.

Resposta: Atualmente sabemos que Lucas era Siríaco de Antioquia (Eusebius; EccL. Hist. 3:4) sendo assim, obviamente, sua linguagem nativa era o Siríaco, isto é, um dialeto Aramaico.

Quinto Erro:

5- Lucas e Atos foram escritos em grego chamado “Theophilus”.

Resposta: Descobertas atuais mostram que Theophilus era um Judeu que foi sacerdote do ano 37 a 41 D.C (Josephus; Ant. 18:5:3) Um Siríaco convertido ao Judaísmo, assim como Lucas o era. Todos os sacerdotes escreviam em Aramaico!

Sexto Erro:

6- O Grego era a língua judaica naquele tempo.

Resposta: O historiador Flávio Josephus no primeiro século (37-c. 100 C.E) testifica o fato que os Judeus do primeiro século falavam o hebraico. Ele testifica que o hebraico, e não grego, era a língua daquele lugar, naquele tempo.. Josephus fala a respeito da destruição do templo no ano 70 D.C, e de acordo com ele os Romanos tinham tradutores judeus que rogavam a eles a se renderem na sua própria língua.(Guerras 5:9:2).

Entretanto, Josephus nos dá um vislumbre da linguagem daquela época, do povo Judeu do primeiro século, “Precisamos ser grandes artistas para entender a respeito dos gregos, e compreender os elementos da sua linguagem, pois uma vez habituados a falar a nossa própria língua, eu não pronunciaria grego com exatidão, pois nossa nação não nos encoraja a aprender as muitas línguas das nações”. (Ant. 20: 11:2).

Como podemos observar, Josephus ajudou a entender claramente que os judeus do primeiro século não falavam e nem compreendiam o idioma grego, mas falavam em sua própria língua.

As confirmações das palavras de Josephus são respaldadas pela Arqueologia. As inscrições encontradas nas moedas de Bar Kohba são um exemplo disso. Estas moedas circulavam naquela época entre os judeus durante a revolta de Bar Kokhba (c.132 D.C). Todas estas moedas estampam unicamente inscrições hebraicas. Outras incontáveis inscrições encontrada nas escavações do Monte do Templo, Massada, e em várias tumbas judaicas, tem revelado que nos primeiros séculos da Era Messiânica, as inscrições hebraicas mostram com profunda evidência que a linguagem usada era de fato o hebraico, e isto poderá ser confirmado nos mais antigos documentos daquele tempo, que têm sido descobertos em Israel, nisto incluem - se os rolos do Mar Morto e as Cartas de Bar Kohba.

Os rolos do Mar Morto consistem em mais de 40.000 fragmentos, ou seja, mais de 500 Rolos (Livros) datados de 250 A.C a 70 D.C. Estes rolos foram escritos em hebraico e aramaico. Um largo número de rolos e papiros seculares (que não pertencem ao manuscrito bíblico) estão no hebraico. As cartas de Bar Kohba e as cartas de Simão Bar Kohba e seu exército, escrita durante a revolta judaica de 132 D.C. Estas cartas foram descobertas por Yigdale Yadin em 1961 e são quase todas escritas em hebraico e aramaico.

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Duas destas cartas foram escritas em grego, mas o homem que escreveu, era grego, e tinha nome grego, e ele escreveu para Bar Kohba. Uma destas duas cartas, de fato pede desculpas a Bar Kohba por escrever no idioma grego, dizendo: “A carta foi escrita em grego por não ter ninguém que conheça hebraico aqui.”

Os rolos do Mar Morto e as cartas de Bar Kohba não foram incluídos nos documentos hebraicos do primeiro e do segundo século, mas nos dá evidência clara e concisa de que o dialeto deles era de fato o idioma hebraico. O dialeto destes documentos não eram o hebraico bíblico do Velho Testamento e não era o Mishnaic hebraico de Mishna (220D.C) o hebraico destes documentos é coloquial, isto é, um idioma vivo, fluído em um estado, no processo evolutivo bíblico para Mishnaic, hebreu. Alem disso o hebraico das cartas de Bar Kohba eram o hebraico Galileu (Bar Kohba era Galileu), enquanto que, os rolos do Mar Morto nos dão um exemplo da Judéia Hebraica. Comparando os documentos mostrados, sua localização geográfica e dialeto etc.... Chegamos a conclusão que o hebraico não era uma língua morta, mas ativa naquele tempo.

A evidência final de que nos primeiros séculos os judeus conversavam em hebraico e aramaico, poderá ser encontrada em outros documentos, naquele período e também mais tarde. Isto inclui os rolos do Mar morto em aramaico (66-70 D.C), as Cartas de Gamaliel em aramaico (c.30-110D.C), as Guerras Judaicas por Josephus em Hebraico (c.75D.C), a Misnha em hebraico (c.220D.C), e a Gemara em Aramaico (c.500D.C).

Mas relativamente às cartas de Paulo (Shaul) para a diáspora, o Aramaico era o assunto,e isto implica que a linguagem dos judeus da Diáspora na época do apóstolo Shaul (Paulo) era o Aramaico; e de fato inscrições Judaicas em aramaico foram encontradas em Roma, Pompéia e também na Inglaterra.

(see Proceedings of the Society of Biblical Archaeology "Note on a Bilingual Inscription in Latin and Aramaic Recently Found at South Shields"; A. Lowy' Dec. 3, 1878; pp. 11-12; "Five Transliterated Aramaic Inscriptions" The American Journal of Archaeology; W.R. Newbold; 1926; Vol. 30; pp. 288ff)

Sétimo erro:

7- Paulo era helênico, isto é, grego e escreveu suas cartas no idioma grego.

Resposta: Em relação às epistolas das Cartas Paulinas, e seus respectivos destinos, precisamos analisar primeiro o seu contexto ou pano de fundo (Tarsus). Era Tarsus uma cidade de Língua Grega? Poderia Paulo (Shaul) ter lido e aprendido Grego ali? Tarsus provavelmente começou em uma cidade de um Estado Hitita. Por volta de 850 A. C Tarsus tornou-se parte do Império Assírio, quando o Império Assírio foi conquistado por Babilônia por volta de 605 A.C. passou a fazer parte deste Império. Então, em 540 A .C O império Babilônico, incluiu Tarsus como parte do Império Persa. O Aramaico era a principal linguagem de todos os três principais e grandes impérios. Pelo primeiro século da Era nazarena o Aramaico permaneceu como o idioma principal vigente ainda naquela época em Tarsus. Moedas encontradas e esculpidas, tinham inscrições aramaicas.

Relativamente ainda sobre o idioma utilizado por Tarsus, existe também um grande questionamento se Paulo de fato foi trazido para Tarsus ou nasceu ali. O texto em questão é Atos 22:3:

“Eu sou certamente um judeu nascido em Tarsus, cidade da Cilícia, mas trazido a esta cidade e educado aos pés de Gamaliel, de acordo com o estrito costume de nossos pais ensinado na Torah. Sendo zeloso para com Elohim como o é até hoje.”

Muitos argumentos têm sido feitos por estudiosos a respeito do termo “trazido aos pés”. Alguns argumentam que se referem ao período de sua adolescência.

A chave do assunto em questão está em Atos 7:20-23:

“Por volta do nascimento de Moisés, assim como era agradável ao Senhor; ele foi trazido para a casa de seus pais por três meses, e quando ele estava pronto foi levado para a filha de Pharaó e educado como seu próprio filho. E Moises foi educado na sabedoria e arte dos Egípcios.”

O fato de que Paulo era helênico nada tem a ver com o argumento de que tudo deve girar em torno disso, pois já temos visto antes que Paulo nasceu em Tarsus, cidade onde o Aramaico era falado. Apesar da influência helênica que atingiu a cidade de Tarsus. Paulo ainda jovem deixou a cidade e foi trazido para Jerusalém. Ele descreve a si mesmo como Hebreu (II Cor 11:2) “ um Hebreu dos Hebreus” (Philip 3:5) e da tribo de Bejamim (Rom 11:1). É importante sabermos como o termo Hebraico era usado no primeiro século! O termo hebraico não era usado como termo genealógico, mas como termo cultural e lingüístico. Um exemplo disto pode ser encontrado em Atos 6:1 onde encontramos uma disputa entre hebreus e gregos.

Os estudiosos concordam que os gregos aqui mencionados são judeus helênicos (gregos) ( Atos 11:19) pouco helenizados (Atos 16:6-10). Em atos 6:1 é feito um claro contraste entre judeus e gregos que são claramente

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não helênicos. Os helênicos não eram chamados hebreus, que era o termo usado para designar os judeus não-helênicos.

Quando Paulo chama a si mesmo de “Hebreu” ele está enfatizando que não é grego- helênico e quando Paulo diz ser Hebreu dos Hebreus eles está enfatizando fortemente que não é helênico- grego. E isto está explícito - sua discussão com os Helenistas, eles intentaram matá-lo “Atos 9:29”, e porque ele escapou para Tarsus? (Atos 9:30), por que não havia um povo judaico helênico em Tarsus, se assim o fosse teria sido uma má escolha ir para Tarsus.

O passado Farisaico de Paulo nos dá informação para questionar o que estava no caminho de qualquer Helênico. Paulo chama a se mesmo “Phariseu” , filho de Phariseu “Atos 23:6), significando que ele era da lista da segunda geração de Phariseus. Tanto o texto Aramaico como o Grego, ambos, dão ênfase na frase “ Phariseu filho de Phariseu”. Na expressão semítica idiomática isto significa que era da terceira geração de Phariseu. Se Paulo (Shaul) era da segunda ou terceira geração de Phariseu, será difícil aceitar que ele tenha se levantado como Helênico Grego!. Os Phariseus eram fortemente contra os helênicos- gregos e se opunham a eles ferozmente.

(Shaul) Paulo coloca-se na posição de ser da segunda ou terceira geração de Phariseu, isso explica porque ele foi educado aos pés de Gamaliel. (atos23:3) Gamaliel era Neto de Hillel o principal daquela Escola. Ele era tão respeitado que no estado de Misnha se falava em relação a sua morte “Que a Kevod da Torah cessaria, e a pureza e modéstia morreriam.” Paulo fazia constante uso, por exemplo, dos papiros que continham os ensinamentos da Hillel. Todavia, é improvável que um Helenista tenha estudado aos pés de Gamaliel na Escola de Hillel, que era o Centro de Ensinamento Pharisaico do Judaísmo.

Oitavo Erro:

8- Shaul (Paulo) escreveu suas Cartas para diversos grupos em seu idioma grego.

Resposta: Em uma audiência com (Shaul) Paulo, um outro elemento que precisamos considerar é quando se fala das origens das epístolas. As Epístolas de Paulo (Shaul) eram enviadas para várias congregações da Diáspora. Estas congregações eram compostas de grupos mistos entre Judeus e Gentios. A congregação de Tessalônica era uma Assembléia assim como era a de Corintios (atos 17:1-4). Certas passagens das epístolas de Coríntios estão exclusivamente apontando para os Judeus ( I Cor 10: 1-2), por exemplo, Paulo estava escrevendo em primeiro lugar para a liderança Judaica destas diversas congregações.

“Qual é a vantagem do Judeu ou a utilidade da circuncisão? Muitas, em todos os sentidos! Para eles primeiramente as palavras do Eterno lhes foram confiadas.” (Rom 3:1-2).

Um dos fatores primários, que precisam ser discutidos relativamente a origem das epístolas de Paulo é entender seu propósito:

1) Que fosse lido para a congregação (Col 4:16; I Tess 5:27)

2) Que tivesse autoridade doutrinal ( I Cor 14:37).

]Toda a liturgia da Sinagoga durante o Segundo Templo era em Hebraico e Aramaico ( veja as palavras de Jesus Gustaf Dalman; Edinburg, Emngland; 1909). Paulo (Shaul) jamais escreveria cartas para serem lidas nas congregações em qualquer outra língua. Além disso, todas as cartas religiosas Judaicas para serem revestidas de autoridade Halachá(autoridade doutrinal), era escrita em hebraico ou aramaico. Paulo (Shaul) jamais deixaria passar por alto que suas epístolas entre eles fossem desprovidas desta característica, e isto justifica fortemente o motivo dele ter escrito em Hebraico e Aramaico.

Nono Erro:

9- Eles dizem: Existem frases e explanações do Hebraico e do Aramaico do Novo Testamento que não poderiam ter sido escritas em Hebraico e Aramaico.

Resposta: Estas explanações são de escritores com características gregas e não são características dos textos em Hebraico e Aramaico.

Décimo Erro:

10- O Novo Testamento foi escrito para o uso do povo gentio e os gentios daquele tempo falavam grego.

Resposta: Os primeiros Crentes em Yeshua eram Judeus. Os primeiros gentios que criam no nazareno, estavam centralizados em Antioquia na Syria ( 11:26). Os Syrios falavam Syriaco, um dialeto do Aramaico. Estes primeiros grupos teriam necessariamente um evangelho em Hebraico e aramaico. Isto deixa claro que se o Novo Testamento foi enviado para os gentios, isto não significa que estes gentios inicialmente falavam

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grego, pelo contrário os primeiros crentes gentílicos utilizavam o idioma hebraico e aramaico que também era falado pelos Syrios e Assírios

Mateus - Os escritos do livro de Mateus originais para os crentes Judeus eram em hebraico (Origen, citado por Eusebius, Eccl. Hist. 6:25) e de acordo com Jerônimo também afirma ter sido em Hebraico para beneficiar estes da circuncisão que tinham crido.(Jerônimo; Of Illustrius Men3). Este livro pode ter sido enviado para os Phariseus.

Marcos - Marcos provavelmente escreveu seu Evangelho para o uso dos gentios Assyrios que ele encontrou em Babilônia em companhia de Kefas (Pedro) (I Pedro 5:13).

Obs: Que idioma os Assyrios falavam? Aramaico!

Lucas e Atos – Lucas, um Syriaco,(Eccl. Hist 3:4) escreveu seu Evangelho para Theophilus que foi um sumo sacerdote de 37-41 D.C (Josephus; Ant. 18:5:3).

Yochanam - Escreveu seu Evangelho para os Judeus Essênios (II João 1:1) que eram místicos.

Yakov (Tiago) - Escreveu às doze tribos espalhadas (Tiago 1:1)

A polissemia em si, é a maior prova do NT, foi escrito em aramaico e Hebraico, exemplo a palavra Strike inglês pode ser traduzida:

como golpe e como greve. Se um dos manuscritos em português ou Inglês fosse original, não haveria como explicar a existência da variante. A única possibilidade é a de que o original traduzido por uma pessoa como golpe e por outra como strike (Greve). Este é o conceito da Polissemia: Uma palavra que gera diferentes traduções dependendo do manuscrito.

Existem muitos exemplos de Polissemia do aramaico para o grego. Isto porque, existem poucas palavras nas línguas semitas, com muitos significados diferentes. Já foi encontrado mais cinco diferentes manuscritos no grego, e a palavra na Peshita poderia ser traduzida como qualquer uma das cinco, tornando-se ,portanto, evidente a originalidade do Aramaico.

Vejamos alguns exemplos da Polissemia:

1) I Corintios 13:3. Em manuscritos gregos encontramos a palavra queimar, em outros vangloriar. No Aramaico a raiz é a mesma para ambas as palavras.

2) Em I Pedro 3:13, alguns manuscritos do grego trazem “Zelosos” enquanto outros trazem “imitadores” a raiz no Aramaico é a mesma para ambas as palavras.

3) Em apocalipse 2:20, alguns manuscritos do grego trazem “ Tolerar” outras trazem

“Sofrer” a raiz no Aramaico é a mesma para ambas palavras.

4) Em Efésios 1:18, alguns manuscritos do grego (Alexandrinos) trazem “coração”, enquanto outros ( Bizantinos) trazem entendimento. A razão é uma expressão idiomática do Aramaico, pois a expressão olhos do coração quer dizer entendimento.

5) Em Lucas 11:49, a maioria dos manuscritos do grego trazem expulsar, enquanto o texto Receptus traz perseguir. A palavra no Aramaico possui ambos significados.

Outro exemplo forte da origem semita do Novo Testamento são as estruturas poéticas presentes nos textos bíblicos. Alguns textos evidenciam nitidamente poesias e trocadilhos. Um exemplo interessante de trocadilhos é o de Atos 9:33-34. Neste texto, um homem chamado Aneas é curado. Ora, Aneas vem da raiz do Aramaico “anah” que quer dizer “afligido”. Quando Pedro fala com ele, não repete o nome, porém diz homem aflito, Yeshua Há’Mashiah te cura. Este trocadilho é completamente comum no grego, que traduz ambas as ocasiões como o nome do homem em questão. Todavia, aneas não era um nome, mas uma expressão “Homem aflito Yeshua te cura”.

Outra prova do Novo Testamento Hebraico e Aramaico, é que alguns textos gregos, possuem erros teológicos sérios, que resultam da tradução errada do Aramaico. É como se o tradutor não tivesse pleno domínio da língua. Como exemplo, no evangelho podemos citar:

1) Nos evangelhos encontramos uma menção a Simão, o “Leproso” o Leproso???

No texto grego (Mt. 26:6 e Mc. 14:3). O problema é que seria impossível um leproso viver dentro da cidade de Ânia, conhecida como Beit’Ânia; a explicação está no Aramaico. As palavras que indicam leproso e fabricante de jarros são semelhantes no Aramaico (Gar’ba=leproso e Garaba= Oleiro, fabricante de vasos) uma vez que o Aramaico é escrito sem vogais, as duas palavras estão escritas de forma idêntica. Observe que logo na seqüência tem uma mulher trazendo jarro.

Conclusão: Simão é fabricante de jarros e não leproso.

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2) O livro de Atos 8:27 fala da história de Felipe e um eunuco. Ora, o problema é que o eunuco está a caminho de Jerusalém, para adorar, ou seja, estava indo ao templo. Ora um eunuco não só seria aceito como prosélito entre os Judeus, como jamais seria permitido entrar no templo. E agora? A resposta está no Aramaico! A palavra usada para eunuco é a mesma usada como crente em Elohim (no Aramaico- M’haimna). Ou seja, o eunuco em questão não era um eunuco, mas sim um crente que temia ao Senhor de Israel.

3) Algumas frases no Novo Testamento no grego chegam a ser cômicas, de tão estranhas. No Aramaico não vemos tal confusão.

Você já tentou passar um camelo por um fundo de uma agulha, pois é, que furo de tradução! (Mt 19:24;Mc 10:25 e Lc. 18:25). A palavra em questão, no Aramaico, é Gamla da forma como ela é escrita sem vogais, pois o Aramaico não possui vogal. Pode tanto indicar camelo como corda. A última opção, obviamente, é que está claramente correta. O escritor, ou seja, o apóstolo escritor estava se referindo a corda ao escrever em Aramaico.

4) Outro exemplo: Você já salgou alguma coisa com fogo? Pois é, parece que nosso tradutor para o grego fez uma grande confusão em Mc 9:49. No grego fala em salgar com o fogo???. O problema é simples a palavra que é usada para salgar também poderá ser usada para como pulverizar no sentido de destruir. O interessante aqui, é que parece que o tradutor estava cansado ou cochilando, pois ele foi influenciado pelo texto seguinte sobre o sal da terra, contudo nada de relação com essa frase!

5) Alem disso outro erro que não aparece no Aramaico é o fato em que Mt 27:9 cita Zacarias 11:12-13, mas diz que o texto é de Jeremias. Que furo de tradução! O Aramaico apenas diz : “Assim disse o profeta:”, sem citar nomes.

6) Em Marcos 2:26 o grego cita Abiatar como sendo o sumo sacerdote nos tempos do rei Davi, contudo, em I Samuel 21:1 e 22:20 dizem que Aimeleque, pai de Abiatar, é que era o sumo sacerdote. Azar e furo de quem traduziu para o grego, pois o Aramaico não contém esse problema.

7) Um grande erro Histórico que há nos manuscritos em grego é chamar de mar alguns lagos de Israel, como o da Galil (conhecido popularmente como o mar da galileia), este erro é motivo de piada entre os incrédulos que questionam uma possível falta de conhecimento de Geografia da parte do Senhor, Isso no Aramaico não acontece, pois a palavra “Yamah” pode ser usada tanto para mares como para lagos ou grande porção de águas, tais como o lago de Galil em questão.

8)Outro grave erro é genealogia de Yeshua. Em Mateus a genealogia no grego, não só difere da de Lucas, como diz terem havido 14 gerações após Bavel e cita apenas 13??? Estranho não é! No Aramaico isto não acontece. O Erro está exatamente no capitulo 1:16 “ E Ya’akov gerou a Yosef, Pai de Myriyan(Ga’bra em genealogia Pai), da qual nasceu YESCHUA, que se chama o Maschiyah. Na Versão Almeida, a palavra “Pai” foi traduzido como “marido”, e aí esta o erro, que no aramaico não existe.

8) O livro de Atos capitulo 11, cita uma fome no mundo inteiro, a qual motiva os líderes das igrejas a pedir ajuda em Antioquia aos seguidores da região de Yehudah. Ora, se a fome era mundial, como faz sentido pedir ajuda em Antioquia? A resposta está no Aramaico, pois a palavra “Eret´s” em Hebraico Eret’s tanto para denotar mundo como terra de Israel. Todavia, a terra era em Israel e não no mundo todo.

Conclusão:

Um dos maiores pesquisadores e professor da universidade de Oxford, Geza Vermes, onde leciona “Estudos Judaicos”, é também considerado um dos maiores especialistas acadêmicos sobre os manuscritos do Mar Morto. Em pesquisas recentes, em livros do Mar Morto, publicado em seu Livro: “As varias faces de Jesus”(Yeshua), ele deixa bem claro, que o Cristianismo atual, nada tem haver com o judaísmo nazareno do primeiro século. E reitera que, o elemento grego introduzido do Messianismo do primeiro século, afastou a Igreja de suas raízes, culturais, tradição e língua, elevando assim o elemento pagão para dentro dela.

E deixa claro, que a língua bíblica falada e escrita pelos apóstolos era o hebraico e aramaico e não o Grego. Nisto Cremos!

CODIGO DA BÍBLIA

Seg, 29 de Agosto de 2011 23:42

A divulgação mundial da descoberta de um código na bíblia judaica (antigo testamento), veio através de um livro intitulado de "O Código da Bíblia", escrito por um jornalista americano chamado Michael Drosnin, que foi o divulgador do assunto. Todavia Drosnin é apenas o canal da informação, pois o verdadeiro descobridor é um cientista judeu, chamado Dr. Eliyahu Rips, que reside há mais de vinte anos no estado de Israel e que atualmente é professor na Universidade Hebraica da capital Jerusalém.

A prova da autenticidade desta descoberta se dá na precisão de mais de mil fatos que aconteceram, com detalhes e datas, tudo codificado nos cinco livros de Moisés (O Torah), tais como: o assassinato de dois membros da família Kennedy, o atentado à bomba de Oklahoma, a eleição de Bill Clinton, tudo desde a II Guerra Mundial até o caso Watergate, do Holocausto Nazista até a bomba de Hiroshima, da chegada do homem à Lua até a queda de um cometa em Júpiter, a descoberta da data da Guerra do Golfo vinte e um dias antes de ela acontecer, a data do assassinato de Ytzhak Rabin mais de um ano antes do crime ter ocorrido em Tel-Aviv.

O interessante é que o código aparece no inverso do texto bíblico, além da surpreendente descoberta de que em cada profecia messiânica do antigo testamento, apesar de os judeus não aceitarem a Jesus como o Messias, aparece no código a seguinte frase: "O meu nome é Jesus, Eu sou o Messias". Contudo, o código apresenta três fatos que na seqüência das informações ainda não aconteceram:

1º. O código apresenta a I e a II Guerras Mundiais com todos os detalhes, as datas e os nomes dos envolvidos. Na seqüência, em torno do sobrenome do ex-ministro de Israel, Benjamim Netanyahu, e da palavra Jerusalém, o código apresenta as seguintes frases:

- Dia da III Guerra Mundial; - Todo o seu povo irá para a guerra; - Holocausto atômico em Jerusalém; - 9 de Av - 5760/5766 (calendário judaico), que traduzido para o nosso calendário gregoriano será em torno de 25 de julho de 2000/2006. Porém, o calendário judaico não tem vogais para se saber a relação entre 2000 e 2006.

2º. O código apresenta vários terremotos, desde os que aconteceram há muito tempo até os mais recentes.

Ex.: o maior terremoto do mundo, que aconteceu na China em 1976, na cidade de Tang Chan, onde mais de 800.000 chineses morreram. E continuando, o código apresenta mais três grandes terremotos que virão: dois deles entre os anos de 2000 e 2006, sendo um na China e outro no Japão, e um outro em Los Angeles (EUA) com informações que, segundo o código, indicam o seu total desaparecimento do mapa em 2010.

3º. O código apresenta o choque de um cometa com o planeta Júpiter, que aconteceu em 1994. Em sua seqüência aparece a queda de três cometas gigantescos no planeta Terra; a primeira em 2006, a segunda em 2010 e a terceira em 2012, sendo que esta última se esfacelará antes do choque. A predição de dois cometas caindo na Terra encontra-se no livro das revelações (Ap. 8:8-10)

Resumo do livro de M. Drosnin:

No final do século XVIII, um sábio judeu, conhecido como Genius de Vilna, referindo-se à Torah, os cinco primeiros livros da Bíblia, afirmou:

"A regra é que tudo o que foi, tudo o que é e tudo o que será, até o fim dos tempos, está incluído na Torah da primeira à última palavra. E não só num sentido geral, mas nos detalhes de cada espécie e de cada um individualmente, com detalhe dos detalhes de tudo o que lhe aconteceu desde o dia de seu nascimento até sua morte" (O Código da Bíblia, p.18, de M. Drosnin).

Transcorria a Segunda Grande Guerra Mundial, quando um rabino da Tchecoslováquia chamado H.M. Weissmandel, movido pelo desejo de encontrar um possível código na Bíblia, começou a contar as letras hebraicas da Torah. Já no primeiro capítulo de Gênesis, notou que, saltando 50 letras e depois outras 50, e assim por diante, soletrava-se a palavra TORAH. Admirado, viu que o mesmo resultado podia ser encontrado nos demais livros que compõem a Torah. Este surpreendente resultado, que não pareceu-lhe casual, levou-o a escrever um pequeno livro, falando de sua descoberta.

Cinqüenta anos depois, o Dr. Eliahu Hips, um matemático de fama mundial, que é catedrático na Universidade de Jerusalém, ouviu através de um rabino, sobre esse curioso livro, cuja única cópia podia ser encontrada na Biblioteca Nacional de Israel. Curioso, Hips foi em busca de tal livro, e pode comprovar o curioso fato em sua própria Bíblia.

Hips, lembrou-se de outros cientistas que, muito antes dele, haviam investido tempo à procura de um possível código na Bíblia. Isaac Newton fora um deles. Newton, que havia imaginado a mecânica do sistema solar, havia descoberto a força da gravidade, aprendeu o hebraico, e passou metade de sua vida tentando descobrir esse código, o qual acreditava existir.

O Dr. Eliahu Hips, tinha uma grande vantagem sobre Newton: ele possuía uma ferramenta poderosa: o computador. Quando recorri ao computador, afirmou Hips, achei a brecha. Encontrei palavras codificadas, numa quantidade muito maior do que o permitido pelo acaso randômico da estatística, e então soube que estava chegando a algo de real importância"(O Código da Bíblia, p. 21).

Juntou-se ao Dr. Eliahu Rips em sua pesquisa, dois outros eruditos judeus, Doron Witztum, e Yoav Rosemberg. Desenvolveram um sofisticado modelo matemático que, quando implementado por um computador, confirma que o Antigo Testamento, não só a Torah, contem mensagens codificadas. Prepararam inicialmente uma tese denominada "Seqüências Alfabéticas Eqüidistantes no Livro de Gênesis". Introduziram a tese com um resumo de seu significado:

"A análise randômica indica que informações ocultas estão estremeadas no texto do Gênesis, sob a forma de seqüências alfabéticas eqüidistantes. O efeito é significativo em 99,998%. Observou-se, que quando o Livro do Gênesis é escrito como séries bidimensionais, seqüências alfabéticas eqüidistantes formando palavras com sentidos correlatos aparecem freqüentemente em estreita proximidade. Foram desenvolvidas ferramentas quantitativas para mensurar este fenômeno. A análise de randomização mostra que o efeito é significante ao nível de 0.00002"( O Código da Bíblia, p.22 e apêndice 1).

Na experiência inicial - o que seria posteriormente empregado em toda a Torah e outros livros da Bíblia - todas as letras hebraicas que compõe o livro de Gênesis, foram unidas formando um único fluxo, sem nenhum espaço, como originalmente foi escrito. Organizaram todo o texto num quadrado perfeito, havendo tanto nas linhas horizontais como nas verticais, a mesma quantidade de letras, exceto na última linha. Foi nesse quadrado perfeito, que o código começou a ser revelado, primeiramente no livro do Gênesis, depois em toda a Torah, em palavras cruzadas que na tela do computador se apresentam em diferentes cores.

Ao observarem que algumas palavras iniciavam-se em uma extremidade do texto, dando continuidade na outra, resolveram unir essas extremidades formando um cilindro, no qual a primeira linha se une à segunda, a segunda à terceira, e assim continuamente, até alcançar a linha final.Com esse modelo, qualquer palavra que surgisse, poderia ser lida numa única seqüência.

Para confirmarem a não casualidade das revelações que poderiam encontrar codificadas na Bíblia, os pesquisadores submeteram ao teste outras obras, entre elas a versão hebraica de Guerra e Paz, de Tolstoi, que tem a mesma dimensão da Torah. Em todas as experiências realizadas nessas obras, o resultado foi nulo, sem a presença de nenhum código.

A experiência inicial, foi buscar nomes de personagens importantes da história do judaísmo, desde os dias bíblicos até nossos dias. Fizeram uma relação com 32 nomes. Ficaram impressionados com o resultado, pois além do nome de cada um deles, podia-se ver as datas em que nasceram e morreram. Matematicamente falando, as probabilidades de encontrar randomicamente essas informações codificadas, eram de 1 em 10 milhões.

Tomaram então os 32 nomes e as 64 datas, e as misturaram em 10 milhões de combinações diferentes, de modo que 9.999.999 seriam incompatíveis e só um emparelhamento seria correto. Eles então rodaram esse programa no computador, para ver quais dos 10 milhões de exemplos alcançariam melhor resultado, e só os nomes e as datas corretas se uniram na Bíblia.

Harold Gans, um decodificador da Agencia de Segurança Nacional, dos Estados Unidos, ouviu com incredulidade sobre a descoberta dos israelenses, e procurou-os com o intento de desmascarar esse código da Bíblia, que para ele não passava de uma farsa ridícula. Gans preparou seu próprio programa de computador, e ao submeter o livro de Gênesis ao teste, surpreendeu-se ao ver os nomes dos 32 personagens, acompanhados pelas datas de nascimento e morte. Dominado pelo fato curioso, indagou sobre a possibilidade de encontrar junto aos nomes desses personagens, os nomes das cidades em que viveram. O resultado foi fantástico: ali estavam as cidades nomeadas ao lado de cada sábio. Desta maneira, o primeiro a tentar desmascarar o código da Bíblia, acabou comprovando-o.

Rips e seus amigos, submeteram seu ensaio aos mais rigorosos testes que foram aplicados pelos maiores matemáticos do mundo, muitos deles ateus, e todos eles se dobraram diante do fato incomum. Diante de seus olhos, na tela do computador, estava uma prova de a Bíblia foi elaborada por uma inteligência infinitamente superior que a dos homens. Descobriram ser tão complexo o código da Bíblia, que todos os computadores do mundo trabalhando juntos, seriam incapazes de elaborarem algo semelhante.

Rips é religioso, e não teve dúvidas de que ao descobrirem tal código, estavam sendo conduzidos por Deus para alguma revelação especial. O seu próximo passo, depois da experiência com o livro do Gênesis, foi uma busca em toda a Torah. O que poderiam revelar aquelas 304.805 letras, organizadas em seqüência ininterrupta? Teria o código algo a dizer sobre os grandes acontecimentos da história?

Movido por um sentimento de curiosidade e temor, Rips e seus amigos começaram suas buscas , e ficaram surpresos com os resultados precisos e detalhados. Procuraram primeiramente por Holocausto , e o computador, rastreando velozmente todo o texto, letra por letra, começando da primeira até à última, buscando a palavra chave e as demais correlatas, em saltos aritméticos que iam crescendo de números simples até alcançar milhares de letras; Com espanto, viram surgir finalmente, concentradas na tela do computador, uma revelação surpreendente pelos seus detalhes. Ali estavam, diferenciadas pelas cores, as palavras: Hitler, Homem Mau, Nazista Inimigo, Massacre.

Outro rastreamento do texto, revelou formações mais detalhadas sobre o Holocausto. A expressão Nazista, surgiu codificada com as palavras Na Alemanha; As palavras Fornos e Extermínio, apareceram vinculadas ao nome Eichmann - aquele que comandou o grande massacre.

Avançando em suas buscas, descobriram que todos os lideres da Segunda Guerra Mundial, apareciam juntos naquele código: Roosevelt, Churchil, Stalin e Hitler.

Rips e seus amigos, ficaram fascinados ao verem que o código da Bíblia não se calava sobre nenhum dos grandes acontecimentos da história. Napoleão, por exemplo, está codificado junto com França, Waterloo e Elba. A grande Revolução comunista que mudou a face do século XX, está codificada junto à palavra Rússia, e o ano em que triunfou 5678 ( 1917).

Procuraram por Einstein, e viram surgir na tela do computador o seu nome, cruzado por outras palavras e frases: Ciência, Um Novo e Excelente Entendimento, Ele Revolucionou a Realidade Presente, Uma Pessoa Inteligente.

Edison encontra-se codificado com Eletricidade e Lâmpada Elétrica. Grandes artistas e escritores, inventores e cientistas de todos os tempos encontram-se codificados. Beethovem e Bach estão ambos codificados com Compositores Alemães.

Todos os assassinatos que mudaram o curso da história humana, encontram-se codificados: Abraham Lincoln, Mahatma Gandhi, Anuar Sadat, a maioria deles com detalhes que revelam a data e o nome do assassino. Na única vez em que aparece Presidente Kennedy, a palavra seguinte na mesma seqüência do código é morrer. O nome da cidade Dallas, em que seria alvejado encontra-se codificado, junto ao nome do assassino Oswald. O nome do presidente egípcio Anuar Sadat aparece junto com o nome do assassino Chaled baleará Sadat, acompanhado pela data do crime 8 Tishri, e a ocasião do atentado, um desfile militar.

Depois de descobrir uma infinidade de nomes de pessoas, acontecimentos e datas que marcaram a história da humanidade, o Dr. Eliahu Rips e seus amigos começaram a indagar se aquele código da Bíblia, poderia indicar-lhes acontecimentos futuros. Por essa ocasião, final de dezembro de 1990, nações do Ocidente, lideradas pelos Estados Unidos da América, formavam um grande cerco contra o Iraque, devido sua invasão recente ao Kuwait. Rips procurou pelo nome de Sadan, e ficou espantado com o que surgiu na tela de seu computador. Ali estavam, destacadas em cinco cores diferentes, num padrão de palavras cruzadas, o nome de Sadan Hussein, acompanhado por surpreendentes revelações: Inimigo, Ele escolheu um dia, Guerra, Missil, Fogo no Terceiro Dia de Shevat ( 18 de janeiro de 1991).

Diante desta revelação, Rips ficou preocupado, mas ao mesmo tempo eufórico. Pela primeira vez o código revelava um acontecimento vinculado à uma data ainda futura. Foram três semanas de muita expectativa. Ao chegar o dia marcado no código, Rips, como toda a população de Israel achavam-se de sobreaviso para um possível ataque do Iraque. Confirmou-se naquele dia aquela previsão que fora codificada na Bíblia há mais de 3.000 anos, quando caiu sobre Tell Aviv o primeiro de uma série de mísseis scuds lançados sobre Israel. Rips, tomado por um sentimento de reverência, concluiu que Deus, descerrara-lhes o código da Bíblia, com o propósito de provar aos incrédulos a importância das Sagradas Escrituras, e ao mesmo tempo, alertar para grandes acontecimentos que se aproximavam.

O código da Bíblia, cujas revelações já haviam sido confirmadas por vários pesquisadores eruditos de Israel e do mundo, despertou finalmente o interesse de pessoas dentro do governo de Israel. Assim como os reis de Israel no passado, procuravam nas pedras da estola sacerdotal, Urim e Tumim, respostas para os seus temores, os agentes secretos do Mossad, haveriam de recorrer ao código da Bíblia( Ver I Samuel 28: 6).

Rips, dada a importância de sua descoberta, conscientizou-se de que a mesma teria de ser amplamente publicada, para que todo o mundo pudesse conhecer suas revelações, mas não sabia como isso haveria de acontecer. Visitou-o naqueles dias, Michael Drosnin, jornalista e repórter da Washington Post; Depois de ouvir de um amigo sobre a surpreendente descoberta de Rips em relação à guerra do Golf,. Drosnim, que era ateu, fora até ele, mais movido pelo desejo de ridiculá-lo do que verificar o fato. A primeira coisa que o jornalista fez, foi tomar uma Bíblia que estava sobre a mesa, desafiando Rips a mostra-lhe tal profecia sobre o Iraque. Sorrindo, Rips disse-lhe que o código da Bíblia, somente podia ser lido através do computador.

Cheio de incredulidade, Drosnin viu Rips digitar o nome de Sadan no espaço para busca. Surgiu em instantes o impressionante resultado. Rips fez o mesmo teste em Guerra e Paz, e nada apareceu. Drosnin estava pasmado. Aquilo era uma prova de que uma inteligência muito superior à nossa, foi capaz de codificar dentro de um texto tão amplo como a Torah, acontecimentos futuros.

Drosnin, que jamais se interessara pela Bíblia, decidiu investigar em seu computador o código. Rips forneceu-lhe para tanto todos os disquetes com o programa de procura e os textos da Torah e Guerra e Paz. Retornando aos Estados Unidos, Drosnin não pensava em outra coisa, passando longas horas em sua pesquisa. Depois de rever tudo o que já havia sido encontrado, ele começou a fazer suas próprias buscas.

Em maio, de 1994, Drosnin ficou surpreso com o que encontrou. Ele havia lido sobre o cometa Shoemaker - Levi, que segundo a previsão dos astrônomos haveria de chocar-se com Júpiter no dia 16 de julho daquele ano, dois meses depois. Ao procurar por Júpiter , encontrou-o numa seqüência horizontal, e cruzando-o em linha perpendicular, numa representação gráfica da queda do cometa, estava o seu nome completo, acompanhado pela mesma data que fora anunciada pelos astrônomos, o que veio a se cumprir com precisão.

Falando sobre o efeito desta descoberta em sua vida, Drosnin afirmou:

"Esta descoberta foi tão dramática que me fez voltar a acreditar em tudo. Durante aqueles dois anos de investigação, eu estava sempre me perguntando: -Será que isso é mesmo verdade? Teria alguma inteligência não-humana realmente codificado a Bíblia?" Cada manhã eu acordava duvidando de tudo, apesar das provas esmagadoras " ( O Código da Bíblia, p. 35).

Drosni, compreendeu que a ausência de uma única letra na Torah, anularia todo o esquema. O próprio Yoshua, referindo-se à integridade da Lei, que é a Torah, jurou: "Em verdade vos digo que até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da Lei, sem que tudo seja cumprido" (S.Mateus 5: 18). Para que este propósito divino fosse cumprido, os massoretas, os judeus que ao longo dos séculos trabalharam incansavelmente copiando a Bíblia, exerceram um cuidado extremo. Ao fim de cada cópia, contavam todas as letras do texto; Se a soma delas não correspondesse ao original, o livro era lançado ao fogo.

Pouco tempo depois de encontrar no código da Bíblia a surpreendente revelação sobre o cometa Shoemaker - Levi, Drosnin ficou profundamente abalado, quando ao digitar o nome de Ytzhak Rabin, viu surgir na tela, atravessando o seu nome, na única vez em que aparece, em saltos de 4.772 letras, a sentença Assassino que assassinará. Junto à sentença, encontrava-se o ano judaico 5.756, que começaria em finais de 1995. Naquela mesma noite, 1 de Setembro de 1994, Drosnin voou para Israel com o propósito de alertar o primeiro ministro, tentando preveni-lo para que evitasse esse trágico fim.

Chegando a Israel, não conseguindo contato direto com Ytzhak Rabim, fez chegar até ele uma carta, através do poeta Chaim Guri que era amigo íntimo do primeiro ministro. A parte principal de sua carta dizia o seguinte:

"A razão pela qual estou lhe dizendo isso, é que, na única vez em que seu nome completo - Yitzhak Rabim - está codificado na Bíblia, as palavras " Assassino que assassinará" o cruzam. Este fato não deve ser ignorado, pois os assassinatos de Anuar Sadat e de John e Robert Kennedy também estão codificados na Bíblia - no caso de Sadat, com o nome e sobrenome de seu matador, bem como a data e local do crime e como ele se deu. Penso que você corre perigo real; mas esse perigo pode ser evitado" ( Iden. 13).

Rabim não levou a sério a advertência. Um ano depois, em 4 de novembro de 1995, confirmou-se a trágica previsão, no início do ano indicado. Somente então, Drosnin e Rips, descobriram que próximo ao nome de Rabim, encontravam-se codificadas outras informações relacionadas ao crime, incluindo o nome da cidade Tel Aviv e o nome do assassino Amir.

Outra frase codificada no conjunto de palavras e frases ligadas ao assassinato de Rabim, era a seguinte: A partir do dia quinto de Adar todo o seu povo para a guerra. O dia 5 de Adar no calendário judaico, cairia no ano seguinte em 25 de fevereiro. O que poderia acontecer naquela data, capaz de desviar Israel de seus esforços para a paz, levando-o para uma posição de guerra?

Quando chegou o dia 25 de fevereiro de 1996, Israel foi atingido pelo pior ataque terrorista dos últimos três anos. Um jovem palestino, com uma bomba presa ao corpo, explodiu um ônibus em Jerusalém, matando 23 pessoas. Nos nove dias seguintes, duas outras bombas terroristas, elevaram o número de mortos para 61.

Antes destas bombas começarem a explodir no dia previsto, a nação de Israel, sensibilizada com o assassinato de Yitzhak Rabim por um próprio judeu, estava quase que em massa disposta a elegerem como novo primeiro ministro, Shimon Peres, um dos arquitetos da paz com os palestinos. Concorria com ele um oponente da paz chamado Netanyahu, cujas possibilidades de sair vitorioso nas eleições, eram mínimas, até que começaram a ocorrer os atentados. Sua pregação contra aquela paz com os palestinos começou então a ganhar força entre os israelenses, mas uma grande maioria ainda parecia apoiar a paz.

Uma semana antes da histórica eleição de 29 de maio de 1996 em Israel, Drosnin que era favorável à pacificação de Simon Peres, procurou no código da Bíblia pelo seu nome e nada foi revelado com relação à uma possível vitória. Experimentou então Netanyahu, e viu surgir para sua surpresa: Primeiro-ministro Netanyahu, eleito, Bibi. Bibi é o seu apelido em Israel.

Quando se confirmou a vitória de Netanyahu, Drosnin, juntamente com o Dr. Eliahu Rips, fizeram uma minuciosa procura no código da Bíblia, e ficaram surpresos ao verem que o nome do novo primeiro ministro, encaixava-se justamente entre Yitzhak Rabim, seu assassino Amir, logo acima da frase Todo o seu povo para a guerra.

Associadas ao nome de Netanyahu, começaram a descobrir outras formações de frases e palavras: Sua vida será ceifada; Assassinado; Para grande horror; Holocausto atômico.

Rips e Drosnin ficaram apavorados ao verem o nome do novo primeiro ministro associado a todas essas declarações de catástrofe. Aquele código da Bíblia, que os atraíra pouco a pouco, conquistando confiança através de suas curiosas revelações, os encaminhava agora num crescendo, aturdindo-os com sua misteriosa voz. Qual seria a próxima revelação desse código?

Com profundo temor, depois de lerem na tela do computador, associadas ao nome de Netanyahu, as duas espantosas palavras: Holocausto Atômico, eles procuraram descobrir o que revelariam estas mesmas palavras em formações de saltos aritméticos diferentes. Na primeira experiência encontraram: Holocausto Atômico, No fim dos dias. Depois encontraram: Fim dos dias, Pragas, Salvem!. O código da Bíblia revelou-lhes finalmente a mais espantosa de todas as revelações. Drosnin descreve esta descoberta com as seguintes palavras: "Quando abrimos o código em busca da Terceira Guerra Mundial, descobrimos que o ano em que ela poderia começar estava predito num pergaminho de 22 linhas que é a essência da Bíblia.

Tal pergaminho é chamado "Mezuzah".

Contém 170 palavras que, dentre todas as 304.805 letras dos cinco livros originais da Bíblia, Deus ordenou fossem mantidas num rolo de pergaminho em separado e colocado na entrada de cada residência. "Em 5760 " e "Em 5766", os anos 2000 e 2006, estão codificados naquelas 170 palavras. "Guerra Mundial" na única vez em que está codificada em toda a Bíblia, aparece no mesmo trecho, e cruza um dos versículos sagrados. "Holocausto Atômico" na única vez em que está codificado na Bíblia, também aparece junto com os dois mesmos anos nos mesmos versículos do pergaminho...E no local em que os anos 2000 e 2006 estão codificados, o texto oculto do pergaminho sagrado alerta-nos sobre a guerra: Bombardearão seu pais, terror, devastação, está sendo lançada"(O Código da Bíblia, 123,124).

O pergaminho sagrado conhecido como "Mezuzah", que em suas 170 palavras hebraicas contém codificadas tão sérias predições, consiste no texto de Deuteronômio 6: 4 - 9 que diz:

"Ouve, Israel: o Senhor teu Deus é o Único Senhor. Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força. Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração. Tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, andando pelo caminho, deitando-te e levantando-te. Também as atarás na tua mão por sinal, e te serão por faixa entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais da casa, e nas portas".

Drosnin continua: "Não poderia ser por mero acaso que os anos mais claramente codificados junto com "Guerra Mundial" estivessem ambos, ocultos nas 170 palavras que foram preservadas num rolo de pergaminho em separado durante três mil anos, e ainda hoje são presos ao umbral da porta de quase todos os lares em Israel. Se uma simples letra estiver faltando, um Mezuzah não pode ser utilizado. "Alguém" queria ter absoluta certeza de que, não importa o que pudesse acontecer ao restante da Bíblia, essas 170 palavras, esse rolo de pergaminho seria preservado, tal como originalmente escrito, com seu código intácto" (O Código da Bíblia, 124).

Para enfatizar a seriedade das advertências reveladas no texto da Mezuzah, Drosnin conclui:

"E aquele antigo código, que agora predizia que a Terceira Guerra Mundial poderia começar dentro de uma década, também predissera que a Segunda Guerra Mundial começaria " em 5700 " - no nosso calendário moderno, 1939 /1940...Armagedon nos anos 2000 - 2006 era o alerta codificado nos mesmos versículos sagrados da Bíblia, o código cuidadosamente preservado no Mezuzah" ( O Código da Bíblia,124).

Drosnin, sempre indagou o porque ele, um ateu, fora envolvido nessa questão tão séria. Poucos dias após a morte de Rabim, ele fizera esta pergunta para o Dr. Eliahu Rips, que respondeu-lhe: - É justamente por isso que você está envolvido nisso. Você pode contar ao mundo moderno sobre o código da Bíblia.

Sentindo ser esta a sua missão, Michael Drosnin, que já trabalhou no Washington Post e no Wall Street Journal; autor de Citizen Hughs, livro que esteve na lista de best-sellers do New York Times, escreveu o seu novo livro, O Código da Bíblia, onde revela a impressionante história de sua descoberta, as pesquisas que foram feitas, bem como suas comprovações.

Desde o seu lançamento nos Estados Unidos em 1997, O Código da Bíblia tem sido um best-seller absoluto, e tem se mantido no alto da lista dos livros mais vendidos em todos os países onde já foi publicado, entre os quais, Inglaterra, Alemanha, França, Itália, África do Sul, Austrália, Japão, Portugal, Espanha, Holanda, Brasil, etc.

ERAM DEUSES OS PAIS DA GLOBALIZAÇÃO?

Ter, 30 de Agosto de 2011 01:06
1
ERAM DEUSES OS PAIS DA GLOBALIZAÇÃO?
Armindo Abreu
economista
“O mundo é governado por personagens muito diferentes daquelas
imaginadas pelas pessoas que não contemplam os bastidores”, dizia o
primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Benjamin Disraeli, sob a Rainha Vitória.
Sim, o poder tem síndicos ocultos. Existem sólidas evidências de que sempre
foi assim: manipuladores e marionetes. Mas, quem está, invisível, no
comando dos títeres? Por trás das cortinas desse processo tido como
irreversível, a globalização, quem são os diretores de cena? E se detém o
controle dos nossos cordéis, como manipulam os mercados a partir de
símbolos, tecem a teia das religiões e se encobrem em sociedades secretas?
Não, esse ensaio não é uma peça de ficção. É preciso recuar muito,
muitíssimo, no tempo, na História e em certos conceitos para encontrarmos
o fio da meada da nossa tese. O maior truque das fraternidades que ditam a
evolução ou involução dos movimentos e modelos globais é convencer a
todos de que não existem.
Com o amplo apoio de historiadores, antropólogos, etnólogos e geneticistas,
podemos, de modo geral, aceitar que o núcleo primário da chamada raça
branca seja originário das montanhas do Cáucaso, do Irã e do Curdistão. Tal
princípio já estaria tão consagrado que os homens e mulheres de pele
branca são, aberta e oficialmente, reconhecidos e identificados, em
documentos de países do Hemisfério Norte (em especial pelos formulários do
Departamento de Imigração dos Estados Unidos...), como caucasianos.
Segundo princípios de antropologia defendidos por estudiosos dessa matéria
específica, desenvolveram-se duas novas linhagens terrenas, a partir do
grupo caucasiano inicial: uma procurou manter-se íntegra, relacionando-se
apenas entre seus membros e descendentes exclusivos, conservando a
pureza genética e a aparência original, definida aos nossos olhos pela pele
muito clara, cabelos louros e os olhos azuis. Seriam, nessa ótica
arrogantemente racista da Elite Global, os membros excelsos ou sublimes da
nossa civilização, os que exerceriam de fato o controle de todos os demais,
conhecidos e identificados apenas pelos seus pares do mais alto grau de
iniciação da Fraternidade Babilônica. A outra vertente teria se formado pela
interação do grupo inicial com os habitantes autóctones das terras baixas,
originalmente negros, amarelos ou vermelhos, dando início às novas
correntes biológicas terrenas, como as conhecemos hoje. Ressalte-se,
entretanto, que os integrantes dessa segunda vertente, a reprodutora, têm
procurado manter-se tão puros quanto possível, relacionando-se quase
sempre entre famílias de iguais, os descendentes do pequeno círculo
formado por pessoas de antecedentes genéticos assemelhados. Estes
seriam, na voz dos ‘especialistas’, “...os membros predominantes das
2
famílias dos ‘Illuminati’ que têm manipulado o curso da História desde os
tempos da Antiga Suméria.” 1 2
O círculo mais restrito e particular desses alvos habitantes das terras altas
teria adquirido ou desenvolvido conhecimentos esotéricos, filosóficos e
científicos tão exclusivos e sofisticados para a época que passaram a se
distinguir dos demais, não somente pela aparência mas, em especial, pela
avançada cultura, atraindo para si invejas, incompreensões e hostilidades.
Isso fez com que se retraíssem e passassem a compartilhar esses
conhecimentos de forma velada, em associações formadas apenas entre
seus iniciados, ou irmãos, daí o nome de Fraternidade dado ao seu
exclusivíssimo conjunto, hoje espraiado por todo o globo terrestre.
E esses núcleos de iniciados constituíam o que hoje os pesquisadores
denominam “Escolas de Mistérios” (Mistery Schools).
Entre as principais, pioneiras, estavam as Escolas de Mistérios da Babilônia,
do Egito e da Grécia, onde o conhecimento restrito e esotérico era guardado
sob o mais estreito sigilo: na verdade, a quebra ao juramento de silêncio era
punida com a morte!
Segundo o filósofo e autor maçônico Manly Hall, ... “As Escolas de Mistérios
foram criadas e estabelecidas como sociedades secretas para evitar as
interferências externas, enquanto nelas os iniciados tentavam estabelecer
uma ponte que reduzisse as distâncias entre o conhecimento dos mundos
material e espiritual.”
O fato é que, independentemente de sua origem, visando a escapar de
incômodos maiores, membros dessa sofisticada elite branca alterosa teriam
emigrado, há milhares de anos (após o dilúvio bíblico), para as terras mais
baixas, correspondentes ao que hoje chamamos de Iraque, Egito, Israel,
Palestina, Jordânia, Síria, Irã e Turquia, misturando-se seletiva e
cuidadosamente aos povos locais.
Naquele tempo, já existia nessas terras uma civilização chamada Suméria,
estabelecida na região da Mesopotâmia, hoje Iraque, formada entre os rios
Tigre e Eufrates. Estima-se que a Suméria possa ter-se formado cerca de
6.000 anos a.C. e ela fez parte do Império Babilônico, que tanto influenciou
as crenças do judaísmo e, por este, o cristianismo, assim como também veio
a ocorrer com a civilização egípcia.
Alguns autores afirmam que a Suméria foi o berço original de grande parte
do conhecimento que moldou a nossa existência e a nossa cultura. Para
eles, a crença cristã num Filho de Deus e num Cordeiro de Deus morrendo
para a remissão dos pecados da humanidade podia ser encontrada na
Babilônia, na Suméria e no Egito. A idéia de um cordeiro morrendo para
perdoar os pecados da humanidade também se origina da crença Suméria
de que se um desses animais fosse sacrificado num altar os pecados das
pessoas envolvidas no ritual seriam literalmente perdoados pelos deuses.
... “Mães virgens de homens-deus ‘salvadores’ abundaram no mundo antigo
e ainda podem ser encontrados nas crenças de povos nativos das Américas
do Norte, do Sul e Central. A história bíblica dos Jardins do Éden é espelhada
na história muito anterior do Jardim de Edinnu, e mesmo a idéia do Sabbat
1 Icke, David in “ … and the truth shall set you free”, by Bridge of Love Pub., Cambridge, England, 1995. P. 25 e 26.
Icke, David in”The Biggest Secret”, em diversas passagens.
2 Tese Central do livro de Springmeier, Fritz em “Bloodlines of the Illuminati”, Ambassador House, New York, 1992.
3
judaico pode ser encontrada no dia de repouso Sumeriano, o Sabattu. Os
judeus que foram mantidos no cativeiro da Babilônia levaram muitas dessas
histórias consigo, de volta para a Palestina, quando foram libertados pelos
persas. Elas encontraram seu caminho no Velho Testamento da Bíblia e, daí,
passaram ao Novo Testamento Cristão. Muitas idéias religiosas de hoje são
meras reciclagens de antigas crenças e histórias simbólicas... e hoje, quando
seu sentido original se perdeu, aparecem distorcidas, sob uma avalanche de
mitos e invenções...” 3
Fecundando ou influenciando alguns desses habitantes dos baixios
babilônicos, os homens brancos trouxeram-nos para o seio de sua linhagem
genética, tornando-os partícipes do elevado conhecimento de que
desfrutavam e das ações que empreendiam às escondidas. Esses novos
grupos étnicos expandiram-se e infiltraram-se pelo novo território e suas
populações, sob denominações distintas, entre as quais se pode destacar os
povos hitita e fenício.
Ambos, outrora creditados exclusivamente como semitas, acredita-se hoje
tenham sido definitivamente mesclados pela linhagem dos antigos árias,
razão precípua de muitos ainda possuírem características físicas daquele
grupo, levadas também no passado, em suas incursões militares e
comerciais, ao Norte da Europa e a outras partes do mundo.
Pesquisas conduzidas por Desborough 4 garantem mesmo que os fenícios
foram o primeiro grande grupamento étnico caucasiano a ser formado como
descendente consangüíneo da Fraternidade Babilônica. Eles seriam, nessa
qualidade, tanto os pais de outros povos, seus contemporâneos, como, por
exemplo, o cérebro por trás da avançada civilização egípcia.
Após essa suposta miscigenação registra-se, coincidentemente, um súbito
surto de progresso cultural e tecnológico dos povos que habitavam a
Suméria, a Assíria, o Egito e o Vale do Industão. 5
Segundo a “historiografia oficial”, foi a raça branca “ariana” (eles se
autodenominavam árias), das montanhas do Cáucaso, que se moveu em
direção ao Vale do Industão, na Índia, pelo ano 1550 a.C., e criou o que se
conhece hoje como religião (ou filosofia) hindu, o vedismo, sucedido pelo
bramanismo. 6
E foi essa mesma raça “ariana” que introduziu na Índia a antiga língua
sânscrita7, bem como as estórias e mitos contidos no livro sagrado hindu, os
3 Icke, David, in “... and the truth shall set you free”, Bridge of Love Pub., Cambridge, 1995. P. 25 T.A.
4 Desborough, Brian in “The Great Pyramid Mystery, Tomb, Occult Initiation Center, Or What?” Fonte: Icke, David in “The
Biggest Secret”, P.16.
5 Vale do Industão: Vasta península triangular da Ásia meridional, limitada ao norte pelo Himalaia, e banhada pelo Golfo de
Bengala, pelo Mar de Omã e pelo Mar das Índias. Índia atual. Fonte: Dicionário Lello, Porto, 1963, Volume III, P.1671.
6 Bramanismo: nome atribuído à organização social, política e religiosa que, depois de haver sucedido ao vedismo e de o
haver transformado, se desenvolveu entre os Árias do Vale do Ganges, sob influência da casta sacerdotal ou dos brâmanes.
Segundo as concepções religiosas destes últimos (o dito bramanismo), Brame, deus supremo, impessoal, encarnou-se
sucessivamente em Brama, deus pessoal, Vixnu e Shiva. Esta tríplice encarnação constitui a trindade indiana, chamada
Trimúrti. Por seu lado, Brama, primeira encarnação de Brame, teve quatro filhos de que emanaram as quatro castas
hereditárias da Índia: brâmanes, xátrias, os impuros e os párias. A época, por excelência, do pensamento bramânico,
compreende os sete séculos anteriores a Jesus Cristo. Fonte: Dicionário Lello, Porto, 1963, Volume III, P.1465 e 1931.
Vedismo: Forma primitiva da religião hindu, conforme denominada pelos europeus.
Fonte: Dicionário Lello, Porto, 1963, Volume II, P.1279.
7 Sânscrito: Língua sagrada dos brâmanes e do Industão (vasta península triangular da Ásia meridional, limitada ao norte pelo
Himalaia, e banhada pelo Golfo de Bengala, pelo Mar de Omã e pelo Mar das Índias. Índia atual). Fonte: Dicionário Lello, Porto,
1963, Volume III, P.1671.
4
Vedas8, onde a trindade divinal chamada trimúrti, composta por Brama-
Xiva-Vixnu reproduz outros triunviratos histórico-religiosos, como o
babilônico Nemrod-Semiramis-Tammuz e o egípcio Osiris-Ísis-Hórus que
precederam, em muitos séculos, a Sacra Família cristã, Jesus-Maria-José!
Um olhar mais recente e atento dos estudiosos dessas questões revela que a
época estimada para a fundação do império babilônico parece, agora, bem
anterior ao que se estimou inicialmente, remontando à era pré-diluviana. 9
Segundo lendas, textos antigos e a própria Bíblia, um dos construtores do
Império Babilônico teria sido Nemrod, filho de Cush, neto de Noé.
Cush assumira a chefia do clã babilônico e institucionalizara o sistema
politeísta numa época em que os homens eram endeusados pelos próprios
homens e Anu considerado o pai e chefe de todos os demais deuses.
Por sua ação terrena e espiritual, Cush tomou o lugar de Anu (Annu ou An)
no imaginário religioso e assumiu, ele próprio, o seu lugar divinal, tornandose
pai de todos os deuses e demônios e, nessa qualidade, foi adorado
também com os nomes de Enlil, Bel, Janus, Mercúrio, Hermes e Caos,
nomes ou títulos transferidos, posteriormente, a seu filho Nemrod.
Nemrod, sucessor do pai Cush, nomeara a cidade de Calneh em homenagem
ao deus de outrora, destronado por seu pai (Calneh significa A Fortaleza de
Anu, Gênesis, 10:9).
Dessa forma, Nemrod inaugurou uma tradição de respeito e louvor a Anu
que, estranhamente, perpetuou-se até nossos dias, inclusive entre o
catolicismo. O símbolo de Anu, duas cruzes superpostas em forma de
asterisco, aparece ornamentando o chapéu mitral do sumo pontífice.
Nemrod, ao suceder a Cush, ficou conhecido como um tirano poderoso, um
dos gigantes ou titãs10, que reinou com sua mulher, a rainha Semiramis,
sendo ambos reconhecidos ou elevados a deuses da Religião Babilônica por
seus contemporâneos, descendentes e adeptos.
Semiramis também é reverenciada como “Astarte” ou A Mulher que fez a
Torre, uma provável referência à Torre de Babel, supostamente construída
por seu marido Nemrod.11
8 Vedas: Os quatro livros sagrados da Índia em língua sânscrita, atribuídos à revelação de Brama (deus supremo dos antigos
hindus, emanação de Brame e criador do mundo, dos deuses e dos seres. Na forma atual da religião, Brama é a primeira
pessoa da trindade, mas agora considerado apenas uma emanação, quer de Xiva quer de Vixnu). São coleções de orações, de
hinos, de fórmulas de consagração, de expiação etc., relacionando-se com o sacrifício e a manutenção do fogo sagrado Os
Puranas, os Sutras etc., são comentários desses livros. Fonte: Dicionário Lello, Porto, 1963, Volume III, P.1465 e 1931.
9 O Dilúvio: Na concatenação da História da Salvação, a Bíblia recolhe uma lenda babilônica antiga, comum tanto aos sumérios
como aos romanos. Essa lenda mesopotâmica deve ter tido sua origem em alguma inundação famosa verificada nos seus rios
Tigre e Eufrates. Nas mitologias antigas o dilúvio é pintado como um dos castigos dos deuses. A Bíblia utiliza essa velha crença
popular, adaptando-a ao Deus vivo. Não obstante, a narração do dilúvio, uma simples lenda assumida pela Bíblia, contém uma
grande mensagem teológica: Deus não suporta a iniqüidade, mas Sua misericórdia está sempre presente, mesmo quando
castiga. Ao destruir um mundo corrompido suscita um gérmen de salvação: Noé, o arauto da justiça.
O dilúvio, lavando o mundo antigo dos seus crimes e fazendo nascer da água um mundo novo, é figura do batismo que nos
salva. Fonte: a “Bíblia Sagrada, Nova Edição Papal”, Missionários Capuchinhos, Lisboa, Notas às páginas 23 e 24.
10 Titã: Do grego titán, pelo latim titane. Cada um dos gigantes que, segundo a mitologia, pretenderam escalar o céu e destronar
Júpiter. Fonte: Dicionário Aurélio Século XXI.
Titã: Personagem da mitologia grega. 1. Cada um dos doze filhos (seis homens e seis mulheres) havidos entre Urano (o Céu) e
sua mãe Gaia (a Mãe-Terra) e, posteriormente, todos os seus descendentes. Eles se rebelaram contra seu pai e o depuseram,
elevando Kronos, um deles, ao trono do universo. Depois de uma longa disputa, foram derrotados por Zeus (ou Júpiter, em
latim, N.A.), e sucedidos pelos deuses do Olimpo. 2. O sol personificado; o deus-sol Helios. Fonte: Webster’s New Twentieth
Century Dictionary of the English Language”, second edition, Collins World, 1975, USA, p.747 e 1915.T.A.
11 Fonte: Icke, David in “The Biggest Secret”, P.53.
5
Entretanto, esse nome parece ter mesmo evoluído a partir de uma antiga
deidade originária da Índia, Semi-Rama-Isis ou Semi-Ramis.12
Uma ampla gama de nomes e expressões identificam a deusa da religião
babilônica Semiramis. Entre os vários encontrados ou identificados por este
autor, nas diversas fontes citadas nesta obra, destacam-se (em ordem
alfabética):
IDENTIDADES ALTERNATIVAS de SEMIRAMIS
Afrodite, Angerona; Antu; Artemísia; Astarte; Astoreth; Astorga; Athena;
Baali; Baphomet; Barati; “Cabeça 58m” (Head 58m ou Caput LVIIIm);
Ceres; Cibele; Deméter; Diana; “Estátua da Liberdade”; “Grande Mãe Terra”
(A Gaia, da New Age); Hathor (ou Heather) 13; Hera; Ishtar; Isis; Juno; Kali;
Lilith; Lucifera; Mari; Maria; Minerva; “Mistério da Babilônia é o seu nome”
(“Mistery Babylon, her name...”); Mulher Escarlate; Mut; Ninkharsa; Noiva
do Homem Verde; Nossa Querida Senhora (Our Dear Lady); Nossa Senhora
da Luz; Ostara; Rainha do Céu (Rhea); Rainha do Mar; Rainha do Mundo;
Rainha do Submundo; “Semiramis, A Viúva”; “Sobre a sua testa estava
escrito um nome: Mistério, A Grande da Babilônia, A mãe de todas as
Prostitutas e Abominações da Terra” (Upon her forehead was a name
written: Mistery, Babylon The Great, The Mother of Harlots and
Abominations of the Earth); Stella Maris; Sophia; Vênus; Virgem Celestial;
Virgem do Lago; Virgem Mãe dos Deuses; Virgem Negra; Virgem Que
Chora; Virgo.
Já a Nemrod, celebrado como o “deus-sol”, foi dado o título de Baal (Meu
Senhor) e a Semiramis, consagrada como a deusa-lua, o de Baali (Minha
Senhora).
Não passa, por isso, despercebido a esses pesquisadores o fato da
expressão Mea Dona, equivalente latino de Minha Senhora, título atribuído a
Semiramis-Baali, ao ser transportada para o italiano haver-se transformado
em Madonna, expressão que designa, também, Maria, a mãe de Jesus. 14
Nemrod era reverenciado num duplo papel: o de Deus-Pai-Senhor e também
no de Ninus, o filho carnal havido de Semiramis, supostamente através de
um nascimento virginal, um dos significados místicos do ramo de oliveira,
este também um símbolo dos cavaleiros templários15.
De Ninus, igualmente denominado Tammuz, dizia-se haver sido crucificado,
tendo um cordeiro aos pés, e seu cadáver sepultado em seguida numa
caverna.
Dias depois, quando a pedra que guardava a entrada da caverna foi rolada,
o corpo de Ninus-Tammuz havia desaparecido, ascendido aos céus...
Para pesquisadores ocidentais mais céticos, o enredo desta antiqüíssima
trama babilônica é por demais conhecido entre nós, também a partir da era
12 Desborough, Brian in “The Great Pyramid Mystery”, Fonte: Icke, David in “The Biggest Secret”, P.182.
13 Hathor ou Heather: ambas as denominações possuem a mesma pronúncia em inglês, representando, na verdade, formas
gráficas alternativas para o mesmo nome da deusa. N. A.
14 Na mesma obra.
15 Fonte: Hopkins, Marilyn; Simmans, Graham & Wallace-Murphy, Tim in “REX DEUS”, Imago, Rio, 2000. P. 286.
6
cristã, para ser considerado, apenas, mera coincidência entre tradições
religiosas aparentemente tão distintas...
“Tammuz, filho de Ishtar, é provavelmente a mais antiga divindade a
incorporar o princípio da ressurreição para uma nova vida que se acreditava
ocorresse na primavera, e é celebrado hoje nos festivais populares do Dia da
Primavera.
Para os maçons, Tammuz é uma figura de imenso significado, representando
a corporificação da ressurreição espiritual para um estado superior de
consciência e gnose”.16 17
IDENTIDADES ALTERNATIVAS de NEMROD:
Adad; Adonis; Alcides; Amen-Ra; Anu; Attis; Baal; Bacchus; Baco; Bali;
Bell; Bremhillahm; Cadmos; Caos; Cronos; Deoius; Dionísio; Eannus; El-
Khidir; Enlil; Eros; Hércules; Hermes; Hesus; Hórus; Indra; Iswara; Ixion;
Jano; Janus; Jao; Jesus; João Batista; Krishna; Krst; Mammon; Mercúrio;
Mitra; Mitras; Moloch; Ninus; Odinio; Osiris; Quirinus; São Jorge;
Salivahana; Saturno; “Senhor da Vida e da Morte”; Tammuz; Taut; Thor;
Virisana; Zoar; Zoroastro.18
Segundo o livro do Gênesis, os primeiros centros do reino de Nemrod-
Tammuz foram a Babilônia, Akkad e outros no reino de Shinar (Suméria).
Diz-se, também, que ele governou a região onde hoje é o Líbano e os árabes
crêem que foi Nemrod quem construiu ou reconstruiu, logo após o dilúvio, a
assombrosa estrutura de Baalbek, com suas três formidáveis pedras de 800
toneladas cada.
Mais tarde, ele teria expandido o reino até a Assíria e construído Nínive, sua
capital, onde foram recuperadas muitas tábuas de barro em linguagem
sumeriana.
Essa civilização, acredita-se hoje em dia, foi uma das mais antigas surgidas
na era bíblica pós-diluviana. Foi precisamente entre seus membros mais
seletos e competentes, especula-se, o foco de onde surgiram as correntes
(escolas) de mistérios pagãos, de estudos esotéricos 19 e o grupo de
iniciados que desenvolveu e guardou seus mais exclusivos segredos.
Este teria sido, portanto, o verdadeiro embrião das antigas e místicas
sociedades secretas que se espalharam pelo mundo nos milênios
subseqüentes. Muito significativamente, as terras descritas correspondem,
também, ao berço das três grandes religiões monoteístas prevalentes.
Em decorrência, segundo muitos pesquisadores a cristandade e a Igreja
Romana teriam sua fé baseada em muitas das tradições babilônicas,
16 Fonte: Hopkins, Marilyn; Simmans, Graham & Wallace-Murphy, Tim in “REX DEUS”, Imago, Rio, 2000. P. 286 e 287.
17 Gnose: Conhecimento, sabedoria. Conhecimento esotérico e perfeito da divindade, e que se transmite por tradição e
mediante ritos de iniciação. Fonte: Dicionário Aurélio Século XXI.
18 Conforme pesquisas deste autor nas fontes citadas nesta obra. N.A.
19 Esoterismo: Do francês ésotérisme. 1. Filos. Doutrina ou atitude de espírito que preconiza que o ensinamento da verdade
(científica, filosófica ou religiosa) deve reservar-se a número restrito de iniciados, escolhidos por sua inteligência ou valor moral.
2. Designação que abrange um complexo conjunto de doutrinas práticas e ensinamentos de teor religioso e espiritualista, em
que se confundem influências de religiões orientais e ciências ocultas, associadas a técnicas terapêuticas, e que,
supostamente, mobilizam energias não integrantes da ciência e visam a iniciar o indivíduo nos caminhos do autoconhecimento,
da paz espiritual, da sabedoria, da saúde, da imortalidade etc. Fonte: Dicionário Aurélio Século XXI.
7
principalmente nas lendas do “deus-sol” conhecido por Nemrod, Baal ou
Moloch, que possuíra um equivalente anterior, na Pérsia e na Índia,
denominado Mitra.
De Tammuz ou Adonis (O Senhor, The Lord, em inglês), que foi endeusado
na Babilônia e na Síria, dizia-se que nascera à meia-noite de 24 de
dezembro. E ele também era saudado como o filho de deus.
Portanto, além de Nemrod e de Mitra (um deus romano-persa, pré-cristão),
outros reverenciados filhos de deus teriam sido Tammuz (Ninus ou Adonis) e
Dionísio ou Baco, este cultuado em Roma, na Grécia e na Ásia Menor.
Todos eram idolatrados como filhos divinais que morreram para que os
nossos pecados fossem perdoados, nascidos de mães virgens e seus
aniversários celebrados, coincidentemente, em ... 25 de dezembro!
Mitra foi crucificado, mas ressurgiu dos mortos no dia 25 de março, isto é,
em plena Páscoa! As iniciações a ele eram feitas em cavernas adornadas
com os signos de Capricórnio e de Câncer, simbólicos dos solstícios de
inverno e de verão, os pontos mais alto e mais baixo do Sol em relação à
Terra! 20
Mitra era freqüentemente representado por um leão alado, o símbolo da
cidade de Veneza, um ícone solar até hoje utilizado por sociedades secretas!
Um outro símbolo alternativo para ele é um leão com o corpo envolvido por
uma serpente, enquanto segura uma chave que conduz ao céu.
Os iniciados nos ritos de Mitra eram chamados de Leões (Lions) e tinham
suas testas marcadas com a cruz egípcia! As referências ao leão e aos
apertos de mão do tipo pata do leão, do Grau Mestre Maçônico da Franco-
Maçonaria, são originários da mesma onda de simbolismos das escolas de
mistério.
No primeiro grau, suas cabeças eram ornadas com uma coroa dourada com
espigões, representando o seu interior espiritual e idêntica coroa pode ser
vista na Estátua da Liberdade, à entrada do porto de Nova York!
Esta é uma das várias origens das coroas das dinastias “reais” e da
simbólica “coroa de espinhos” usada por Jesus, “O Sol”. 21.
A grave e antiga confusão conceitual, hoje ressuscitada, entre mito e
religião, paganismo e cristandade, tão dolorosa para os do Vaticano, vem
suscitando, tanto de autores contemporâneos materialistas, marxistas ou
comunistas, quanto dos pesquisadores com respeitável formação religiosa,
alguma convergência acerca dessas velhas e desconfortáveis interpretações.
Aos olhos dos cristãos mais convictos, entretanto, elas mal passariam de
simples blasfêmias ou de meras provocações de cunho político.
August Franzen, escritor católico, em sua “História da Igreja” 22, assim se
refere a essa antiga disputa e às fortes emoções e angústias que ela ainda
desperta na cúpula do catolicismo:
20 Solstício: Época em que o Sol passa pela sua maior declinação boreal ou austral, e durante a qual cessa de afastar-se do
equador. Os solstícios situam-se, respectivamente, nos dias 22 ou 23 de junho para a maior declinação boreal, e nos dias 22 ou
23 de dezembro para a maior declinação austral do Sol. No Hemisfério Sul, a primeira data se denomina solstício de inverno e a
segunda solstíc io de verão; e, como as estações são opostas nos dois hemisférios, essas denominações invertem-se no
Hemisfério Norte. Fonte: Dicionário Aurélio, Século XXI.
21 Fonte: Icke, David in “The Biggest Secret”, P. 92
22 Franzen, August in “Breve História da Igreja”, Ed. Organizada por Remigius Bäumer, Presença, Lisboa, 1996. P.11 a 18.
Destaques de nossa autoria.
8
“...Desde os Séculos XVIII e XIX que a existência histórica de Jesus foi
freqüentemente contestada em nome da ciência esclarecida e liberal, e da
crítica histórica...
Todos (esses críticos liberais) se esforçaram por apresentar o cristianismo
como uma invenção dos apóstolos, a figura de Jesus como uma
personificação irreal, ficcional e mítica, de aspirações e de representações
religiosas; como uma impostura devota do círculo dos seus discípulos ou
como adaptações e variações de heróis divinos dos culto dos mistérios,
oriundos do Oriente Próximo e do período helenístico.
A ciência da religião comparada emergente descobriu, subitamente,
semelhanças e paralelismos entre a vida de Jesus e o deus do Sol, Mitras
(H.B. Smith, 1991) ou o herói da epopéia babilônica do Gilgamexe 23
(Jensen, 1906), ou com a figura mítica do deus redentor que morre e
ressuscita (R. Reitzenstein e outros); (a ciência da religião comparada)
julgou poder-se interpretar a imagem descrita nos Evangelhos acerca da
vida e das doutrinas de Jesus como a personificação de aspirações sociais
das massas oprimidas. Todas essas teorias foram atualmente postas de
parte e têm de ser encaradas, do ponto de vista científico, como
ultrapassadas.
Poderiam, deste modo, ser ignoradas, se não persistissem na propaganda
marxista e comunista. Dado o facto de Karl Marx e de Friedrich Engels terem
retomado e divulgado as novas idéias radicais para o seu tempo, de Bruno
Bauer, esta concepção atrasada pertence ainda à vulgata comunista e
continua a ser propagada acriticamente.”
Sendo ou não conveniente ao embate político-religioso, o fato objetivo,
duro, é que, ao seu tempo, Mitra era tido como o filho de deus 24 que
morreu para salvar a humanidade e lhe dar a vida eterna. Após o culto de
iniciação, os membros participavam de uma refeição composta de pão e
vinho, em que eles acreditavam estar ingerindo o seu corpo e o seu sangue.
Este, como, ademais, uma longa lista de outros deuses teria também
recebido, ao nascer, a visita de três reis magos, na verdade sábios ou
adivinhos babilônicos, que lhes trouxeram presentes de ouro, incenso e
mirra 25.
23 Gilgamexe: Legendário rei babilônico, herói e autor de narrativa épica acerca do dilúvio bíblico, vivida e completada cerca de
2.000 anos a.C. Fonte: Webster´s New Twentieth Century Dictionary, Collins- World, USA, 1975. P. 771. T.A.
24 Na fonte original pesquisada, em inglês, há um jogo de palavras impossível de ser corretamente traduzido em português. O
texto menciona Mitra como sendo “the son (Sun) of God”, isto é, literalmente, o “filho (Sol) de deus”. Isso porque as palavras
son e sun (filho e sol), além da grafia assemelhada, têm idêntica pronúncia e o autor pesquisado insinua que, na acepção
apontada, teriam também o mesmo significado, daí o trocadilho. N. A.
25 Incenso: Resina extraída de plantas das famílias burseráceas, estiracáceas e anacardiáceas, ou preparação contendo tais
resinas e essências naturais aromáticas, que se queima para perfumar o ambiente. É amplamente usado em celebrações
litúrgicas e designava, originalmente, a resina extraída do olíbano. Fonte: Dicionário Aurélio, Século XXI.
Mirra: Designação comum a duas árvores da família das burseráceas (Commiphora mallis e C. myrrha), originárias da África,
cuja resina dimana por incisão e se usa como incenso e em perfumes, ungüentos etc. A resina dessas árvores. Fonte:
Dicionário Aurélio, Século XXI.
Nota do Autor: A mirra era usada nos processos de limpeza e embalsamamento de cadáveres, o que pressupõe uma certa
natureza premonitória para a peculiaridade do presente, estranhamente oferecido a um recém-nascido. Essa hipótese dá
alguma base aos pesquisadores que sugerem serem esses “Reis Magos” (Wise Men, sábios, na tradição inglesa) sacerdotes
ocultistas babilônicos, que tanto previram e festejaram o nascimento de Cristo como anteviram o trágico destino que ele viria a
ter. Por isso, presentearam a Sacra Família com tais óleos sagrados, não apenas visando ao tratamento futuro do cadáver,
mas, principalmente, como uma profética advertência sobre seu infortúnio.
9
O culto misterioso a Mitra espalhou-se da Pérsia ao Império Romano e, em
certa época, podia ser encontrado em qualquer parte da Europa!
O terreno onde assenta hoje o Vaticano foi um local sagrado para os
seguidores de Mitra e sua imagem, esculpida em pedra, já foi encontrada
em diversas antigas províncias ocidentais do Império Romano, como a
Alemanha, a França e a Grã-Bretanha.
Esses rituais, simbolizando a ingestão do corpo e do sangue divinos,
representados pelo pão e o vinho, já eram praticados há milhares de anos
atrás na Babilônia, em cerimônias em honra de Nemrod, da Rainha
Semiramis e de seu filho Ninus-Tammuz, sendo também reproduzidos,
posteriormente, no antigo Egito.
Lá, Hórus, filho de Osiris, nascido igualmente de um nascimento virginal de
Ísis (Semiramis), também era o filho de deus. Sua história transcende às
meras semelhanças acidentais, de praxe, com a trajetória de Jesus e, por
isso, representa um grande incômodo para a exclusividade de certas
tradições cristãs:
Jesus era a Luz do Mundo. Hórus era a Luz do Mundo.
Jesus afirmou ser o Caminho, a Verdade e a Vida. Hórus disse ser o
Caminho, a Verdade e a Vida.
Jesus nasceu em Belém, o lugar do pão. Hórus nasceu em Annu, o lugar do
pão.
Jesus era o Bom Pastor. Hórus era o Bom Pastor.
Sete pescadores embarcaram com Jesus. Sete pescadores embarcaram com
Hórus.
Jesus era o cordeiro. Hórus era o cordeiro.
Jesus foi identificado com a cruz. Hórus foi identificado com a cruz.
Jesus foi batizado aos 30 anos. Hórus foi batizado aos 30 anos.
Jesus era filho de uma virgem, Maria. Hórus era filho de uma virgem, Ísis
(Semiramis).
O nascimento de Jesus foi anunciado por uma estrela. O nascimento de
Hórus foi anunciado por uma estrela.
Jesus foi o menino que pregou no Templo. Hórus foi o menino que pregou no
Templo.
Jesus teve 12 discípulos. Hórus teve 12 discípulos.
Jesus era a Estrela da Manhã. Hórus era a Estrela da Manhã.
Jesus era o Cristo. Hórus era o Krst.
Jesus foi tentado por Satanás numa montanha. Hórus foi tentado numa
montanha por Set. 26
(Assim, prossigamosL) Três dos elementos principais da religião babilônica
eram o fogo, os répteis e o sol. O deus Nemrod, Baal, Osíris e seu filho
Ninus, Tammuz ou Hórus, entre muitas outras denominações, podiam ser
confundidos ou representados tanto pelo astro-rei quanto por um ser
híbrido, mistura de homem com cabeça e chifres de touro ou então meiopeixe
(ou sáurio?), meio-homem.
Sua consorte, a deusa Semiramis ou ainda Isis, Baali, Ishtar, Afrodite, Vênus
ou Diana, pode aparecer na forma da lua; como uma linda e jovem mulher,
raios luminosos emergindo do alto da cabeça, tendo uma tocha luminosa na
26 Fonte: Icke, David in “The Biggest Secret”.
10
mão direita, e, alternativamente, na forma de uma doce mãe, sustentando
seu filho Ninus -Tammuz-Horus ao colo.
Ou, ainda, tout court, sob a aparência de uma cândida pomba branca. 27
Ela, um Espírito Santificado, mas, também, a Deusa do Amor é, nessa última
qualidade, figurada muitas vezes por um peixe com escamas, representação
pictórica da genitália feminina e simbólica da intensa carga de energia
sexual que carrega e transmite, porquanto os babilônicos imaginavam que
os peixes fossem afrodisíacos.
Já em seu simbolismo exclusivamente espiritual é vista, de preferência,
como uma pomba, carregando no bico um ramo de oliveira. 28
Como o onomato Semiramis significa, etimologicamente, Ze (a, aquela que),
emir (ramo, galho), amit (portadora), literalmente aquela que carrega o
ramo, fica implicitamente associado à pomba que sobrevoou a arca de Noé,
com o ramo de oliveira no bico, depois de baixadas as águas do dilúvio.
Para os teóricos da Fraternidade, um claro registro simbólico de que Eles
estariam de volta ao poder, logo após o desastre, sob a proteção de
Semiramis, a que deu à luz o filho de deus num nascimento virginal...29
Nemrod também era Eannus, mais tarde conhecido entre os romanos como
Jano, o rei de duas faces, uma contemplando o passado outra o futuro.30
A águia de duas cabeças, uma olhando para a esquerda outra para a direita,
ocidente e oriente, que aparece em tantas bandeiras e brasões, nada mais é
do que um símbolo maçônico para Nemrod no papel de Eannus.
O leão, conhecido como rei dos animais e assíduo freqüentador de
emblemas reais britânicos, também foi largamente usado no imaginário
babilônico para encarnar o deus-sol, Nemrod, Baal ou Osíris, cujo
remanescente mais conhecido e visitado é a esfinge egípcia, cabeça
humana, corpo de leão... A própria águia seria, para alguns, a representação
encoberta de um sáurio alado, o conhecido dragão31 das lendas milenares,
combatido e vencido por São Miguel Arcanjo, ao percebê-lo encarnando
Satanás, e por São Jorge, o bravo príncipe-guerreiro da Capadócia32,
martirizado ao tempo do imperador romano Diocleciano, em 303 a.D.
De São Jorge diz-se também haver sido Hércules, a encarnação grega de
Tammuz ou, ainda, segundo a tradição católica, um guerreiro que se
recusou a obedecer as ordens de Diocleciano para perseguir cristãos e que,
em conseqüência, foi torturado e morto. Nessa antiga simbologia, o
27 Desborough, Brian in “The Great Pyramid Mystery”, Fonte: Icke, David, in “The Biggest Secret”.
28 Na mesma obra.
29 Na mesma obra.
30 Jano: Personagem mítico, o mais antigo rei do Lácio. Como acolhesse favoravelmente Saturno, expulso do céu, o deus
reconhecido dotou Jano duma sagacidade tão maravilhosa que o futuro, assim como o passado, estavam sempre presentes
aos seus olhos. Essa dupla faculdade fez com que o representasse com duas visões, e alude-se muitas vezes a esse privilégio
do deus. Em Roma, o templo de Jano só estava fechado quando a República estava em paz, o que só aconteceu nove vezes
em mil anos. Fonte: Dicionário Lello, Porto, 1963, Volume III, P.1682.
31 Dragão: Animal fantástico, imaginado com garras de leão, asas de águia e cauda de serpente, era consagrado à Atena ou
Minerva, deusa da sabedoria e alter-ego de Semiramis, para indicar que a verdadeira sabedoria nunca adormece. Nas lendas
cristãs, o dragão, derrubado por São Jorge e São Miguel, personificava o pecado, o espírito do mal, o próprio Satanás ou a
Roma pagã. Na Idade Média foi introduzido nas magias; a cavalaria adotou-o como símbolo dos obstáculos a vencer. Encontrase
muitas vezes nos brasões. Fonte: verbete correspondente no Dicionário Lello, Porto, 1963, Volume III, P.1564,
complementado pelo autor. Segundo a Enciclopédia Britânica, o dragão representaria, de modo geral, as serpentes, também
símbolos dos mistérios babilônicos, quer vistas como símbolos do bem ou do mal. No Século XX, o dragão foi oficialmente
incorporada às armas e brasões do Príncipe de Gales, herdeiro oficial do trono da Grã-Bretanha.
32 Capadócia: Antiga região da Ásia menor, a oeste da Armênia, hoje território da Turquia. N. A.
11
“Dragão” vencido por São Jorge representava Roma, cujos exércitos lutavam
sob uma flâmula ostentando a figura de um ícone pagão, o dragão
vermelho.
“Segundo o Papa Gelásio (494 da Era Cristã), São Jorge era um santo
venerado pelo homem, mas cujos atos só eram conhecidos por Deus”,
adensando o enigma de sua controvertida existência.
“A mais antiga personagem conhecida em que se acredita haver-se baseado
São Jorge é Tammuz, cujas origens lhe são muito anteriores. A maioria das
autoridades modernas acredita hoje que el Khidir, o padroeiro dos sufistas
33, Tammuz e São Jorge sejam simplesmente uma mesma pessoa retratada
em diferentes trajes. Descreve-se Tammuz como o esposo, filho ou irmão da
deusa Ishtar (Isis ou Semiramis), e ele é conhecido como “O Senhor da Vida
e da Morte”, um título que tem profundos matizes maçônicos, mas antecede
em vários milênios a reputada história desse movimento secreto. É
interessante observar que também se descreve São Jorge em cima de uma
tábua cor-de-rosa enfeitada com rosas e rosetas, estabelecendo uma
explícita ligação com a deusa babilônica Ishtar, cujos templos eram
tradicionalmente enfeitados com rosetas”.34
Releva destacar que São Jorge (ou Tammuz) continua sendo, até hoje, o
Patrono da Inglaterra, e a Estátua da Liberdade (Semiramis ou Ísis), o
Símbolo Maior dos Estados Unidos!
Inglaterra e Estados Unidos, Tammuz e Semiramis, mais uma vez e, ao que
parece indissoluvelmente, a braços dados!
Retornando ao dragão, esse animal mítico, sempre desperto e alerta, era
consagrado, na simbologia greco-romana, a Atena ou Minerva, deusa da
sabedoria, patrona das Escolas de Filosofia mundo afora e que, como
sabemos, é apenas uma das muitas faces e denominações de Semiramis-
Baali, a indicar que a verdadeira sabedoria (a dos sábios e deuses
babilônicos) nunca adormece, permanecendo sempre vigilante!
O aparecimento, nas representações heráldicas, do leão e da águia, suas
versões simbólicas mais sofisticadas, não impediu, entretanto, que os
próprios dragões ou lagartos alados aparecessem, em pessoa, nos brasões
imperiais, em coroas, cetros e outros emblemas da realeza, especialmente a
britânica.
Além da figuração tradicional nesses antigos símbolos, o dragão foi, no final
do Século XX, também oficialmente incorporado às armas e brasões do
Príncipe de Gales (Ele mesmo, Charles de Windsor, viúvo de Lady Di e
namorado de Camila Parker-Bowles), herdeiro oficial do trono da Grã-
Bretanha!
Uma profusão de histórias, lendas e até mesmo teses científicas envolvendo
deuses, homens, aves e répteis tem sido herança freqüente e usual em
muitas culturas.
33 Sufistas: adeptos do misticismo arábico-persa, que sustenta ser o espírito humano uma emanação do divino, no
qual se esforça para reintegrar-se. N.A.
34 Fonte: Hopkins, Marilyn; Simmans, Graham & Wallace-Murphy, Tim in “REX DEUS”, Imago, Rio, 2000. P. 286.
12
Cientistas do mundo livre asseguram mesmo, por mais estranho que isso
possa soar, que nossas prosaicas aves, inclusive as galinhas, descendem dos
antigos dinossauros!
O símbolo da serpente, além de profusamente encontrado no lendário
mesopotâmico, também está presente na antiga Bretanha, na Grécia, em
Malta, no Egito, no Novo México, no Peru e em todas as Ilhas do Pacífico.
Antigas lendas da Assíria, Babilônia, China, Roma, América, África, Índia e
arredores, até mesmo passagens do Antigo Testamento, trazem estórias
sobre dragões e homens-serpente.
Existe uma semelhança irresistível entre alguns tipos de dinossauros e
antigas descrições dos míticos dragões. Certas espécies de pequenos répteis
indo-malaios, com asas cobertas por membranas interdigitais, se parecem
tanto com o animal das lendas que vieram a receber o nome genérico de
dragão.
Porém, um dos mais interessantes desses animais é um lagarto alado e
encouraçado, também semelhante à figura tradicional, conhecido por Moloch
Horridus.35 Moloch, como sabemos, é a antiga deidade fenícia identificada
com Nemrod-Baal-Tammuz, em louvor da qual milhares de crianças foram e
ainda são sacrificadas, em ritos satânicos.36
O próprio nome Tammuz significa aquele que aperfeiçoa pelas chamas
(Tam=aperfeiçoar e Muz=queimar), o que melhor ainda se explica pelo
antigo ritual de se queimarem crianças vivas, em sua homenagem, até hoje
barbaramente praticado.
Outra suposta divindade, à qual se oferecem sacrifícios de crianças em
rituais de satanismo é Cronos, rei dos Ciclopes e um dos Gigantes ou Titãs
da mitologia grega. Ele era conhecido como o construtor da torre e, nessa
qualidade, seria certamente uma outra versão para Nemrod, que erigiu a
bíblica Torre de Babel.37
O antigo festival celta de Beltane, na Bretanha, em 1º de maio (conhecido
como May Day), quando os druidas38 homenageavam a primavera e a
chegada do verão, envolvia cerimônias em que crianças eram queimadas no
oco de enormes figuras humanas feitas em palha ou vime. Herança
claramente babilônica, após a expansão da Fraternidade, através do seu
braço navegante fenício, pelo norte da Europa.
Teria havido, por acaso, nessas terríveis práticas, alguma origem comum ou
inspiração para que a Igreja, através da Inquisição39, tenha se fixado na
fogueira como método favorito de expiação de crimes e de purificação da fé?
35 Moloch Horridus: (Moloch: de cor malva, róseo-arroxeado. Horridus: horrível, selvagem, bárbaro, medonho, cabeludo.
Fonte: Dicionário Latino-Português, por Cretella Jr. e Ulhoa Cintra, Cia. Editora Nacional, S. Paulo, 1953. T. A: Dragão-Roxo
Horroroso ou Bicho-Cabeludo Roxo).
36 Icke, David in “The Biggest Secret”, P. 55.
37 Desborough, Brian in “The Great Pyramid Mystery”, Fonte: Icke, David, na obra citada.
38 Druida: Antigo sacerdote pagão, entre os gauleses, celtas e bretões. Não possuindo templos, reuniam-se nos bosques e
veneravam certas plantas como o visco, que era colhido todos os anos, solenemente, com uma foice de ouro. Reconheciam
vários deuses, mas sua principal divindade era Teutates, rei da Guerra. Acreditavam na imortalidade da alma e na
metempsicose (Fonte: Aurélio, doutrina segundo a qual uma mesma alma pode animar sucessivamente corpos diversos,
homens, animais ou vegetais; transmigração). A sua filosofia não era bem conhecida porque eles não escreviam e confiavam
tudo à memória dos discípulos. Além do seu papel religioso, tinham altas atribuições judiciárias. Nas grandes calamidades,
imolavam vítimas humanas a título expiatório. Eram também astrólogos, adivinhos, feiticeiros; recrutavam-se entre a nobreza e
obedeciam a um grande sacerdote, eleito por toda a vida. Fonte: Dicionário Lello, Porto, 1963, Volume III, P.1565.
39 Inquisição: Designam-se por este nome os tribunais estabelecidos em certos países na Idade Média e nos tempos
13
Já a festa em honra de Ninus-Tammuz era celebrada no dia 23 de junho,
comemorando sua ascensão do mundo subterrâneo, dias depois de haver
morrido. Uma vez ressuscitado, Tammuz passou a ser conhecido como
Oannes, o deus-peixe, e Oannes também é, como sabemos, uma versão
latina do nome João.
“Por isso, o nome João tem sido sempre usado como um símbolo para
camuflar Tammuz-Nemrod em personagens como, por exemplo, João, o
Batista”.
A data de 23 de junho, a Festa de Tammuz, tornou-se o dia em que a
cristandade celebra o dia de ... São João!” 40
Dessa mesma forma dissimulada, Nemrod e Semiramis têm freqüentemente
reaparecido, ao longo das idades, sob diversos outros simbolismos ocultos,
perceptíveis apenas aos olhos dos iniciados.
O mais comum e impactante de todos, pois é contemplado diariamente por
milhões de pessoas em todo o mundo, quase sem ser notado, é o Grande
Selo dos Estados Unidos, que abriga o misterioso olho vivo, representativo
do deus egípcio Osíris (ou seu equivalente babilônico Nemrod-Baal), sobre
uma pirâmide inacabada, o símbolo máximo dos Illuminati, presente no
verso de todas as notas de um dólar!
Em 1945, o antigo presidente dos Estados Unidos Franklin Delano Roosevelt,
um reconhecido maçom, rosa-cruz e membro da sociedade secreta Antiga
Ordem Arábica dos Nobres e Místicos, no Grau Cavaleiro de Pythias (uma
ramificação dos antigos Illuminati, que teve como membros de destaque
Mirabeau, Frederico o Grande, Goethe, Spinoza, Kant, Francis Bacon e o
nosso Garibaldi), decidiu introduzir tal símbolo na moeda americana.
A idéia lhe fora sugerida por Henry Wallace, seu secretário da Agricultura,
um ocultista praticante que achava haver chegado um momento de grande
importância na História americana, quando significativas transformações
espirituais viriam fatalmente a ocorrer entre a sua população.
Ele esposava essas crenças por influência de um mentor psíquico, o místico
russo Nicholas Roerich, também guru de outros membros do Gabinete de
Roosevelt.
Roerich adquirira conhecimentos ocultos e supostas habilidades paranormais
através de estágios em mosteiros budistas do Nepal e do Tibet. Ele buscava,
nessas ocasiões, além do aperfeiçoamento religioso e da meditação
modernos, para perseguir e punir os hereges. Teve principio em França nos fins do Século XII. Ordenando aos bispos
lombardos que entregassem à Justiça os hereges que recusassem converter-se, o concilio de Verona (1183) lançou as bases
da Inquisição. Para lutar contra os progressos da heresia albigense no Languedoc, Gregório IX organizou (1283) um tribunal
especial que confiou ao domlnlcanos. A ação deste tribunal estendeu- se, pouco a pouco, a quase todo o resto da cristandade.
Em Itália, e, principalmente, em Espanha, tomou o nome de Santo Oficio, criou fortes raízes e tornou-se instituição
poderosíssima que deixou lúgubres recordações, a que estão Iigados os nomes dos dois grandes inquisidores Torquemada e
Ximenes. A característica principal do modo de proceder da Inquisição era o segredo absoluto da instrução judiciária. Foi D.
João III quem introduziu a Inquisição em Portugal (1536). Teve tribunais efetivos em Lisboa, Évora, Goa e, temporariamente,
em Coimbra, Lamego, Tomar. O primeiro auto-de-fé realizou-se em Lisboa, na Ribeira Velha, em 20 de setembro de 1540. O
marquês de Pombal reduziu consideravelmente o poder do Santo Oficio, que foi extinto definitivamente em 1821. Durante os
dois séculos do seu exercício em Portugal, a Inquisição queimou cerca de 1.600 pessoas e condenou a diversas penas mais de
26.000. Ignora-se o número das que morreram no cárcere. Em 1808, Napoleão suprlmlu-a em Espanha; mas tornou a vigorar
de 1814 a 1883.
40 Desborough, Brian in “The Great Pyramid Mystery”, Fonte: Icke, David, na obra citada. P. 55.
14
profunda, indícios para localizar a cidade perdida de Shambala41, mítica sede
de uma legendária fraternidade cujos desconhecidos adeptos (ou Mestres),
na crença de muitos, teriam influenciado todos os grandes acontecimentos
mundiais ao longo da História.
Estes adeptos eram referidos nos círculos ocultistas por nomes tão diversos
quanto Chefes Secretos, Mestres Ocultos ou Grande Irmandade Branca.
Roosevelt ficou entusiasmado com a sugestão de Wallace e mostrou-se
ansioso para introduzir no dinheiro a imagem maçônica do olho que tudo vê
(segundo ele e outros da Maçonaria, um ícone para o Grande Arquiteto do
Universo), mas, como temia ferir suscetibilidades dos católicos, decidiu
sondar antes a opinião da Igreja.
Pediu, então, a James Farley, outro membro proeminente do seu Gabinete,
que fizesse a intermediação, obtendo como resposta um simpático e
surpreendente “OK. Vá em frente, nada contra!”42
Ao adquirir a certeza de que a inserção desses símbolos babilônicos no dólar
americano não causaria desgostos, aflições, nem impediria que o Vaticano
continuasse a receber seus óbolos, a transacionar ou a acumular poupança
entesourando as verdinhas pagãs, Roosevelt, aliviado, imediatamente
instruiu o Departamento do Tesouro a mandar rodar as novas notas de
dólar!
Para aqueles autores e intelectuais que conseguem enxergar, sem quaisquer
dúvidas, símbolos do credo babilônico nos corpos das principais religiões
monoteístas, eles seriam uma prova milenar de heranças da Fraternidade
entre os seus primeiros crentes, sacerdotes ou teólogos, remanescendo e
influenciando, em seu seio, até nossos dias.
Nessa linha simbiôntica, o chapéu Mitral (mesma raiz de Mitra!) em forma
de peixe, ainda hoje usado pelos Papas, não passaria de um antigo símbolo
de Nemrod. Este mesmo significado teria, igualmente, o anel do pescador,
usado por Sua Santidade.
De volta aos símbolos terrenos, portanto mais sólidos e tangíveis: o trono de
São Pedro, supostamente uma antiqüíssima relíquia do Vaticano, teve sua
41 Shambala: Essa misteriosa cidade seria a capital de Agarta ou Agarti, um vasto império escondido nas profundezas
terrestres que, segundo fontes ocultistas e várias escolas de mistério, seria composto por milhares de habitantes distribuídos
por inúmeras outras cidades. Alguns peritos sustentam que este mundo subterrâneo teria acesso através de compartimentos
secretos existentes dentro da base da grande Pirâmide de Queops, no Egito. De acordo com as mesmas fontes, existiriam
também algumas entradas (embocaduras) para Agarta localizadas no Brasil. As mais conhecidas são: "Sete Cidades" no Piauí,
"Serra do Roncador" no Mato Grosso, "Vila Velha" no Paraná, "Ilha de Itaparica" na Bahia, "Circuito das Águas" em Minas
Gerais, e a "Pedra da Gávea" no Rio de Janeiro. Para se penetrar nestes mundos seria necessária uma aceitação prévia ou a
posse de uma senha (que pode ser um determinado nível de desenvolvimento espiritual-Gnose). Segundo a mitologia persa,
esses portais seriam guardados por quatro estrelas, situadas nos quatro pontos cardeais: Aldebaran ao Leste, Fomalhaut ao
Sul, Regulus ao Norte e Antares a Oeste. Especula-se que, em 1919, o oficial britânico Percival Fawcett, na companhia de seu
filho e de alguns carregadores, teria comandado uma expedição rumo ao centro da Terra. Ele esperava estabelecer contato
com uma evoluída civilização intraterrestre, supostamente descendente dos Atlântidas. O mundo nunca mais ouviria falar dele.
Segundo diversas comunidades místicas, o explorador teria encontrado o portal que liga a Terra a essa e a outras civilizações
antigas, de grande poder espiritual e mais desenvolvidas que a nossa, preferindo não mais regressar à superfície. Esta
expedição teve lugar em solo brasileiro, no estado do Mato Grosso, na Serra do Roncador! Formada por chapadões como um
típico planalto, ela começa na cidade de Barra do Garças, a 500 quilômetros de Cuiabá, e se estende até a Serra do Cachimbo,
no Pará.
Fonte: Página na Internet do Instituto de Pesquisas Psíquicas Imagick.
42 Para o relato completo deste episódio envolvendo Roosevelt, ver: Howard, Michael, Na obra citada. P. 95. Tradução deste
autor.
15
real idade avaliada por uma comissão de especialistas, em 1968, que
estabeleceu as suas origens como datando do Século IX.
O que causa estranheza não é, propriamente, o fato dele ser bem mais
recente do que se imaginava antes, mas sim o da Enciclopédia Católica
descrevê-lo como ornado por doze painéis, retratando os doze trabalhos de
Hércules e, ao mesmo tempo, registrar em suas páginas que Hércules era
outro nome de Nemrod, antes dele se tornar, também, um deus grego.43
Teria essa decoração no trono papal recebido uma influência tão poderosa e
recente da Fraternidade e de sua religião babilônica? Como se explica esse
enigmático acontecimento?
Em 1825, o Papa Leão XII autorizou o Vaticano a cunhar uma medalha
comemorativa, retratando uma mulher em pose que reproduzia, de forma
escandalosa, a tradicional efígie da Rainha Semiramis. Ela segurava um
crucifixo na mão esquerda, uma taça na direita e trazia na cabeça uma
coroa de sete raios, idêntica à da Estátua da Liberdade, uma outra
representação de Semiramis oferecida à cidade de New York pela Maçonaria
Francesa.44
O povo judeu, como grupo étnico supostamente monolítico (religião à
parte), também não fica incólume ao bombardeio teórico.
Ao relatarem a trajetória dos homens brancos, após haverem descido das
montanhas do Cáucaso, do Irã e do Curdistão, passando pelos solos do que
hoje seriam o Egito, a Palestina, Israel, Jordânia, Síria, Irã, Iraque e
Turquia, esses mesmos estudiosos afirmam, categoricamente:
...Aqueles que nós chamamos de raça judaica, muitos também se
originaram da região do Cáucaso e não das terras de Israel, como todos
reivindicam. A história judaica e fontes antropológicas têm mostrado que
somente uma pequena parcela do povo conhecido como judeu tem alguma
relação genética com Israel. No Século VIII, um povo conhecido como
Khazars, vivendo nas montanhas do Cáucaso e na Rússia meridional, fez
uma conversão maciça à religião judaica.45 Mais tarde, quando o Império se
desdobrou, esse mesmo povo, durante longo período de tempo, migrou para
o norte e se fixou em outras partes da Rússia (e dos países bálticos N.A.),
Lituânia, Letônia e Estônia. Dali eles passaram à Europa Ocidental e,
eventualmente, aos Estados Unidos.
A família Rothschild pertence a esse ramo. Henry Kissinger também...46
Segundo o escritor judeu Arthur Koestler, quase todos os que colonizaram e
povoaram o estado judaico, exceto uma pequena minoria, têm sua origem
genética na Rússia meridional e não em Israel.
Koestler escreve a propósito dos khazars, o povo genericamente russo que
se converteu maciçamente ao judaísmo, em 740 d.C.
“Os khazars não vieram do Jordão, mas do Volga; não vieram de Canaã,
mas do Cáucaso. Geneticamente eles são muito mais relacionados aos
43 Icke, David in The Biggest Secret, P. 55.
44 Na mesma obra. P.54.
45 Khazars: O sítio www.jewishencyclopedia.com oferece mais completas informações sobre a matéria, sob os verbetes
Khazars ou Chazars. N. A.
46 Icke, David, in The Biggest Secret, P.182.
16
Hunos 47, aos Ugros 48 e Magiares49 do que às sementes de Abraão, Isaac e
Jacó. A estória do Império Khazar, ao emergir lentamente do passado,
começa a se revelar como a maior fraude que a História já perpetrou”.50
“O nariz adunco, considerado tão judeu, é um traço genético do sul da
Rússia e do Cáucaso, não de Israel”. 51
Segundo o pesquisador e escritor judeu Alfred M. Lilenthal, ...Não existe
nenhum antropólogo de boa reputação que discorde de ser o racismo judaico
uma tolice tão grande quanto o racismo ariano... A Antropologia divide a
espécie humana em três grandes grupos raciais reconhecíveis: os Negros, os
Mongólicos ou Orientais e os Caucasianos ou Brancos (muito embora
algumas autoridades se refiram a uma quarta raça - os Australóides)...
Membros da fé judaica são encontrados em todas essas raças e nas suas
subdivisões.52
Em síntese, e do ponto de vista exclusivamente científico, ensina o doutor
em Física pelo M.I.T. e reitor da Universidade de Brasília no período 1975-
1985, J. C. de Almeida Azevedo, que ...Não há raças, há uma espécie
apenas; todos os humanos pertencem ao reino animal, ao filo cordata, à
classe dos mamíferos, à família dos hominídeos, ao gênero homo e à espécie
homo sapiens.53
A tese, em seu rigor antropológico, aproximaria o judaísmo, incômoda e
definitivamente, à trilha exclusiva da fé e não de uma “raça judaica”
empalidecendo, sobremaneira, certas reivindicações ortodoxas da religião e
do seu braço político, conhecido mundialmente por Movimento Sionista, que
defende a posse das terras da Palestina como lar exclusivo de seu povo,
pelos direitos divino, histórico e sangüíneo!
Enfraqueceria, também, os esforços da combativa ADL (Anti-Defamation
League)54 ou “Liga Antidifamatória” da B´nai B´rith”55, sociedade sediada
47 Huno: Indivíduo dos hunos, povo bárbaro da Ásia central, que invadiu a Europa, sob a chefia de Átila, nos meados do séc. V.
Fonte: Dicionário Aurélio Século XXI.
Huno: Povo bárbaro das margens do Mar Cáspio que invadiu a Europa e devastou a Gália, capitaneado por Átila. Fonte:
Dicionários Lello Irmãos Editores, Portugal, 1963, Volume II, P.1661.
48 Úgrico, Ugro ou Uigúrico: Indivíduo dos úgricos, povo finês pescador e criador de renas que habita a Sibéria Ocidental
(Rússia), de baixa estatura, trigueiro, de face mongólica. A língua uralo-altaica falada por esse povo. Pertencente ou relativo aos
montes Urais e Altai (Ásia Central) ou aos povos que neles habitam. Povos de língua uralo-altaica: Família lingüística que se
estende pelos Bálcãs e N.E. da Ásia, e que se subdivide em três grupos: (a) o túrcico ou turco, que inclui o turco, o turcomano e
o azerbaidjani; (b) o mongoliano, cuja principal língua é o mongol; e (c) o manchu- tungue, que inclui o manchu e o evenque ou
tungue. Compilação do Autor nos Dicionários Lello Irmãos Editores, Portugal, 1963, Volume II, P.1262 e Aurélio, Século XXI.
49 Magiar: Povo uralo-altaico descendente dos Ugros (antigo nome dos ostíacos) emigrados dos Urais em 898 e que povoou a
Hungria. Húngaro. Fonte: Dicionário Lello Irmãos Editores, Portugal, 1963, Volume II, P.1726.
50 Koestler, Arthur, in The Thirteenth Tribe, Hutchinson, London, 1976.
51 Icke, David in The Biggest Secret, P. 90.
52 Lilenthal, Alfred M. in What Price Israel? Henry Regnery, Chicago, 1953, P. 213, 214.
53 Azevedo, José Carlos de Almeida (doutor em Física pelo MIT-Massachussets Institute of Tecnology; vice-reitor da
Universidade de Brasília entre 1968 e 1975; Reitor da Universidade de Brasília de 1975 e 1985) in “Horóscopos e
telescópios”, no J. do Brasil, em 10/04/2003, P. A15.
54 ADL-Anti-Defamation League: Zeloso “Comitê de Guarda” da B´nai B´rith, suspeito de ser resultado de uma operação de
inteligência britânica. Alguns, como Devon Jackson, (Na obra “Conspiranoia”, Plume-Penguin Books, N.Y., 1999. P. 47) afirmam
que foi fundada nos Estados Unidos pelo MI6 (Serviço Secreto Britânico) e dirigida durante algum tempo por Saul Steinberg, um
rumoroso associado em negócios com os Rothschild.
17
nos Estados Unidos, mas de ação planetária, dedicada a combater todas e
quaisquer pressões contra o povo judeu, em especial as que possam advir
de conotações supostamente racistas.
Muito embora o movimento de defesa racial, comandado pela ADL, ainda
seja fortíssimo e assim, compreensivelmente, deva continuar, a percepção
da real existência dessas manipulações internas começou a provocar, já há
algum tempo, indignadas reações, corajosamente iniciadas no próprio seio
do judaísmo.
Benjamin Freedman, escritor judeu ligado aos sionistas de topo dos anos 30
e 40, demonstra como essa insidiosa infiltração pode prejudicar interesses
genéricos do seu povo, desservindo a causa judaica, e por certo afirma, tão
contundentemente, que a expressão anti-semitismo deveria ser banida da
língua inglesa:
“O anti-semitismo serve apenas a um propósito, nos dias de hoje. Ele é
usado como uma expressão de injúria. Quando aqueles que se
autodenominam judeus sentem que alguém se opõe aos seus objetivos
reais, procuram desacreditar suas vítimas aplicando-lhes os termos antisemita
ou anti-semítico, através de todos os meios que tiverem sob seu
comando ou sob seu controle”. 56
Para ajudar a que melhor se compreenda a tese da manipulação religiosa,
desde a mais remota antiguidade, Icke nos propõe solucionar o seguinte
enigma57:
— De quem estou falando?
“Ele nasceu de uma Virgem, pela Concepção Imaculada de um Espírito
Santo. E isso confirmou uma antiga profecia. Quando nasceu, um tirano que
estava no poder quis matá-lo. Seus pais tiveram que fugir em busca de
segurança. Todas as crianças do sexo masculino, com menos de dois anos,
foram mortas pelo tirano, que visava exterminar aquele menino. Anjos e
pastores compareceram ao seu nascimento e ele ganhou de presente ouro,
incenso e mirra. Ele foi saudado como o Salvador e levou uma vida de
elevados padrões morais e de humildade. Operou milagres que incluíram
desde a cura de doentes e o restauro da visão de cegos quanto o exorcismo
de demônios e a ressurreição de mortos. Foi dado à morte numa cruz, entre
dois ladrões. Ele desceu aos infernos e, ressurgindo dos mortos, subiu aos
céus”.
Parece Jesus? Sim? Mas não é.
55 B´nai B´rith: Uma Fraternidade Judaica fundada em 1843 em New York, hoje possuindo um quadro de associados
internacional. Fonte: o “Webster’s New Twentieth Century Dictionary of the English Language”, second edition, Collins World,
1975, USA, p.201.
B´nai B´rith: Organização gêmea da ADL, a “Ordem Independente da B´nai B´rith”, que também significa “Fraternidade da
Aliança”, é uma loja maçônica de escol destinada à assimilação (aceitação pacífica pelas sociedades locais) de seus membros.
Fundada num restaurante nova-iorquino, em 1843, por imigrantes judeus maçons que pretendiam se tornar bons americanos.
Seus membros incluíram o ator Eddie Cantor e o teórico- marxista Leon Trotsky. Fonte: Jackson, Devon Na obra citada. P.47.
T.A.
56 FREEDMAN, Benjamin, citado por Icke, David em “The Biggest Secret”, by Bridge of Love Pub., Mo., USA, 2ª ed. revista e
ampliada ,7ª impressão, Nov. 2001, P. 89. Destaques deste Autor.
57 Em “The Biggest Secret”, by Bridge of Love Pub., Mo., USA, 2ª ed. revista e ampliada, 7ª impressão, Nov. 2001, P. 91, T.A.
18
Esta é uma exata descrição da vida de Virishna, um deus salvador oriental,
cultuado 1.200 anos antes do nascimento de Cristo!
Ainda segundo aquele autor, se quisermos encontrar um salvador que tenha
morrido para que fossem perdoados todos os nossos pecados é só escolher
um do mundo antigo, pois todos se originaram, igualmente, com os antigos
árias e seus descendentes consangüíneos da corrente gerada no Oriente
Próximo e nas montanhas do Cáucaso!
E estes são alguns desses Filhos de Deus:
Krishna do Industão; Buda da Índia; Salivahana da Bermuda; Osiris e Horus
do Egito; Odínio da Escandinávia; Zoroastro da Pérsia; Baal e Taut da
Fenícia; Indra do Tibete; Bali do Afeganistão; Jao do Nepal; Tammuz da
Síria e da Babilônia; Attis da Frigia; Xamolxis da Trácia; Zoar dos Bonzos;
Adad da Assíria; Deva Tat e Sammonocadam do Sião; Alcides de Tebas;
Micado dos Xintoístas; Beddru do Japão; Hesus ou Eros e Bremhillahm dos
Druidas; Thor, filho de Odínio, da Gália; Cadmus da Grécia; Gentaut e
Quetzalcoatl do México; Ischi de Formosa; Fohi e Tien da China; Adonis,
filho da virgem Io, da Grécia; Ixion e Quirinus de Roma; Prometeus do
Cáucaso e Maomé de Arábia.
Todos esse filhos de deus ou profetas (com algumas poucas exceções) e
suas respectivas religiões feitas sob medida para cativar as mentes, vieram
dos locais ocupados ou influenciados pelos povos do Cáucaso e do Oriente
Próximo. Exatamente as terras dos membros da Fraternidade!
Sutilezas e divergências religiosas ou pseudo-raciais à parte, excelentes
pretextos para dividir e conquistar a todos nós, voltemos a nos concentrar
nas simbologias ocultistas da Fraternidade.
O peixe e a pomba, antigos ícones babilônicos, continuam largamente
usados em rituais religiosos e em símbolos e cerimônias nacionais.
O Sinn Fein, braço armado do IRA (Irish Republican Army, o Exército de
Libertação Nacional da Irlanda do Norte), visto por muito como terrorista,
tem a pomba como escudo, também encontrada nos cetros usados pela
monarquia britânica. Ambas as instituições seriam fronts modernos para a
Fraternidade Babilônica! 58
Explicam-nos os teóricos que, nos eventos pagãos, esses emblemas têm seu
significado comum revertido, para passarem despercebidos aos olhos do
público. Assim, nesses rituais ocultistas, a pomba, para todos nós,
supostamente o símbolo da Paz, representaria, na realidade, a morte e a
destruição.
Essa reversão das simbologias permite que a Fraternidade possa dispor de
seus ícones em público, sem despertar atenções, justamente porque as
pessoas comuns não têm a mínima idéia do que representam para o círculo
íntimo e mágico do poder.
Como visto, todas as linhagens de sangue da realeza européia descenderiam
dessa dinastia babilônica, pelo ramo Merovíngio, e os belos símbolos que
ostentam nas cabeças coroadas seriam meras representações modernas do
barrete com chifres, visto nas representações pictóricas de Nemrod-Baal, o
deus-sol.
58 Na mesma obra.
19
Os grandes cornos representavam a autoridade do monarca e, mais tarde,
evoluíram para uma tiara metálica com três pequenos chifres estilizados,
símbolo do poder real pela autoridade divina, cujo moderno ícone é a florde-
lis (belíssimo emblema da trindade babilônica: Nemrod-Semiramis-
Tammuz), encontrada em todos os objetos de poder da moderna realeza.59
A flor-de-lis, uma espécie de lírio, que historiadores ortodoxos da arte
eclesiástica dizem ser representação de pureza, para os iniciados,
entretanto, transmite também a integridade consangüínea dos descendentes
da Casa Real de Israel (David, Salomão e Jesus), unida por laços de pureza
genética às dinastias Merovíngias.60
Não é de se estranhar, portanto, diante de tantas possibilidades de estarmos
convergindo para um sincretismo étnico e religioso que, pelo mundo afora e
em todos os tempos, tenha sido possível encontrar-se os mesmos rituais e
religiões do Sol, tanto na Suméria, Babilônia, Assíria, Egito, quanto na
Bretanha, Grécia e na Europa em geral, México e América Central, Austrália,
enfim, em todo lugar!
A adoração ao fogo e ao astro-rei era o foco da religião na Índia, onde seus
festivais homenageavam, simbolicamente, o ciclo do Sol, durante todo o
ano.
Na história de Jesus é possível perceber-se constantes referências aos ciclos
solares e aos simbolismos da astrologia e das escolas de mistérios. A coroa
de espinhos nada mais seria que uma tosca representação dos raios solares,
exatamente como a coroa de espigões em torno da cabeça da Estátua da
Liberdade (Semiramis-Isis)!
As cruzes e os círculos desenhados sobre cabeças também identificam o Sol
e têm papel intensamente simbólico na astrologia.
Leonardo da Vinci, grão-mestre do Priorado de Sion (Sion=Zion=Sol)61 usou
desse mesmo simbolismo para pintar sua “Última Ceia”, exposta em Milão.
Ele dividiu os 12 discípulos (os doze símbolos do Zodíaco) em quatro grupos
de três com Jesus, o Sol, no meio deles.
É voz corrente que Da Vinci também pode ter pintado um dos doze
discípulos de sua Última Ceia (hoje bastante danificada e um tanto diferente
do desenho original, por ter sofrido diversas restaurações), com feições
femininas para que representasse, aos olhos iniciados, a deusa Semiramis,
Ísis, Minerva, Barati.
Dizem os teóricos que a crença cristã de haver Jesus nascido em 25 de
dezembro deve-se a uma data emprestada ao culto religioso do Sol Invictus
(o Sol nunca vencido), pelas razões já aventadas. Ele teria morrido na
Páscoa, pregado na cruz, versão tomada à mesmíssima história antiga, pois
os egípcios já representavam Osíris na cruz, uma simbologia astrológica.
Segundo os antigos, o Sol teria levado três dias para se recuperar de sua
“morte”, em 21 ou 22 de dezembro. Nos Evangelhos, quantos dias se
59 Na mesma obra.
60 Fonte: Hopkins, Marilyn; Simmans, Graham & Wallace-Murphy, Tim in REX DEUS, Imago, Rio, 2000. P. 286.
61 Priorado de Sion ou A Ordem do Sol: misteriosa e ultrapoderosa sociedade secreta da qual se diz que controlava a Ordem
dos Templários e sucessoras, operando até os dias de hoje. Ordem do tipo gnóstica, criada originalmente para preservar a
linhagem de sangue dos reis Merovíngios, que se consideravam descendentes do Rei Salomão e do próprio Jesus Cristo.
Estabelecida em 1099, no Monte Sião, em Jerusalém, foi a força-guia da Maçonaria e dos Cavaleiros Templários, tendo entre
seus membros mais famosos Da Vinci, Isaac Newton, Joana d’Aarc, Claude Debussy e Jean Cocteau. Fonte: Jackson, Devon,